Máscaras na Nuvem
6 Vestidos a Rigor
Notas iniciais
De frente para a entrada do conjunto habitacional, o trio, vestido o terno preto, de gravata fina e camisa branca, não se incomodada com as luzes poderosas de todo tipo de propaganda colorida. Os óculos escuros estavam ali para isso. Ou por um estilo antiquado para aquela época.
O veículo que pegaram para chegar lá, já tinha ido, ele manteve a surpresa do local até a chegada. Mesmo que pudessem saber o que era, foram poupados da visão até chegarem. O transporte era totalmente fechado, sem janelas e o dispositivo que dava transparência estava desligado.
Os três levavam em mãos uma maleta, com seu nome. Haviam sido deixadas bem de baixo de seus bancos. Junto delas, pistolas, guardadas aleatoriamente com cada um.
Desmond, a guardou dentro da maleta. Kazuki guardou-a em rente ao corpo, presa por sua calça, oculta por seu paletó. Megan, não a guardou, segurava-a despretensiosamente, como algo corriqueiro, talvez, por habito.
"E como vamos entrar nessa porcaria?"— A voz meio sarcástica de Megan é surreal para os ouvidos dos outros dois. "Deve ter umas 50 mil pessoas ai.." — Ela comenta, pegando um cigarro de seu bolso, algo que estava dentro da maleta que ela pegou dentro do transporte.
Dia nublado. Na verdade, quase tarde. As luzes da cidade se acendiam, era um sinal das 18 horas se aproximando e, eles estavam ali parados desde antes disso, talvez a cinco minutos, mas que poderiam parecer muito mais, quando se fala que estão lá desde antes das luzes se acenderem.
SHUN II, ou 'aquela porra', é o nome do lugar, do conjunto habitacional. A placa deixa bem claro isso e corrobora com a fala da sargento, mas sem o deboche dela. Sendo mais específico, aquela era uma das oito entradas do lugar, ou Entrada C. E dezenas de pessoas transitavam por ali, além das entradas para veículos, tanto para o comércio interno quanto para o privado.
O lugar era tão grande, mas tão grande, que tinha sua própria fucking economia.
Na Cidade da Liberdade isso não era tão comum, por mais que tivesse milhões e milhões de cidadãos, eram iniciativas recentes, da última década. Mas como reuniam tantas pessoas num lugar só, eram necessários poucos. Além disso, era muito fácil construir, tudo feito em fábricas mecanizadas, que no final, não gerava muito lucro.
Deixar todo mundo que era pobre, a porra dum Baixo, vivendo na miséria longe de algo mais 'humanizado' era mais fácil e rentável. Confusão gera muito mais lucro. E ignorância, facilita perpetuar a confusão.
"Esses prédios foram feitos por alguns bons motivos.."— Comenta o Hacker que caminha na direção da entrada. ".. Que não importam.." — Ele continua olhando para os hologramas de diversas cores e de diversos anúncios. "O que importa é que há uma central de informação que pode ser invadida" — Terminou de falar ao mesmo tempo em que parou de andar, virando-se e esperando os demais o seguirem, com o sorriso confiante que dizia que era capaz de fazer isso.
Kazuki não tinha dado um 'ai' até então, mesmo enquanto Desmond falava sobre como seria fácil entrar no sistema; que os programas de proteções desses lugares eram ridículos; sobre como a empresa que construiu aquilo não se importava realmente com o lugar. Ele simplesmente não ligava.
Sua mente funcionava de uma forma diferente, ele só pensava em uma única coisa, quantos deveria matar para que aquilo acabasse.
Pragmatismo de um assassino movido pela vingança.
"Você ta muito quieto... japa"— Nem a forma incômoda que a sargento fala sobre ele o incomoda. A preocupação dela era sensata, não o conhecia, não sabia do que ele era capaz. E nem ia, se o futuro permitisse. "Nada, só me pergunto como vamos entrar sem os scanners na entrada nos acharem" — Ele disse com seriedade enquanto apontava para os portais que analisavam todos que entravam.
Megan ri, enquanto toma a dianteira diante da face imutável de Kazuki e, da reação tomada por dúvidas de Desmond. Ela passa pelos scanners rindo e ainda tem a ousadia de mandar um dedo para os dois.
"O magrelo ali.." — Ela aponta para Desmond. " .. não ia notar isso nunca" — E encara Kazuki. "Mas achei que você fosse um cara de ação.."— Megan levanta a pistola segurando-a pelo cano. "É feito de alguma fibra plástica, sem nenhum componente metálico" — Ela bate com a arma na maleta que carregava. "Nem o formato é um padrão" — Agora ela mostra a arma na frente de Desmond que parece não entender muito a diferença. "Quem nos contratou, pensou em tudo, tudinho mesmo" — Diz, enquanto se vira, coloca a arma presa às costas, como Kazuki fez e segue na direção do pátio interior daquele bloco.
Percorreram o longo corredor, tão largo e alto que nas décadas anteriores seria algo declaradamente suntuoso demais. Algo relegado apenas aos mais abastados, que tinham espaço para usar mesmo que não fosse usado com nada.
Aquilo era a vida para um baixo. A vida que eles sonhavam desde que nasceram num berço de merda. Era aquilo que eles imaginavam que os mais ricos tinham. Tudo ao alcance na mão, cores, diversão, som, tudo, muito, pra todo o lado. É coisa demais pra se notar, que aquilo é apenas uma forma de enganar e controlar, dizer que, quem lhes deu aquilo é bom. Quem construiu aquele prédio, tinha a garantia de que milhares de pessoas seguiriam suas ideias e apoia-los com tudo, aceitando seus produtos, testando-os, expondo-os, por livre e espontânea vontade.
Marketing é tudo, não é? Filhos da puta.
Os três comentam quase ao mesmo tempo sobre como aquele lugar é enorme. Por motivos diferentes, nunca foram lá. Kazuki morava num bairro Médio, seu trabalho muito especializado era lucrativo para ter uma vida tranquila. Megan precisava viver nos bairros Baixos, já que a central de atividades das forças de segurança fica nessas áreas. Desmond vivia entre os Médios, também, mesmo com recursos absurdos que vinha juntando, lá, entre os médios, era menos arriscado ser encontrado.
O hacker, no entanto, levanta a questão chave, como iriam identificar o Arquivo Morto?
A Sargento diz que o lugar, por ter uma equipe de segurança privada, precisa ter uma central de informação. Complementa dizendo que lá deve contar a identidade de todos, além de várias cosias relativas a cada morador. Desmond aproveita a deixa e conclui que esses dados podem ser cruzados com os dados que ele pegar, pode reduzir os prospectos das dezenas de milhares para poucas centenas.
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