My Rebel Heart

15 A Discussão (Emma)


Notas iniciais
Hello Darlings Literalmente, sem delongas, boa leitura amores! Espero que gostem desse novo capítulo e que entendam que a historia tem que passar por esses tempos turbulentos para ter o final esperado por todos (ou alguns)❤ Twitter: @HausOfVal

“EU TE FIZ UMA PERGUNTA EMMA! VOCÊ TENTOU ME ENVENENAR?” – ela gritava ainda mais alto com a voz cortada graças as lágrimas.

Os seus olhos que a menos de 10min estavam exalando felicidade agora só mostravam dois sentimentos: dor e desapontamento.

Minha voz estava entalada na minha garganta.

Eu não conseguia nem me mexer.

Tudo estava rodando e o único ponto que me fazia olhar para frente eram as suas mãos gesticulando enquanto ela continuava a gritar:

“COMO VOCÊ DEVE CORAGEM DE FAZER ISSO? COMO VOCÊ TEVE CORAGEM DE ACEITAR O MEU CONVITE... VIR NA MINHA CASA.... E TENTAR ME ENVENENAR?” – sua voz ia falhando conforme a frase ia saindo de sua boca, suas mãos gesticulavam e levavam seu cabelo pra trás como se ela não acreditasse nas conclusões que se formavam em sua mente. – “EMMA ME RESPONDA!!!! Apenas me responda: Por que?” – essas últimas palavras saíram como um sussurro enquanto ela fitava profundamente os meus olhos.

“Regina não é bem assim... Eu... Eu”

Quanto mais eu tentava me explicar, mais eu me embaralhava mas palavras. Como eu iria explicar que estava tentando enfeitiça-la? Como eu iria explicar que estava desesperada?

“VOCÊ O QUE SWAN? SE VOCÊ ME ABOMINA TANTO, POR QUE VEM A MINHA CASA E FINGIU SER MINHA AMIGA? AH ME DEIXE ADVINHAR, VOCÊ DESCOBRIU SOBRE AS LÁGRIMAS DA RAINHA E TAMBEM QUERIA TER O PRAZER DE POSSUI-LAS?! ENTAO SE É ISSO O QUE VOCÊ QUER, AQUI ESTÁ!” – nesse momento ela invocou um frasco como o que continha o meu feitiço e esfregou em suas bochechas, quando suas lágrimas preencheram um dedo do frasco, ele brilhou em um roxo tão vivo que eu achei que iria explodir. Eu não fazia ideia do que ela estava falando e precisava me explicar:

“Regina me escuta....” – tentei falar enquanto ela entregava o frasco em minha mão.

“NÃO!!!”

Aquele “não” me destruiu tanto que eu quase deixei o frasco que ela me deu cair.

Aquele “não” tinha tantas emoções.

Decepção, raiva, tristeza.

A tristeza de alguém quebrado.

Ela estava quebrada.

Eu a tinha quebrado.

Eu estava tentando fazer com que uma pessoa me amasse obrigada.

Um amor obrigado.

Um amor que não seria real.

Como eu tive coragem de tentar isso?

Logo com a Regina, uma mulher que sofreu tanto por amor.

Como eu tive coragem de fazer isso?

“COMO VOCÊ ACHA QUE EU ESTOU ME SENTINDO AGORA?” – ela continuava a gritar e agora estava do outro lado da sala – “COMO...”

Naquele momento eu explodi.

Ela estava gritando muito comigo e eu não sabia o que dizer ou fazer. Como se eu estivesse no “modo avião”, eu comecei uma conversa que só iria me trazer arrependimento:

“Ah, por favor Regina, quem vê você falando assim ate imagina que tu não fez pior.”

“Como?” – ela disse com os olhos arregalados vindo em minha direção.

“Pense um pouco, você fez muitas coisas ruins. O que eu fiz agora não chega aos pés do que você fez... afinal... bom... você sempre foi um monstro!” – soltei enquanto focava um lugar aleatório, então levantei o olhar lentamente até encontrar as órbitas castanhas que eu tanto amo exalando decepção e tristeza.

Meu Deus! O que eu tinha feito?

Ela estava parada, fitando meu olhos. Ela estava tão exposta, eu diria até nua emocionalmente. Seu peito subia e descia com rapidez e então mais lágrimas começaram a descer por seu rosto.

“Senhorita Swan, apenas saia da minha casa agora e fique bem longe de mim.” – Ela sussurrou com a voz ainda mais embargada pelo choro que agora ela nem fazia questão de esconder.

“Regina eu não quis dizer...”

“Sim, você quis. Você quis dizer e quis fazer. Você disse e você fez. Agora é o meu momento de querer algo: eu quero você bem longe de mim. E se isso não for o suficiente, eu irei fazer: irei tira-la da minha casa.” — ela disse com a voz dura me dando as costas e colocando as mãos em cima de seus olhos.

“Regina...”

“SAIA DA MINHA CASA AGORA! Por favor... Apenas fique bem longe de mim.”

Essa última parte Regina falou com uma tristeza tão grande que eu não tive coragem de contestar.

O que eu tinha feito? Então sai de sua casa sem ao menos me preocupar com minha jaqueta, enquanto ouvia seu choro no cômodo ao lado.

Já havia passado da meia noite, mas eu não me importava.

Todo o caminho, desde a casa de Regina até a minha casa, eu fiz chorando.

Eu sentia uma dor absurda, a mais forte que qualquer outra que eu já senti.

Eu tinha acabado com qualquer possibilidade de uma amizade com o amor da minha vida por puro egoísmo. Como eu tive coragem de pensar na possibilidade de obriga-la a me amar?

Eu era uma completa vergonha.

Para destruir ainda mais nós duas, ela entendeu errado, achou que eu estava tentando a envenenar. O que não era uma mentira, já que eu não tinha ideia do que aconteceria caso ela tomasse aquilo.

Entretanto, ela estava quebrada de um jeito tão absurdo que eu apenas sentia a culpa me consumindo.

Assim que cheguei em casa, eu vi que não tinha coragem de ficar ali, muito menos sozinha. Estar sozinha era como uma válvula que me levava a pensar nela. Pensar no quanto eu a amo, e agora, no quando eu a magoei. Sem pensar duas vezes e sem me importar com o horário, me dirigi até a casa dos meus pais.

Chegando lá, fui bombardeada por perguntas por uma Mary Margareth sonolenta e preocupada. Entretanto, eu não tinha forças, nem físicas e nem psicológicas para responder suas perguntas.Minha cabeça quase explodia de tanta dor e culpa. Apenas perguntei se poderia ficar uns dias ali enquanto incontáveis lagrimas manchavam o meu rosto, assim que recebi uma resposta positiva me joguei em seus braços, chorando como uma criança.

“O que foi que aconteceu filha?” – ela perguntou com uma voz exalando preocupação.

“Eu.. Eu fiz a maior burrada da minha vida.”

Quando entrei em um banho gelado, mais algumas perguntas da minha mãe vinham em meu encontro, mas o peso da realidade caiu em cima de mim. Eu já tinha perguntas demais para me preocupar.

Como consegui fazer esse feitiço?

Como eu fui a casa dela tentar lança-lo?

Como eu tive coragem de arquitetar um plano para lançá-lo?

COMO EU TIVE CORAGEM DE FALAR AQUILO PRA ELA?

Idiota.

Como eu fui idiota.

Como eu fui estupida.

Eu não tinha tem adjetivos ruins o suficiente para me definir naquele momento.

Logo após o banho, fui me dirigindo a minha antiga cama. Ela tinha entendido errado, mas isso não era o suficiente para descartar o meu sentimento de culpa.

Quando Regina tinha entendido errado, eu poderia ter concertado às coisas, ou ao menos tentado. Eu poderia ter explicado a ela. Eu poderia ter dito os sentimentos que eu tinha por ela. E que eles não chegavam bem perto de ser ódio. Porem eu tinha que ser estupida o suficiente para estragar tudo.

Eu a chamei de monstro.

COMO EU TIVE CORAGEM DE FAZER ISSO?

Eu tinha quebrado a mulher que mais importa na minha vida.

Os seus olhos.

Os seus olhos sempre tão expressivos, e eles mostravam tanta dor.

Ela achava que eu estava tentando mata-la.

Como eu pude deixar que isso acontecesse? Antes de me dar conta, eu tinha caído em um sono profundo sem sonhos.

Assim que acordei, fiz minha higiene matinal e me encaminhei para a cozinha para tomar café da manha e dei de cara com uma Mary sorridente, um Henry muito confuso, um David surpreso e um Neal animado.

“Mãe? Eu achei que só iria aparecer aqui depois do café... Você dormiu aqui?”

“Uhum garoto. Você dormiu bem?”

“Dormi sim mãe, você também?” – respondi apenas com um aceno afirmativo de cabeça e ele prosseguiu — “Bom, Tia Z me enviou uma mensagem perguntando se eu gostaria de tomar café com ela e com a minha mãe no Grannys hoje, ela disse que ainda não conseguiu falar direito com a minha mãe mas tem certeza que ela vai la com a gente. Bom, depois eu volto pra cá e almoço com vocês, ok?”

Todos balançaram a cabeça em afirmação e minha cabeça girou.

Imagens de Regina invadiram minha mente.

Ela sorrindo pra mim. Ela deitando em meu ombro. Ela chorando. Ela gritando comigo. Ela me mandando ir embora.

Senti uma dor absurda na minha barriga e minha cabeça me agraciou com uma pontada. Se outra pessoa falasse que o sentimento de culpa tinha sintomas físicos, eu gargalharia, mas agora, eu estava realmente sentindo isso na pele.

“Regina, ela está bem?” – perguntei sentindo meu abdômen contrair ainda mais.

“Eu.. Eu acho que está. Afinal, por que ela não estaria, né?” – meu filho disse enquanto dava um beijo na testa de Neal e se dirigia a porta.

Minha garganta fechou e meu coração acelerou.

Minha mãe e meu pai repararam meu nervosismo porem não perguntaram nada durante todo o café da manhã. Acho que nem se eles perguntassem algo eu teria forças psicológicas para responder.

Após o café, voltei para meu quarto ainda aproveitando o silêncio e vi aquele frasco. Minhas lembranças, ainda um pouco vagas graças ao efeito daquela bendita cidra, me levaram para o exato momento em que ela me entregou aquilo.

Lágrimas da Rainha.

Eu não fazia ideia do que era aquilo porem eu iria descobrir.

E Gold iria me ajudar.

Então, o mais rápido que pude, me vesti, peguei o frasco e me encaminhei para sua loja. Chegando lá encontrei uma placa de “fechado”. Bom, eu presumo que nem seja necessário que eu fale que ignorei totalmente esta placa e entrei na loja dando de cara com um Gold incrivelmente calmo e, como sempre, debochado:

“Eu não sabia que a Salvadora não sabia ler. Então eu leio pra você: FECHADO.”

“Lágrimas da Rainha. Que diabos é isso?”

“Oh, fazia tempo que eu não ouvia nada relacionado a isso, já que a Rainha esta segura a aqui.”

“O que?”

“Regina é a mulher mais poderosa portadora de magia negra e Branca... A Lenda das Lágrimas da Rainha é sobre ela.”

“De que diabos você está falando?”

“Está tudo escrito nesse livro. Ao menos tudo o que sabemos sobre essa lenda.” – ele disse invocando um livro sem titulo e aos pedaços em minha frente.

Assim que eu encostei no livro, ele foi soltando algumas páginas. Eu não tinha tempo pra aquilo. Eu só queria respostas. Será que isso é muito difícil?

“Gold, resuma pra mim. Eu realmente não tenho tempo pra isso.”

“As Lágrimas de Regina podem tornar qualquer sonho realidade, entretanto é difícil faze-la chorar, acredite eu tentei depois que descobri da lenda, porém já era tarde demais.... Apenas uma coisa é capaz de tirar lágrimas dela....” – ele dizia enquanto se perdia em pensamentos, quando notou o que estava fazendo, concluiu muito rapidamente – “Bom, ela já foi muito perseguida por isso, mas agora, aqui, ela está a salvo. Não é querida?”

Regina. Lágrimas. Perseguida. Salvo. Regina.

Palavras dançavam em minha mente me tirando todo o sentido.

Ela achava que eu queria a envenenar e suas lágrimas.

A mulher que eu amo acha que eu quero vê-la morta e ainda quero me aproveitar dela.

Eu tinha que concertar isso tudo.

Eu precisava ir atrás dela.

Como num clique, eu me lembrei do Henry e da conversa que tivemos mais cedo.

Ela estaria com ele, a pequena Robin e Zelena no Grannys. Dei uma olhada em meu celular e um sorriso se apossou dos meus lábios, ainda não eram nem 9h.

Ela ainda estaria lá.

Sai da loja de Gold sem nem me despedir.

Corri como nunca antes para o Grannys e assim que cheguei lá entrei assustando todos os clientes. Zelena quando me viu acenou e cochichou algo no ouvido de Regina, que finalmente ergueu a cabeça e eu vi em seus olhos o quanto ela estava decepcionada comigo.

Fui chegando perto devagar e quando cheguei próximo o bastante da mesa da família Mills, recebi uma única palavra:

“Saia!” – Regina disse sem fitar o meu rosto.

“Regina, eu...”

“Você é surda senhorita Swan?”

“Não Regina, é só que...” – comecei a falar quanto me dirigia para tocar em seu braço.

“NÃO ME TOQUE!!” – Ela gritou, assustando todos, até Zelena e fazendo Robin chorar – “PELO AMOR DE DEUS VOCÊ NÃO SABE O QUE SIGNIFICA FICAR LONGE DE ALGUÉM? ENTÃO, FIQUE LONGE DE MIM.” – ela falou com os olhos banhados de lágrimas, quebrando algumas janelas dos Grannys e sumindo em sua fumaça roxa.

Ficamos alguns minutos em silêncio, até que Zelena o quebrou:

“Que diabos aconteceu aqui Emma?” – Zelena disse tentando, sem sucesso, acalmar a Robin. Agora se dirigindo a Granny ela começou – “Granny por favor...”

“Fique tranquila querida, vá atrás dela!” – Granny disse enquanto pegava a pequena Robin no braço.

“Henry, fique aqui com sua mãe, ok?”

“Ok” – meu filho disse ainda em choque com o que tinha acabado de acontecer.

E ela não era o único.

Eu estava em choque também.

Porque ela nunca ira me ouvir, muito menos me perdoar.

Porque ela me odeia.

E então eu senti uma tontura.

Uma tontura muito forte. Eu não sabia como, mas eu sabia que era o feitiço do Gold.

O feitiço de proteção da cidade.

Eu não sabia quando ou como, mas sabia que o mal estava vindo para Storybrook.

E não iria demorar para chegar.

Notas finais
Obrigada por lerem darlings e eu espero ansiosamente o retorno de vcs ❤ PS: Muito obrigada pelos comentários, favs e inventivos, vcs fazem minha semana melhor Xoxo Val (@HausOfVal)