Não há outro amor para mim.

21 Emma diz ao mundo que me ama.


Notas iniciais
Olá, leitoras. Estamos de volta com Não há outro amor para mim. Peço desculpas antecipadas pelo atraso, que acontece por uma boa causa com o final de SoS chegando. Portanto, logo menos teremos mais capítulos frequentes dessa fanfic aqui como muitas de vocês andam me pedindo. Agradeço muito quem não desistiu de acompanhar. Quero mandar um beijo imenso para Angel pela recomendação. Fico muito feliz que e te agradeço imensamente mais uma vez pelas palavras carinhosas, querida. Esse capítulo de hoje vai para você. Espero que gostem. Façam uma boa leitura.


Mesmo que aquilo parecesse surreal demais, estava acontecendo. Emma me olhava com uma mão segura na boca para não gritar, e eu muito menos sabia como reagir. Eu estava muito orgulhosa dela, sem sombra de dúvidas. Eu sabia o quanto Emma se esforçava para àquilo acontecer, era um de seus sonhos, ela sempre destacou isso. Ver aqueles olhos brilhando de emoção me deixava nos ares.

Emma pulou nos meus braços e chorou de alegria. Não pude evitar de sorrir e enchê-la de beijos, detalhe que eu ainda segurava a carta da academia em uma das mãos, então ela a pegou novamente e olhou para ver se era mesmo a verdade. E lá estava seu nome e indicação para comparecer à cerimônia anual do Oscar que ocorreria em Fevereiro.

Depois de toda a euforia e ir pular na nossa cama como uma garotinha de cinco anos, minha mulher decidiu contar a novidade aos pais e depois para Ruby que ficou tão feliz que queria fazer dar uma festa pela indicação de Emma. No final da noite, quando sempre tínhamos as melhores conversas, deitada com ela, percebi que era cedo para cantarmos vitória, até porque mais cinco atrizes haviam sido indicadas junto de Emma, mas algo me dizia que aquele Oscar já era dela.

Notei que minha loira ficou um pouco desanimada quando a questionei sobre isso, até ela parecia ter se esquecido que podia não ser a vencedora daquele ano.

— E se você não for a vencedora, Emma? Vai ficar muito chateada?

Emma pensou um bocado antes de me responder, chegou a fazer careta.

— Acho que não. — disse, seca.

— Tem certeza?

— Ora, Regina... Não quero ser egoísta com ninguém, se todas foram indicadas é porque mereceram, porém, somente eu sei o quanto me esforcei para conseguir essa indicação. Eu ficarei desapontada, pelo menos um pouco.

Ela estava certa.

O último papel de Emma no cinema foi o de uma doente terminal que descobre sobre sua doença meses antes de falecer. Para interpretar, Emma precisou estudar muito antes de entender o que um doente terminal vive, além de encarnar a carga emocional que o papel exigia todos os dias. Foi complicado para ela entrar e sair do clima do papel tantas vezes. Via minha mulher chegar em casa muito afetada quase sempre, no período das gravações, sempre procurei confortá-la quando me contava das cenas. Além disso, Emma era emotiva e se envolvia muito com qualquer coisa que estivesse fazendo para valer, e o papel foi uma delas.

De qualquer maneira, era muito bom ver Emma tão feliz com a indicação. Ela tinha certeza de que ganharia. Não toquei mais na hipótese para não quebrar sua confiança.



O mais engraçado começou a acontecer dois dias depois da carta da Academia chegar lá em casa. Tínhamos levantado cedo num daqueles dias de semana, Emma iria para uma sessão de fotos para um produto de marca, e eu estava pronta para ir trabalhar quando decidimos sair juntas de casa. Abrimos a porta e demos de cara com uma confusão de fotógrafos paparazzi no nosso jardim. Havia um verdadeiro batalhão de gente com câmeras esperando para ver Emma. Só vimos os flashes piscando e uma correria para cima de nós começou. Tivemos de entrar e fechar a porta com pressa antes que toda aquela gente entrasse lá em casa, dei uma olhada pela janela e a confusão do lado fora só aumentava. Na verdade, não estávamos entendendo nada, mas só depois de ligarmos a TV percebemos o porquê daquele furor. Todos os canais já haviam noticiado a lista de indicados ao Oscar e Emma encabeçava a de melhor atriz, sendo que os jornalistas especializados já davam como certa a vitória de Swan. Os paparazzi estavam atrás de Emma justamente por causa disso e também pelo fato dela ser a mais nova entre as atrizes indicadas naquele ano. De repente nosso telefone não parava de tocar, eram as revistas querendo uma declaração da minha esposa sobre sua expectativa. Sobrou até para mim quando os meus colegas do Los Angeles Diário ligaram para o meu celular querendo agendar uma reportagem de capa para o jornal de domingo.

Emma teve de adiar sua sessão de fotos nesse dia, e eu acabei saindo pelos fundos e pegando um taxi para ir trabalhar.

Contudo essa não seria a única vez que passaríamos por apuros com os paparazzi.

Já depois de alguns dias, após o assédio em cima de Emma diminuir, e meus colegas de profissão desistirem da ideia de nos perseguirem até em casa, voltamos a rotina. Até demos algumas entrevistas, fomos capa da edição dominical do LA Diário só porque era um pedido do meu ex-chefe, o senhor Gold e parece que isso aquietou a curiosidade do restante da imprensa. Então, num dia em que eu pude sair do estúdio do noticiário mais cedo, fomos almoçar juntas num lugarzinho que gostávamos muito na Sunset Strip, o que foi um erro, pois alguém nos reconheceu e avisou aos fotógrafos.

Achávamos que ali era seguro e como quase sempre não éramos incomodadas por ninguém quando almoçávamos, não nos demos conta quando os bisbilhoteiros chegaram. Até que demoraram para dar as caras pois conseguimos comer tranquilamente e conversar basicamente o tempo todo todavia, na hora de irmos embora, eles nos surpreenderam; assim que colocamos os pés para fora do restaurante fomos cercadas por uma dúzia de paparazzi, fazendo um milhão de perguntas a Emma e a mim. Foi então que pensando rápido eu tive a brilhante ideia de voltar para dentro do restaurante, puxando Swan pelo braço, correndo dos fotógrafos que vieram atrás de nós, invadindo o lugar, eles não desistiam fácil.

Entramos no banheiro feminino e mais do que depressa tranquei a porta antes que chegassem.

— E agora? Como vamos sair? — perguntou Emma, assustada com todo aquele assédio. Ouvíamos a bagunça que os fotógrafos faziam do lado de fora.

— Não sei... Preciso pensar. — respondi, olhando tudo em volta. Aparentemente não tinha saída. Corri os olhos ali dentro novamente e dessa vez notei uma janela retangular no alto, aquela seria nossa saída. — Por aqui! — falei, empilhando um vaso grande de plantas e um banco que sobravam na decoração do toalete.

— Regina! Não vamos conseguir sair, essa janela é pequena demais, sua bunda não passa nesse espaço. — disse ela, coçando a cabeça ao invés de ajudar.

— Obrigada pelo elogio à minha bunda, mas sinto informar que ela cabe nesse espaço, ela vai ter de caber. Agora venha. — falei, puxando Emma para escalar a cadeira. Mesmo relutante e achando aquela situação muito engraçada depois de um tempo, ela se enfurnou no espaço e saiu sem problemas. Eu saí logo em seguida, demorando um pouco mais por causa de adivinhe o quê? Sim, minha bunda. Não foi nem um pouco agradável ter as nádegas prensadas num espaço retangular, mas não foi tanto, apenas raspou um pouco. Apesar desse fato e de Emma rir histericamente de mim toda vez que conta essa história, nós conseguimos fugir dos paparazzi finalmente.

Acreditem, todas as vezes em que Emma foi indicada ao Oscar (três no total) alguma coisa muito cômica como essa aconteceu.



Meses após tudo isso, o grande dia da melhor atriz do mundo, na minha opinião, é claro, chegou.

Duas semanas antes, eu e ela fomos comprar o vestido que ela usaria na cerimônia; um longo cor de marfim com brilhos cadenciados por todo o tecido, que havia sido feito sob medida para ela por um estilista muito conceituado em Hollywood. Caíra perfeitamente bem em seu corpo, mesmo que não valorizasse tanto suas curvas. Tive de me controlar assim que a vi sair do provador e desfilar para mim, linda e maravilhosa no vestido. Emma ficava bem com qualquer roupa, especialmente sem nenhuma, mas aos meus olhos às vezes, era como se minha loira quisesse ser a mulher mais linda do universo.

No dia da premiação, me arrumei por conta própria, com um vestido azul royal sem alças, todo rendado, os cabelos presos em laço e a maquiagem forte nos olhos. Mas nada se comparava à Emma. Minha mulher contratou uma equipe do salão que costumava frequentar para prepara-la em casa. Depois de duas longas horas, vi Emma descer as escadas da nossa casa, deslumbrante. Com o cabelo feito e o brilho que colocaram em seu rosto, agora sim eu tinha a certeza de que ela era a mulher mais linda do universo. Emma cintilava como uma figura divina que me deixava abobalhada e terrivelmente mais apaixonada.

Demorei a me aproximar por estar paralisada olhando-a, ela sorriu e foi nesse momento que senti que Emma finalmente havia se tornado uma verdadeira diva de Hollywood. Parece que ela também percebia isso e fazia questão de mostrar.

— Que tal? — ela perguntou, mostrando bem seus dentes, ainda sorridente.

— Divina. — devo ter dito num fio de voz pois fiquei completamente sem fôlego.

— Você jura? Estou bem mesmo? — perguntou novamente, ansiosa.

— Se eu pudesse dar algum poder a você agora, eu te daria a habilidade de se ver através dos meus olhos. Só então você saberia como me sinto te olhando nesse momento. — respondi tocando em uma de suas mãos.

Estávamos muito próximas uma da outra e não pude resistir a vontade de beijá-la. Tomei o máximo de cuidado ao tocar a boca na dela para não roubar muito de sua maquiagem feita. Emma correspondeu e demoramos dois minutos nos beijando suavemente.

Quando acabamos notamos que toda a equipe que havia preparado Emma nos olhava de cima da escada, sorrindo por conta da cena que protagonizamos. Alguns minutos mais tarde, o motorista da limousine encarregado de nos buscar chegou e prontas fomos para a cerimônia.

Pareceu demorar uma eternidade até chegarmos nas redondezas do Dolby Theatre e mais outra eternidade até conseguirmos descer da limousine, pois o movimento era intenso na porta do teatro e precisamos dar cinco voltas até conseguirmos parar e sair. Emma estava nervosa, sua mão suava grudada a minha, olhava pela janela do carro com seus olhos inquietos, nem parecia mais tão convicta de que iria ganhar. Depois de descermos da limousine, paramos lado a lado. Havia o tapete vermelho imenso a nossa frente, era tarde para pensar em voltar para o carro e dar mais três voltas, Emma deve ter pensado. Ela respirou fundo e apertou minha mão, então seguimos como se fossemos realezas.

Foi quando as câmeras das emissoras começaram a gravar e os flashes piscaram de tudo quanto era lado. Para nossa sorte, dessa vez, havia um cordão que separava os fotógrafos de nós, dessa forma ninguém chegaria perto. Voltamos a parar e me soltei dela brevemente para que acenasse às câmeras e eu falasse com meus colegas repórteres, eu escutava alguns falando nossos nomes: E a mais nova indicada ao prêmio da Academia acaba de chegar com sua esposa. Emma Swan e Regina Mills fazem uma entrada triunfal!

Confesso que andar no tapete vermelho ao lado de Emma era uma sensação incrível, de fato excitante. Mas isso ainda não era o melhor que minha mulher viveria naquela noite.



Lá dentro, o que vi era ainda mais incrível. O teatro tinha lugares a perder de vista, além de ser lindíssimo decorado todo em vermelho e dourado. Encontramos praticamente Hollywood inteira ali dentro. Era um paraíso para os fãs de cinema, eu podia ver Robert De Niro, a Barbra Streisand mais adiante, o George Clooney e até a Meryl Streep que riu da minha cara quando contei a ela que havia chorado feito um bebê com o filme As Pontes de Madison. Esses eram só alguns dos nomes que me lembro ter visto, tinha muita gente famosa e muita gente que eu nunca havia visto também.

Por fim, a cerimônia começou. A todo o tempo eu dava uma olhada em Emma ao meu lado, sua mão não estava mais suada. E como sempre acontecia no Oscar, as categorias mais importantes eram deixadas para o fim. Demorou ao todo três apresentações musicais, dez premiações, seis intervalos e meia dúzia de piadas do apresentador comediante daquele ano até chegarmos ao grande momento. Voltei a sentir Emma tensa, eu juro que podia ouvir o coração dela bater num ritmo frenético ao chamarem os apresentadores da categoria de melhor atriz.

A vencedora e o vencedor do ano anterior chegaram no palco com o envelope anunciando antes os nomes das indicadas. Minha loira ficou de todas as cores possíveis, pálida, vermelha, roxa, verde... Segurei firme sua mão olhando-a. Sussurrei um “eu te amo” para ver se ela acalmava e tudo aconteceu de repente.

A atriz pegou o envelope, abriu e retirou o nome da ganhadora de dentro mostrando ao ator.

— E o Oscar vai para... — depois de três torturantes segundos, assentiram e disseram juntos: — Emma Swan!

Ela conseguiu! Emma conseguiu.

Minha mulher deu um grito, colocando as mãos no rosto enquanto a plateia toda aplaudia a olhando. Imagine, três mil pessoas ao seu redor olhando para você e aplaudindo calorosamente, enquanto o mundo inteiro sabia que você agora era a mais nova vencedora do Academy Awards. Dava para ver como Emma se sentia. Eu a abracei e sorrimos com aquela certeza e felicidade. Me senti tão orgulhosa de Emma que a peguei pelo rosto e beijei rápido sua boca antes dela sair para subir ao palco. Todo mundo gostou de como ela saíra tonta da fileira e subiu as escadas, com uma das mãos na cabeça, ainda emocionada demais para falar. O casal de atores a abraçou, um de cada vez, entregando a estatueta a ela, aquele bonequinho dourado segurando uma bengala. Brincadeiras à parte, esse bonequinho era apenas o bonequinho mais importante que qualquer ator pode possuir e que Swan guarda no cofre do nosso escritório hoje. Compreendo todo o valor sentimental dela por ele e de vez em quando a pego admirando-o quando sente saudades desse dia.

Emma foi ovacionada por um bom tempo até que chegou a hora de falar. Na verdade, minha loira não havia preparado discurso algum, não que eu me lembre. Quando se colocou atrás do microfone se viu num dilema, se olhava para a estátua em sua mão ou falava alguma coisa. Numa fração de segundos tomou a decisão e disse me procurando com os olhos na plateia:

— Eu só quero dizer que... Eu te amo, Regina!

Foram suas únicas palavras. Únicas palavras mais inesperadas da noite e de todo o sempre. Únicas palavras que Hollywood e o mundo ouviram Emma dizer.

Eu congelei, sentada, as câmeras focaram em mim. Senti uma emoção sem igual, com certeza meu olhos se encheram d’água e eu sorri, sorri de amor pela minha estrela de cinema.



Só voltei a ver Emma minutos depois após ela conceder entrevista coletiva, explicando o discurso tão curto. Os repórteres brincaram dizendo que aquele fora o discurso mais objetivo de toda a história do Oscar, mas minha loira não parecia nenhum pouco arrependida, dizendo que foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça. Claro que ela aproveitou a entrevista para agradecer toda a produção do filme que lhe rendeu a indicação e aos pais e amigos que a apoiaram, sem deixar de destacar que o mais importante ela havia dito ao mundo todo naquela noite, e imagine como eu estava? Radiante. Eu passei o restante daqueles minutos procurando as palavras certas para dizer a ela quando a visse fora do teatro, não achei, não precisava, eu podia fazer como ela lá no palco, só dizer o necessário.

Eu a esperava na saída dos bastidores, vendo os outros vencedores deixando as entrevistas e seguindo para o salão de festas onde teria uma comemoração pós-premiação. Emma finalmente apareceu trazida por um assistente. Logo que me notou a sua espera trocamos olhares paradas no meio do caminho, as pessoas passavam por nós sem nos darmos conta. Só importava olhar para ela e sorrir.

— Você conseguiu! Eu estou tão orgulhosa de você. — eu disse toda contente.

— Consegui graças a você. — ela completou, chegando perto de mim, segurando a estatueta.

— Não, eu não fiz nada, meu amor. Você trabalhou muito por isso, acreditou...

— Mas eu não teria motivação se você não estivesse ao meu lado o tempo todo. — ela interrompeu. Nos olhávamos. Emma encostou com a testa na minha e fechou os olhos para me sussurrar: — Agora o mundo todo já sabe que eu te amo.

Não me controlei e ri levemente disso. Toquei com as duas mãos seu rosto, olhando em seus olhos.

— Eu poderia morrer hoje por duas razões: você ter ganhado seu prêmio e eu me sentir a mulher mais amada do mundo. — disse isso a puxando para mim e roubando-lhe um beijo mais que carinhoso e esse durou bem mais que dois minutos.

Dessa vez algum paparazzi nos pegou desprevenidas, mas valeu a pena, afinal o nosso beijo com ela segurando seu Oscar foi capa de todas as revistas de celebridades no dia seguinte.

Notas finais
Até agora aqui vimos o relacionamento de Emma e Regina ir perfeitamente bem, então acho que vale lembrar que a fanfic nada mais é do que uma recapitulação dos melhores momentos entre as duas e Regina se lembra disso melancolicamente na maior parte das vezes. Dentro de dois capítulos, nós vamos entrar em uma nova fase e consequentemente as perguntas que vocês têm sobre os problemas delas no futuro vão sendo respondidas, mas tenhamos calma pois essa é uma história de amor, acima de tudo. ;D Muito obrigada pelos comentários desde já. Qualquer dúvida, sugestão ou critica estou à disposição. Um grande abraço, fiquem bem.