My complicated love
7 Capítulo 6 - Recomeço I
Notas iniciais
Lucy
Segunda – feira, 6:35 da manhã
Pensei que seria fácil acordar de um pesadelo. Mas, só agora percebi que vivo num pesadelo. Uma visão turbulenta de um presente distorcido pelo passado. Um passado feliz, mas trágico. Pois foi ele que me trouxe até aqui.
A janela deixava escapar alguns raios de sol, fazendo brilhar o cachecol quadriculado em minha mesinha de cabeceira. Oh, Natsu... sinto sua falta. Seu calor me aquecendo e sua voz me dizendo que estava tudo bem. O que eu não daria para voltar no tempo.
Deixei uma lágrima cair ao lembrar nos dias que morava com Jude. No tempo que ainda o chamava de pai. Apertei o lençol com força.
– Eu preciso trabalhar... – Sussurrei para mim mesma. A voz quase nula.
Rumei para o banheiro. Observei-me no espelho. Sorri com escárnio.
– Olhe para você Lucy... – Passei a mão pelo rosto inchado das lágrimas. – Sempre chorando, sempre... – Apertei os punhos. – Fraca. – Completei.
Tomei um banho longo e durante este tomei, talvez, a melhor decisão de minha vida. Vesti-me rapidamente, saindo do quarto e me deparando com Levy.
– Bom dia. – Sorri para a baixinha.
– Bom dia, Lu. – Sorriu de volta.
– Levy... – Puxei de leve seu braço fino. – Eu tomei uma decisão. – Seus olhos brilharam e ela virou-se por completo em minha direção.
– Não vá fazer nenhuma besteira, por favor. – Disse, revelando sua preocupação.
– Não se preocupe. – Sorri de lado. – Eu só... Vou perdoa-los. – O rosto de Levy se iluminou. A baixinha me abraçou fortemente, deixando-me sem ar por um momento.
– Oh, deus! – Ri da sua exclamação. – Eu vou te apoiar, te ajudar no que precisar Lu. Você sabe, não é? – Assenti aliviada por ela me compreender.
– Mas... – Hesitei. – Eu vou devagar, não estou preparada para isso tudo de uma vez agora. – Levy assentiu e desfez o abraço.
– Comece com seu pai. – Escutava-a atentamente. – Depois você se resolve com o Natsu. Mas, só para deixar claro, comece sendo amiga dele. De novo. — Ironizou, fazendo-me rir.
Acho que era hora de recomeçar.
~ ♥ ~
Natsu
Segunda – feira, 6:45 da manhã
Despertei de mais um pesadelo indesejado. Desde minha chegada a Tóquio eles só vem piorado e a presença dela tem sido mais frequente. Respirei fundo, tentando acalmar as batidas frenéticas do meu coração.
Rumei para o banheiro, ainda com flashes do pesadelo em minha mente.
“– Eu te amo. –As palavras tão bonitas tomavam um formato doentio quando pronunciadas por ela. – Eu te amo, Nat. – Odiava aquele apelido com todas as minhas forças. – Você não me ama? Diga Nat, diga que me ama! – A voz estridente gritava em meus ouvidos.
– Não! – Gritei de volta, ouvindo seu choro.
– Porque?! – Tampei os ouvidos.- Porque Nat?! Eu sei que você me ama! Diga Nat, poupe o seu tempo! Diga! – Pensava que iria enlouquecer.
– Pare! Cale a boca! – Mas só piorou. Ela gritou mais e mais, esperneando e puxando-me para si. — Pare Lisanna! – Empurrei-a, a fazendo ir ao chão. Seu olhar era de puro ódio.
– Eu vou destruir tudo o que você ama. – Disse por fim, indo embora.”
Sonhar com aquela frase agora era cotidiano. Lembrava do exato momento em que ela as havia dito. Balançou a cabeça tentando dissipar esse pensamento e se apressou para tomar banho. Tinha uma aula para dar.
~ ♥ ~
Lucy
Segunda – feira, 7:20 da manhã, CFT¹
– Bom dia Alunos. – Ouviu um coro de “Bom dia” e iniciou sua apresentação. – Chamo-me Lucy e irei ser a professora tutora de Literatura e Gramática de vocês. – Completou, sentando-se na bancada do professor. – Vamos começar com os seus nomes, certo? – Observou todos assentirem e iniciou. – Será que você poderia começar? – Sorriu para a menina de exóticos cabelos azuis.
– Sim. – Respondeu timidamente. – Me chamo Wendy Marvel e tenho quatorze anos. – A menina se ajeitou na cadeira, ficando mais baixinha do que já era.
– Me chamo Romeo Conbolt e tenho quinze anos. – De cabelos pretos e olhos charmosos, Romeo não parava de encarar Wendy. Riu internamente. Era assim que se iniciava o amor.
Os alunos deram continuidade as apresentações, mostrando serem extremamente simpáticos e educados.
– Bom, já que terminamos as apresentações, o que acham de fazer um jogo para nos conhecermos melhor? – Questionou animada. Adorava fazer jogos com as crianças, mesmo não sendo exatamente “crianças”.
– Seria Legal. – Comentou Romeo e alguns outros alunos. Sorriu para eles.
– Vou dar-lhes um papel e vocês vão escrever duas coisas, uma de que gostam e uma de que não gostam. – Pegou os papéis e distribuiu entre os estudantes. – Depois, eu vou misturá-los e entregar de volta a vocês, que terão de adivinhar quem é a pessoa. – Distribuiu canetas coloridas e sentou-se novamente na bancada. – Podem escrever, quando terminarem me avisem. – A turma era pequena, apenas dez alunos. Tinha certeza que muitos ainda estavam por chegar ou até faltavam o primeiro dia.
– Terminamos professora. – Pegou os papéis e os misturou, dando-os de volta aos estudantes.
– Quem quer começar? – Questionei-os.
– Posso? – Disse Romeo. Assenti, incentivando-o a continuar. – Gosto de silêncio, não gosto de superficialidades. – Disse a última palavra com certa dificuldade.
– Quem vocês acham que é? – Perguntei-os sorrindo da sua empolgação.
– Anna... – Respondeu Kuroko, um aluno tagarela.
– Charlotte? – Chutou Anna, negando a resposta de Kuroko.
– Wendy. – Disse Romeo, fazendo um sorriso de canto de boca aparecer na face da menina.
– É você, Wendy? – Perguntei-a, recebendo um aceno positivo de cabeça. – Ponto para o Romeo! Sua vez Wendy. – Escrevi no quadro o nome do moreno e pus uma bolinha ao lado, indicando o ponto ganho.
– Não gosto de livros... – Soltou uma risada graciosa. – Mas, gosto de azul. – Respirou fundo, olhando para Romeo.
O sinal tocou, alertando que a primeira aula havia terminado. Os adolescentes saíam e apenas Wendy e Romeo ficaram na sala. Arrumava a minha bolsa, enquanto via a garota deixar o papel sobre a banca do menino, olhando-o enquanto uma lágrima descia pelo seu rosto, para logo depois sair da sala.
Pensei no que ele poderia ter feito de mais para deixa-la assim, e fui em sua direção, seguindo-a até o banheiro.
– Wendy. – Chamei-a. A garota virou-se, passando os dedos nos olhos, limpando as lágrimas recém caídas. – Você está bem? – Perguntou, já sabendo a resposta.
– Não sei... – Fungou, olhando fixamente para o espelho. – Não sei mais de nada, professora. – Riu melancólica. – Já se sentiu assim? Vazia? – Questionou-me olhando fixamente em meus olhos. Os olhos castanhos encharcados, forçando-me a responder.
– É horrível, não é? – Ela assentiu. – Mas, isso passa. – Sorri. – Se quiser conversar, me encontre na sala da psicóloga na hora do intervalo. Se não estiver a fim, passe por lá do mesmo jeito. – Piscou para ela, limpando suas lágrimas com o lenço que carregava na bolsa. – Agora lave o rosto e volte para a aula, okay? – A menina assentiu, logo saindo do banheiro.
Suspirou. Não sabia exatamente o porquê, mas queria ajudar aquela garota. Sentia-se na obrigação de fazer isso. Talvez por ver nela a mesma dor que viu em si mesma nos sete anos que se passaram. Lavou o rosto, numa tentativa de esquecer o pensamento.
Voltou para a sala de aula, na esperança do professor lhe deixar entrar e terminar de pegar suas coisas. Bateu de leve na porta, esperando o professor abri-la.
– O que deseja? – Perguntou-a, antes mesmo de olha-la. “Acho que vamos começar com o Natsu, Levy...” Pensou, olhando-o corada.
– Eu... – As palavras lhe faltaram quando ele sorriu.
– Bom dia. – Cumprimentou-a.
– Bom dia. – Respirou fundo. – Será que... Não seria muito incômodo se eu atrapalhasse sua aula para pegar minhas coisas? – Questionou gaguejando de leve.
– Fique a vontade. – Disse, galanteador. Soltou uma risada baixa. Pegou suas coisas e se dirigiu a porta.
– Obrigada, professor Dragneel. – Sorriu para ele, que ficou sem saber como responder a aquele ato tão... receptivo.
– De nada... – Disse por fim, voltando para sua aula.
Seu coração parecia que ia explodir. As batidas eram frenéticas e rápidas. E um sorriso habitava seu rosto. Ele continuava o mesmo. E ela o amava do mesmo jeito.
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