My complicated love
12 capítulo 11 - Urgências
Notas iniciais
Capítulo 11 – Urgências
Lucy
– Aqui estão os sanduíches... – A sala estava num silêncio incômodo. Os dois homens se encaravam num misto de raiva e receio. Meu deus, o que foi que aconteceu? — hum... Venham comer. – Natsu suspirou, ainda olhando de relance para Laxus, que veio logo atrás dele.
Postei os sanduíches na mesa e Levy trouxe os sucos para a mesa da sala. Era pequena, mas caberiam os quatro facilmente. Observei Natsu, ele parecia tenso, como se tivesse tido uma conversa nada agradável. Suspirei, pensando no quão adorável era a companhia de meu irmão. Laxus não facilita para ninguém, mas ele tinha um grande problema com Natsu. Depois de alguns anos sem notícia nenhuma do ruivo ele passou a ter uma mágoa em relação à Natsu. Não o culpo por isso, mas ele deve ter exagerado com Natsu. Falaria com ele depois.
– Então, você falou com o Freed? – Aquela sala nunca esteve tão silenciosa.
– Sim, ele conseguiu agendar nossa visita para hoje. Eu avisei, mas você estava ocupada. – O olhar que ele lançou para Natsu foi significativo o suficiente para me irritar.
– Nada da sua conta, estou aqui não estou? – Olhei bem para sua face e vi certo divertimento em seus olhos. Suspirei. – O que você pretende fazer... – Ele arqueou as sobrancelhas e soltou um risinho irônico.
– Não acha que está perguntando isso para a pessoa errada? – Ah, ele sabia de alguma coisa.
– Que inferno, Laxus! O que vocês conversaram? – Levy agora me encarava nervosa, ela não sabia o que estava acontecendo e não seria agora que ia descobrir.
– Não acho que deveríamos discutir isso agora... – Natsu só podia estar brincando.
– Como? Ele começou, ele vai terminar, não é mesmo? – Cruzei os dedos e olhei fixamente para meu irmão.
– Desculpem, mas eu não estou entendendo nada... – Pobre Levy. Eu deveria dar alguma satisfação para ela, mas eu não estava com cabeça para isso agora.
– Comece a falar Laxus. – Todos ficaram tensos. Ainda estava tentando entender como o meu irmão sabia daquela história toda, que na minha cabeça só eu e Natsu sabíamos da existência, mas me parece que mais gente do que eu imaginava sabia sobre isso. Minha vida e meus problemas não eram mais tão meus assim.
– Lucy, eu não confio nesse cara, você sabe disso. – A naturalidade com que ele dizia essas coisas me fazia querer socar a sua cara. – Então, assim que soube que ele havia chegado, e digo no dia em que ele pisou no aeroporto, fiz uma pesquisa de sua ficha criminal e antecedente e achei coisas... Interessantes. – Suspirei irritada.
– Ele me falou de tudo, não acho que tenha mais coisa que eu não saiba. – Laxus olhou para Natsu. – Ou tenho? – Olhei para o ruivo e o vi suspirar com as mãos na cabeça.
– Ouça bem. Eu não devo nada a você Laxus, mas devo uma vida de explicações a Lucy, e ia fazer isso o mais rápido possível, mas surgiram alguns imprevistos e ainda não pudemos conversar seriamente sobre isso. Então não se meta. – Os dois passaram a se encarar raivosamente.
– Posso contar para ela todas as suas sujeiras agora mesmo-
– Ah, calem a boca! – Todos olharam para mim. – Laxus, como você pode se meter na minha vida desse jeito? Não quero você metido nisso de novo, ouviu? Deixe-o em paz, eu decido em quem eu devo confiar não você! – Senti uma leve tontura e pus as mãos na cabeça.
– Lu? – Respirei fundo.
– Lucy-
– Não é nada. – Olhei para os dois a minha frente. – Eu quero ver o meu pai... E ainda tenho outras coisas para resolver, só... Vão embora, por favor. – A tontura voltou mais forte e tudo o que pude fazer foi me segurar na cadeira antes de fechar os olhos.
~♥~
Natsu
– Olha o que vocês fizeram! Meu deus! – Levy gritava com nós dois como se fossemos crianças. – Lucy... – A azulada tentava acordar a loira, que se encontrava em sua cama, desmaiada.
Saí do quarto e encontrei o Senhor Investigador sentado na sala com as mãos na cabeça. A raiva que eu tinha dele era palpável.
– Já teve o que queria? – Sentei na poltrona ao seu lado oposto, ficando quase de frente para ele. Via seu cenho franzido e a impaciência estampada em seu rosto me fazia querer soca-lo.
– Não, eu não queria isso, acredite. – Olhou-me com um sorriso de escárnio e voltou a fitar a mesa e centro.
– E porque fez isso? Você sabe a razão por eu ter voltado. Você provavelmente sabe o que aconteceu lá e porque eu só pude voltar agora, então porque não esperou até eu contar? Você sabe que era o certo. – Minha voz saíra mais amargurada do que o previsto.
– Eu não gosto de você, acho que já percebeu isso. – Concordei mentalmente. – Não apoio o que quer que vocês tenham agora e muito menos o que isso poderá se tornar. Lucy é frágil e você já a magoou uma vez. Não vou permitir fazer isso de novo. – Por um momento a apreensão tomou conta de minha mente. Aquilo fazia sentido, mas não o suficiente para me fazer desistir dela. Nunca seria suficiente.
– Eu não vou desistir dela. Não dessa vez. – O loiro parecia serrar os dentes. A fúria em seus olhos não me atingia. Nada iria me fazer desistir de Lucy.
– Você não vai ficar com ela. Não depois do que a fez passar. Sabem quantas horas ela passou chorando naquele quarto? Quantas brigas nós tivemos? Quantas vezes tive que insistir para ela sair de casa? – Meu coração doía a cada afirmação. – Você a deixou em pedaços.
– Não fale como eu quisesse te-la deixado! Eu a amava e ainda amo, não passei sequer um dia sem pensar nela. Não pense que fiz tudo isso e propósito, você sabe que não! – Uma vontade de chorar me veio e eu a ignorei com todas as minhas forças. – Você mais que ninguém deve saber o que eu vivi lá, não seja tão injusto com os fatos. – Observei-o se encostar-se ao sofá, pensativo.
– Não vou abrir mão disso até que você me prove que eu estou errado. Seja convincente. – Laxus levantou do sofá e se dirigiu a porta. – Diga que eu fui visitar o papai e leve-a para ve-lo assim que acordar. – Saiu do apartamento, batendo a porta logo atrás de si.
Quando Lucy acordar... O que está havendo com ela? Estou ficando preocupado. Suspirei uma, duas, três vezes. Tinha que contar tudo para ela, antes que Laxus a fizesse descobrir sozinha. Precisava abrir o jogo com ela e contar o verdadeiro motivo o qual eu voltei para o Japão.
– Natsu, posso... Falar com você um minuto? – Assenti com a cabeça, fazendo-a sentar-se no sofá. – O que exatamente aconteceu aqui mais cedo? Não quero me intrometer, mas preciso saber o que rolou entre você e Laxus. – Ela não mudou nem um pouco nesses sete anos. Sorri com esse pensamento.
– Quando se trata da Lucy eu faço questão de te contar... – A azulada sorriu para mim. A primeira pessoa que foi simpática comigo além de Lucy. Obrigado Levy. – Fico feliz que ao menos você não me odeie. – Soltei pequenos resmungos ao lembrar Gray.
– Ninguém te odeia Natsu, mas o jeito como você apareceu, abalando a vida da Lucy da noite para o dia não agradou ninguém. Tente entender, todos nós mudamos nesses sete anos, não sabíamos o quão mudado você estava. Ainda é nosso amigo, mas não é mais como antes. Principalmente depois de tudo que a Lucy passou. Não me entenda mal, mas eu e o Gray acompanhamos de perto todo o sofrimento dela, ele principalmente. Não pense que foi fácil para mim deixa-la sair com você. Acredite, se o Gray soubesse que ela dormiu na sua casa ele ia quebrar a sua cara em pedacinhos. – Aquilo me irritou mais do que eu pensei que ia irritar. Percebi que tinha um pouco de ciúmes de Gray. E percebi que não era tão ilógico assim.
– Eu entendo tudo isso, só... Não me acostumei com meu amigo superprotegendo minha namorada de mim. Isso é estranho, principalmente vindo dele e de todos vocês. Não faria mal nenhum a Lucy. Não mudei ao ponto de meus valores decaírem tanto assim. – Levy soltou uma risada anasalada.
– Ela não é sua namorada, conforme-se. E ele não é seu melhor amigo no momento... – Sei que sua intenção não era me atingir, mas me abalei um pouco com essa constatação tão direta. – Desculpe, não quis soar irônica... – Ah, eu sei que sim.
– Não se preocupe. Enfim, vou lhe fazer um resumo da minha situação. – A azulada sorriu e voltou-se para mim, pronta para escutar. – Devido a algumas urgências na filial de meu pai nos EUA, eu tive que me casar. – O espanto em sua face não me surpreendeu. Então Lucy realmente não tinha falado com ela ainda... – Não imagine uma igreja repleta de flores e uma recepção arrojada, foram só algumas assinaturas e pronto, eu estava casado. Mas não é só isso. Minha noiva é completamente obsessiva por mim. Nos conhecíamos desde crianças, mas nos separamos quando vim morar aqui.
– Meu deus, Natsu... Eu não imaginava. – O rosto dela estava mais do que apreensivo, estava compreensivo. Levy estava começando a entender o meu lado.
– E por causa dela e de outras razões, que eu voltei para Tóquio. Não foi minha escolha reencontrar Lucy agora, aquilo foi acaso. Pretendia procura-la logo depois que me instalasse e resolvesse meus problemas. A oportunidade de emprego surgiu e eu não tive como recusar, precisava me manter, entende? – Levy assentiu compreensiva.
– Ela já sabe disso tudo? – Neguei com a cabeça. – Porque ainda não contou? Tenho certeza de que se explicar tudo direitinho ela vai entender! – Sorri diante o positivismo da baixinha.
– O problema não é ela, acredite-
– Quem é o problema, Natsu? – A voz de Lucy me interrompeu e eu me amaldiçoei por falar demais.
– Você sabe muito bem quem é o problema. – Tive que ser grosso, ela sabia muito bem da existência de Lisanna, e sabia que o único empecilho na nossa relação era ela.
– Não culpe a sua esposa por algo que ela não fez, meu deus... – Essa mulher está me deixando louco de raiva! De onde ela tira motivo para briga?
– O que há com você? TPM? Pare de arrumar intriga por nada! – Levy desatou num riso enquanto nos observava. Resmunguei alguns palavrões e ela lançou um olhar “mortal” para a baixinha.
– Na verdade, estou sim. – Disse por fim, me fazendo suspirar. Meu deus ela ficava um demônio de TPM. Tomara que isso passe logo, não iria aguentar por muito mais tempo. – Desculpe, é que isso é tão estressante!
– Ah, eu sei como se sente. – Ironizei, ganhando uma tapa forte da loira no braço.
– Ele já saiu? – Levy assentiu. – Outro imbecil... Enfim, preciso visitar meu pai. Vocês vem? – Vi certa relutância da menor, mas depois de refletir por alguns segundos a mesma levantou-se e esperou a minha resposta.
– Vou levar as senhoritas e aproveitar para tratar de alguns assuntos. — Alguma das duas soltou um risinho animado, a que supus ser leve, e a outra desferiu uma leve tapa, ao qual só escutei o barulho. Essa última com certeza era Lucy.
~♥~
Lucy
Já estávamos no hospital. Era quase meio dia e o doutor ainda não havia liberado meu pai para a próxima visita. Uma das enfermeiras nos disse para entrar um de cada vez e passar, no máximo, dez minutos com ele. Dez minutos eram suficientes para dizer o que eu planejava, se minha voz não sumisse de vez devido ao nervosismo em que me encontrava.
– Vai ficar tudo bem. – Repetia Levy. – Só converse um pouco com ele, pergunte se está se sentindo melhor, essas coisas. Não precisa e não deve ir direto ao assunto. Faça parecer tão natural quanto respirar, eu sei que você consegue fazer isso. – Natsu apenas observava em silêncio. Pude ver em seus olhos a preocupação a qual estava preso desde que nos encontramos. Ele parecia sempre preocupado, isso meio que me incomodava. Fazia parecer que eu não era o bastante.
– Ei – Chamou-me. – Você vai se sair bem, só converse com o velho do jeito que você conversou comigo e ele vai te ouvir como uma criança ouve a mãe. Você é uma professora, use esse seu carisma para alguma coisa além de ensinar. – Ele piscou para mim e eu sorri com isso.
– Senhora Heartfilia? – Chamou uma das recepcionistas.
– Aqui. – Levantei-me e fui em direção à bancada da recepção.
– Pode entrar. — O sorriso simpático que ela me dirigiu me deu o pouco de confiança e que eu precisava.
Adentrei o quarto e o encontrei bebendo água, sentado a cama. Sua surpresa ao me ver foi tanta que ele quase engasgou.
– Lucy? — Acenei com as mãos para ele e vi um pequeno sorriso surgir em seus lábios. — Fico feliz que veio. — Fazia tanto tempo que não o via que quase parei para observar o rosto um pouco mais envelhecido.
– Está se sentindo melhor? — Aproximei-me da cama de hospital, sentando-me na poltrona.
– Sim, na medida do possível... — Suspirou. — Como estão as coisas? — Era surpreendente o fato de ele estar agindo normalmente depois e dois anos sem nos comunicarmos.
– Estão bem, o trabalho está indo bem e minha convivência com Levy não poderia ser melhor. — Ele sorriu.
– Alguma novidade desses...hm, desse tempo? — Vi a hesitação em seus olhos ao fazer aquela pergunta. Ele queria um resumo desse tempo e eu não estava preparada para dar isso no nosso primeiro contato, então me esforcei ao máximo para lhe contar as coisas mais importantes.
– Eu fui admitida como professora titular de literatura. Levy e eu compramos uma banheira e um sofá novos. E... — Ia contar de Natsu, mas não sei se era uma boa ideia.
– E? — Me incentivou a falar.
– Natsu voltou de viagem... — Sua surpresa foi maior do que eu esperava. — Ele está aqui. veio ve-lo.
– Ele está aqui? — Tentava falar normalmente, mas seu desconforto era palpável.
– Sim, ele quer falar com o senhor.-
– Senhora, desculpe atrapalhar, mas os dez minutos se passaram, peço que saia da sala para o senhor Dragneel entrar. – Assenti, levantando-me.
– Tenho que ir, hm... melhoras pai. – Saí da sala atordoada com a reação que ele teve quando abordei “Natsu” em nosso assunto.
Vi-o adentrar o quarto e fiquei com a expectativa de saber qual assuntos eles iam conversar.
Natsu
– O que você está fazendo aqui? – Olhei fixamente para o homem a minha frente.
– Vim em busca de respostas. – Jude negou com a cabeça.
– Não vai encontra-las aqui. – Ri seco.
– Meu pai me disse onde procura-las, e eu tenho certeza de ter ouvido o seu nome no meio da explicação. -
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