My complicated love
8 Capítulo 7 -Recomeço II
Notas iniciais
Lucy
CFT, 10:05 da manhã.
O toque para o intervalo soou e todos os alunos e professores saíram de suas determinadas salas. Procurava os fios ruivos tão conhecidos naquela multidão.
– Natsu! – Chamei-o assim que o avistei. Ele virou-se em minha direção, acenando.
– Oi... — Cumprimentou-me sem graça.
– Eu... – Minha coragem se esvaiu com seu olhar esperançoso. – Queria falar com você. – Sorri constrangida.
– Claro, claro. – Respondeu num pigarro nervoso. – Hã... agora? – Neguei com a cabeça.
– Mais tarde. – Natsu sorriu. – A gente poderia conversar num lugar mais... – Fui interrompida por sua voz melódica.
– Privado. – Completou minha frase.
– Sim. Privado. – Sorri nervosamente. Era estranho conversar com ele depois de tudo o que eu disse. Constrangedor, na verdade.
– Se você quiser... – Hesitou, ponderando o que iria falar. – Podemos conversar na minha casa... – Disse quase que num fio de voz.
– Tudo bem. – O ruivo se assustou com minha resposta. Mas fiz questão de “corrigi-la”. — De todo modo, só iremos conversar. – Retruquei, dando maior ênfase ao “conversar”. Natsu sorriu, passando a mão nervosamente em seus fios cor de salmão.
– Sim, conversar... – Disse um pouco...Desanimado? – Até mais tarde, então. – Puxou-me para um abraço demorado. Quem passasse por nós naquele momento, juraria que éramos um pouco mais que amigos. Ignorei relutantemente sua tentativa de beijo, fazendo o máximo para parecer que eu não havia notado. Depois disso, Natsu seguiu para a sala dos professores, e eu, para a sala de Levy.
~♥~
– Levy? – Bati levemente na porta de madeira. – Posso entrar? – Escutei um “sim” abafado e adentrei o local.
A azulada estava sentada em sua cadeira giratória, analisando papéis com bastante atenção. Os óculos escorregando pelo nariz empinado da baixinha a atrapalhava, fazendo-a os ajeitar constantemente.
– Atrapalho? – Indaguei, observando a seriedade com que ela estudava as fichas dos alunos.
– Não. – Respondeu rapidamente, dando um mínimo sorriso. – Sente-se Lu. – Disse, não tirando os olhos dos papéis por um segundo sequer.
– Eu falei com ele. – A baixinha voltou os olhos para mim, dando-me completa atenção.
– E o que ele disse? Vocês já conversaram sobre tudo? – Levy parecia bastante curiosa sobre o assunto “Natsu e Lucy”. Tão curiosa, que deixou os papéis, tão importantes, de lado.
– Eu apenas falei para conversarmos mais tarde. – A azulada fez um bico abusado. Francamente, parecia uma criança.
– Sem gritos ou barraco no meio do corredor? – Assenti, rindo. – Sem graça. – Comentou, rindo logo depois.
Novamente o sinal fora ouvido e eu me levantei, apressada. Tinha que entregar umas papeladas da Ultear para o diretor, e tinha que ser logo.
– Vou indo, Levy. – Acenei para a baixinha. – Não me espere para jantar hoje. – A azulada soltou um riso debochado.
– Isso. Abandona mesmo. – Ironizou.
– Te amo. – Disse sorrindo.
– Eu sei... – Retrucou, rindo.
~♥~
Natsu
CFT, 13:40 da tarde.
Aguardava Lucy no portão de saída do Colégio Fairy Tail. Meu nervosismo era palpável. Mal esperava para conversar com ela novamente. Sem despedidas. Sem brigas.
Sorri enquanto olhava para o nada, apenas imaginando o que ela iria falar. Poderia ser um “eu te amo”, ou um “nunca mais me deixe”, não faria diferença desde que ela falasse algo.
– Natsu? – Escutei sua voz angelical de longe, acordando de meus devaneios.
– Sim? – Retruquei, recebendo um sorriso divertido em resposta.
– Sonhando acordado? – Questionou com um meio sorriso na face delicada.
– Sonhando com você. – Respondi quase que automaticamente, fazendo-a corar. A loira pigarreou, disfarçando seu rubor.
– Vamos? – Indagou, num fio de voz. Assenti, guiando-a até o meu carro.
Após adentrar o automóvel e ligar o rádio numa estação qualquer, pus o cinto e passei a observa-la discretamente, vez ou outra desviando o olhar para o trânsito.
Lucy parecia triste com algo. Não era aquela tristeza apática a qual ela se prendia toda vez que discutia com alguém. Era algo mais preocupante que isso. Não queria pressiona-la, mas sua face desanimada estava me deixando angustiado.
– Você está meio triste. – Falei, olhando para o semáforo vermelho e logo depois para ela. – Aconteceu algo? – Questionei-a, voltando minha atenção para o trânsito.
– Na verdade, aconteceu. – Sorriu melancólica. – Aconteceu muita coisa desde que você foi embora. Meu pai, Michelle. – Respirou fundo. – Eu acabei de descobrir que ele tem um tumor no cérebro. Depois de dois anos sem contato, foi essa a primeira notícia que tive dele. – Muita informação. Muita.
– Nossa... – Comentei, sem ter ideia do que falar. – Sinto muito por... Essa situação. – Lucy deixou uma lágrima discreta escorrer por sua face, logo enxugando-a com os dedos finos.
– Não sinta, não vale a pena. – Respirou fundo mais uma vez. – Laxus se tornou o administrador das empresas Heartfilia e Michelle perdeu a irmã gêmea em uma de suas viagens para nos visitar. – Pausou sua fala para respirar. – Lembra-se da Imitatia? — Assenti positivamente, pesaroso.
– Eu sinto muito. – Disse num fio de voz. – Ela era uma ótima pessoa. – Lucy assentiu com pesar. – Vamos... parar com esse assunto. – Falei, percebendo a sua tristeza ao falar todas aquelas coisas.
– Sim... – Encolheu-se no banco, olhando pela janela o movimento de Tóquio.
Adentrávamos a garagem do edifício quando percebi que Lucy havia adormecido. Sorri, observando-a por um tempo. Um longo tempo. Estacionei rapidamente, pegando-a no colo com cuidado. Fechei a porta com o pé e ativei o alarme, trancando o carro. Com certa dificuldade, apertei o botão do elevador, esperando pacientemente o mesmo abrir as portas. Por sorte não havia ninguém dentro dele, facilitando minha locomoção. Apertei o botão do sétimo andar e num leve solavanco o elevador subiu.
Lucy se aconchegava em meu peito, roçando o nariz de leve em meu pescoço, fazendo um arrepio correr por todo o meu corpo.
– Merda, Lucy. – Sussurrei para o vazio.
A porta do elevador se abriu e eu passei sem muitas dificuldades por ela. Tateei os bolsos em busca das chaves de casa, segurando Lucy com apenas uma das mãos. Consegui abrir a porta antes que Lucy despencasse de meus braços, que estavam um tanto quanto doloridos agora.
Fechei a porta com o pé e me dirigi ao quarto, depositando Lucy sobre a cama de casal ainda desforrada. Reparei que o vestido que usava a deixava com frio, então decidi trocar sua roupa. Pus um casaco de moletom por cima do vestido e puxei as alças do mesmo, abaixando-o sem que eu visse suas peças íntimas. Peguei uma calça de moletom, que provavelmente ficaria folgada em seu corpo esguio, e refiz o processo, colocando a calça por baixo do vestido para depois puxa-lo de vez, tirando-o por completo. A loira ainda dormia serenamente, como se nada tivesse acontecido.
Ri baixinho, saindo do quarto.
~♥~
Lucy
Abri os olhos lentamente. Meu corpo repousava num lugar confortável, como um colchão fofinho, daqueles que se afunda quando se deita. Escutei o barulho de uma gaveta sendo fechada e me virei na direção do ruído. Arregalei os olhos, surpresa. Natsu estava com uma toalha amarrada a cintura com uma cueca box preta em mãos e no ombro o meu vestido. Espera. Meu vestido?
– Ah, você acordou. – Disse sorrindo. Bufei, pondo as mãos na cabeça. “não, não e não.” Pensei, tirando o lençol de meu corpo.
Olhei desesperadamente para as roupas que usava. Um conjunto de moletom grande demais para ser meu. Respirei fundo, colocando as mãos na cabeça novamente. Mas, como? Eu não me lembro de nada relacionado a isso. Não mesmo.
– Lucy? – Chamou-me, sem resposta. – Você está bem? – Deixou a cueca em cima da cômoda e veio em minha direção, sentando-se a minha frente.
– Nós... – Não terminei a frase. Não precisei.
– O quê? – Questionou sem entender. – Oh. Não, não. Nada disso! – Disse nervosamente. – É que você dormiu no carro, e eu não queria te acordar, e... – Interrompi-o.
– Minhas roupas? – Ele abriu a boca, mas logo a fechou. – Natsu. Dragneel. – Falei pausadamente, num tom de ameaça.
– Você estava com frio, então decidi te trocar. Só isso. – Retrucou, menos nervoso do que antes. – Eu ia colocar isso – Apontou para o vestido. – Junto da sua bolsa, lá na sala. – completou, sorrindo constrangido.
– Hmm. – Resmunguei desconfiada. – Okay, então. – Soltou o ar que estava prendendo.
– Eu... – olhou para seu corpo parcialmente desnudo. – Vou me vestir. – Assenti, prestando mais atenção em seus músculos. Mais definidos e aparentes do que há sete anos atrás. Desviei o olhar de seu corpo, ruborizando de leve.
– Okay. – levantei-me da cama, indo em direção à cozinha. – Vou preparar algo para a gente comer. – Natsu resmungou um “sim” e voltou-se para o banheiro da suíte.
Saí do quarto ainda um pouco ruborizada. Há tempos que não o via daquele jeito. E, de algum jeito, aquela visão mexeu com ela. Lembrou-se de quando haviam feito pela primeira vez, ele havia sido tão delicado e carinhoso. Riu divertida. Diferente da primeira, as outras foram um tanto quanto ardilosas. Balançou a cabeça, tentando tirar tais pensamentos indecentes da mente.
Adentrei a cozinha, observando os pequenos armários embutidos e os eletrodomésticos todos reluzentes, parecia até que ele não utilizava-os. Abri os armários, vendo o que tinha fácil de preparar para comer as... que horas, mesmo? Nem sei mais. Verifiquei a hora no visor do microondas e me surpreendi por ter dormido por tanto tempo. Eram 16:00 horas da tarde. Vasculhei mais a fundo os armários e encontrei salgadinhos, pacotes de biscoitos e chantilly.
– Francamente, Natsu. – Resmunguei. – Só come porcaria. – “Como sempre”. Adicionei mentalmente.
Peguei os biscoitos e o chantilly, e um pote com pó de chocolate que encontrei sobre a mesa. Pensei no que preparar com aquilo.
~♥~
Assim que saí do banheiro senti um cheiro delicioso vindo da cozinha. Isso é chocolate? Segui o cheiro e parei na porta da cozinha, observando a loira colocar o chocolate quente nas canecas coloridas enquanto cantarolava uma música qualquer.
Enquanto a olhava, pensei em como seria acordar com aquela visão todos os dias. A calça de moletom se arrastando no chão, enquanto o casaco cobria suas coxas até a metade, deixando-a ainda mais baixinha. Uma visão dos deuses.
– Não percebi que você estava aí. – Comentou constrangida. Sorri, indo para o seu lado.
– Só vim ver se precisava de ajuda. – Inventei uma desculpa qualquer. – Mas pelo visto, já encontrou meu pote de ouro. – Apontei para o pode de chocolate, agora na metade. Lucy soltou uma risada harmoniosa.
– Sempre comendo besteiras, Dragneel. – Arrumou os biscoitos num prato, virando – se para pô-los numa bandeja em cima da bancada. – Você não mudou nada. – Comentou, vindo ao meu encontro, acidentalmente.
A bandeja cairia juntamente com Lucy, se não fosse por meu braço segurando ambas as duas. Nossos rostos estavam muito perto. E quando digo perto, quero dizer que nossos lábios se tocariam com qualquer movimento bruto. Nossos olhares se encontraram. Queríamos a mesma coisa. E sabíamos disso.
Num movimento lento, aproximei-me de seus lábios, como se pedisse uma permissão. Lucy não recuou ou demostrou alguma aversão ao ato, deixando-me continuar sem interrupções. Nossas bocas se tocaram com delicadeza, se movimentando com leveza, dando passagem para nossas línguas se tocarem. Pus os biscoitos de qualquer jeito na bancada da cozinha, segurando a cintura de Lucy com firmeza. Deus! Como senti falta disso!
As mãos pequenas alcançaram meus cabelos, acariciando o local enquanto aprofundávamos o beijo. Levantei a loira pelas coxas, pondo-a sentada na bancada, deixando-a da mesma altura que eu. Acariciei suas costas por baixo da blusa, fazendo-a arfar entre beijos. Senti leves puxões em meus cabelos, incentivando-me a continuar as carícias por dentro de sua blusa. Alisava a barriga lisa e subia de leve as mãos, aproximando-me dos seios fartos, para logo depois descer e voltar a acariciar a base da barriga. Lucy passava a arranhar minhas costas por baixo da blusa, levantando-a de leve, até que, impaciente, tirou-a de vez, jogando-a no chão.
Já seminu, abaixei de leve as calças folgadas que ela usava, descendo-as vagarosamente, esperando que ela consentisse. Sem objeções, retirei juntamente com a calça, o moletom, deixando-a apenas de roupas íntimas. Lucy puxou-me para um beijo ardente, segurando-me pela parte traseira de meu pescoço, enquanto minhas mãos marcavam suas pernas torneadas. Terminei o beijo para mandar-lhe um olhar aquisitivo. Ela apenas assentiu. Beijei seu pescoço, deixando marcas de chupões por todo ele.
– Natsu... – chamou-me.
– Hmm? – Resmunguei, enquanto beijava o vão entre seus seios.
– Vamos para o quarto. – E aquilo fora tudo o que eu queria ouvir.
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