Notas iniciais
Olá, meninas. Vamos continuar com os momentos mais meigos de Emma e Regina nessa história. Acreditem, elas não param com os chamegos... Meu computador agora virou um formigueiro de tanta doçura. hahaha Mas eu espero sinceramente que gostem desse romance. Agradeço muito o retorno do capítulo passado nos reviews, obrigadão mesmo galera! Vocês tem me ajudam um bocado, continuem sendo sinceras, por favor. Façam uma boa leitura, certo? ^^


Depois do acontecido na mansão, era óbvio que eu me sentia envergonhada, tanto por mim, quanto por Emma.

Quando voltamos ao seu apartamento na noite de natal, prometi que jamais permitiria que algo como aquilo acontecesse de novo. Emma não me culpou e com seu jeito gentil, sugeriu que esquecêssemos, contudo eu sabia que ela ficara magoada. Não hesitaria em culpar minha mãe se Emma quisesse acabar com tudo, porém, o que tínhamos era algo forte demais para sucumbir à desaprovação de Cora Mills, e mesmo namorando com a loira há apenas um mês, eu seria capaz de passar por cima de minha mãe se fosse preciso.

Na manhã seguinte, acordei um pouco mais cedo logo notando que Emma não estava na cama. Encontrei minha namorada na bancada da cozinha tomando seu café da manhã em completo silêncio. Na verdade, a loira não tinha apetite algum. Vi que ela mexia uma colher na xícara de café com leite ainda cheia e os pãezinhos com patê de ricota num prato estavam igualmente intocáveis. Cheguei por trás, tocando seus ombros carinhosamente, com um tremendo receio de falar.

— Bom dia.

— Bom dia... Dormiu bem? — ela perguntou virando o rosto para me ver.

— Sim. Dormi. Por que não me acordou?

Emma virou-se no banco onde estava sentada e me olhou de um jeito que eu não soube decifrar, também sorriu sem precisar mostrar os dentes.

— É que você estava dormindo tão linda que eu tive pena de estragar. — ela levou um pãozinho a minha boca, me impedindo de falar. — Deve estar com fome, hum? — fiz que sim com a cabeça. Emma podia ser uma boa atriz, porém era alguém extremamente transparente, não conseguia me esconder seu estado de espírito mesmo que tentasse. Eu mastigava o pão e a olhava bastante enquanto recebia um afago no rosto e tinha meus cabelos afastados para trás da orelha.

Assim que engoli, lhe disse:

— E você pelo visto não dormiu bem, nem está com fome.

Vi que ela corou. Desviou os olhos dos meus e até se levantou do banco. Não me contive em tocá-la de novo, mas ela quis mudar de assunto:

— Tenho uma coisa pra você...

— Tem? — perguntei um pouco curiosa.

Então a vi indo até um armário ali perto, tirando de uma gaveta uma caixinha branca enlaçada de vermelho. Ela voltou para perto de mim, me entregando aquilo como se fosse um tesouro achado. Eu não estava entendo até Emma me lembrar que não tínhamos trocado presentes na noite passada. Claro que com toda aquela confusão na mansão, esqueci completamente desse detalhe.

Eu peguei a caixinha muito cuidadosa em meus dedos quase dando uma bronca nela por ter se preocupado em me dar alguma coisa naquele natal, eu não fazia questão desse tipo de agrado, só desejava ficar com ela, mas a danada me surpreendeu com o conteúdo do embrulho.

— Feliz natal... Atrasado. — disse ela, após um suspiro.

Ao abrir a pequena caixa encontrei um relicário em forma de coração alado, folheado em ouro envelhecido. Era uma das coisas mais lindas que já tinha visto. Foi feito a mão e, ao mesmo tempo em que parecia bruto pela cor, era delicado nos detalhes. Meus olhos com certeza deviam estar brilhando para a joia.

— Emma! — disse espantada ou encantada. De onde ela havia arranjado aquilo? Eu me perguntava. A resposta veio em seguida.

— Isso era do meu avô... Você gostou? — Emma esperava ansiosa que eu aprovasse o presente.

— Eu adorei... — fiquei sem reação. A olhei novamente e meneei a cabeça. — Só que não posso aceitar um presente como esse.

— Quero que fique com ele. É muito importante para mim. — ela deu um novo suspiro. — Sei que estamos juntas há pouco tempo, que tudo isso vem acontecendo depressa demais até, mas você tem sido a melhor coisa que aconteceu desde que cheguei aqui. Eu só queria te dar o melhor presente que podia, então me lembrei disso que trouxe comigo. Está sempre comigo, é meu amuleto, inclusive quando vou entrar em cena no teatro. Estou te dando algo que amo, uma parte de mim. Agora você tem uma parte de mim com você.

Ouvir aquelas palavras foi tão magnífico que jurei sentir meu coração explodir de euforia por dentro. Estava tudo tão claro em suas palavras, seu jeito e seu carinho. Ela me amava. Ela se apaixonara por mim.

Assim que contive minhas emoções procurei seus lábios e a beijei docemente. O mais engraçado era que eu também tinha uma joia para dar a Emma: um colar de prata com seu nome gravado no pingente. Entreguei a ela depois de transformarmos aquele beijo doce em um beijo mais quente e quase acabarmos no quarto como era costume acontecer.

Emma parecia ter esquecido do aborrecimento com mamãe, porém, mesmo eu estando encantada pelo efeito Swan, de fato achei que Cora aprontaria mais alguma para provocar minha loira mais cedo ou mais tarde. No entanto, ela não fez mais do que me ligar seis vezes por dia, e eu, na minha revolta e rebeldia, nunca retornava as ligações para o seu desespero provavelmente. Também não voltei à minha casa, mas consegui falar com meu pai antes do réveillon. Soube que andaram brigando por minha causa e me surpreendi mais ainda ao saber que mamãe chamara Emma de “aproveitadora” assim que fomos embora na noite de natal. Isso queria dizer que na cabeça dela, Swan só estava me namorando porque eu era rica. Aquele foi o pensamento mais ridículo que já teve, concluí. Como alguém como ela poderia pensar algo assim? Eu estava realmente decepcionada com minha mãe.

Não contei à Emma sobre a conversa que tive por telefone com meu pai e muito menos contei o que Cora achava dela. Passamos os últimos dias do ano aproveitando a vida juntas como se minha família e a dela não existissem, afinal, aquela era a primeira vez que ela ficara distante dos pais nessas datas.

Na noite de ano novo, Emma sugeriu que fôssemos à sua boate favorita para comemorarmos a virada. Gostei da ideia e aceitei ir, até porque fazia um tempinho que não saíamos juntas daquela forma.

Naquela noite em especial, havia uma multidão enorme e animada na boate, mas conseguimos arranjar um lugar.

Assim que sentamos, Emma pediu uma batida de morango e uma taça de espumante para mim. Nós não ficamos de pileque apesar de tudo o que bebemos, não queríamos estragar a noite.

Depois de um tempo, no ritmo das músicas mais agitadas (diferente do que aquele bar costumava tocar em dias comuns), fomos para a pista de dança, a princípio acanhadas, ficando soltas conforme víamos outros casais descontraídos.

Larguei minha sexta taça de vinho branco na mesa e pedi que minha loira me agarrasse por trás e se mexesse comigo de um jeito sensual como a canção que tocava na hora sugeria; era uma mescla de Santana com uma batida mais moderna. E Emma incentivada pelos drinques que também já havia bebido, mexia-se colada em mim.

Aquilo estava chamando a atenção de certa forma. No bar, um grupo de rapazes não tirou os olhos de mim um minuto sequer (isso eu não havia percebido.)

Emma não estava nada feliz com a situação. Diminuiu o ritmo da dança, me segurando pela cintura, parecendo um robô atrás de mim, vigiando os caras que me olhavam. De repente, ela quis ir embora. Reclamei, pois faltava pouco para a meia-noite e o melhor da festa iria começar. Me virei para ela e vi em seus olhos que algo estava errado. Acabamos saindo dali, e sendo puxada por ela quis saber o que estava acontecendo:

— O que aconteceu?

— Nada. — ela disse num tom brabo.

— Como nada? Você insiste para vir com você aqui e do nada decide ir embora? O que foi isso? O que deu em você?

Ela respirou pesadamente fazendo o ar frio pairar entre nós.

— Não gosto quando alguém fica te olhando. — ela confessou.

— Tinha alguém me olhando?

— Tinha e não era uma só pessoa, eram várias! Esses caras não se tocam... Quase que eu fui lá dar um murro em cada um.

Do jeito que ela disse, notei que estava com ciúmes. Minha reação foi sorrir de imediato e achar aquilo incrível.

— Emma, você está com ciúmes. — disse-lhe abraçando-a no meio da rua.

Emma demorou um pouco, bufou até, mas confessou.

— Estou! Estou com ciúmes sim. — disse meio mal-humorada. — Qual o problema? Não posso ter uma namorada bonita?

A irritação dela era algo tão meigo também que não resisti, acabei rindo boba.

Mal sabia que no futuro esse ciúme iria causar um episódio ruim e ao mesmo tempo bom de se lembrar. Coisas de relacionamento que só quem está junto há muito tempo sabe entender.

Toquei o rosto dela e a selei demoradamente. Foi quando me recordei outra vez que faltava pouco para a meia-noite.

Então pensei rápido e carreguei minha garota para a ponte Hawthorne onde aconteceria a mais famosa queima de fogos de Portland.

Chegamos faltando quase três minutos e ainda nos esprememos contra a aglomeração de pessoas nos lados da ponte que esperava ansiosa o espetáculo. No fim dera tudo certo e quando vimos os fogos subirem aos céus das balsas espalhadas pelo rio Willamette, gritamos “Feliz ano novo!” com toda a multidão.

Foi realmente lindo ver os fogos tomarem conta do céu, mesmo que eu já tivesse assistido aquilo nos meus quase vinte e cinco anos de vida todo réveillon. Naquela vez foi especial porque eu estava com Emma. Eu estava me sentindo feliz com uma certeza absurda. E olhando para o céu, fui pega de surpresa outra vez por suas palavras.

— Nesse ano, eu prometo que vou te mimar muito, cada um dos 365 dias que passarmos juntas. — sussurrou ao pé do meu ouvido enquanto se agarrava atrás de mim.

Eu não escondi um sorriso e disse esperando que só ela escutasse:

— E eu prometo te amar muito, cada segundo que eu respirar, pelo resto da minha vida. — sei que me precipitei ao dizer isso, como se estivéssemos em um enorme compromisso. Porém, era impossível segurar só para mim todas as sensações que sentia. Eu precisava falar às vezes. Para minha sorte, Emma achava que estávamos sim em um enorme compromisso.

Trocamos carinhos no meio da multidão e voltamos para seu apartamento assim que o povo se espalhou e os auto-falantes pela ponte pararam de tocar “You make me feel brand new” do Simply Red. Não poderia haver música melhor para a entrada do ano, brinquei.



Pela manhã, acordei com a cabeça pesada devido ao champanhe misturado as batidas na noite passada. Deixei Emma na cama e me enfurnei debaixo do chuveiro para espantar o mal estar. E enquanto eu estava de pé esperando a água quente me descer pelo corpo inteiro, ela entrou e se ofereceu para ajudar a me lavar. Óbvio que rimos da brincadeira e que acabamos “nos ajudando”.

O namoro embaixo do chuveiro já era costume desde a nossa primeira vez, pegamos pratica naquilo e só ficava melhor.

Estava passando as mãos por suas costas, sendo beijada no pescoço quando ouvimos a campainha tocar.

Parei de súbito e a olhei. Quem poderia ser?

Ela se enrolou num roupão e foi atender, muito desconfiada.

Fiz o mesmo, demorando mais um pouco para sair do banheiro e segui-la. Ao chegar à sala a vi de costas segurando a porta aberta.

— Algum problema, meu amor? — perguntei, me aproximando.

— Acho que sim... — ela respondeu, abrindo espaço para que eu visse quem estava ali: minha mãe, Cora Mills.

Notas finais
Cora indo ao apartamento da Emma... Será que foi para buscar a Regina? Que coisa, não? Acho que já me prolonguei demais nas notas iniciais, mas confirmo meu agradecimento a todas que pacientemente acompanham essa fanfic que mal comecei, né? Próximo capítulo está vindo aí, fiquem ligadas. Até logo, lindas. Fiquem bem