My Rebel Heart
18 Ela me odeia e ela se odeia (Emma)
Notas iniciais
Assim que Zelena sumiu em sua fumaça verde, eu sai do Grannys seguida por Henry e olhares curiosos. Eu estava em outra órbita, dispersa em sentimentos que eu não podia controlar e nem nomear, porém o maior deles era bem visível: a culpa.
Enquanto ainda andava sem rumo pelas ruas de Storybrook, fui parada bruscamente por meu filho com lágrimas nos olhos.
“O que foi que aconteceu com a minha mãe? Eu nunca a vi daquele jeito.... ela... ela nunca perde controle da magia dela.... Ela quebrou... Ela...” – ele dizia tudo num folego só, com uma voz embargada e com o queixo erguido, característica que ele deve ter pego dos anos que conviveu com sua mãe morena.
“Filho, eu... Eu fiz uma burrada... Eu meti os pés pelas mãos e fiz algo que me arrependo muito... Eu sinto muito, eu realmente sinto” – eu disse sem segurar as lagrimas enquanto fitava o chão.
“Mãe, só me explique o que você fez... Talvez.... Talvez nós podemos fazer com que minha mãe te perdoe... Você sabe.... Você não pode ter feito algo tão ruim assim... Então...”
“Ah Kid, infelizmente eu fiz... Mas eu não quero falar sobre isso, por favor... Não agora...” – Eu disse já cortando o assunto. Henry não gostou, estava visível no rosto dele, mas ele não contestou, apenas seguiu ao meu lado para a casa de Mary.
Eu não podia falar para ele que tentei enfeitiçar a mãe dele por puro egoísmo.
Eu não posso nem imaginar como Henry reagiria com isso.
Mas por enquanto eu não preciso me preocupar com isso.
Ao menos por enquanto.
Chegando na casa de Mary, eu imaginava poder dispersar os pensamentos que possuíam a minha mente com risadas de Neal, entretanto, infelizmente, ninguém estava em casa além de mim e de Henry.
Meus pensamentos foram ainda mais consumidos pela culpa com o tempo, como se isso fosse uma conclusão para o silêncio absurdamente constrangedor que só me deixava mais desconfortável.
Dezenas de minutos se passaram, trazendo uma angustia no meu coração além de minha mãe e meu irmão.
Assim que Mary Margareth entrou em casa e notou o semblante fechado meu e de meu filho ela simplesmente me chamou para a cozinha pedindo ajuda em qualquer atividade que eu não tinha entendido bem. Quando chegamos na cozinha, Mary deixou meu irmão em uma cadeirinha e foi em direção a geladeira enquanto cochichava:
"Emma, por favor não me esconda nada.. O que aconteceu entre você e a Regina? Tudo o que ouço nessa cidade é que você discutiu com ela e que ela quebrou algumas janelas do Grannys... Emma todos estão dizendo que Zelena foi atrás dela e que até agora não saiu da casa da mesma... Emma, eu nunca a vi assim."
"Eu fiz uma burrada, ok? Agi por impulso e não sabia que isso iria deixar Regina assim... Eu só... Eu não pensei na hora, tudo estava tão certo na minha cabeça... tudo daria tão certo... mas não deu. E agora eu magoei Regina de um jeito que não deve nem ter volta... Só não me obrigue a falar sobre isso agora, por favor." disse derramando incontáveis lagrimas que manchavam meu rosto.
Ela apenas assentiu com a cabeça e continuou seu trabalho na cozinha enquanto eu me dirigia de volta a sala.
Fui apreciada por mais, quase, uma hora e meia nesse silendo e Henry levantou do sofá que estava sentado como em um clique e gritou:
"Eu vou ver a minha mãe."
"Kid...."
“Mãe eu preciso... Eu..."
"Eu não acho que seja uma boa ideia querido..." — minha mãe me interrompeu, como se soubesse exatamente o que falar para ele naquele momento.
"Mas... Eu sou o filho dela, deveria estar com ela agora... Ela me ama... Eu poderia estar a ajudando agora... Eu..."
"Henry, querido, fique calmo...." — minha mãe tentou inutilmente acalma-lo, então eu decidi interfirir.
"Kid, olhe pra mim... Você lembra do que Zelena disse pra você hoje?"
Ele apenas concordou com a cabeça e como se sentisse que seu nome foi pronunciada, a voz de Zelena chegou aos nossos ouvidos como um mantra demoníaco.
"EMMA SWAN!!! VOCÊ TEM EXATOS 5 SEGUNDOS PARA APARECER AQUI EM BAIXO!!"
Minha mãe se assustou com o tom cortante da ruiva e foi comigo na janela do flet:
“Zelena, o que aconteceu? Por que está gritando assim?”
Quando os olhos de Zelena vieram em encontro com os meus, eu tive medo.
O ódio dela era absolutamente explícito.
Seu rosto mostrava um misto de emoções tão absurdo que eu não consegui decifrar nenhuma das mesmas, apenas pude concluir que nenhuma delas era boa.
"Emma Swan sugiro que você apareça aqui agora antes que eu suba aí e te mate na casa de sua mãe! – ela disse entre dentes, o que fez com que um arrepio subisse pelas minhas costas.
Fui me dirigindo a entrada do loft e reparei que uma pequena multidão já estava começando a se aglomerar para assistir seja lá o que estivesse acontecendo. Então fui me dirigindo lentamente em direção da poderosa Mills a minha frente, assim que cheguei perto o suficiente dela, tentei, sem sucesso, iniciar uma conversa:
“Zelena, eu...” – minhas palavras foram silenciadas por um estalado, forte e pesado tapa no meu rosto dado pela ruiva enquanto lágrimas escorriam por seu rosto e os moradores a nossa volta começavam a sussurrar suposições para o que estava acontecendo.
“VOCÊ NÃO TEM O MÍNIMO DIREITO DE FALAR NADA SUA... EU NEM TENHO ADJETIVOS PODRES O BASTANTE PARA TE DESCREVER.... MEU DEUS VOCÊ ENCOSTOU NA MINHA FILHA! VOCÊ PODERIA TER MATADO TODOS OS QUE EU AMO!...”
Matar.
Uma única palavra que clareou todas as minhas ideias.
Ela sabia.
Sabia da história contada por Regina.
Ela sabia o que tinha acontecido no jantar.
Ou ao menos achava que sabia.
Neste momento eu vi a oportunidade perfeita para organizar as palavras certas em minha mente e me explicar, entretanto o som ruidoso dos gritos de Zelena não me ajudava a me concentrar para que minha mente conseguisse sentir o gosto do sucesso, ao menos nessa tarefa.
O som dos gritos de Zelena não são claros em minha mente e também não clareiam os meus pensamentos, a única coisa que eu tenho certeza é que ela quer muito acabar comigo e que os seus olhos e seu rosto estão incrivelmente vermelhos, graças as lágrimas que ela derrubou hoje.
Entretanto, o imprevisto acontece.
Ela foca em algo atrás de mim e fica paralisada.
Quando olho para trás e vejo o mesmo que ela, também fico petrificada.
Henry.
Henry tinha saido do loft, se assustou com nossa discussão e agora estava se dirigindo para ficar entre eu e Zelena.
Quando olho novamente para a ruiva ela tinha colocado luvas.
Ela não iria usar magia em mim.
Não na frente dele.
Quando fui soltar toda a explicação para ela, meu filho interfere completamente atordoado com tudo o que está acontecendo enquanto está na minha frente, como se tivesse me protegendo de qualquer eventualidade mágica:
“Por favor, alguém me explica o que está acontecendo? Eu preciso saber. Por favor... por que... por que vocês estão brigando?”
“Você não contou ao Henry?” – ela sussurra junto com uma sorriso irônico que só mascarava a tristeza explícita no rosto dela. Assim que recebe meu silêncio em resposta ela repete a pergunta, elevando o tom de voz desta vez e ainda completa cuspindo meu titulo – “RESPONDA-ME SALVADORA..”
Tudo o que ela recebeu de mim foi silêncio.
Parecia que eu simplesmente não conseguia formar nenhuma frase lógica.
Não em frente ao meu filho, a irmã da mulher que eu amo, minha mãe que tinha acabado de se juntar a nós e quase uma centena de habitantes com um semblante confuso.
Levando meu silêncio como uma resposta negativa a sua pergunta, Zelena continuou:
"DIGA A ELES EMMA, DIGA O QUE VOCÊ FEZ COM REGINA."
"Zelena, não grite... Não foi do jeito que você pensa... Venha aqui, nos podemos conversar.... apenas não grite mais...”
"POR QUE EMMA? O SEU FILHO NÃO PODE AGUENTAR O QUE VOCÊ FEZ?” — ela gritava ainda mais alto – “A SUA MÃE NÃO PODE AGUENTAR A ATROCIDADE QUE VOCÊ FEZ?”
Quando mais ela falava, mais lágrimas manchavam o meu rosto.
A culpa inundava a minha alma de um jeito tão avassalador.
Meu coração de contraia como se a própria Zelena estivesse apertando-o com suas palavras.
“OS CIDADÃOS DE STORYBROOK NÃO PODEM AGUENTAR O FATO DE QUE A SALVADORA TENTOU SEM MOTIVO ENVENENAR A MINHA IRMÃ? ME RESPONDA SALVADORA.."
Silêncio. Silêncio. Silêncio.
O único som que dava para ser ouvido era o do meu choro descontrolado. Eu olhava para o chão, pois a possibilidade de encontrar o olhar de meu filho, de quem eu tanto amo exalando decepção, como os de Regina, era demais para mim.
Os moradores de Storybrook começaram a entender a gravidade da situação e a se desesperar começando a me insultar. Mas nesse momento eu já não ouvia nada. Eu sabia que eles estavam gritando, mas meu corpo estava muito preocupado com a batalha interna que eu estava lutando.
Então, uma mão, com uma luva de couro verde, levantou meu rosto agressivamente, fazendo com que meus olhos fossem de encontro aos seus.
“Ou eles não podem aguentar com o fato de que você a chamou de monstro mesmo depois de ela ter salvo todos aqui, inclusive você, querida, e de você?” — ela disse agora abaixando o tom de voz, porém não o bastante, já que todos os presentes a ouviram.
Enquanto ela cravava as unhas, ainda por baixo e couro da luva, em meu rosto, ela continuou:
“Regina não dormiu bem a noite... Regina não está bem por causa das suas palavras e das suas atitudes...” – Ela sussurrava enquanto os seus olhos claros estavam cravados nos meus – “A minha irmã está achando que você está certa, ela acha que realmente é um monstro... Só os deuses sabem o que eu tive que fazer para acalma-la....” – nesse momento ela respirou fundo e continuou – “Você, Emma Swan, é podre. Você me dá o mais profundo nojo que eu já senti em toda a minha vida. Você magoou a uma pessoa da minha família.... Eu... Eu posso ter feito coisas ruins, muito ruins, mas eu nunca iria fingir que gostava de uma pessoa importante para a minha filha e depois tentaria envenena-la...” – agora lágrimas espessas escorriam pelo seu rosto enquanto ela continuava a sussurrar para a minha alma –“Acredite, a única coisa que te mantém viva nesse momento é o Henry, porque eu realmente amo o meu sobrinho... Agora, pelo seu próprio bem, fique bem longe de MIM e de MINHA família, caso contrário, você vai ver o que essa bruxa aqui é capaz.”
Nesse momento ela me soltou, deu as costas e começou a caminhar indo embora deixando o meu coração quebrado pela dureza de suas palavras e pela realidade que tinha nelas.
O que eu tinha feito com Regina?
O que eu tinha feito com a mulher que eu amo?
Amor.
Amor é muito além do que nós lemos, amor é também responder a pergunta: quanto você daria pela saúde e felicidade de quem você ama?
Quanto eu dei?
As conclusões que formavam na minha mente eram tão destruidores que trincavam a minha alma.
Quando eu finalmente criei coragem de levantar a cabeça para encarar todos a minha volta, eu encontrei o meu pior pesadelo. Todos me olhavam sem nenhum carinho, quando mais meu olhar ia seguindo por rostos conhecidos, mas tristeza eu encontrava.
Até que eu fui procurar o olhar de quem realmente importava.
Meu filho e minha mãe.
Quando encontrei o olhar da minha mãe, eu vi lágrimas que lutavam para serem liberadas de seus olhos enquanto ela abraçava o Neal.
Os seus olhos faziam uma única pergunta silenciosa: Por que?
Quando fui em encontro ao meu filho, eu passei os olhos por uma mulher sem nome em cima de um cavalo.
Ela era incrivelmente linda e tinha cabelos em um tom de castanho, até então, desconhecido por mim, sua roupa visível era uma capa na cor bronze cheia de detalhes e pedrarias, entretanto, o que me chamou a atenção foram seus olhos.
Embora ela estivesse relativamente longe de mim, seus olhos me chamaram a atenção.
Eles eram num tom de cinza tão exclusivo que eu podia jurar que não tinha visto nada igual.
Assim que ela notou que meus olhos pararam sobre ela, ela colocou a touca da capa e puxou as rédeas de seu cabelo com graciosidade e saiu dali, tão rápido como uma piscada de olhos.
Antes que eu tivesse tempo de ter um pensamento lógico sobre a mulher que tinha acabado e encontrar, a pergunta que eu vi nos olhos de minha mãe foi prontamente feita por meu filho.
Quando meus olhos se dirigiram aos ele, o que eu vi foi o bastante para destruir o resto de mim.
Raiva, tristeza e decepção eram as três coisas que eu via em suas órbitas castanhas.
“Por que você fez isso com a minha mãe? Por que você chamou a minha mãe de monstro?”
Quando fui encostar nele, ele se afastou e aquilo quebrou o restante de mim.
Eu só tinha forças para chorar e pensar que agora, por minha causa, o amor da minha vida me odeia e, pior, ela se odeia.
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