My Rebel Heart
19 Ela me odeia e ela se odeia (Regina)
Notas iniciais
Chorei.
Chorei como na noite passada.
E quando minhas lágrimas começaram secar em meu rosto, eu ouvi batidas na porta, acompanhadas de uma voz muito conhecida:
“Sis... Oh meu Deus, eu não sei nem como começar essa conversa... Afinal, a gente nunca teve isso né?!..” — ela disse com um suspiro pesado — “Então... Eu não sei o que aconteceu e se você não quiser falar também... Está tudo bem!!” – ela disse soltando um riso baixo — “Eu só queria ficar com você... Você sabe, né?! Você não esta mais sozinha... Nós não estamos! E isso é bom, né?... Eu acho que é! Ao menos pra mim é.... Eu só preciso saber se você quer ficar comigo.” – ela soltou tão baixo que eu quase não ouvi – “Eu... Eu só preciso saber se posso entrar... Por favor...” – Zelena disse com uma voz branda coberta de preocupação.
Com um giro de pulso, eu destranquei a porta principal e a abri. Neste momento, um furacão ruivo entrou pela minha casa deixando seus saltos na entrada e me abraçou, como se apenas o seu abraço pudesse consertar tudo o que estivesse errado.
E por um momento, conseguiu.
Como se ela tivesse, com aquela demonstração de carinho e preocupação, aberto uma válvula de sentimentos, eu comecei a chorar novamente.
Ficamos assim durante alguns minutos, apenas nos sentindo. Ele estava sentada no chão a minha frente e eu estava com a cabeça enterrada em seu ombro, molhando a alça direita de seu vestido verde água com minhas lágrimas, enquanto a mesma acariciava mais cabelos.
Aos poucos meu choro sessou, então eu apenas fiquei mais um tempo ali, naquele pequeno mundinho onde só eu e Zelena existíamos.
Até que sem rodeios, sem avisos e ainda naquela posição, eu comecei:
“No começo foi tão lindo. Ela chegou aqui tão linda! Eu quase a beijei quando ela apareceu na minha porta vestindo uma saia!” – disse soltando um risinho baixo e sendo acompanhada por Zelena.
“Olha.. Eu realmente consigo imaginar isso!”
“Então nós começamos a jantar... Ela elogiou minha lasanha e eu senti minhas pernas tremerem... Ela tinha sido tão gentil comigo! QUE INFERNO!” – eu gritei enquanto as lágrimas ameaçaram a manchar meu rosto novamente e enquanto era presa por um abraço ainda mais forte de minha irmã.
O silêncio se instalou por umas momentos. Então, eu simplesmente respirei fundo e continuei:
“Quando o jantar terminou, ela ficou estranha... Então, ela perguntou se eu iria fazer mais alguma coisa, com minha resposta negativa ela perguntou se poderíamos assistir um filme. Eu só sorri e disse que iria pegar a cidra que ela tinha deixado na cozinha.. Mas, nesse momento, ela me impediu de um jeito tão estranho.... Ela não gritou, mas não foi baixo o suficiente para que eu ignorasse. Ela disfarçou e...” — nesse momento eu soltei um risinho e levantei meu olhar, apenas para encontrar olhos cravados em e exalando curiosidade.
“E...?” – ela me incentivou com seus olhos tão abertos que eu pensei em perguntar se não doíam.
“Ela me chamou de... Gina.” – conclui tão baixo que, eu suponho que, se ela não estivesse grudada em mim, não ouviria.
Assim que terminei a frase vi seu rosto mudar de expressão muito rápido e duas vezes. Ela foi de completa surpresa, a um sorriso gigante em menos de 2 segundos.
“E então...?” – ela me incentivou ainda com um sorriso no rosto.
“Então nós assistimos ao filme...”
Neste momento, eu pausei um pouco a explicação e recebi um olhar absurdamente confuso de Zelena, como se ela pedisse silenciosamente para que eu explicasse melhor isso.
“E.. foi um dos melhores momentos de minha vida.” – soltei junto com um suspiro pesado e um sorriso – “Ela foi tão amável... E quando eu fiquei com frio, ela notou... E invocou aquele cobertor em cima de nós...” – disse apontando para o cobertor prata que ainda estava, agora dobrado, em meu sofá o que faz com que Zelena girasse o pescoço em encontro ao mesmo.
“Oh, e o que mais?”
Nesse momento, meu corpo ficou tenso e ela notou, mas eu precisava dividir isso com alguém. E ninguém melhor que minha irmã para isso.
“Ela tinha me servido uma taça da cidra que trouxe... mas...” – nesse momento minha voz embargou e eu recebi um olhar repleto de preocupação e confusão da minha irmã — “Eu não sei como... minha magia não me deixou toma-la.”
Nesse momento, Zelena ergueu as sobrancelhas em surpresa e com uma confusão explícita em seu rosto.
“Por que eu tenho a sensação de que você sabe o motivo, sis?” – ela sussurrou cravando as suas órbitas verdes nas minhas castanhas.
“Porque eu sei....” – nesse momento eu nem me importava com as lágrimas que, novamente, escorriam por meu rosto – “ELA TENTOU ME ENVENENAR ZELENA!! Ela... ela tentou me matar!”
“O QUE?” – Zelena gritou me soltando de seus braços enquanto me encarava com um olhar absurdamente incompreensível exalando surpresa.
“Ela colocou alguma espécie de veneno na minha taça, eu não sei como mas minha magia sentiu isso e me protegeu... Olhe!” – disse apontando para a grande marca escura em minha parede Branca, fazendo minha irmã girar o pescoço ao encontro da mesma.
“Eu... posso?” – ela perguntou hesitante fazendo menção a ir ver a mancha.
“Claro...” – sussurrei.
Zelena me soltou com cuidado e seguiu calmamente em direção a parede marcada. Assim que ela encostou na mancha, seus olhos voltaram pra mim e ela viu que eu chorava novamente.
Eu não faço ideia se ela examinou ou não a mancha, pois quando eu reparei ela já estava me abraçando novamente e me fazendo deitar em seu ombro.
Tudo o que se ouvia naquela sala eram os ecos dos meus soluços em meio ao choro. Eu não suportava a ideia de me lembrar da noite anterior, mas eu precisava falar tudo o que estava dentro e mim. Eu precisava jogar tudo isso pra fora isso.
“Zelena, eu imaginava que nunca iria sentir dor pior do que perder Daniel, eu chorei durante dias.... então eu a vi beijando Killian...” – Não precisei nem citar o nome dela, para que Zelena soubesse exatamente de quem eu estava falando – “Pelos deuses, eu lembro exatamente de toda a dor que eu senti...” – Eu sussurrava enquanto sentia a mão de minha irmã acariciando meus cabelos – “Meu coração doeu tanto, eu achei que fosse morrer de dor... Mas agora...” – deixei a frase sem conclusão pois precisava respirar e nem tinha palavras para descrever o que sentia.
Zelena se mantinha calada. Nenhuma palavra saiu de sua boca em nenhum momento. A única coisa que me fazia saber que ela ainda estava ali era seu corpo apertando o meu e sua respiração forte contra a minha cabeça.
“Doi tanto Zelena, tanto...” – eu gritei enquanto me afundava em seus braços.
Naquele momento, eu me sentia tão emocionante nua. Eu me sentia tão fraca, tão frágil. Tudo o que eu queria fazer era ter o poder para fazer aquela dor parar. Eu até pensei em retirar o meu coração, mas eu sei que Zelena não permitiria.
Então, eu lembrei de um momento crucial da última noite. “Afinal você sempre foi um monstro!”. Essas palavras martelavam a minha mente com uma força descomunal.
“HAHA...” – dei um riso fraco e curto me preparando para contar a ela a conclusão de tudo – “E ela ainda fez pior... ela disse uma coisa... tão...”
“O que ela disse?” – Zelena soltou, pela primeira vez, me cortando, com a voz até mais embargada que a minha.
“Ela me chamou de monstro.” – Eu disse cortada pelas lágrimas.
Nesse momento o seu corpo se tornou uma rocha de tão tenso e quando eu menos esperava senti minha cabeça molhar.
Eram suas lágrimas.
Ela estava chorando comigo.
“Ela... Ela deve estar certa... Eu fiz tantas coisas... Eu devo realmente ser um monst..”
“NÃO!” – ela gritou, com a voz embargada, enquanto me segurava pelos ombros e me obrigava a olhar para ela – “Eu te proibo de dizer isso!”
“Mas Zelena....” – tentei argumentar.
“Não! Eu vou falar isso, e vou falar uma vez só: Você chegou muito perto de ser esse monstro, mas aquele garoto ali” – disse apontando uma fotografia minha e de Henry, enquanto ele ainda era pequeno – “Ele salvou você e despertou tudo de melhor em você! Nunca mais ouse imaginar que as palavras dela refletem a verdade, porque é mentira! Você salvou todos dessa cidade, incluindo a Emma, e pior, da Emma! Apenas acredite em mim e no seu filho, é a única coisa que você precisa fazer agora... Apenas acredite em todo o amor e carinho que nós temos por você! Porque um “monstro”” – Ela disse fazendo aspas com os dados – “não pode despertar o amor que eu sinto por você sis!” – ela finalizou com um sorriso tão bonito em meio as suas lágrimas, que apenas mostrava pra mim que suas palavras eram verdadeiras.
Quando ela terminou de dizer aquilo, eu simplesmente me joguei nos braços dela. Eu tinha a melhor irmã do mundo.
“Eu também te amo Lena.... demais!”
Ela apenas respondeu com um sinal positivo de cabeça enquanto chorava comigo.
Ficamos alguns minutos assim.
Apenas, mostrando uma para a outra o quanto nós nos amávamos. Até que eu bocejei. Zelena deu um sorriso e disse:
“Então Bela Adormecida... quantas horas você dormiu?”
“Poucas...”
“Então agora eu vou colocar a minha irmãzinha para dormir..” – Ela disse sorrindo enquanto me estendia a sua mão, me apoiando para que eu levantasse do chão.
“Mas eu não posso, eu preciso...”
“Dormir...” – Ela me cortou enquanto nos teletransportava.
Quando a sua fumaça se dissipou, estavam os no meu quarto. Assim que me fitei para olha-la, ela segurava um copo de água e um comprimido verde. Soltei uma risada assim que coloquei os olhos naquele comprimido o que fez o rosto de Zelena se contorcer em um mesclado perfeito de deboche e falsa raiva.
“Ele é lindo, ok?” – ela soltou gargalhando – “Só vai te fazer dormir um pouco...”
Apenas assenti e tomei o remédio. Em menos de um minuto, minha visão ficou embaçada e eu via uma fumaça enquanto trocava de roupa com magia. Zelena me ajudou a deitar na cama e então, olhando no fundo dos seus olhos, eu disse:
“Tudo que eu sinto é uma dor tão grande Lena... Eu a amo tanto, mas tanto. Eu sinto que vou explodir com esse sentimento toda a as vezes que ela olha pra mim... Lena, por que ela fez isso? Será que dividir um filho comigo era um fardo tão grande pra ela? Por que ela aceitou meu convite Zelena? Ela me odeia tanto assim?” – eu disse com a voz embargada pelo choro e pelo sono.
Zelena me olhou com um carinho tão grande e a única coisa que eu ouvi antes de cair em um sono profundo foi : “Eu não sei, nem sei se eu vou descobrir... mas ela vai se ver comigo por ter mexido com a minha família!”
Eu não sei quantas horas dormi, mas acordei descansada e fisicamente perfeita, embora meu emocional ainda não estivesse do mesmo jeito. Fui me mexer, pois estava deitada de lado à um bom tempo, entretanto, assim que fui esticar minhas pernas um pouco, senti um peso em cima das mesmas.
Era Zelena.
Deitada em cima deles enquanto jogava alguma coisa em seu celular. Passei a mão em seu cabelo e ela levantou a cabeça.
“Eu não acordei você, né?” – ela perguntou preocupada.
“Não S-I-S” – disse pausadamente com a voz ainda sonolenta, fazendo um sorriso aparecer em seu rosto – “Obrigada! Muito obrigada!”
“Você sabe que não precisa agradecer!”
“Preciso sim... Você ficou comigo e me disse coisas tão lindas!! Obrigada mesmo!” – disse enquanto a abraçava novamente.
Então como num clique, ela veio a minha mente.
Emma.
Dei um olhar suplicante para Zelena, que nem me deixou protestar e apenas disse:
“Não pergunte... Senhorita Swan precisa de um tempinho para direcionar seu ódio a pessoa certa... ela mesma.”
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