My complicated love

11 Capítulo 10 - Inconveniências


Notas iniciais
Desculpem, só tenho a dizer que primeiro ano do ensino médio não é moleza, muito menos numa escola integral. Enfim, sinto muito por não ter postado esses últimos meses, mas esse capítulo está bem grandinho e espero que se contentem com ele, porque depois do próximo tem um especial GaLe! Vocês querem? Respondam por favor. O próximo sai amanhã e o especial no final de semana. Me desculpem mesmo, desculpem. Amo vocês!

Capítulo 10 – Inconveniências

Lucy

A preocupação e a culpa me atingiram como uma tapa quando percebi que havia apenas lidado com meus probleminhas amorosos, esquecendo-me totalmente de meu pai. Céus! Meu pai estava num hospital e eu estava me preocupando em beijar um cara casado! A situação não poderia ser pior.

Estava prestes a chorar e espernear, mas já estava me conformando com a pessoa horrível que fui nesses últimos dias. Precisava focar na saúde de meu pai, isso é o mais importante no momento. Irei conversar com Natsu agora, mas me resolverei com ele depois. Ele vai entender. Ele precisa entender.

Saí do box do banheiro e enrolei-me numa toalha, enxugando-me rapidamente. Pus a única peça de roupa que tinha na casa de Natsu e penteei os cabelos com os dedos e fiz um coque desajeitado. Saí porta a fora e recebi um olhar raivoso assim que adentrei o quarto. Oops irritei alguém.

– Como foi o banho? – O sorriso que aquele ser dera fora tão diabólico quanto o próprio diabo. Um calafrio subiu por minhas costas.

– Maravilhoso. Natsu, eu não tenho tempo pra discutir quem chutou o saco de quem então, por favor, seja um adulto e me ajude a procurar meus óculos. — A autoridade em minha voz me surpreendeu. Natsu ficou atônito por alguns segundos, mas logo se recuperou e pôs-se a procurar.

– Ainda precisamos conversar. – Como se eu não soubesse! Céus, ele está me irritando!

– Eu sei, Natsu. Mas não tenho tempo para isso agora, okay? – Respirei fundo, espantando a irritação. – Meu pai está num hospital e eu ainda tenho que conversar com Sting, depois que eu resolver essas duas coisas a gente decide o que vai fazer. – Não precisava ser uma gênia para saber o tamanho da raiva dele.

– Entendo que vai fazer uma visita a seu pai e isso não pode esperar, mas encontrar com um cara qualquer para resolver as coisas — Fez pequenas aspas no ar quando mencionou “resolver as coisas”. – entre vocês não me parece mais importante do que nós temos que conversar!

– Natsu, por favor... – Minha voz soara cansada. – Não quero discutir isso com você agora, mas parece impossível. O que nós temos é importante sim, você sabe disso, mas não é como se estivéssemos juntos. Não somos um casal há um bom tempo. E... Você é casado. Isso é errado e nós sabemos disso. Então, me deixa pensar um tempo, resolver as coisas. Não é como se não tivéssemos passado muito mais tempo separados, não é mesmo? – Tudo parecia errado naquele momento. O que eu tinha dito pareciam facas sendo atiradas. Não queria parecer tão dura, tão fria como soei.

– Desculpe. – A voz desapontada tirava-me de pouquinho em pouquinho pedaços significantes do meu coração. – Eu estou sendo impaciente e um completo idiota. Meu deus Lucy, você me deixa louco! – Outro arrepio percorreu minha pele, desta vez um arrepio gostoso. – Eu posso ser mais um pouquinho egoísta? – Virei-me em sua direção e soltei um pequeno riso, assentindo. Desse jeito eu nunca irei ter tempo suficiente para pensar. – Eu quero visitar seu pai e levar você pra esse encontro. Eu quero ver Jude de novo, na verdade, conversar com ele, se for possível. – Surpreendi-me com sua fala.

– Sério, Natsu? Eu estou pedindo um tempo para pensar e você quer passar o dia comigo? Não me entenda mal, mas como eu posso lidar com os problemas com você ao meu lado? Eu não consigo olhar para você sem me sentir culpada! Como você espera que eu consiga lidar com meu pai doente e dispensar um cara sabendo que você está bem ali, do meu lado, observando? – Um suspiro saiu de seus lábios e só o que eu fiz foi tentar não chorar.

– Não é tão difícil quanto você faz parecer!

– Não é tão fácil quanto você acha que é!

E ali estavam as discussões, os problemas todos voltando de uma só vez. Não iria aguentar muito tempo nessa conversa estressante. A dor de cabeça me atingiu e tudo que eu queria era sumir daquele apartamento. Porque as coisas tinham que ser tão complicadas para nós dois? A vida claramente não quis facilitar para o nosso lado.

– Desculpe. – Ambos falamos ao mesmo tempo, o que ocasionou um risinho de minha parte e um lindo sorriso dele. Aquele de fazer as pernas bambearem.

– Eu só quero que entenda o que eu estou dizendo. O problema não é você, é a situação que nós nos encontramos. Você tem noção disso, não tem? – Ele assentiu silenciosamente, olhando fixamente para a cômoda atrás de mim.

– Seus óculos. – Apontou. – Estão bem ali.

– Obrigada. – Peguei os óculos e os pus rapidamente na face, dirigindo-me até a mesa de cabeceira e agarrando minha bolsa e meu celular, pondo-os desajeitadamente em meu braço e bolso. – Eu preciso ir. – Mais um suspiro vindo de Natsu e desta vez a decepcionada fora eu. Esperei uma despedida, uma palavra por mais simples que fosse, mas nada veio. Assenti com a cabeça e me virei para sair, aquele corredor nunca tinha me parecido tão longo. Quando estava abrindo a porta, um braço me puxou e eu fui de encontro a seu peito. Senti-me preenchida como nunca antes tinha sentido. E percebi que naquele momento, a única despedida seria aquela. No calor do seu abraço. Segurei as lágrimas e forcei um sorriso.

– Eu achei que você ia embora para sempre agora, e ia deixar isso acontecer como da outra vez. – Sua voz falhou e por um momento achei que ele estava chorando. Aquilo apertou meu peito e me fez agarrar suas costas com mais força. – Eu te amo, não se esqueça isso, okay? – Natsu levantou meu rosto com as mãos e depositou um cálido beijo em meus lábios. O último até que nos resolvêssemos.

– Te amo também... – Sussurrei e não tenho certeza se ele ouviu. Ele abriu a porta e esperou eu adentrar o elevador, ficamos nos olhando aqueles poucos segundos enquanto a porta se fechava e eu descobri que ele havia se tornado um homem lindo. O rosto um pouco mais envelhecido se encaixava bem com os músculos torneados e aqueles olhos combinavam mais do que deviam com aquele sorriso. Sem falar no cabelo mais revoltado do que já esteve. Natsu Dragneel era um homem e tanto. Um homem que eu não poderia ter nem tão cedo.

Tirei o celular do bolso e vi que faltavam vinte minutos para as dez. Desta vez a nossa discussão durou um longo tempo. Vi que havia recebido uma mensagem de Laxus.

Onde você está? Me ligue de volta assim que puder.

Decidi ligar para ele e pedir para que ele me buscasse. Não teria uma opção melhor que aquela, certo?

– Lucy? Por deus, onde você está? Estou aqui no seu apartamento e parece que Levy não está em casa.

– Desculpe, eu... Tive um imprevisto ontem e não dormi em casa, mas já vou até aí- Senti meu celular sair de minha mão e vi Natsu o pondo no ouvido. – Meu deus, não faça isso!

Lucy?! – Pude escutar de longe, o seu tom preocupado.

– Aqui é o Natsu. – Olhei-o incrédula. E para quê serviu toda aquela discussão que tivemos?! Não o entendia e no momento não queria entende-lo.

– Sou eu Laxus. Lucy está na minha casa, eu vou leva-la até aí, não se preocupe. – Natsu riu de alguma coisa que meu irmão falou, despediu-se e desligou o telefone, entregando-me logo depois.

– Explique isso. – Cruzei os braços e observei o riso contido que ele tentava segurar, sem sucesso algum.

– Lembrei que você não tinha como voltar para casa – Natsu olhou-me em expectativa. – E eu realmente preciso falar com seu pai. – A incredulidade em mim era palpável.

– Você é mesmo um bosta. Você sabe disso, não é? – Bufei com tudo aquilo. Ele me enlouquecia. De todos os jeitos possíveis que se possa enlouquecer uma pessoa. Natsu era a personificação da loucura em seus mais variáveis significados.

– Fique com a raiva que quiser, preciso falar com o Sr. Heartfilia, é urgente. Desculpe pelo inconveniente. – Sorri irônica.

– Você é a inconveniência em pessoa, Natsu. – Um riso transpassou sua garganta e eu me senti um pouco idiota por descontar minha raiva nele. Mas não o suficiente para admitir isso e pedir desculpas. Só iria continuar emburrada não importa o que ele fizesse.

– Vamos, temos um hospital para visitar.

~♥~

Natsu

Adentramos o carro em silêncio. Mesmo com as brincadeiras inoportunas, o clima entre nós parecia pesar ainda mais cada vez que conversávamos. Tudo que fazíamos acarretava numa constante onda de arrependimento, dor e culpa. Seja um olhar, um abraço, uma palavra. Aquilo me deixava louco! Queria toca-la, beija-la o quanto quisesse. Queria voltar à tarde de ontem, que ainda se mostrava nítida em minha mente. Queria que nossas brigas nesses últimos dias fossem resolvidas com apenas um beijo e um pedido de desculpas. Mas, ao que parece, isso não estava nem perto de acontecer.

Já estávamos a duas ruas do seu apartamento quando ela finalmente se pronunciou.

– O que precisa falar com ele? – A voz saiu mais baixa que o normal, me fazendo presumir que havia um pouco de hesitação na pergunta.

– Preciso contar uma coisa e pedir alguns conselhos. Nada que exija muito esforço a parte dele, acredite, são só algumas... Dúvidas. – Nem eu sabia ao certo o que iria perguntar, mas tinha que saber se ele poderia me ajudar. Se ele estivesse disposto a me ajudar, Laxus com certeza ajudaria de bom grado.

– Só... Me deixe falar com ele antes, sim? – Olhei-a de relance enquanto entrava na rua de seu prédio.

– Claro, Lucy. Ele é o seu pai, você pode ficar com ele o tempo que quiser. Eu só preciso de cinco minutos. – Estacionei o carro junto à entrada do prédio. Estava prestes a sair do carro quando ela puxou de leve meu braço. Virei em sua direção, olhando fundo naqueles olhos chocolate.

– Hoje mais cedo... Não teve nenhum significado para você? – Porque diabos ela pensaria isso?

– Claro que teve! Lucy, essa foi à única briga construtiva que nós já tivemos desde que eu cheguei. Eu sou um imbecil egoísta? Com toda a certeza, mas não consigo te deixar ir tão facilmente, entende? – Segurei seus cabelos na ponta dos dedos, alisando-os de leve. – Eu não vou te deixar por aí, saindo com outros caras, sem sequer tentar nada. Eu vou te atormentar até que você aceite que eu sou o único que pode te fazer feliz. –Lucy soltou o riso mais estonteante que já ouvira em toda a minha vida.

– Tinha me esquecido do quão persistente você consegue ser, Dragneel. – e fora minha vez de sorrir. Ela não tinha desistido. Ela me amava e eu começava a ter mais certeza disso a cada dia que se passava.

Saímos do carro e nossas mãos se encontraram enquanto adentrávamos a portaria. Agarrei a sua mão macia e acariciei com o polegar, vendo-a corar de leve. Um aperto de leve se fez em nossas mãos unidas e em seguida Lucy soltou minha mão, para logo adentrarmos o hall. Laxus estava com um terno arrojado, tão diferente do “antigo Laxus”. O seu olhar passou de Lucy para mim em segundos. Feliz e desconfiado. Era o para-raios afinal.

– O que você estava fazendo na casa dele? – Sempre objetivo.

– Fui resolver uns assuntos do colégio e acabei passando mal. Natsu cuidou de mim e aqui estamos nós. Não seja tão rude e ao menos cumprimente as pessoas, Laxus! – O loiro revirou os olhos, voltando-se para mim.

– Não sabia que tinha voltado. – Estendeu a mão para mim, num comprimento quase inquisitivo.

– Quase ninguém sabia. – Apertei sua mão e sorri de leve, tentaria ao menos ser simpático.

– Obrigado por traze-la. – Sabia que ele nunca tinha ido muito com a minha cara, mas parecia que ele queria me expulsar do prédio o mais rápido possível.

– Por nada. – Sorri incomodado. Havia algo estranho nele.

– Natsu irá conosco, ele precisa falar algo com o papai. – Laxus não pareceu gostar muito da ideia, mas concordou em silencio.

– Lu? – A voz de Levy me chamou atenção. Quando que ela chegara aqui? – Bom dia, Laxus. Natsu. – Acenei com a cabeça e o loiro mandou apenas um olhar nada simpático para a baixinha.

– Levy, como está? – A pequena abraçou a loira e estendeu a sacola que carregava a mesma.

– Com fome. – As duas riram e se voltaram para nós. – Porque vocês não sobem? Tomem um café, comam um pouco e depois vão ao hospital.

– Iremos aceitar a oferta! – Disse Lucy, sorrindo.

Lucy

Adentramos o elevador e subimos até o nosso destino. Levy parecia preocupada, Natsu parecia desconfortável e Laxus... Laxus estava indecifrável, como sempre. Levy abriu a porta e deixou que nós passássemos, todos em silêncio, deixando aquele “encontro” num clima nada confortável.

– Fiquem a vontade! – A azulada forçou um sorriso e foi andando para a cozinha. – Lucy, me ajuda aqui, por favor?

– Já vou! – Respirei fundo e olhei para Laxus. – Tente não joga-lo pela janela, okay? – Só ganhei uns palavrões baixinhos e uma concordância silenciosa. – E você, se comporte!

– Deus, o que foi que fiz agora?! – Ele parecia realmente incomodado.

– Nada, continue assim. – Voltei-me para a cozinha e encontrei Levy rindo na pequena dispensa.

– Vocês estão agindo tão normal que me espanta. – Olhei para ela e suspirei.

– Não estamos tentando muito, digo, eu quero um tempo longe dele, mas ele se recusa a isso. Eu fico feliz por um lado, mas isso é tão irritante! – Levy deu mais uma risada e negou com a cabeça.

– Vocês parecem crianças, estão voltando os sete anos para se acharem agora? – E por mais engraçado que soasse, era uma verdade a qual eu não tinha me dado conta ainda. Estávamos tentando nos acertar amando o que um dia nós já fomos. Tínhamos que aprender a amar o que somos agora.

– Algo assim... – Suspirei, pegando os pães e a faca. – Sanduíches?

– Parece o melhor a se fazer. Vou colocar uns amendoins para aqueles babacas. – Num minuto ela já estava de volta. – Deixa eu te ajudar nisso aí. – Pegou o queijo e o alface, fazendo o recheio. – Vão no hospital hoje?

– Sim, preciso ver ele. Quer ir junto? – Ela pensou por um momento.

– Não sei se deveria. – Terminei de cortar o último pão e fui por as bebidas.

– Porque não? Michelle vai ficar feliz em te ver de novo. – Enchi os copos um a um do suco que tinha na geladeira e virei-me em sua direção, inquisitiva.

– Gajeel deve estar por lá, não quero ve-lo. – Lancei-a meu melhor olhar de incredulidade e deixei que ela repensasse o que disse. – Lu...

– Preciso conversar com você e preciso que você vá. Depois eu digo o motivo e a razão. – Pus rapidamente os copos numa bandeja e levei para a mesa de centro.

– Como se eu tivesse escolha...

Natsu

Já faziam sete minutos que Lucy fora ajudar Levy e esse loiro não parava de me encarar. Nunca fomos de conversar muito, só se ameaças contassem como conversa, mas nunca fora desse jeito. Sempre nos cumprimentávamos e até papeávamos um pouco, mas isso é totalmente estressante. Ele me irrita muito!

– Você não gosta muito de mim, gosta? – Um pequeno sorriso se fez em seus lábios e eu me dei conta que havia assinado minha carona para a morte.

– Deveria? – A voz grossa chegou a meus ouvidos como um zunido, reverberando algumas vezes. Aquele cara se tornara muito mais afiado do que era antes.

– Não, Não exatamente... – Suspirei, tentando me acalmar.

– Porque voltou, Dragneel? Não estava feliz com sua noiva? – E aquele sorriso estava em sua boca de novo. Senti meu coração falhar uma batida e congelei ao pensar em como ele sabia disso.

– Como? – Um riso baixo saiu de sua garganta, deixando-me incomodado.

– Vamos dizer apenas que eu fiz minha pesquisa sobre você. -

....

Notas finais
Reviews? Novamente, desculpem!