My Sweet Teacher
32 Capítulo 32 - Hospitais.
Notas iniciais
Aproveitem o capitulo ;*
Comprimi um grito na minha garganta quando vi Lilly jogada ali no chão do banheiro, mais pálida do que eu lembrava, e com a testa toda ensanguentada. Me abaixei perto dela e pus ela no meu colo, tentei mexer nela pra acordar, mas ela tava provavelmente desmaiada. Comecei a me desesperar. Ela tava respirando fraco demais... Liguei pra mamãe, celular dela tava fora de área, o mesmo com o do papai. Liguei pro Nick várias vezes e nada de ele me atender, eu já não sabia mais pra quem ligar. Alguma coisa vibrou no bolso da Lilly, enxuguei as lágrimas e peguei o celular dela, Joe tava ligando pra ela. Deixei tocar por um tempo, mas depois me dei conta que a Lilly precisava de ajuda, não importava de quem. Então atendi.
–– Joe me ajuda – falei soluçando.
–– Demi? – ele disse surpreso – Você ta bem? O que aconteceu?
–– Vem pro colégio da Emilly agora, não sei o que fizeram com ela, ela ta desacordada e... Não sei mais pra quem ligar – falei bem rápido torcendo pra que ele entendesse cada palavra.
–– Fica calma, eu já to indo prai – ele desligou o telefone.
Guardei os celulares na minha bolsa, arrumei as sacolas no meu braço, e depois peguei a Lilly no meu colo. Fui lá pro pátio da frente esperar pelo Joe. A mesma funcionária que falei quando entrei me olhou assustada ao ver o estado de Lilly no meu colo.
–– Meu Deus! – ela chegou mais perto de mim – O que aconteceu?
–– O que aconteceu? – eu ri ironicamente – Não é obvio? Vocês deveriam reparar melhor os alunos, olha só o que eles podem fazer enquanto vocês não dão a mínima para o que eles fazem.
–– Eu não entendo... Nós vigiamos os alunos o tempo todo – ela disse calma, acho que foi a forma dela de tentar me acalmar.
–– Se vigiassem isso nunca teria chegado nesse ponto. Bullying é um caso sério de violência, que você e os outros funcionários daqui ajudam. Pelo simples fato de não prestarem atenção no que as crianças fazem umas com as outras – cuspi as palavras, e me virei.
Ela ficou calada e saiu de perto de mim. O tempo parecia ter parado, eu estava mais que agoniada... Não conseguia nem olhar pra Lilly. Ouvi uma buzina, olhei pra frente. Era Joe. Só consegui agradecer mentalmente e fui andando rápido até o carro, ele abriu a porta traseira pra mim, e eu me acomodei ali. Joguei minhas sacolas do outro lado do banco, ajeitei minha bolsa. E ajeitei a Emilly. O caminho até o hospital foi silencioso, se não contar com meus soluços.
Joe estacionou bem perto da entrada do hospital, e abriu a porta do carro pra mim. Assim que entrei com ela lá, duas enfermeiras vieram até mim.
–– O que aconteceu? – uma delas falou.
–– Eu não sei – choraminguei.
–– Tragam a maca – a outra gritou. Logo vieram com uma maca – Pode colocar ela aqui?
–– Agora pode esperar aqui? – a primeira falou assim que coloquei Lilly na maca.
–– Não, por favor. Me deixa ficar com a minha irmã – tentei alcançar ela de novo, mas fui impedida.
–– Lamento, mas você vai ter que esperar – ela disse me segurando com as duas mãos – Volto assim que tiver noticias.
Fique parada por uns instantes. Olhei ao redor, nem sinal do Joe. Suspirei pesadamente. Que ótima hora pra ele me deixar sozinha. Me sentei no banco mais próximo, e dei graças pela sala de espera estar vazia. Minha cara não devia ta uma das melhores. Senti alguém se aproximando, olhei pro lado... Era Joe. Com uma garrafa de água estendida na minha direção. Ele tava diferente desde a última vez que eu o vi, os cabelos tavam maiores, a barba por fazer, ele tava com uma cara que eu não consigo definir se é sono ou ressaca. Mas mesmo assim ele tava lindo. Preferi não pensar demais nisso. Peguei a garrafa, e ele se sentou do meu lado. Parecia tão preocupada quanto eu. Ele passou a mão no rosto, e se virou pra mim. Abaixei o olhar no mesmo instante. Que vergonha. Eu tava encarando ele.
–– É pra você beber – ele apontou pra garrafa.
–– Ah – eu abri a mesma, e dei um gole – Eu te atrapalhei em alguma coisa? Você parece meio, cansado.
–– Não, não. De jeito nenhum – ele balançou a cabeça – eu só não consigo dormir, é muita prova pra corrigir, e enfim... Mas sua irmã tem mais prioridade.
–– Bom saber – sorri, e bebi mais um pouco da água. Meu celular começou a tocar, olhei na tela, era minha mãe.
–– Desculpa não atender minha filha, estava em reunião – minha mãe falou assim que eu atendi. Fiquei calada. Não consegui falar nada. Eu não sabia se falava ou não.
–– Acho que já ta na hora de contar a verdade... – Joe disse lendo meus pensamentos.
–– Mãe... Tem como a senhora vir pro hospital agora? – falei baixinho.
–– O que você tem Demetria? – ela disse preocupada.
–– Eu nada. Vim trazer a Lilly –
–– O que aconteceu com ela? Ela ta bem? – ela aumentou mais a voz.
–– Acho melhor a senhora vir pra cá – apertei a garrafa que tava na minha mão.
–– Demetria você ta me deixando nervosa, fala logo o que aconteceu – ela disse irritada.
–– Não posso falar isso por telefone, quando a senhora chegar aqui lhe explico tudinho – falei e logo depois desliguei.
–– Eu não sei o que falar pra ela – reclamei.
–– Fala a verdade – ele deu de ombros.
–– Claro – revirei os olhos – esqueci o quanto isso é simples.
–– Eu não disse que era simples, só... Fala – ele falou cansado demais.
Não respondi mais nada, me recostei na cadeira de maneira mais confortável e fechei os olhos. Comecei a fazer uma respiração controlada, eu precisava me acalmar. Assim que fiquei mais calma, saltos batendo no piso cada vez mais perto me fizeram abrir os olhos. Era uma das enfermeiras pra quem eu havia entregado Lilly.
–– Como ela ta? – falei levantando da cadeira no mesmo segundo.
–– Sua irmã ainda esta desacordada – ela disse forçando uma expressão calma.
–– Como assim? – disse confusa – Mas ela vai ficar bem não é?
–– Eu espero que sim, a gente continua fazendo o que pode... Cadê seus pais? – ela disse puxando uma prancheta de debaixo do braço.
–– Eles tão chegando – falei já lagrimando.
–– Tudo bem – ela abaixou a prancheta de novo – Quando eles chegarem avise para aquela moça ali na recepção, que eu venho aqui.
–– Eu posso ir ver ela? –
–– Lamento dizer que não – ela se desculpou e saiu da minha vista.
–– Ela vai ficar bem – Joe se levantou e ficou do meu lado.
–– Eu quero minha irmã – me virei pra olhar pra ele.
–– Se acalma – ele limpou algumas lagrimas do meu rosto – Vai ficar tudo bem.
Notas finais
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