Mysteries in The Hunt

6 Uma pausa para o descanso


Corri até sentir meus pulmões arderem. Paramos, ofegantes, na frente de uma lanchonete. Olhei para as meninas que no momento admiravam o interior do estabelecimento.

–Vamos entrar?- perguntei.

–Pode ser!- disse Stella, fazendo-se de durona.

Bea apenas concordou com a cabeça. Eu sabia que elas estavam com fome, mas com receio de atrapalhar, elas apenas se calaram. Eu não estava com fome. Estava agitada, com adrenalina a mil por hora em minhas veias, com energia de sobra saindo até pelos ouvidos.

Acompanhei elas até lá dentro e fizemos os pedidos. Dois hamburguês, três porções de batatas quatro latas de refrigerante. Sei o que está se perguntando. Quatro latas? Mas não são só três garotas? Sim, somos apenas nós três, mas é que sempre tomei refrigerantes além da conta. Todo dia na escola eu estava com uma lata na mão; e em casa sempre na geladeira, assaltando-a em qualquer horário que a vontade se manifestasse. Péssimo hábito? Sem duvidas! Não repitam isso em casa. Mas eu não consigo me desacostumar, então ai vai a prova de que ninguém é perfeito.

Após gigantescos goles da minha lata, puxei os novos bilhetes do bolso e os reli.

– O que será que quer dizer “Aonde o passado predomina”?- perguntei, as encarando.

–Um lugar onde podemos pensar no passado;onde há lembranças estão mais presentes.- afirmou Beatrice encarando seu hambúrguer parcialmente devorado.

– O museu. — disse eu e Stella juntas.

Encaramos-nos por alguns segundos e rimos.

– E tem algum museu por aqui?- perguntou Stella.

–Vamos verificar. – disse eu, já com meu celular em mãos. Disquei o numero da Carol e expliquei nossa situação.

– Sei exatamente onde estão agora e para onde precisam ir. Após sair daí, vire a direita até a rua principal, que corta a cidade ao meio e desça até a delegacia. Depois vire a direita e pronto. Estarão frente a frente com o museu.- disse ela.

Sorte minha que conforme ela ia dizendo, eu ia anotando no guardanapo, se não, já teria esquecido como se chegava na delegacia.No papel estava assim:direita. Rua principal. Delegacia. Direita. Museu.

– Pronto, meninas. Assim que acabarem de comer, já podemos partir- disse , mas após segundos desejei ter ficado calada. As meninas soltaram seus hamburgues, dispostas a partir imediatamente. Neguei-me a me mover até que toda a comida tivesse desaparecido por suas bocas. Relutantes, elas voltarão a comer e eu voltei a olhar para o nada, pensando. Tudo me veio à mente, tanto coisas boas como coisas ruins.

– Ty!- gritou Beatrice. Nessa hora,ela não chamou apenas minha atenção,mas a de todos que estavam ali por perto.Ela percebeu o que tinha feito e corou, se afundando em sua cadeira.

–Oi?- falei, tentando não rir.

– Vamos?- perguntou ela, num tom tão baixo que saiu mais como um sussurro.

–Claro.- concordei.

Após saímos, a caminhada foi tranqüila. Parecíamos mais adolescentes conhecendo a cidade, que garotas em missão de salvamento. Não esboçávamos cansaço, somente estávamos apreensivas e nervosas. Nossas companheiras a cada minuto se aproximavam do perigo e, as únicas que talvez podiam mudar isso era nós três.

A delegacia era pequena, mas impossível de não se notar. Com a fachada colorida de azul, branco e amarelo, as cores pareciam dançar. Viramos novamente a direita e logo nos deparamos com um prédio bege puxado para o creme, que de certo modo parecia grego. Colunas vinham na frente para sustentar o teto triangular. Grandes portas marrom, detalhadas de figuras, estavam fortemente fechadas, para nossa decepção.

Paradas diante os degraus do museu, encaramos o prédio.

–Como entramos?- perguntou Stella.

Olhei para a porta e ao seu lado, um aparelho peque, quadrado e preto se destacava no canto. Caminhei até ele e observei. O dispositivo pedia sete números como senha. O BILHETE! Nele havia alguns números. Só podia ser essa senha.

Com os dedos tremendo,digitei os sete números e o barulho de aprovação, confirmou minha entrada.

–Vamos. Abriu. – avisei as meninas que estavam paradas.

– Como você conseguiu? – perguntou Beatrice ao se aproximar de mim.

–No bilhete tinha a senha.- falei meio desconfiada. Olhei o bilhete de novo e algo que antes nem notei, agora fez um arrepio passar por minhas costas: Aonde sua deusa reluz e a fera se esconde!. FERA!!!!

Corri até as garotas, que já haviam passado pelas postas. Um aviso brilhava em minha mente: Perigo! Perigo! Perigo!. Agora o medo se misturava com meu refrigerante.