Notas iniciais
Olá meninas! No capítulo de hoje não teremos fofuras até porque alguém de fora vai roubar a cena. Façam uma boa leitura. ;)


S
e no começo da relação com Emma eu quase não era vista na minha casa, depois de aceitar o convite para morar junto, praticamente desapareci da mansão da família Mills.

Eu havia ganhado alguns dias de folga do jornal por conta das festas de fim de ano. Emma ainda tinha um bom tempo de recesso pela frente também, por isso, naqueles últimos dias de dezembro, nos sentimos numa verdadeira lua de mel; Acordávamos sempre tarde, o café da manhã acabava virando nosso almoço e o almoço era o jantar. Alugamos uma pilha de filmes para assistir – e assistimos tantos que até nossos olhos pediram misericórdia. Viramos muitas noites jogando no Playstation da Emma – ela amava aquele vídeo game. Também a ensinei a jogar xadrez e ela em retribuição me viciou em comer brigadeiro na panela. Nós gastamos algum tempo lendo uma para a outra também, mas nunca terminamos qualquer livro que tentássemos porque Emma me atrapalhava fazendo cócegas em algum ponto do meu corpo enquanto eu lia para ela ou simplesmente o tirava da minha mão e jogava longe, me agarrando para fazermos algo mais interessante na cama.

Considerando que eu estava morando no apartamento de Emma fazia quinze dias, achei que aquela era a hora certa para apresentá-la a minha família. Pedi que ela passasse o natal conosco e assim aproveitaria a situação para conhecer meus pais e minha irmã. Senti que ela ficou relutante com a ideia, mas acabou aceitando porque mais cedo ou mais tarde aquilo aconteceria.



Chegamos na noite de natal. Na minha casa todos os anos, minha mãe recrutava um batalhão de pessoas para ajudar na decoração, mandando colocar luzes por todo o jardim, enfeites pela fachada, guirlandas, bolas de natal, bonequinhos de neve e etc... Era um verdadeiro festival. No final o resultado ficava bonito, eu adorava, apesar de que com o tempo passei a achar aquilo bem fútil. Quando chegamos, vimos toda aquele brilho em que se encontrava a mansão Mills; Emma ficou boquiaberta percebendo o quão grande era o jardim e a casa, e ela nem tinha visto por dentro ainda. Eu ri de sua reação porque já estava acostumada com o tamanho da propriedade, então, às vezes para mim, não era tão grande assim.

Estacionei na minha vaga na garagem e a perguntei antes de sairmos do carro:

— Está pronta?

Ela me olhou, dando um longo suspiro.

— É, né? Fazer o quê? — brincou um pouco, fazendo uma carinha meiga, mas eu percebi que ela estava nervosa.

Ajeitei a gola da blusa que ela vestia, também toquei em sua coxa por cima da calça, alisando ali para assegurá-la. Ela assentiu e me selou levemente.

Na porta, quem abriu para nós foi minha irmã, que me deu um sorriso de orelha a orelha.

— Oi, sumida! — e me abraçou quase amarrotando meu casaco. Notei que ela usava um suéter branco e rosa que havia lhe dado no natal do ano anterior.

— Oi! — disse eu, com um sorriso desconfortável certamente.

Zelena viu Emma e perguntou:

— É ela?

— Sim. — respondi ao mesmo tempo em que sorria. — É ela sim.

Emma estava distraída com alguma coisa na decoração, pois foi pega de surpresa. Olhou para minha irmã, depois me olhou como se me perguntasse quem era.

— Meu amor, esta é Zelena. Minha irmã mais velha.

A loira mais do que depressa estendeu a mão para cumprimentá-la

— Hey! Muito prazer. Emma Swan. — disse.

— Uau! É mais bonita do que nas fotos, hein? — comentou minha irmã, apertando a mão de Emma e sorrindo. Dava para ver que a olhava com curiosidade também.

Mal deu tempo de Emma responder. De repente, ouvimos um barulho ecoar da escadaria... Era minha mãe descendo.

— Regina? — disse Cora Mills, vindo direto na minha direção. Me abraçou como se eu tivesse acabado de voltar da guerra.

— Mamãe! Que linda que você está! — foi a primeira coisa que disse para ela, porque de fato ela estava bonita, num vestido de mangas compridas cor de vinho.

— Senti sua falta, querida. Não vem mais em casa. Você está bem? — me perguntou, enquanto alisava meus ombros.

— Também senti a sua e de todos aqui. Eu estou ótima. — falei, mas ela já havia percebido Emma. Ficou olhando para a nora com a mesma curiosidade de Zelena e fez ainda pior quando desceu e subiu os olhos pelo corpo da loira como se estivesse procurando defeitos. Para não fazer feio, peguei Swan pelo ombro e a puxei de lado para colar em mim. — Mamãe, quero que conheça a Emma. Minha namorada. — disse, estufando o peito de orgulho.

Minha mãe abriu um sorriso murcho. Típico dela quando não achava graça de algo.

— Então você é a Emma? — levantou uma sobrancelha. — Sou Cora Mills. — me largou e se aproximou dela. Senti medo naquele momento, julgando que minha mãe era uma pessoa muito direta quanto a detalhes, especialmente em pessoas. Se ela não gostasse de algo em Emma, iria comentar.

Minha pobre loira gaguejou:

— Eu... Estou muito feliz em conhecer a senhora. Regina me fala muito ao seu respeito.

— Fala muito de mim, é? Bem ou mal? — mamãe segurou as duas mãos na altura do umbigo.

— Fala bem... Muito bem. — senti a mão de Emma enroscar na minha, estava gelada. Apertei seus dedos tentando aliviar. Aquilo não pareceu funcionar. — Soube que a senhora é decoradora. Minha mãe é artista plástica em Nova York.

— Poxa, não me diga? — mamãe perguntou, irônica.

— Sim, trabalha com arte desde antes que eu nascesse.

Zelena se intrometeu:

— Igual você, mãe. Trabalha desde antes de eu e Regina nascermos.

Cora olhou para a filha mais velha de relance.

— É verdade. — fez um breve gesto com a cabeça. Sorriu sem precisar mostrar os dentes. Deu uma bela olhada em Emma outra vez e depois nos convidou para irmos para a sala. Diferente dos outros cantos da casa, aquele estava enfeitado com algumas velas, laçarotes vermelhos e dourados pelas paredes, pés de meia pregados na lareira e um presépio ao lado da árvore (outro detalhe que mamãe adorava na decoração, e caprichava especialmente nela.)

Nos sentamos no sofá, minha mãe a minha frente no outro e minha irmã ao lado dela. Notei que meu pai não estava ali, por isso perguntei:

— Onde está o papai?

— No escritório, falando com um cliente por telefone. — respondeu minha mãe. — Mas então, Emma... Você é atriz? — começou o interrogatório.

— E das boas! — falei antes, olhando-a de canto.

Ela apertou seus dedos nos meus e não desgrudou.

— Isso. — disse Swan.

— E onde você estudou? — perguntou Cora.

— Na academia de artes dramáticas de Nova York. Onde eu morava.

Zelena meteu-se de novo na conversa:

— Jura? Dizem que é uma das melhores escolas de artes do país.

Emma fez que sim bem depressa.

— Sim, sim. Eu dei muita sorte de conseguir uma bolsa para ingressar lá, até porque é uma escola muito concorrida.

Mamãe fazia pose no sofá. Por vezes achei que estava debochando da minha namorada toda vez que perguntava algo.

— Você é de Nova York... Hum... Parece mesmo. — disse Cora. — Conheci muitas pessoas vindas de lá, costumam ter um pouco de nariz empinado.

Emma engoliu seco.

— Eu sou de lá, mas meus pais são da Pennsylvania. Acho que tenho mais deles do que de NY. — ela falava depressa. Isso acontecia quando estava nervosa demais.

— Quase a mesma coisa. Nova York é do lado. — Cora falou quase a interrompendo.

Para meu alívio e o de Emma, meu pai apareceu.

— Filha! — disse ele todo contente ao me ver, se aproximando de nós. Levantei do sofá e o abracei bem forte.

— Papai! Estava trabalhando hoje? Na noite de natal? — perguntei depois do abraço.

— Para você ver, minha filha, até na noite de natal as pessoas precisam de um advogado. — e meu pai nunca recusava trabalho, nem em feriados. Talvez por essa razão ele fosse um dos advogados mais importantes de Portland.

Não tinha visto, mas Emma também se levantou para cumprimentá-lo. Meu pai a viu e me olhou com aquela dúvida evidente. Eu a abracei de lado e a apresentei.

— Quero que conheça Emma, pai. Minha namorada. — sorriso mais besta que o meu sempre que falava “minha namorada” não existia.

Ele não precisou olhá-la da cabeça aos pés como Cora e Zelena fizeram. Foi empatia à primeira vista.

— Ora, quanto prazer conhecê-la. — ele riu, fazendo muito gosto em apertar a mão dela entre as suas. — Regina falou muito sobre você, mas eu não sabia que era tão bonita assim.

— É mais bonita do que nas fotos, eu garanto. — Zelena disse de onde estava. Pelo visto, gostou de Emma mais do que nossa mãe.

Minha mãe por sua vez revirou os olhos, achando tudo aquilo uma bobagem. Odiava paparicos demais com estranhos.

— Obrigada. Acho que vou acabar mal acostumada com esses elogios. — Emma corou, mas conseguiu sorrir.

Olhando no relógio pedestal que tínhamos perto da lareira, Cora sugeriu que fôssemos cear.

Estava meio cedo para encarar o presunto ou o pernil que sempre estavam presentes nas nossas ceias natalinas, mas todos acabamos por aceitar ir para a mesa da sala de jantar para adiantar aquilo. Meu pai sentou no lugar de sempre, a cabeceira da mesa, enquanto eu estava do lado de Emma à direita e mamãe e Zelena na esquerda. Como bons católicos, rezamos antes de começarmos. Quando acabou, nos servirmos sentindo todo aquele cheiro de comida fresca abrir nosso apetite. Tinha mesmo uma variedade de coisas ali, desde cookies de bonequinhos com pingos de chocolate a peru e carne de porco. (Eu me perguntava o porquê de mamãe preparar tanta coisa se depois de algum tempo não recebíamos mais visitas no dia 25.) Papai serviu vinho a todos enquanto eu ajudava Emma com o prato dela.

Depois de um breve momento saboreando a combinação de coisas, quis descontrair:

— Sabiam que Emma é uma ótima cozinheira? — falei meio que de boca cheia, para o pavor de Cora que me fuzilou com o olhar novamente.

— É verdade? — minha irmã perguntou como se estivesse encantada.

Minha namorada assentiu.

— Modéstia parte, é algo que faço muito bem.

— E qual prato mais gosta de preparar? — Henry Mills perguntou depois de limpar os lábios em um guardanapo.

— Gosto de peixe, especialmente truta. — a loira respondeu.

Antes de engolir o que mastigava Zelena conteve um riso, logo disse:

— Regina contou que você preparou truta quando foi jantar na sua casa pela primeira vez.

— É verdade. — ela riu e eu ao seu lado também.

— Então você conquistou a Regina pelo estômago. — papai brincou.

— Acho que sim. — Emma assentiu e nós todos sorrimos mais ainda, menos Cora que nos observava atentamente com a taça de vinho entre os dedos. As provocações iriam piorar.

— Cozinhar peixe é simples, qualquer pessoa aprende. Aliás, qualquer pessoa hoje pode se tornar um ator, você sabia? — Cora dizia olhando para Emma. — É muito fácil, até porque não se precisa de muito cérebro para decorar as falas. — senti a veia da têmpora de Emma saltar. — Mas você não é desse tipo de pessoa ou é? O que mais você sabe fazer? Arrumar uma cama, você sabe?

Vi que Swan engoliu seco. Temi que ela pulasse no pescoço de Cora, até porque eu também quis fazer aquilo. Não que não soubesse fazer outras coisas, Emma se virava bem, eu era testemunha, mas naquele momento ela não se lembrou de qualquer coisa. Apertei sua mão por debaixo da mesa, tentando ajudá-la no desafio que Cora Mills tentava pregar.

— Ora, mamãe, Emma sabe fazer muitas coisas. Ela tem uma moto, sabia? Pilota muito bem. — eu disse.

— Isso é incrível! — meu pai não pode deixar de sorrir.

Cora achou aquilo uma chacota. Deu uma risada artificial.

— Você está brincando? Que hilário! Mas eu sei porque você tem uma moto... Provavelmente porque o dinheiro que ganha no teatro não consegue cobrir um carro decente. — Cora falou de um jeito tão maldoso que senti a mão da loira que estava sobre a minha gelar.

Ofendida, ela olhava para a sogra com os olhos arregalados.

Não aguentou ficar na mesa, levantou-se pedindo licença e dando-nos as costas. Do jeito que ela correu, pensei que estivesse passando mal, mas estava fugindo para fora da mansão.

Meu pai repreendeu Cora apertando-lhe o braço. Zelena estava boquiaberta ao lado dela, tão assustada quanto eu.

Nunca presenciei minha mãe insinuando coisas como havia feito naquela noite. Tudo bem que sempre soube de sua franqueza e personalidade forte, mas jamais chegamos a um ponto desses. Nem com Daniel que foi quase como um filho para ela, nem com os namorados da minha irmã ela fora tão insensível.

— Mãe! — disse indignada. — O que está fazendo? — não deixei ela responder. A ceia acabou ali.

Larguei a mesa e tentei alcançar minha namorada. Ela estava distante no jardim, caminhando apressada na direção dos portões. Eu consegui chegar perto.

— Me deixa em paz, Regina. — a voz dela murmurou.

Peguei-a pelo braço e a virei para mim.

— Emma, desculpa! Minha mãe foi horrível, eu sei, mas por favor não leve a sério o que ela disse. — falei tentando olhar seus olhos. Ela tentava escondê-los de mim, olhando para outra direção.

— Regina, ela me odiou. Estava na cara o tempo todo!

— Não, meu amor, não é verdade, minha mãe disse aquilo sem pensar. — peguei em sua mão e puxei. — Vamos, vamos voltar para dentro, ela não vai mais dizer nada, eu prometo.

— Sem pensar? — Swan sorriu nervosamente. — Sinto muito informar, Regina, sua mãe sabia muito bem o que estava dizendo. — ela tirou meus dedos de cima dos dela. — Não vou voltar para sua casa, eu não quero, nunca mais. — dessa vez ela me olhou nos olhos, percebi que estavam marejados.

— Eu não vou deixar que ela te trate mal outra vez, eu juro que não vou. — tentei puxá-la de novo, mas isso só a fez se afastar mais de mim.

— Eu não vou voltar para ser humilhada de novo. Me solta! Quero voltar para casa.

Avancei para cima dela, tocando seu rosto com as duas mãos.

— Me perdoa, meu amor. Me perdoa, eu não sabia que isso iria acontecer, eu juro. Não fica assim, eu vou conversar com a minha mãe, eu vou fazer alguma coisa, ela vai te pedir perdão nem que seja de joelhos. — falei com toda a emoção que se encontrava na minha voz, de um jeito bem apressado por sinal.

— Eu não preciso do perdão dela! Eu quero ir embora! — Emma disse entre os dentes — Se você não quiser me levar tudo bem, eu vou sozinha.

— Só diga que me perdoa. — pedi, sofrendo com a forma como ela me olhava.

Emma fechou os olhos. Deu um longo suspiro e me abraçou.

Soube que ficava ofendida com muita facilidade, principalmente quando recebia uma crítica sobre sua profissão. Não era a primeira vez que acontecera. Naquela hora quis tirá-la dali e foi o que fiz.

Swan disse que eu não tinha culpa de nada, porém, achei que tive em levá-la até minha casa.

Nós fomos embora sem nos despedirmos do pessoal.

Outro dia, eu descobri que enquanto nos abraçávamos no jardim, Cora esteve nos vendo da janela da mansão. Não sei se foi assistindo a isso que ela se arrependeu do que falou para Emma.

Notas finais
Essa Cora, hein? Por que será todo esse comportamento com a Emma? A história continua, logo tem mais, não pretendo me atrasar tanto nessa quanto em Skin on Skin. Vou me esforçar para continuar nesse ritmo. Meu agradecimento pelos reviews no capítulo passado, eu realmente achei que não fosse agradar, não sei porquê. Mas vocês sempre me dando uma luz, né? Bom final de semana. Um abraço da amiga, Wounded Beast. Fiquem bem. ;D