My Rebel Heart
14 O Jantar (com ela) – PARTE 2 (Regina)
Notas iniciais
Assim que ela entrou em minha casa, seus olhos passearam por toda minha sala de jantar e um sorriso se apossou de seus lábios.
O que eu não faria para poder apreciar esse sorriso todos os dias.
Algum momento depois nós já estávamos jantando.
Ela me questionou sobre a lasanha, perguntando se eu fazia minhas lasanhas com magia, primeiro eu fiquei estática pois inda não tinha entendido que espécie de pergunta era aquela, depois de algum tempo soltei uma gargalhada e disse que a única coisa feita com magia que eu ela iria provar hoje era a minha torta de Maça.
Eu sabia que tinha habilidades culinárias, sempre Henry dizia o quanto gostava de tudo o que eu cozinhava. Porém nunca imaginei que fossem tão extraordinárias a ponto de conseguir um elogio tão genuíno da Salvadora.
Nós conversamos durante todo o jantar, eu descobri tantas coisas sobre ela e falei tanto coisas sobre mim. Ela me falou sobre todos, ou a maioria, de seus pequenos roubos. Toda a vez que ela falava de uma história diferente seus olhos brilham e seu rosto fica tão radiante que eu fiz uma nota mental para perguntar sobre essas histórias sempre que tivesse a oportunidade. Depois que nós terminamos nosso jantar e nos sentamos no sofá ela soltou uma pergunta:
“Você ainda vai fazer alguma outra coisa hoje?”
“Er... não, por que?”
“Nós poderíamos assistir a um filme hoje... Se você quiser... É claro.” – ela falou com um pouco de medo da minha reação.
“Oh, eu adoraria.” – disse com um sorriso e então completei já me levantando do sofá em que estávamos — “Bom, eu vou buscar o que sobrou de sua cidra, que por sinal é ótima, enquanto você escolhe um filme para nós, ok?”
“NÃO.” – Ela gritou um pouco alto demais para que eu ignorasse.
“Como é?” — em disse enquanto, provavelmente, levantava uma sobrancelha mostrando o quão confusa estava com a sua reação.
“Eu irei buscar a cidra e você ficará aqui e escolherá o nosso filme. Ok?”
“Ok, eu acho. Você tem certeza?” – disse com o cenho franzido enquanto sentava novamente no sofá.
“Claro que tenho.” – disse enquanto se levantava – “Ah, eu posso fazer uma pipoca pra acompanhar?” – ela disse rindo um pouco, já que tínhamos a perfeita ciência de que nós acabamos de jantar.
“Claro que pode senhorita Swan, as pipocas estão no segundo armário a direita.” – eu disse enquanto gargalhava alto.
“Ok, eu já venho Gina.” – ela falou como se fosse normal, quando me toquei no modo que ela tinha me chamado virei minha cabeça para trás e vi que ela já tinha se encaminhado para a cozinha.
Fiquei um tempo imaginando o que ela gostaria de assistir e a única conclusão que consegui era que iria espera-la para decidir o filme com ela.
Quase 10min depois, cansada de esperar o por ela, me deitei com os olhos fechados no sofá. Eu queria ir na cozinha saber se tinha acontecido algo, mas eu não podia.
Não podia porque esse gesto poderia ser interpretado de um modo errado, como se eu não confiasse nela sozinha em algum cômodo da minha casa ou algo assim, e a última coisa que eu queria hoje era um mal entendido.
Pouco tempo depois eu notei alguém me observando e abri os olhos, assim que a achei sorri, me levantei e disse:
“Oh desculpe Senhorita Swan, a propósito, gostaria de sua ajuda para decidir o filme que iremos ver. Todos eles estão na segunda porta da estante, escolha o do seu agrado.”
“Ah eu não desculpo Regina” – ela falou com a maior cara de deboche que eu já tinha visto em toda a minha vida enquanto procurava um filme no lugar que eu tinha indicado.
“Ah não? E por que?” – disse com as duas sobrancelhas erguidas em surpresa e um sorriso nos lábios.
“Porque embora eu tenha te dado um apelido a menos de 20min atrás você continua me chamando de “Senhorita Swan”... Isso me fere profundamente, viu?” — ela disse enquanto segurava o riso.
“Oh desculpe Emma, eu não sabia que isso te incomodava tanto.” — falei enquanto ria alto e então continuei – “a propósito, “Gina” é um apelido bem excêntrico, mas eu gostei!”
“Sério?” – ela disse claramente chocada.
“Sim...”
“Bom saber, acabei de fazer uma nota mental de sempre te chamar assim em público...”
“Você não teria coragem. E então? Achou algum filme?”
“Infelizmente 90% dos filmes aqui são... espere ai...”
“O que?”
Depois de um curto momento de silêncio ela me respondeu:
“ ”Uma linda mulher” não é bem o tipo de filme que eu esperava encontrar aqui...”
“Ah... Eu... Eu gosto de assistir esse filme quando estou sozinha ou com Zelena.. Mas ela chora muito.” – eu disse com os olhos no chão e corando violentamente.
“Então agora você vai assistir comigo Gina.” — ela disse com um sorriso largo já me dirigindo ao aparelho de dvd.
“Oh, ok.” – disse já separando um lugar para ela no sofá.
Metade do filme já tinha passado e sempre que eu chegava perto de pegar a taça, sentia minha magia me afastando da mesma, franzia o cenho e recuava.
O que era aquilo eu não sabia, mas antes de que pensamentos paranoicos entrassem em minha mente, eu senti frio e me aproximei dela e depois de alguns minutos eu não consegui ignorar o frio que estava sentindo e comecei a tremer ao seu lado.
Eu estava realmente com frio.
Segundos mais tarde ela sussurrou:
“Gina..”
“Sim.?”
“Você me ensina uma coisa?”
“Agora?” – continuei sussurrando, entretanto, agora tinha tirado os olhos da televisão e os mirei em Emma.
“Sim Gina.”
“Ok, o que você quer aprender?” — agora eu já falava com a voz mais solta, ignorando totalmente o filme.
“Como invocar uma coisa... um objeto.” — respondeu olhando em meus olhos.
“Você esqueceu algo? Espera, eu já não tinha te ensinado isso?” – e eu franzi o cenho mais uma vez.
“Não... Sim... Ah, mais ou menos pra as duas perguntas...” – ela disse com um sorriso acanhado.
“Bom... pense no objeto com toda a sua alma e imagine ele em sua mão... Então ele vem de encontro com a sua alma..” — disse olhando em seus olhos.
“Ok.” – sua voz não era mais que um sussurro.
"Weave you a blanket of silver and gold
(Teça-lhe um cobertor de prata e ouro)
I'll keep you warm
(Eu o manterei quente)
do as I'm told"
(Faça o que estou lhe dizendo)
E então um cobertor na cor prata, que estava sabe-se lá Deus onde, apareceu em cima de nós por meio de uma fumaça clara. Eu a olhei assustada e sorri entendendo tudo enquanto sussurrava “Obrigada Emma”.
“I need your strength that will keep me from harm
(Eu preciso de sua força que irá manter-me longe do mal)
I'll be your queen, safe in your arms”
(Eu serei sua rainha, segura em seus braços)
Um quarto de hora mais tarde, eu me aproximei mais ainda de dela aproveitando a coragem que estava em mim no momento. E então ela me abraçou. Meu corpo ficou tenso em seus braços e depois de poucos segundos deitei minha cabeça em seu ombro, apenas aproveitando o momento.
Aquele pequeno gesto acabou com minhas estruturas e construiu um futuro na minha cabeça.
Um futuro que só iludia meus sentimentos dizendo que ela ficaria comigo.
O filme acabou e eu soltei um suspiro longo dos meu lábios.
Eu queria um amor daqueles.
E queria com ela.
Entretanto isso não aconteceria.
Novamente fui em encontro da taça mas a minha magia fez todo o meu corpo começar a temer e quando eu estava finalmente levando a cidra até seus lábios, meu corpo se levantou e jogou a taça na parede como se fosse uma ação automática de proteção e com esse impacto uma fumaça negra saiu de seus restos.
Antes que ela tivesse tempo de fugir, eu olhei no fundo dos meus olhos com as o rosto marcado pelas lágrimas que desciam sem freio de meu rosto e gritei:
“VOCÊ TENTOU ME ENVENENAR EMMA?”
“Don't want to get to the end of my days
(Não quero chegar ao fim dos meus dias)
Saying I wasn't amazed”
(Dizendo que eu não fui surpreendida)
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