Não há outro amor para mim.
66 Conto a Emma sobre um bebê.
Notas iniciais
Toda vez que eu ia até a clínica de fertilização para fazer um exame, era como se meu coração fosse sair pela boca. Mesmo que nada de tão importante fosse acontecer naqueles dias, eu ainda sim, me sentia como se estivesse salvando uma vida. Para que você entenda melhor o que quero dizer, eu sinto como se estivesse dando uma parte gigantesca de mim para Emma. Por um lado, estou finalmente compreendendo o quão penoso pode ser para uma mulher cheia de esperanças de ser mãe, depender de uma bateria de exames para realizar seu sonho. Não estou querendo afirmar que Emma foi ansiosa de mais, porém, para mim está sendo fácil até o momento em que me lembro que ela passou por isso tudo, e, no entanto, sua vontade de dar certo foi frustrada no fim. É claro que sinto medo do que estou me prestando a fazer dar errado, mas toda vez que um exame acaba, eu tenho mais certeza de que não posso parar no meio do caminho. Embora, eu tenha tomado uma decisão por um mínimo de impulso, (como foi em outras vezes) eu ainda preciso dar esse presente à Emma.
Retornando aos meus últimos dias sendo mãe de Henry, tudo não poderia estar mais perfeito. Na semana passada, fizemos uma pequena festa surpresa de aniversário para o garoto. Ele completou seus nove anos com um bolo de maçã verde, chapéus, alguns petiscos e refrigerante. Emma, Mary e David, meu pai e Zelena passaram a data inteira conosco por vídeo, como se estivessem mesmo participando da festa que preparei na cozinha, e mesmo com pouco, Henry ficou tão feliz que me confidenciou uma coisa.
— Eu sei que não devia contar uma coisa tão séria, que devia guardar para mim o que estou pensando. — dizia ele, deitado em sua cama, pronto para dormir.
Eu estava ao seu lado, sentada, alisando seus cabelos castanhos e olhando para o teto do quarto, decorado com estrelinhas que brilhavam no escuro.
— O que pode ser tão sério para você guardar de mim? — perguntei.
— É justamente o que estou pensando. Para você posso dizer, mas com uma condição.
— Qual condição?
Ele se sentou, afastando o edredom de cima.
— Que você não fique por aí se achando.
Não tinha entendido o que ele disse, mas acabei concordando.
— Tudo bem, e o que está pensando?
— Bem, você tem sido uma mãe muito boa, a melhor mãe que eu poderia ter. Eu pensei no pouco tempo que vivi com os meus pais verdadeiros, e foram bons, sabe? Mas tem uma coisa que não sai da minha cabeça, ainda mais depois de hoje.
Fiz um gesto com a cabeça.
— E...?
— Eu amava minha mãe. Você sabe. — ele parou para suspirar, depois continuou. — Ainda amo, inclusive, é que agora, hoje, eu amo muito mais a mãe que você é pra mim.
Achei isso muito doce da parte dele. O abracei e apertei contra mim com força. Se eu já não estivesse pronta, estaria chorando. Eu fiquei emocionada, embora tenha controlado.
— Awn, Henry, eu sei, mas não quero que você se esqueça da sua mãe de verdade. E quer saber de um segredo?
— Adoraria. — ele disse, agarrado em mim, com sua cabeça encostada em meu ombro.
Tomei ar e disse:
— Eu agradeço a ela todos os dias por ter colocado você no mundo.
Henry sorriu, me apertando com mais força e eu comprovei mais uma vez que eu e aquele garoto estávamos mesmo destinados a aprender um com o outro.
Todos os dias Henry me surpreendia com algum gesto, alguma frase, algo dito espontaneamente, mas sempre tinha uma grande verdade. Era ele quem andava me salvando da saudade todos os dias durante a ausência de Emma, além de me ensinar a lidar com minhas inseguranças melhor do que ninguém. Eu estava terminando de vencer minha guerra particular comigo mesma, e quem diria, com a ajuda de um filho que eu jamais pensei em ter.
Dias mais tarde, eu tinha quase terminado de fazer todos os exames para a fertilização, tudo ia bem em casa com Henry, Emma se recuperava cada dia mais da perna quebrada em Vancouver, na MBC, minha chefe insistia para eu aceitar a proposta de um novo programa no horário da tarde e a única coisa que eu conseguia pensar, era no resultado dos exames. Se fossem positivos, eu não teria escolha, faria a inseminação e deveria contar para Emma antes de aceitar. Sendo bem sincera, eu não sabia se estava mais apreensiva em ter os resultados ou ter os resultados e correr até Vancouver para contar para Swan do meu plano. A cada dia que se aproximava de precisar voltar ao consultório do Dr. Flynn, era como um dia a menos de aflição e ansiedade.
Na quarta-feira, uma semana após o último exame que precisei fazer, fui ao mercado fazer umas compras para abastecer a casa, já que Henry e Emma tinham em comum o mesmo gosto por comer demais, e ir ao mercado estava virando uma boa rotina no final da tarde. Eu tinha mandado Henry ir buscar o patê de frango que ele adorava enquanto eu pegava algumas maçãs para fazer um novo bolo, foi quando ouvi alguém me chamar e olhei para os lados. Vi alguém acenando de longe, se aproximando, aquele rosto não me era estranho. Era Ruby.
— Regina, a quanto tempo. — disse, ela chegando, me cumprimentando com um beijo no rosto.
— Ruby! Poxa vida, quanto tempo mesmo. Como você está? — Larguei as maçãs para me virar para ela.
— Bem, muito bem e você? E Emma? Já se recuperou da perna?
— Estamos bem, ela está se recuperando ainda, em Vancouver, os pais dela estão por lá. — Dei uma olhada em minha amiga, rapidamente, ela estava uns dois quilos mais magra (como se precisasse) e tinha cortado os cabelos quase um palmo. Estava diferente da Ruby de sempre, aquela que se casou com meu melhor amigo, Killian, e se separou dele posteriormente. — Não tive mais notícias de você? O que tem feito?
Ruby deu um riso leve.
— Estou na mesma, trabalhando feito uma condenada, é o que gosto de fazer, né? — disse ela, mudando a cesta de compras que carregava com meia dúzia de coisas dentro. — Você deve estar sabendo sobre Killian e eu, não é? — ela perguntou, meio sem jeito, eu notei.
— A separação? — fiz a pergunta baixo.
— Isso. Acabou acontecendo.
Tentei encontrar algo confortável para lhe dizer.
— Foram muitas coisas, vocês passaram por alguns problemas, apenas não deu certo como pensavam, Ruby.
— Gosto dele, Regina, não tanto quanto achava que gostava, mas gosto e desejo que fique bem. Não seria justo prendê-lo, deixa-lo refém da minha depressão. — Ruby assumiu uma expressão triste, olhando para baixo.
— Olha, o que aconteceu foi muito triste. Não posso julgar você pela decisão que tomou, mas eu sei que meu amigo queria muito superar tudo.
— Eu também gostaria, no entanto, eu não pude. — ela deu um sorriso fraco. — Killian vai encontrar alguém que o mereça, tenho certeza. — Ela deu de ombros, parecendo chateada em dizer aquilo.
Eu sabia que Ruby tinha desenvolvido uma séria depressão após perder o bebê que estava esperando. Por isso, seu casamento com Killian foi se tornando cada dia mais insuportável. Inexperientes, os dois decidiram acabar com aquilo antes que alguém se magoasse. Eu sentia pena dos dois, pois sabia que eram estupidamente apaixonados um pelo outro.
Ia lhe dizer mais alguma coisa quando Henry chegou com o que tinha lhe pedido.
— Mãe, achei o patê de frango... — ele viu Ruby e parou, achando ela muito bonita. — Oi.
— Oi. — ela o viu.
— Ah, Ruby, este é Henry, meu filho. — apresentei o garoto a ela.
— Quando você e Emma arranjaram um filho? Como eu não sabia disso? — ela estava muito surpresa.
— Há algumas semanas. — Henry respondeu antes de mim.
Ela arregalou os olhos.
— Muito prazer, Henry.
— O prazer é todo meu. — ele apertou a mão dela.
Ruby gostou de Henry e ele mais ainda dela pelo visto. Ela passou algum tempo conversando com ele. Se não fosse seu telefone tocar e ela precisar ir embora, eu a convidaria para jantar conosco lá em casa hoje, haviam muitos assuntos para colocarmos em dia. Mesmo assim, ela prometeu nos visitar. Ela nos deu um beijo, mandou outro para Emma e foi embora apressada, tinha algum compromisso.
Fomos para casa depois de terminarmos as compras e logo que colocamos o pé na sala, o telefone tocou. Fui atende-lo pensando em Emma, com certeza achava que ela estava ligando pelo horário, mas eu estava enganada.
— Alô, Regina? Aqui quem fala é o doutor. Flynn da clínica de fertilização.
Congelei no mesmo instante. Eu esperava por aquela ligação há alguns dias e com absoluta certeza só podia significar que meus exames já tinham resultado. Falei com o doutor e combinei de ir no dia seguinte até a clínica para conversar com ele sobre os resultados que mesmo insistindo, ele não me deu por telefone, disse que eu devia ir até lá pessoalmente. Então eu não tinha escolha a não ser aguentar o frio na barriga para saber o que ele tinha para falar comigo; se estava tudo bem e eu podia mesmo engravidar, ou se eu não era tão saudável quanto parecia e não poderia realizar o sonho de Emma. Eu precisava que fosse a primeira opção.
O doutor Flynn estava procurando algumas pastas com exames quando entrei em seu consultório na tarde seguinte. Depois de quase não dormir direito, minha cara não era das melhores. Ele me viu e logo me cumprimentou.
— Olá, Regina, bom vê-la novamente, sente-se. — disse, trazendo uma pasta com a letra “R” escrita na borda. Se sentou e folheou até achar algumas folhas grampeadas. — Aqui estão seus exames. — ele estendeu as folhas para mim.
Peguei aquilo olhando para ele com desconfiança, mas ele logo tratou de me acalmar.
— Algum problema em algum deles, doutor?
— Veja você mesma.
Folheei os exames que eram vários. Aquela linguagem de hospital que usavam para descrever os resultados estava me deixando mais apreensiva, até que cheguei na última página e o relatório dizia que eu estava em perfeitas condições para o procedimento. Abri um sorriso nervoso, porém extremamente aliviado.
— Então isso quer dizer que eu posso fazer a inseminação?
— Com certeza absoluta, Regina. Você está absolutamente saudável para encarar o procedimento. — disse o doutor.
Olhei para o relatório mais uma centena de vezes para ter certeza de que eu não estava delirando, estava mesmo acontecendo. Só faltava Emma saber que eu podia recompensá-la. Eu finalmente podia.
— Ah, meu Deus, tomara que Emma fique feliz em saber disso. — comentei, olhando a página do relatório pela última vez.
— Quando pretende contar a ela? — o doutor perguntou.
Pensei um pouco. Emma estava prestes a voltar para casa, faltavam alguns dias para o fim das gravações do filme e contar uma novidade não demoraria mais que alguns minutos, eu poderia ir vê-la o quanto antes. Sabia que não poderia, nem devia ter pressa nessa situação, mas no caso, eu não aguentaria esperar mais para falar com minha mulher. Tomei uma decisão.
— No fim de semana. Contarei para ela no fim de semana.
No dia seguinte eu fui atrás de minha amiga Maleficent, mas ela não estava na MBC, parece que viajou para resolver um problema em uma transmissora no Arizona e voltaria para Los Angeles na próxima semana. Eu precisava muito conversar com alguém, e ela parecia minha melhor alternativa de todo mundo que eu conhecia, só que dessa vez eu teria de dialogar mentalmente comigo mesma sobre meus exames terem dado certo, já que Maleficent tinha deixado seu celular desligado ao que parecia. Bem, eu não quero julgar minha amiga, mas essa viagem me cheira a muito mais do que resolver um problema, acho que ele anda se encontrando com alguém.
Um dia mais tarde, embarquei com Henry para Vancouver, com o único intuito de conversar com Emma sobre a gravidez. É claro que eu ainda estava tensa e preocupada com sua reação, pois eu sabia que quando ela descobrisse, seria bem capaz de quebrar a outra perna, ou de alegria ou de surpresa. Enquanto viajávamos, Henry se mostrava ansioso para rever os avós e eu estava mesmo contando com isso para ter o momento a sós com minha mulher.
Quando pousamos em Vancouver, eu me sentia estranhamente bem, como se alguma aura boa estivesse pairando em minha mente e me ajudando a ter coragem de encarar os fatos. Era a chance, o momento certo para falar com Emma. Então ligamos para avisar à Swan que estávamos chegando para fazer uma visita. Mary e David nos buscaram no aeroporto e nos levaram para o hotel, pois Emma passaria a noite inteira gravando as últimas cenas de seu filme. Emma tinha recebido alta na semana passada, segundo o que Mary nos contava, estava andando com uma proteção na perna quebrada, embora ela ficasse mais tempo sentada numa cadeira de rodas que o estúdio do diretor De Palma havia arranjado. Desse jeito, Henry e eu nos hospedamos em um quarto do mesmo hotel e passamos bem a noite.
Logo cedo, após o café, perguntei à Mary onde Emma estava gravando as cenas, eu iria até ela. A senhora Swan me contou que Emma estava do outro lado da cidade em English Bay, um ponto muito bonito do lugar. Pedi para meu sogro e sogra ficarem de olho em Henry enquanto eu ia atrás de Emma.
— Mas, Regina, não quer esperar Emma voltar? Ela já deve estar chegando. — disse David.
Peguei minha bolsa e fiz que não com um sorriso de canto nos lábios.
— Não, David, eu não quero esperar mais pra contar a novidade.
Ele e Mary trocaram olhares.
— Que novidade? — questionou minha sogra.
Olhei para Henry de relance, ele já podia imaginar do que eu estava falando, como se estivesse na torcida.
— Vocês vão saber quando voltarmos. — dei-lhes um novo sorriso e fui.
Peguei um taxi até English Bay, uma praia realmente bonita, porém pequena, rodeada por prédios e árvores mais adiante. A equipe de filmagens estava instalada no píer, terminando de recolher o material de gravação quando cheguei. Assim que me viu, meio perdida entre a confusão de pessoas que andavam de uma lado para o outro, o diretor De Palma me reconheceu.
— Regina Mills — ele se aproximou, pegando em minha mão e beijando as costas dela com elegância. — Quanta honra recebê-la, a esposa da minha atriz principal.
Corei olhando para ele, tentando ser simpática.
— A honra é toda minha, senhor De Palma.
Ele sorriu sem mostrar os dentes e se virou, ainda segurando minha mão.
— Pessoal, vejam quem está aqui. — falou alto e todo mundo olhou, sem muita surpresa. Ele voltou-se para mim, atencioso. — Que pena que não tenha vindo mais cedo, gravamos uma cena magnífica para o final do filme com Emma. Você ficaria orgulhosa dela.
— Já tenho muito orgulho de Emma, pode acreditar. E eu só vim mesmo para dar uma palavrinha com ela. — disse.
— Ora, ela não está muito longe daqui. — ele apontou, me mostrando um ponto da praia com pedras antecedendo a maré da areia. Estreitei os olhos e pude ver uma pessoa sozinha, sentada numa cadeira. — Ele pediu para ficar por ali, queria olhar a paisagem antes de voltar para o hotel. Vá até lá, ela ficará feliz em ver você aqui.
Seguindo o caminho pela areia, andei até o ponto com as pedras e parei atrás de Swan, esperando ela adivinhar quem estava ali para vê-la. Talvez ela descobrisse pelo som que meu peito fazia de tanto que meu coração batia. Fazia sol e ventava pouco, de um jeito que seus cabelos balançavam de lado e eu conseguia ver o lado do seu rosto observando a água. Emma ficou tão distraída que só se deu conta de que alguém estava atrás quando coloquei minha mão sobre seu ombro.
— Bonita vista, não é? — perguntei olhando para frente.
Emma virou o rosto e me viu.
— Regina?
Baixei ao seu lado, ficando mais próxima dela na cadeira. Ela abriu um sorriso lindo, tocando no meu rosto.
— Oi, bonitona. — eu disse, retribuindo.
— Quando chegou? Nós terminamos a gravação nesse momento, eu só estava esperando recolherem tudo para voltar ao hotel.
Fiz que sim.
— Eu sei, eu sei, o diretor me disse. Cheguei ontem, mas vim aqui agora cedo pra ver se conseguia um momentinho com você.
— E o Henry? Ele está aqui também? — perguntou o procurando com os olhos imediatamente.
— Não, meu amor, ele ficou no hotel com David e Mary. Vão leva-lo para passear pela cidade logo mais, enquanto voltamos. — expliquei.
— Hum... Tudo bem. — ela sorriu de novo e se esticou para me dar um beijo nos lábios. — Fiquei tão feliz quando disse que viria, adorei a surpresa.
— Isso porque nem conversamos ainda.
— São muitas as novidades?
— Algumas sim. — assenti, admirando seu rosto, seu olhos. — E essa perna? Melhor?
— Bem melhor do que antes, estou quase andando de novo, só que preciso de fisioterapia. — ela resmungou. — E você? Tem cuidado bem do nosso filho?
— Você fala com ele todos os dias, meu amor, o que acha? Ele reclama?
Emma parou e pensou.
— Não. Ele sempre elogia você.
— Depois do aniversário dele, ele me disse que já gostava mais de mim do que da mãe de verdade. Eu não devia me sentir tão bem por isso, mas eu me sinto. — confessei.
Me levantei, nesse momento, Emma olhou para cima para continuar me vendo.
— Não se repreenda. A mãe dele, de onde estiver, deve estar muito agradecida pelo o que tem feito. Eu disse que ele te adora. — ela se agarrou no meu braço.
— Você tinha razão.
Segurei sua mão e fiquei ali com ela, olhando para o horizonte por algum tempo. Queria lhe contar das novidades, que tinha visto Ruby no mercado, que Henry estava bem na escola, que Maleficent queria porque queria me dar um programa novo para apresentar, no entanto, tudo aquilo fugiu da minha cabeça. Para que distrair Emma com aqueles assuntos se eu poderia lhe contar que estava prestes a realizar seu maior sonho?
— Antes de voltar a L.A., vamos trazer meus pais e Henry aqui para tirar uma foto. Vai ficar linda, não acha? — ela perguntou, alegre.
— Vai. — disse, me calando em seguida, subitamente.
Emma me olhou, sentiu a necessidade de me dizer coisas bonitas, aproveitando que estávamos em um lugar especial. Deixei ela dizer tudo o que precisava.
— A paisagem ficou mais bonita com você nela. — falou isso suave.
— Jura?
— Juro. E sabe o que eu estava pensando antes de você chegar?
— Não sei.
— Estava pensando no quanto eu tenho sorte. Tenho tudo o que eu quero na vida: Trabalho que eu gosto de fazer, prêmios, uma mulher incrível, um filho tão incrível quanto, uma casa bonita e um cachorro. — ela riu de leve. — Não preciso de muito para ser feliz. Tendo vocês perto de mim eu me sinto segura. E daí eu fico me perguntando se os problemas que tive com você não serviram de lição pra gente finalmente estar bem como estamos hoje. Sabia que eu te amo?
Dei uma última olhada no horizonte. O sol fraco se escondeu atrás de uma nuvem, escondendo o brilho do rosto de Swan. Me ajoelhei a sua frente, pegando ambas as mãos e fixando meus olhos nos dela. Se eu focasse bem lá no fundo, conseguiria ver o mar. Emma estava com pouca maquiagem por causa do papel do filme, pouca coisa realçava seu olhar, não era muito necessário, ele era muito marcante mesmo sem lápis. Rocei as pontas dos meus dedos em suas bochechas, fazendo ela fechar os olhos, apenas sentindo o carinho que eu lhe dava. Estávamos sentindo falta disso, e por sorte ainda faríamos muito.
Então chegou minha vez de falar de novo.
— Aquilo que aconteceu conosco, Emma, foram alguns momentos em que discordamos de alguns assuntos. Pessoas são diferentes, você é diferente de mim e fomos entendendo isso mais tarde. — engoli em seco. — Você fez tanta coisa por mim, me provou tantas vezes que me amava. Se eu sei que você me ama? Sim, eu sei disso, meu amor. — Prendi os lábios por breves segundos. O nó subiu a garganta, mas eu precisava terminar de lhe dizer. — Você nunca cansou de me mostrar o seu amor, um amor que eu não sei de onde saiu, mas eu sei que existe e que chegou num ponto em que eu não podia apenas esperar mostra-lo. Temos Henry hoje, ele é nosso filho, nosso menino que você sempre quis. Ele me ajudou muito a entender que eu podia ser mãe de alguém. Você se lembra quando prometi a você que ia procurar te entender e se conseguisse eu realizaria seu sonho, hum? Eu consegui, você já sabe. Mas hoje, eu estou sentindo que minha missão é mais que te dar o Henry como filho e permitir que a gente crie ele. — Emma franziu delicadamente suas sobrancelhas enquanto tentava decifrar o que eu ia dizer a seguir. — Emma, eu quero que você saiba que esse mês inteiro estive fazendo exames. Eu fui até a clínica de fertilização e soube que eu posso engravidar do mesmo jeito que você tentou antes de adotarmos. Eu sei que doeu muito não ter dado certo na sua tentativa, doeu em mim inclusive, então... Eu quero engravidar por você. Eu quero te dar outro filho.
Emma ficou algum tempo séria, me olhando sem reação. Eu tive medo de ter frustrado qualquer outro plano que ela poderia ter em mente, só que seu rosto foi se iluminando devagar. Ela apertou minhas mãos, pude ver as lágrimas se formando nos olhos dela aos poucos.
— Você... É sério? — balbuciou.
— Sim, Emma, é verdade, eu vou te dar o melhor presente que você merece. — falei, tentando sorrir sem tremer.
De repente, Emma estava rindo de felicidade. Ela se inclinou e me abraçou com força tamanha para me sufocar. Me beijava os cabelos, o rosto, as mãos, tocava em mim, não sabia o que fazer de tanta emoção.
— Um bebê, Regina... Você vai ter um bebê no meu lugar? Foi isso que eu escutei? — Emma parou para segurar minha cabeça.
— Por você, o nosso bebê. — eu disse, sorrindo para ela, enxugando o que ela não conseguiu conter no canto dos olhos. As lágrimas escorreram depressa e de tão feliz, Emma se apoiou em mim, se levantando da cadeira. Quase caímos juntas nas pedras, mas consegui segurar seu corpo a tempo. — Emma, cuidado!
Ela me apanhou em um beijo apaixonado, cheio de uma vontade de dizer o quanto me amava. Depois de mais alguns beijos como esse, minha mulher me olhava, ainda abismada. Precisei repetir várias vezes para ela que seriamos mães de novo, e a cada vez que ela confirmava isso, eu sentia que havia feito a escolha certa.
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