My complicated love
13 Capítulo 12 - Complicações
Notas iniciais
Capítulo 12 — Complicações
Lucy
Essa era a minha chance. O único momento que não teria a companhia de Natsu , o instante em que meus pensamentos finalmente entrariam em ordem. Mas teria que aproveita-lo o máximo possível, afinal, dez minutos passam-se voando.
– Levy, chame um táxi por favor. — Ela assentiu, desentendida. Rumei ao encontro da enfermeira e pedi-lhe um minuto.
– O que a senhora deseja? — Perguntou-me simpática.
– Kinana — Chamei-a pelo nome em seu crachá de identificação. — Você poderia pedir ao senhor Dragneel para preencher a minha ficha? — A jovem mulher assentiu sorridente.
– Obrigada. — Dez minutos de visita mais uns vinte para preencher a ficha, mais dez se ele pegar trânsito... Sim, eu tenho tempo suficiente para falar com Sting e conseguir despistar o ruivo apenas hoje.
– Lu, o táxi chegou. — Acompanhei levy até a saída, adentrando no Táxi. Disse ao taxista o endereço de meu apartamento, olhando nervosamente para o relógio de pulso que usava.
Suspirei, em parte aliviada com o afastamento forçado de Natsu, em parte nervosa devido ao "encontro" com Sting. Minha vida estava uma loucura! Céus, eu preciso resolver ao menos minha situação com Sting e Jude. Mas cada coisa tem seu tempo. E o que eu mais preciso é de tempo. Para pensar, resolver e esquecer algumas complicações em minha vida.
– O que você pretende, Lucy? — Olhei para o rosto da baixinha e sua expressão não era das melhores. Devia estar irritada por eu estar fugindo de meus problemas, ao menos em sua concepção.
– Eu vou me resolver com Sting e assim que Jude melhorar o seu quadro médico e passar a receber visitas mais duradouras, irei vê-lo. E nesse tempo eu vou recomeçar com o Natsu. É isso que eu pretendo, só não sei se vai sair tudo como planejado. — Suspirei novamente, dessa vez pesarosa.
– Não crie muitas expectativas e, pela fé, não tente fazer tudo de uma vez ou fingir que você é de aço, porque você não é. — A pequena mão tocou-me a face e senti a sua maciez. — Sabe que estou aqui para tudo que precisar, se você resolver fugir para a Holanda eu vou te acompanhar. — Soltei um riso anasalado enquanto Levy sorria amigavelmente para mim.
– Obrigada. — Beijei-lhe a bochecha, colocando minha face deitada em seu ombro.
O táxi não levou mais que oito minutos para chegar ao nosso apartamento, Sting havia mandado uma mensagem dizendo que chegaria em cinco minutos.
Corri para o quarto e pus um vestido simples, amarelo florido junto a um casaco fino branco e uma sandália rasteira de cor amarronzada no mesmo tom de minha bolsa. Prendi os cabelos num rabo de cavalo e pus meus óculos, olhando-me no espelho.
"Loira, estou aqui embaixo."
A mensagem deixou-me nervosa, iria ve-lo novamente, mas não com uma intenção totalmente boa. Despedi-me de Levy com um aceno e desci rapidamente.
Rumei em direção a portaria quando o vi. Céus. Sting estava um perfeito playboy. Usava uma jaqueta de couro preta com uma camisa branca de gola por baixo e um jeans surrado completando a bela visão. Foi quase impossível não imaginar Natsu vestido naquela roupa.
– Olá. — Sorri tímida enquanto me aproximava. Os olhos azuis me fitavam com atenção.
– Olá loira. Você está belíssima. — Sorriu-me galanteador. Senti meu rosto queimar em vergonha pelo elogio, mas ignorei fortemente a vontade de esconde-lo entre minhas mãos.
– Obrigada, você também está... — Meu deus, desde quando minha articulação fora tão ruim? Não estava conseguindo nem ao menos respoden-lo num tom audível.
– Vamos? — Estendeu-me a mão e eu espalmei a minha na dele. O loiro guiou-me até uma moto, muito bonita por sinal, onde montou e pediu para eu faze-lo logo em seguida. Segurei fortemente em seu torso, sentindo os músculos definidos.
– Onde vamos? — Um frio se instalara em meu estômago e passou a piorar logo depois de eu acomodar-me em sua motocicleta. — Por deus, vá devagar. — Sting soltou um risinho.
– Calma loira, ainda nem saímos do lugar. — Riu mais um pouco do meu desespero e voltou o rosto para mim, quase encostando nossas bochechas. — Iremos para um parque muito bonito e depois almoçamos num bistrô lá por perto, satisfeita? — Sorri inconsciente e sussurrei um "sim" em seu ouvido.
♥
Natsu
– Já disse que não sei do que está falando, garoto. — Aproximei-me mais da cama em que Jude se encontrava, fitando-o diretamente nos olhos.
– Tem certeza, Jude? Acredite em mim, mentir não vai limpar o seu nome. — Vi o desespero passar por seus olhos e sua boca tremer de leve. Tinha quase certeza de que ele fora o culpado da decaída da empresa. Só precisava de uma prova concreta para iniciar a investigação e finalmente soltar o meu pai.
– O que você quer, garoto?! — Seu tom de voz aumentou e identifiquei isso como um início de nervosismo resultante de insegurança, no que resultava em mentira. Mais uma de suas mentiras deslavadas.
– Confesse que foi você, ou melhor, a sua empresa que desviou o dinheiro roubado de supostas ONGs no Japão através de transações com as empresas Dragneel. Eu quero ouvir da sua boca que você foi o mandante de todo o crime. — O grisalho olhou-me espantado.
Realmente, não era para eu estar a par dessas informações, ouvi acidentalmente de meu advogado. Era uma suposição feita por ele, que explicava quase todo o motivo da empresa cair e a culpa ficar para mim e meu pai.
Jude estava encurralado. Eu já sabia de sua sujeirada para prejudicar a reputação das empresas Dragneel, só precisava de provas e agora tinha a certeza de onde procura-las.
– Você não tem como provar isso, seu bastardo! — Jude se alterou completamente, começando a gritar. — Não ouse tentar sair dessa, a empresa de seu pai afundou! Você... — Hesitou, como se relembrasse uma coisa importante. — Você estava preso! Você foi preso, como saiu?! — O rosto de Jude começava a avermelhar, o aparelho que media seus batimentos aumentando gradativamente. — Você... — O vi perder o ar aos poucos, as mãos apertando o peito e o desespero de não conseguir gritar transpassar seu rosto, agoniando-me. Ele estava tendo um infarto.
– Enfermeira! — Gritei depois de uns poucos segundos de choque. Olhava-o se remexer na cama, debatendo-se de leve, arfando, buscando pela vida. Duas mulheres adentraram o quarto correndo na direção do grisalho. Uma fazia massagem cardíaca, enquanto a outra checava sua pressão e taxas.
Saí do quarto transtornado. Se houvesse demorado mas algum tempo para chamar ajuda, Jude não sobreviveria. Surpreendi-me com minha vontade de ve-lo se arrastando pelo chão pedindo misericórdia. Talvez esse pensamento me ocorrera após eu perceber que talvez, ele teria sido também o culpado pela morte de minha mãe.
Lucy
Havíamos acabado de chegar na suposta praça. O local era enorme, repleto de árvores de cerejeira e pequenas fontes, marcado de pequenos caminhos de pedras brancas e bancos espalhados, além do grande lago no centro. Era um lugar perfeito para um encontro. Ou para uma boa leitura.
Sting estendeu seu braço e eu enrosquei o meu em seu antebraço, sorri quando ele começou uma caminhada lenta e calma, puxando conversa de diversos assuntos distintos.
– Então, você só trabalha na pizzaria? — Pergunte, mudando um pouco o assunto de banalidades para profissões.
– Oh, na verdade eu não trabalho na pizzaria, o meu pai é o dono. — Surpreendi-me com essa informação. O loiro tinha um jeito tão maroto e simples, nunca imaginaria que fosse um riquinho. — Mas ás vezes eu cubro as entregas dos empregados ue faltam ou estão ocupados. Na realidade, um amigo trabalha lá e vez ou outra eu cubro os turnos dele. E de outros funcionários que precisarem. — Sorriu-me e eu só faltei derreter. Ele era bonzinho demais.
– E você, Loira? Aposto que é modelo. — Soltei um riso enquanto ele olhava-me com um sorriso discreto na face serena. Corei com seu olhar e desviei o rosto de sua área de visão.
– Eu sou professora, senhor pizzaiolo! — Ele levantou as sobrancelhas e riu do apelido besta que eu coloquei.
– Tem cara de professora chata... — Provocou, recebendo um tapinha fraco de minha parte. — O que você ensina, Loira? — A esse ponto eu já havia esquecido de tudo o que eu teria que fazer ou falar. Sting conseguia me distrair como ninguém e eu me empolguei tanto na conversa que mal notei sua investida depois de bons minutos batendo papo.
O loiro segurou meu queixo delicadamente, no meio de minha fala, e beijou-me carinhosamente nos lábios. Apenas um encostar, um selinho demorado, que poderia se tornar um beijo mais elaborado, mas fora impedido por um puxão em meu braço.
– Mas que merda, Lucy! — Identifiquei imediatamente a voz que reclamava comigo. Natsu estava ali e estava furioso. O ruivo segurava fortemente o meu braço, seu aperto ameaçava deixar um belo roxo na região, enquanto Sting olhava estranho para ele. Meu deus, isso não vai dar certo.
– Hey, solta ela cara. — E eu jurei que podia ver pequenas faíscas dos olhares dos dois se encarando. — Quem você acha que é para sair machucando alguém assim? — Natsu folgou o seu aperto, pondo-me atrás de si.
– E quem você acha que é para beija-la?! — Me pus de volta entre os dois, tentando refrear Natsu, que já estava partindo para os socos.
– Natsu! — Exclamei seu nome, chamando sua atenção. — Pelos céus, eu ainda não falei com ele, será que você poderia ser mais paciente?! — Sting olhou-me torto. Oh, céus, eu havia comentado sobre Natsu com ele mais cedo.
– Natsu, O Natsu? — Perguntou-me. — O seu ex? — Suspirei, assentindo relutante. Que ótimo, agora ele me acharia uma vadia. E ainda por cima uma vadia idiota.
– Eu ia lhe explicar a situação, é só que-
– Não precisa explicar situação nenhuma, Lucy. Vamos embora. — Natsu interrompeu-me.
– Meu deus, Natsu! — soltei-me de seu novo aperto e fui em direção de Sting. — Não me leve a mal. Naquele dia, eu não tinha nem ideia de que ele estaria aqui. E ele chegou e virou tudo de cabeça para baixo. E... eu não posso fazer isso comigo, entende? — Suspirei, observando a expressão de desapontamento na face do loiro. — Você é ótimo, acredite, é só que não é o mesmo sentimento... — Sting suspirou, passando as mãos pelos cabelos. Senti-me uma idiota nesse momento.
– Então seremos apenas amigos, hein? — Assenti, sorrindo para ele. — Eu posso suportar isso. — sorriu de volta, puxando-me para um abraço e um beijo na bochecha. — Até mais, Lucy. — Piscou, ignorando Natsu e seus pequenos chiados e resmungos direcionados para ele.
Sting ia se afastando e ficando mais longe gradativamente, enquanto ele ia embora eu senti um constrangimento extremo pela atitude explosiva da Natsu. Respirei fundo, mas bufei ao final, olhando feio para ele.
– Não acredito que você fez isso. — Natsu bufou e puxou-me pela mão até o seu carro.
– Escuta, eu estou sem paciência para sua historinha de tempo okay, lucy?! Nós temos uns assuntos um pouquinho mais importantes do que um mauricinho idiota de olho em você! — Soltei uns pequenos resmungos. — É o seu pai, porra! — Olhei-o atentamente.
– O que tem ele?! — Estava assustada pelo modo com que o ruivo me tratara, mas ignoraria isso por agora, focando em meu pai. Natsu se calou por uns instantes, como quem falou o que não devia. — Fale, Natsu! — Ele suspirou, ligando a ignição do carro e desligando-a no mesmo momento.
– Ele teve um infarte repentino. — E mesmo sem minha permissão meus olhos lacrimejaram, fazendo-me chorar um pranto discreto.
– Oh céus, ele está bem? — E as lágrimas cada vez iam descendo mais grossas e mais corridas, embaçando aos poucos a minha visão.
– Os médicos estão ajudando-o, não se preocupe, ele vai se recuperar, com certeza. — Agarrei-me ao abraço que Natsu me deu, aproveitando de seu cafuné enquanto chorava em seus braços.
Natsu puxou meu rosto para cima, acariciando a bochecha e limpando as lágrimas com os polegares. Beijou de leve meus lábios, fazendo-me sentir o gosto doce de sua boca se misturas com minhas salgadas lágrimas.
– Lucy... — Beijamos de novo. E de novo. E mais uma vez, ou algumas vezes. Não sei ao certo. Parecia tão certo, mas ao mesmo tempo tão errado. Tão perto, mas tão longe. E por um momento aquele carro fora o nosso refúgio.
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