My Rebel Heart
13 O Jantar (com ela) – PARTE 2 (Emma)
Notas iniciais
Assim que eu entrei em sua casa, meus olhos passearam por toda a sala de jantar da morena e um sorriso se apossou de meus lábios.
Eu terei tudo isso, todos os dias.
Algum momento depois nós já estávamos jantando.
Eu a questionei sobre a lasanha, perguntando se ela a tinha feito com magia, primeiro ela ficou estática, depois de algum tempo ela soltou uma gargalhada que encheu o meu coração de amor, eu mal podia acreditar que ouviria essa gargalhada todos os dias, e disse que a única coisa feita com magia que eu iria provar hoje era a sua torta de Maça.
Regina tinha habilidades culinárias tão extraordinárias que as vezes eu duvidava do fato de uma Rainha não cozinhar na Floresta Encantada. Obviamente eu sabia que ela não cozinhava lá, já que uma rainha tem criados para todas as coisas, entretanto Regina tinha um dom além da magia e de me encantar, e era na cozinha.
Nós conversamos durante todo o jantar, eu descobri tantas coisas sobre ela. Na floresta encantada ela tinha um cavalo chamado Rocinante e quando ela fala dele seus olhos brilham e seu rosto fica tão radiante que eu fiz uma nota mental para perguntar sobre ele todas as manhãs.
E como um clique, meu cérebro me lembrou do feitiço, só que o jantar já tinha terminado, mas eu não queria ir embora.
Eu não podia ir embora.
Não sem antes fazer o que eu tinha que fazer.
Então eu tive uma ideia:
“Você ainda vai fazer alguma outra coisa hoje?”
“Er... não, por que?”
“Nós poderíamos assistir a um filme hoje... Se você quiser... É claro.” – falei ainda com um pouco de medo.
“Oh, eu adoraria.” – Ela disse com um sorriso tão lindo que eu não conseguia desviar os meus olhos dele e então ela completou — “Bom, eu vou buscar o que sobrou de sua cidra, que por sinal é ótima, enquanto você escolhe um filme para nós, ok?”
“NÃO.” – Eu gritei um pouco alto demais enquanto uma ideia pairava em minha mente.
“Como é?” — Regina disse enquanto levantava uma sobrancelha mostrando o quão confusa estava com a minha reação.
“Eu irei buscar a cidra e você ficará aqui e escolherá o nosso filme. Ok?”
“Ok, eu acho. Você tem certeza?” – ela disse com o cenho franzido enquanto sentava no sofá.
“Claro que tenho.” – disse enquanto me levantava – “Ah, eu posso fazer uma pipoca pra acompanhar?” – disse rindo um pouco, nós tínhamos acabado de jantar.
“Claro que pode senhorita Swan, as pipocas estão no segundo armário a direita.” – Ela disse enquanto gargalhava alto.
“Ok, eu já venho Gina.” – falei como se meu cérebro estivesse no aleatório, quando me toquei no modo que a chamei, me dirigi o mais rápido possível para cozinha antes de ver sua reação a esse apelido.
Quando cheguei na cozinha, fui direto pegar a pipoca, já que com a mesma estourando eu conseguiria tempo para colocar o feitiço na cidra da Regina.
Eu estava tão nervosa, eu só tenho esse momento e não posso estragar tudo agora.
Com o som de uma sinfonia de “pocs”, preenchi duas taças com o resto das cidras e para não ter nenhuma confusão tomei alguns goles de uma. Peguei a mais cheia e, mesmo tremendo, apertei o conta gostas que estava dentro do frasco do feitiço, soltando duas pequenas gotas na mesma. Uma pequena fumaça escura subiu no momento que eu misturei os dois líquidos porem antes de minha alma se preocupar com a possibilidade de Regina descobrir, a coloração tradicional da citra estava de volta.
Estava feito.
Com uma habilidade, até então desconhecida, eu coloquei a travessa de pipoca em uma mão e as duas taças na outra enquanto me dirigia novamente para a sala.
Quando entrei na sala encontrei uma cena muito inusitada, Regina estava deitada no sofá com os olhos fechados e uma feição serena no rosto. Me aproximei e coloquei as taças e a pipoca na mesinha de centro e sentei em uma poltrona ao lado do sofá que ela estava deitava. Quando ela notou minha presença abriu os olhos, procurou por mim e sorriu grandiosamente. Regina se levantou e disse:
“Oh desculpe Senhorita Swan, a propósito gostaria de sua ajuda para decidir o filme que iremos ver. Todos eles estão na segunda porta da estante, escolha o do seu agrado.”
“Ah eu não desculpo Regina” – falei com a minha maior cara de deboche enquanto procurava um filme no lugar que ela tinha indicado.
“Ah não? E por que?” – ela disse com as duas sobrancelhas erguidas em surpresa e um sorriso nos lábios.
“Porque embora eu tenha te dado um apelido a menos de 20min atrás você continua me chamando de “Senhorita Swan”... Isso me fere profundamente, viu?”
“Oh desculpe Emma, eu não sabia que isso te encontrava tanto.” — Ela falou enquanto ria alto e então continuou – “a propósito, “Gina” é um apelido bem excêntrico, mas eu gostei!”
“Sério?” – falei chocada
“Sim...”
“Bom saber, acabei de fazer uma nota mental de sempre te chamar assim em público...” – disse enquanto imaginava a cena que tinha descrito.
“Você não teria coragem. E então? Achou algum filme?”
“Infelizmente 90% dos filmes aqui são... espere ai...”
“O que?”
Meus olhos focaram em um filme específico que estava escondido no final do armário e eu virei meu rosto a procura do dela enquanto falava:
“ ”Uma linda mulher” não é bem o tipo de filme que eu esperava encontrar aqui...” – quando os meus olhos encontraram o dela, ela corou novamente e eu não conseguia decidir qual visão dela, corada, gargalhando ou brava era a minha preferida.
“Ah... Eu... Eu gosto de assistir esse filme quando estou sozinha ou com Zelena... Mas ela chora muito...” – Regina disse agora com os olhos no chão.
“Então agora você vai assistir comigo Gina.” — disse com um sorriso largo já me dirigindo ao aparelho de dvd.
“Oh, ok.” – ela disse já separando um lugar para mim no sofá ainda envergonhada.
Metade do filme já tinha passado e sempre que ela chegava perto de pegar a taça, franzia o cenho e recuava.
Eu estava nervosa.
Será que ela tinha percebido algo? Antes de que mais pensamentos paranoicos entrassem em minha mente, eu a senti se aproximar de mim e depois de alguns minutos senti ela tremer ao meu lado.
Ela estava com frio.
Então eu sussurrei:
“Gina..”
“Sim.?”
“Você me ensina uma coisa?”
“Agora?” – ela continuou sussurrando, entretanto, agora ela tinha tirado os olhos da televisão e os mirou em mim.
“Sim Gina.”
“Ok, o que você quer aprender?” — agora ela já falava com a voz mais solta, ignorando o filme.
“Como invocar uma coisa... um objeto.” -respondi
“Você esqueceu algo? Espera, eu já não tinha te ensinado isso?” – e o seu cenho franzido estava ali novamente.
“Não... Sim... Ah, mais ou menos pra as duas perguntas...” – disse com um sorriso. Eu tinha aprendido, porem com a infeliz falha que aconteceu hoje de manhã com a maçã, eu decidi pedir ajuda antes.
“Bom... pense no objeto com toda a sua alma e imagine ele em sua mão... Então ele vem de encontro com a sua alma..” — ela disse olhando em meus olhos.
“Ok.” – minha voz não era mais que um sussurro.
"Weave you a blanket of silver and gold
(Teça-lhe um cobertor de prata e ouro)
I'll keep you warm
(Eu o manterei quente)
do as I'm told"
(Faça o que estou lhe dizendo)
E então um cobertor na cor prata que estava em minha casa apareceu em cima de nós por meio de uma fumaça clara. Ela me olhou assustada e sorriu enquanto sussurrava “Obrigada Emma”.
"I need your strength that will keep me from harm
(Eu preciso de sua força que irá manter-me longe do mal)
I'll be your queen, safe in your arms"
(Eu serei sua rainha, segura em seus braços)
Um quarto de hora mais tarde, ela se aproximou mais ainda de mim e toda a coragem que tinha crescido em mim nessas últimas horas, eu me abriguei a abraçá-la.
Quando eu senti Regina ficar tensa em meus braços me arrependi brutamente por ter feito isso.
Eu a tinha abraçado sem sua permissão.
Quando eu já estava me preparando psicologicamente para retirar o braço de suas costas, ela deitou a cabeça no meu ombro. Aquele pequeno gesto acabou com minhas estruturas e construiu um futuro na minha cabeça, um futuro onde sua cabeça ficaria deitada em meu ombro pra sempre.
Esse é o melhor futuro que eu poderia escolher.
Esse seria o meu final feliz.
Ela só precisava beber o meu feitiço.
O filme acabou e eu ouvi um suspiro longo vindo dos lábios dela.
Ela queria amor.
Não o amor que Henry ou Zelena davam a ela.
Ela queria um amor carnal e espiritual, que dure a vida inteira.
E ela terá esse amor.
Só é preciso que ela beba o meu feitiço.
Novamente ela foi em encontro da taça, seu corpo começou a tremer e quando Regina estava finalmente levando a cidra até seus lábios, ela levantou e jogou a taça na parede como se fosse uma ação calculada e com esse impacto a mesma fumaça negra que saiu enquanto eu misturava os conteúdos, saiu de seus restos.
Antes que o meu cérebro pudesse digerir o que eu vi ali ou formular alguma pergunta sobre isso ela olhou no fundo dos meus olhos com as suas órbitas castanhas embaçadas pelas lágrimas que desciam de seu resto sem nenhuma pausa e gritou:
“VOCÊ TENTOU ME ENVENENAR EMMA?”
"Don't want to get to the end of my days
(Não quero chegar ao fim dos meus dias)
Saying I wasn't amazed"
(Dizendo que eu não fui surpreendida)
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