Máscaras & Sussurros
36 Essência
Eu passei o dia inteiro em um estado de choque, simplesmente sentada no sofá olhando fixamente para a parede branca da sala. Com Temari trabalhando e Hinata na faculdade, não tive interrupções.
Fiquei pensando em como eu lidaria com tudo aquilo. Como eu simplesmente perguntaria para Sasuke se ele tinha matado mesmo uma pessoa sem insinuar que eu acreditava nisso. Como olharia para aquele olhos negros e diria que eu tinha os traido com outros igualmente negros? Porque eu não podia simplesmente não contar. Eu não podia mentir, porque isso tornaria tudo ainda mais errado, tornaria real. Lembrei dele sentado no canto do bar, dizendo coisas sem sentido com Naruto do seu lado. Lembrei de como eu tinha achado que ele era só incompreendido, sozinho e perdido. Assim como eu. Lembrei de como passamos nosso tempo infiltrados na mente um do outro, sem necessidade de palavras. Éramos tão iguais, éramos um só. A minha culpa só aumentou e eu já não conseguia ficar sem fazer nada. Ele tinha o direito de saber. Sai do apartamento rapidamente, antes de me arrepender da minha decisão. Eu não sabia se Sasuke ainda estava bravo comigo por causa daquela noite, ele provavelmente nem lembrava do que tinha dito a mim, já que estava completamente drogado. Mas eu lembrava bem, lembrava bem de como eu o odiei, de como rejeitei tudo dele naquele momento. E como simplesmente descontei toda a minha raiva, ficando com o irmão que ele tanto odiava. E como eu tinha me arrependido a ponto de quase me matar. Porque tudo aquilo tinha sido tão idiota, uma briga tão patética e estúpida, por sermos orgulhosos e impulsivos. E foi por causa dela que eu tinha pecado tão erroneamente. Me martirizando, subi as escadas do prédio de Sasuke como se fossem o purgatório e, dessa vez, bati na porta. Ambos sabíamos que eu poderia entrar quando quisesse, mas a sensação de culpa me fez hesitar. Bati lentamente e esperei ele aparecer. Torci para que estivesse sóbrio, mas mudei de ideia imediatamente. Não sabia dizer se seria mais dificil contar para uma mente alterada ou para a original. Então apelei e torci para que ele ainda estivesse bravo comigo por causa daquele meu comentário, seria bem mais fácil me confessar se ele ainda estivesse irritado. Respirei fundo e a porta abriu, revelando um Sasuke semi-nu, com uma toalha na cintura e os cabelos molhados. Eu quis chorar. Quis chorar porque ele estava tão perfeito. Ele estava perfeitamente sóbrio, maravilhoso, exatamente como eu o amava. Por que ele tornava as coisas tão mais difíceis? Então, quando eu achei que não dava para piorar, ele deu um meio sorriso. Minha culpa explodiu e meus joelhos cederam. Quando me dei por mim, estava ajoelhada aos seus pés, chorando descontroladamente. Não queria perdê-lo, não queria perder nada daquele ser. Enquanto minha mente me dizia o quão patético tudo aquilo parecia, meu coração só fazia minhas lágrimas cairem mais e mais. — Cherry! – ele exclamou, ajoelhando-se também. Sua clara preocupação não me ajudou. Normalmente, ele olharia para mim e entenderia, e veria na minha alma quebrada o motivo de minhas lágrimas, mas nem ele conseguiria imaginar o pecado que eu tinha cometido, então apenas ficou ali, afastando minhas lágrimas enquanto me perguntava o que tinha acontecido. Eu não conseguia falar. Queria, mas era incapaz. Não podia perdê-lo. Mas, então, finalmente meus olhos encontraram os dele e eu consegui murmurar: — Itachi me beijou. Em segundos, vi a cor sair da face de Sasuke e ele levantar abruptamente. Fiquei escondida embaixo da minha vergonha e não percebi quando ele voltou vestido. Então, passou direto por mim a passos largos e decididos. Que reação era aquela? Ele não ia conversar? Não ia me xingar? Levantei, atônita e perguntei, com a minha voz ainda fraca: — Aonde você vai? Eu sabia que ele não me devia explicações, não precisava nem dirigir o olhar a mim, mas eu merecia algumas palavras... Será que nem esse luxo ele me daria? Será que meu pecado era tanto que eu não receberia nem ao mesmo algumas palavras furiosas? — Vou matar aquele filho da puta. – sua frase acompanhou o passado, quando ele dissera a mesma coisa quando eu mencionei que Kakashi tinha me beijado. Mas dessa vez, ele estava errado... Dessa vez era culpa minha. Pisquei. — Sasuke, não. – supliquei, porque ele tinha entendido errado. É claro, nem saindo da minha boca ele tinha acreditado que tinha sido minha culpa. Que ele tinha me beijado, sim, mas eu não o impedi. Eu continuei, eu gostei. Eu que comecei. — Não tente defendê-lo. – ele disse, furioso. Nunca o tinha visto daquele jeito. Ele realmente poderia matar seu próprio irmão se tivesse uma arma. Desesperada, corri e parei na sua frente. — Sasuke, não. Me escuta antes.
— Não me importa, ele não tem o direito de encostar em você. Minhas lágrimas voltaram e eu solucei. Por que ele não estava me entendendo? — Não... Não foi isso que aconteceu. – tentei, mas meus soluços não se cessavam. – Eu... Eu estava triste por causa do que você disse na balada e... Sasuke finalmente mirou os meus olhos. Aquilo quase me fez cair novamente, mas eu não podia ser fraca naquele momento. — O que eu disse? – ele perguntou, sincero. Era óbvio que ele não lembrava. Ele estava drogado. Ele não lembrava de ter me dito que não era preso a mim, que não precisava de mim, que era livre... — Você estava bravo comigo e... – comecei, tentando defendê-lo de algo que nem ele sabia o que era. – Me desculpa por ter dito aquilo sobre as drogas e ter me descontrolado e falado que eu não precisava de você.Eu preciso. Eu preciso mais do que tudo, completei na minha mente. — Cherry, por que você está se desculpando? – ele perguntou, agora um pouco menos inquieto. Ele me olhava como se eu estivesse louca, como ele tinha me olhado depois do enterro, como se estivesse fora de mim. Porque ele sabia que eu não era de me desculpar, eu admitia meus erros, mas não me desculpava. Ele me conhecia bem demais. Meu coração apertou. — Porque fui eu, eu que fui para casa de Itachi, eu que me joguei em cima dele. – disse, de uma vez. – Eu estava mal, estava bêbada e... Sasuke simplesmente passou por mim e entrou no seu loft antes que eu terminasse as minhas desculpas esfarrapadas. Sabendo que não adiantaria nada, caminhei lentamente até dentro e fechei a porta, procurando os seus olhos. Pensei em tudo o que eu podia dizer para tornar aquilo melhor, mas não consegui achar nada. Não poderia dizer que eu não quis, que eu não tinha gostado, porque seriam mentiras. — Sasuke... – chamei-o. Ele estava segurando a pia da cozinha, com a cabeça abaixada. — Sabe o que eu disse para mim mesmo ontem? – ele murmurou, ainda sem virar-se. Não respondi. — Que eu tinha que ir pedir desculpas para você, porque você não merecia ouvir aquelas coisas de mim, eu ia dizer que eu lidaria com você em qualquer estado possível. Que eu tinha me precipitado e surtado porque não sabia como tirar a dor de você. — Eu... — Eu ia me humilhar desse jeito por você. – ele disse, de forma sombria, mostrando o grande esforço que era admitir aquilo. – Porque você me faz uma pessoa melhor. Os soluços que eu tinha engolido voltaram em dobro. — Sasuke, me des... — Não! – ele berrou, de repente, subitamente voltando-se para olhar pra mim. Seus olhos estavam afiados com um tom de raiva e decepção que eu nunca tinha visto antes. Eles me desarmaram e eu simplesmente não consegui dizer mais nada. – Você poderia ter fodido Naruto que eu não iria me importar, porque você estava perdida e quebrada, mas você escolheu Itachi. Você escolheu Itachi porque você queria isso. Você ama isso. — Você acha que eu amo você berrando comigo? A decepção nos seus olhos, é claro que... – explodi, incrédula. — O drama, Cherry! – ele esclareceu, como se fosse óbvio. – Você ama o drama! Você queria me afetar, queria atenção, mostrar que pode fazer o que quiser, que não se importa. Pisquei várias vezes. — Isso não é... — A vida não é a merda de um filme antigo. As pessoas tem sentimentos. Você ao menos considerou o modo como eu me sentia antes de deixar Itachi enfiar a língua dele na sua boca?Não. — É claro que sim. – menti, porque já não tinha mais o que falar. Ele estava certo, estava absolutamente e completamente certo. Eu era egoísta ao ponto de fazer tudo aquilo para me sentir no controle, para me sentir viva. Mas como admitiria isso para Sasuke, sem dizer ao mesmo tempo que não me importava com ele? Porque eu me importava. E isso era um paradoxo. — Não minta pra mim, porra! – Sasuke berrou e eu vi a sombra de uma lágrima em seus olhos negros. — Caralho, Sasuke, eu não estou mentindo. – chorei. – Eu nunca faria nada para te magoar de propósito. Porra, você não entende, eu... — Estava com medo, é claro que eu entendo. – ele completou a minha frase. – Mas você não pode ficar com medo para sempre. Você não pode fazer uma merda sempre que estiver com medo só para eu terminar com você. Mais lágrimas escorreram pela minha pele e eu percebi quão certo ele estava. Era como se eu tivesse feito aquilo tudo de modo inconsciente para que o fim fosse certo, porque eu não aguentava aquilo. Não aguentava mais estar completamente apaixonada, pertencente à outra pessoa, completamente devota. Eu tinha medo. Medo de me jogar de cabeça e ser magoada. Medo de me jogar de cabeça e enlouquecer mais do que eu já estava. Porque era isso que o amor significava para mim. Só era verdadeiro se eu ficasse louca. — Foi a mesma coisa com Kakashi, ele te beijou e você veio me contar quase com euforia. Como se esperasse que eu te culpasse e terminasse com você, para facilitar o trabalho. — Eu te contei porque não conseguiria mentir para você! – exclamei. — E ainda sim, você mente, não é? O tempo todo. – Sasuke respondeu, friamente. – Você não me disse que retribuiu o beijo dele. Ou que já conhecia Itachi antes do enterro. Você nunca me contou que sabe porque ele me odeia ou o que aconteceu com Kankuro. — Como você sabe de tudo isso? – perguntei, pateticamente. Sabendo que isso era a coisa que menos importava no momento. — Realmente importa? — ele perguntou, quase que lendo meus pensamentos como costumava fazer. O silêncio pairou no loft por alguns momentos e eu só queria me tacar pela janela. Porque eu não merecia aquele ser tão perfeitamente lógico na minha frente. Ele estava tão certo, tão incrivelmente analisando os meus pecados e os justificando para mim. Como alguém tão imperfeita como eu podia aceitar aquilo? Então, as palavras da Temari assombraram meus pensamentos. “Sasuke deixou ele para morrer”, ela tinha dito, com tanto escárnio. “Ele não merece nada vindo de você”. Talvez por puro desespero e necessidade de me defender, considerei aquelas palavras por um minuto. Como eu podia estar me sentindo tão mortalmente culpada por alguém que tinha matado um amigo? Por alguém que devia dinheiro ao próprio irmão por causa de drogas? Alguém que abandonou uma menina perdida e sozinha que tinha perdido tudo? — Eu sei que isso não justifica, mas você não é um poço de verdades também. – falei, com a voz ainda afetada pelas minhas lágrimas desperadas. — Eu nunca menti para você. – ele disse de forma tão simples que eu me arrepiei. — Você omitiu, é a mesma coisa. – respondi, mesmo não acreditando nas minhas palavras. Áquela altura, eu só estava soltando a primeira coisa que me vinha em mente para prolongar o fim. — O que eu omiti? – Sasuke perguntou, agora sentando-se na cama e olhando-me de forma julgadora. Suspirei e senti meu rosto molhado. Meu coração parecia querer sair para fora do meu corpo e eu sentia dor física em todo o meu corpo. Era tudo o que a minha mente estava sofrendo, refletindo nos meus membros. — Sobre Karin. E Kankuro... E Itachi. – respondi, achando que aquele argumento finalmente faria com que eu estivesse certa com tudo o que eu fiz. Me forcei a olhar na negridão de seus olhos e por um momento quis me perder ali como fazia antes. Quis tentar desvendar aquela mente torcida e tão maravilhosamente diferente. Mas sua expressão era de decepção e cansaço. — Você nunca me perguntou. – ele me respondeu simplesmente, alegando a mais dura verdade e quebrando todas as minhas convicções de que algum dia ele iria me perdoar.
Notas finais
Ooie, cap novo procês ♥
Sério, as vezes me empolgo muito nessa fic e não percebo se estou exagerando em algumas coisas, então me avisem qualquer coisa ok? Haha por favor, aceito críticas com prazer!
Gostaram? *-*
Beijão :*
Sério, as vezes me empolgo muito nessa fic e não percebo se estou exagerando em algumas coisas, então me avisem qualquer coisa ok? Haha por favor, aceito críticas com prazer!
Gostaram? *-*
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