Mysteries in The Hunt

5 Corrida no hospital


A noite nos atingiu meio fria.Corremos até o limite da cidade, já que a mansão era um pouco longe da cidade. Ao ver o movimento de pessoas, voltamos a andar e tentamos nos mistura. Foi fácil, já que muitos grupos de jovens saíram nesse horário.

Fomos para o lado Oeste como Carol disse. Não foi muito difícil achar o supermercado. Viramos a esquina e andamos mais duas quadras. Deparamos com um prédio azul claro e branco.Havíamos chegado. Estávamos paradas na frente do local.

– Apenas entramos e perguntamos “Oi, Thomas esta ai? Precisamos de algumas informações” ?- perguntou Stella.

– Ou posso fingir um machucado e entramos. O que acha, Ty?- questionou Beatrice me encarando.

–Ty? Está nos ouvindo?- chamou Stella.

Eu estava tentando descobrir como iríamos entrar. Analisei o prédio, mas não vi uma porta que nos poderia usar, a não ser a grande porta da frente.

– Vamos apenas entrar – afirmei e comecei a andar em direção ao prédio.

– Ok – disse Beatrice e Stella a acompanhou.

Entramos e logo fomos atingidas por olhares curiosos. O que três jovens aparentemente saudáveis fazia num hospital? Eu podia ver essa pergunta em seus olhares que agora passava de curiosos a acusadores.

Fui até o balcão que estava no centro. Assistente sorriu e disse:

–Como posso ajudá-las?- perguntou para nós.

– Estamos procurando uma pessoa.- falei com uma voz inocente.

– Quem?- perguntou a mulher. Na verdade, a garota.Ela parecia ter 17 ou 16 anos. Seus olhos brilhavam ao falar com a gente. Como ela conseguia parecer tão feliz trabalhando com gente machucadas e doentes?

– Thomas Robert Hammer. — disse.

–Ah. Finalmente vocês chegaram. Vocês seriam da família do falecido?- perguntou ela. Foi ai que a coisa começou a complicar. Nosso amigo Thomas estava morto? Como ia contar alguma coisa para nós? Eu não sabia invocar espíritos.

–Eu sou irmã e elas são primas . – afirmei. Olhei para as meninas com uma mentira clara nos olhos: finja o choro. E, graça aos deuses, elas me entenderam. Beatrice lançou os braços em volta de Stella e começou a forçar o choro. Eu achei um exagero, mas foi engraçado. Tive que me forçar-me a não rir. Stella na hora assustou, mas logo começou a dar tapinhas nas costas e murmurar palavras, que nem cheguei a prestar atenção.

– Por favor, me siga.- disse a atendente me olhando por cima do ombro.

A acompanhamos por um longo corredor branco. No começo do corredor ainda ouvíamos vozes das pessoas, mas conforme íamos andando, as vozes iam sumindo. Chegamos ao final de duas grandes portas branca.A partir do meio do corretor, o local ficou em um silencio mortal. Seguimos todas caladas, com nossos passos nitidamente ecoando no piso.

Paradas na frente das duas portas, a assistente se virou para gente e disse:

– Vou deixá-las se despedir do corpo, para depois decidirmos o enterro. –disse ela com meio sorriso no rosto.

– Obrigado.- falei, tentando transparecer triste.

Ela apenas assentiu e começou a voltar para o salão principal. Eu me virei para as portas e as encarei.

–0 que faremos agora?- perguntou Beatrice.

– Mandaram a gente de encontro com esse Thomas, não é? Tem que ter uma resposta em algum lugar!- afirmei.

–No corpo?- perguntou Stella.

–Pode ser.Vamos ter que entrar lá- disse apontando para as portas – e descobrir.

– É nossa única escolha, não é?- questionou Beatrice.

–É.- afirmei.

Ela respirou fundo e seu arco sutilmente apareceu em suas contas, assim como o meu e o de Stella. Ela colocou a mão na porta e sumiu pela abertura feita. Stella e eu resolvemos a seguir. O local era espaço com macas empurradas para o canto cobrindo corpos com lençóis brancos. No meio havia uma maca com outro corpo. Beatrice estava a direita olhando os cadáveres.

–Como saberemos quem é esse Thomas?- perguntou Stella.

–Nas etiquetas. Nelas tem os nomes de cada um morto aqui.- explicou Beatrice.

–Certo. Vamos rápido! Não quero ficar aqui além do tempo necessário. Não gosto dessa coisa de morte. –a firmei. Nunca fui com a cara da morte e não era hoje que isso ia mudar.

Bea olhava as etiquetas e falava os nomes em voz alta. Rob. Michael. Derek. Menos garotas, o que na hora me pareceu bem estranho, mas resolvi ignorar já que não tinha muita importância. Por ironia ou porque era meio obvio , fui na maca do meio. Peguei a etiqueta e ali estava nosso camarada Thomas.

–Está aqui.- afirmei.

As meninas se colocaram ao meu lado e Stella tirou o lençol dele. Tive um aperto no coração ao ver que Thomas era apenas um adolescente. Morreu tão cedo, que mal teve tempo de aproveitar a vida. A família dele deveria estar arrasada ou preocupada por não saber o paradeiro do garoto. Imaginei quantas almas seria perdida por incompetência humana. Ali poderia até estar meu irmão, Bryan. Senti um forte refluxo, mas logo desceu.

– Ty, você está bem?- perguntou Stella, passando seus braços em meus ombros.

–Acho que não,Stella. Olha como está mais pálida que um papel.- disse Beatrice com um ar preocupado.

– Estou. Só não gosto de ver pessoas mortas. Vamos acabar logo com isso. – disse respirando após cada palavra sussurrada.

Thomas estava corretamente vestido como aqueles adolescentes que você poderia se deparar no meio da rua. Calça jeans, blusa com um desenho qualquer e jaqueta preta.Olhei para seu bolso e algo vermelho se sobressaltava sobre a roupa.

–Hum.Com licença, Thomas. Vou pegar um negocio que está contigo que me pertence.- afirmei olhando pro morto.

–Ty, ele está morto! Não precisa pedir nada a ele. – exclamou Stella, me dando uma cotovelada.

– Você está louca?! E se o espírito dele estiver aqui? Temos que ter respeito pelos que já foram para o Mundo Inferior, Stella. –afirmei.

–Que seja- disse ela, fazendo biquinho. Ela não gosta daquilo tanto quanto eu.

Puxei o envelope do bolso ele com sua mão a milímetros da minha. Suspirei de alivio ao pegar o envelope sem encostar-me a ele. Com um receio do que estava lá dentro, observei o papel, sem entusiasmo para abri-lo.

Foi fácil Né? Fiquei sabendo que você não gosta de gente morta, mas espero que isso não seja problema para uma Caçadora. Sempre tão destemidas. Fase 2.Aonde o passado predomina. Aonde sua deusa reluz e a fera se esconde! 6991372.O brilho mostrará o caminho.

–C.W.

Passei o papel para as garotas. Elas leram e se viraram para mim. Peguei o envelope e coloquei no bolso junto com os outros dois.

–E agora, Ty?- Pergunto Beatrice.

–Vamos apenas sair daqui e comer algo.- afirmei.

–Como?Aquela mulher quer falar sobre o enterro do garoto.- lembrou-me Stella.

–Portas do fundo. Tem que ter alguma.- disse, indecisa.

– A saída da ambulância. – disse Beatrice.

–Isso.- falei, correndo na direção da porta.

Stella e Beatrice me seguiu. Corremos no corredor e passamos em silencio pela mulher que estava no balcão, atendendo alguma ligação. Pegamos uma porta a esquerda e depois a direita e achamos uma enfermeira. Explicamos que estávamos perdidas e queríamos sair dali. Ela ensinou o caminho até a saída da ambulância e seguimos as instruções. Em poucos minutos, estávamos fora do hospital. Corremos novamente.