My Rebel Heart

16 A Discussão (Regina)


Notas iniciais
Hello Darlings Literalmente, sem delongas, boa leitura amores! Espero que gostem desse novo capítulo e que entendam que a historia tem que passar por esses tempos turbulentos para ter o final esperado por todos (ou alguns)❤ Twitter: @HausOfVal

“EU TE FIZ UMA PERGUNTA EMMA! VOCÊ TENTOU ME ENVENENAR?” – eu gritava ainda mais alto com a voz cortada graças as lágrimas.

Seu rosto estava completamente sem expressão.

Ela não tinha coragem nem de dizer que era mentira, até porque eu descobri, não tinha nem como se defender.

“COMO VOCÊ DEVE CORAGEM DE FAZER ISSO? COMO VOCÊ TEVE CORAGEM DE ACEITAR O MEU CONVITE... VIR NA MINHA CASA.... E TENTAR ME ENVENENAR?” – minha voz ia falhando conforme a frase ia saindo de minha boca, minhas mãos gesticulavam e levavam meu cabelo pra trás como um reflexo para as conclusões que se formavam em minha mente. – “EMMA ME RESPONDA!!!! Apenas me responda: Por que?” – essas últimas palavras saíram como um sussurro enquanto eu fitava profundamente os seus olhos.

“Regina não é bem assim... Eu... Eu” – Ela começou a falar porem se embaralhava nas palavras, como se seu inconsciente abortasse a missão de tentar justificar o que ela tinha tentado fazer a cada 3 segundos.

“VOCÊ O QUE SWAN? SE VOCÊ ME ABOMINA TANTO, POR QUE VEIO A MINHA CASA E FINGIU SER MINHA AMIGA? AH ME DEIXE ADVINHAR, VOCÊ DESCOBRIU SOBRE AS LÁGRIMAS DA RAINHA E TAMBEM QUERIA TER O PRAZER DE POSSUI-LAS?! ENTAO SE É ISSO O QUE VOCÊ QUER, AQUI ESTÁ!” – nesse momento eu invoquei um frasco como o que continha o feitiço que ela tentou lançar em mim.

Eu estava triste.

Eu estava desapontada.

Se era isso que ela queria, era isso que ela iria ter.

Eu não faço ideia de onde ela ouviu sobre isso, entretanto não tinha outra explicação.

Esfreguei o frasco em minhas bochechas, quando minhas lágrimas preencheram um dedo do frasco, ele brilhou em um roxo tão vivo que eu tive que concentrar minha magia para não faze-lo explodir.

“Regina me escuta....” – ela tentou falar enquanto eu entregava o frasco em sua mão.

“NÃO!!!”

Aquele “não” a fez recuar alguns passos.

Acho que naquele momento ela finalmente entendeu que emoções eu estava colocando pra fora.

Decepção, raiva, tristeza.

A tristeza de alguém quebrado.

Eu estava quebrada.

A mulher que eu amo tinha me quebrado.

Como ela teve coragem de fazer isso?

“COMO VOCÊ ACHA QUE EU ESTOU ME SENTINDO AGORA?” – eu continuava a gritar e agora estava do outro lado da sala – “COMO...”

“Ah, por favor Regina, quem vê você falando assim ate imagina que tu não fez pior.” – Ela disse olhando para o teto.

“Como?” – eu disse com os olhos arregalados indo em sua direção.

“Pense um pouco, você fez muitas coisas ruins. O que eu fiz agora não chega aos pés do que você fez... afinal... bom... você sempre foi um monstro!”

Aquilo foi a gota d’água.

A mulher que eu amo tinha tentado me envenenar e ainda me considerava um monstro.

Eu não aguentava mais ouvir aquilo.

Talvez eu tivesse feito tantas coisas ruins que merecesse ouvir isso dela.

Eu estava estática.

Parada, fitando seus olhos.

Meu peito subia e descia com rapidez e então mais lágrimas começaram a descer por meu rosto.

“Senhorita Swan, apenas saia da minha casa agora e fique bem longe de mim.” – eu sussurrei com a voz ainda mais embargada pelo choro que agora eu nem fazia questão de esconder.

“Regina eu não quis dizer...”

“Sim, você quis. Você quis dizer e quis fazer. Você disse e você fez. Agora é o meu momento de querer algo: eu quero você bem longe de mim. E se isso não for o suficiente, eu irei fazer: irei tira-la da minha casa.” – eu disse com a voz dura a dando as costas e colocando as mãos em cima de meus olhos.

“Regina...”

“SAIA DA MINHA CASA AGORA! Por favor... Apenas fique bem, bem longe de mim.”

Nesse momento ela deu mais alguns passos pra trás, como se finalmente tomasse ciência do que fez comigo. Então ela saiu de casa apenas com minhas lágrimas em sua mão, quando eu chorava em direção ao meu escritório.

Já havia passado das 3 da madrugada, mas eu não me importava.

Eu estava deitada no chão acompanhada de 4 garrafas vazias de cidra, bêbada, chorando e devastada.

Ela tinha tentado me envenenar e não tinha nem vergonha disso.

A mulher que eu amo tentou me envenenar.

Seria cômico se não fosse tão trágico.

Ela teve a petulância e vir a minha casa e tentar me matar.

Se fosse com a Evil Queen, ela nem estaria viva neste momento, mas a Regina Mills... a Regina Mills está aqui chorando como uma idiota.

Uma idiota.

Era exatamente isso que eu era.

Meus sentimentos tinham me derretido.

Eu só conseguia sentir uma incrível dor.

Era o mais próximo da dor de ser traída que eu podia sentir.

Eu já fui torturada, mas nenhuma outra dor era forte o bastante para ser comparada com a que eu estava sentindo no momento, era a dor mais forte que qualquer outra que eu já senti.

Eu tinha jurado a mim mesma que conseguiria manter uma amizade com o amor da minha vida, entretanto Emma não queria aquilo. Pelo contrário, ela queria a minha morte, já que, como ela mesmo diz, eu sou um monstro.

Ainda embriagada pelo álcool e pela realidade, me dirigi ao banheiro privado. Chegando lá apenas tirei as minhas roupas e comecei a encher a banheira. Enquanto a água caia na banheira, eu me esforcei ao máximo para invocar uma nova garrafa de cidra e felizmente obtive sucesso em minha tarefa.

Como eu tive coragem de pensar na possibilidade de me declarar pra ela?

Como eu imaginei que isso poderia ser uma boa ideia?

Eu sou uma estupida.

Minutos mais tarde, a banheira encheu e então eu entrei na mesma, fazendo-a transbordar.

Minha cabeça doía, meu corpo doia, minha alma doia e o meu coração doia.

Me posicionei na mesma o mais confortável que pude e virei metade da garrafa de cidra num único gole. Eu só queria retirar toda aquela dor de mim.

E então eu chorei.

Chorei mais do que achava fisicamente possível.

Chorei como nunca antes.

Chorei até a bebida acabar.

Chorei até que as lagrimas de meu rosto secarem.

Chorei até que a água da banheira esfriasse.

E chorei até que meu corpo fosse arrebatado por um sono profundo.

Acordei de manhã, com minha cabeça explodindo de dor. Me levantei da banheira ainda tonta, soltei a água fria que a mesma possuia e a preenchi com uma água nova e morna.

Tomei meu banho, agora mais calmo para colocar meus pensamentos no lugar, e terminei de fazer minha higiene pessoal antes de descer para tomar um café da manhã. Chegando no andar de baixo, vi que tinham dezenas de ligações e mensagens de Zelena no meu celular e sorri com a absurda preocupação e curiosidades e minha irmã. Sua última mensagem era um convite para tomar café da manhã com ela e Henry no Grannys, que respondi com duas confirmações. Afinal, eu não poderia perder a oportunidade de passar um tempo com meu filho adolescente e sabia que não escaparia das perguntas de Zelena, então achei melhor confirmar que contaria tudo a ela e que iria tomar café com eles na mesma mensagem.

Apenas terminei de me arrumar e segui para o Grannys sem nem ver o horário e muito menos pensar nos acontecimentos de ontem a noite.

Fiz o caminho o caminho a Lanchonete da Granny a pé, e o silencio da rua levou meus pensamentos a noite anterior. Eu fui o caminho todo refletindo sobre o que aconteceu e lágrimas teimaram em escorrer e manchar o meu rosto.

Que bela noite eu tive.

Chegando lá, entrei e foquei na figura ruiva no fundo da lanchonete e sua filha. Balbuciei um “bom dia”, tendo a atenção de todos e a resposta da maioria, incluindo de minha irmã que levantou o olhar, me encarou, sorriu e disse:

“Bom dia. Você está A-T-R-A-S-A-D-A sis”

“Eu sei, desculpe... E propósito, onde está Henry?”

“Está chegando. E então? Como foi?” – ela disse com as órbitas claras brilhando de curiosidade.

“Foi... ruim” – disse com a cabeça baixa.

“Ruim? Sis, olhe pra mim.” – ela disse erguendo o meu queixo – “Eu sinto muito.... você quer falar sobre isso? Porque se você não quiser eu...”

“Agora não Lena, mas depois eu te explico tudo. Eu, acho que preciso falar disso pra alguém. Prometo que....” — sussurrei enquanto ouvia a porta da lanchonete abrir.

Segundos depois, fui interrompida por um beijo molhado na testa.

“Oi mãe, oi Tia Z e oi Robin. Desculpem o atraso.” – meu filho disse com um sorriso brincalhão enquanto mirava o chão.

“Tudo certo filho... Vamos pedir?” – disse enquanto já acenava para a Rubi e ignorava o olhar confuso de Zelena.

Fizemos nossos pedidos e começamos a conversar animadamente sobre a mais nova mascote da família Mills, uma filhote femea de dálmata que Zelena tinha adotado.

“Mamãe nunca me deixou ter um mascote, sabia Tia Z?”

“Regina, como não? VOCÊ TINHA CAVALOS NA INFANCIA, REGINA.” – ela disse fazendo Henry dar uma gostosa gargalhada – “Regina, ouça: CAVALOS! OH MEU DEUS! Robin meu bem, ouça a mamãe, sua tia...” – ela disse se dirigindo a filha, apontando para mim e fazendo sua filha virar o rosto em minha direção – “exato, essa mulher estonteantemente linda, como a mamãe...” – ela continuou, agora arrancando uma gargalhada minha e sons não decifráveis de sua filha – “tinha cavalos na infância e esta recusando um misero cachorro ao seu primo” – ela disse sendo interrompida por um som que se aproximava a uma pergunta de Robin e uma gargalhada minha e de Henry — “Eu sei querida, isso é um absurdo.” – ela finalizou perplexa recebendo um aceno afirmativo de cabeça de meu filho.

“Henry Deniel Mills você não vai ter um cachorro, já basta sua tia ter tido essa ideia abominável...”

“Abominável é você não ter dado um mascote pra ele.” – Zelena falou me cortando e fazendo um high-5 com meu filho. Henry iria dizer algo porem não foi preciso mais nada, eu apenas olhei para ele e ele se calou.

“Fale com sua outra mãe querido...” – Zelena sussurrou para ele recebendo um olhar cortante meu, como um aviso para não tocar no nome de Emma, e então se dando conta do que fez, disse – “Desculpe sis.”

Os pratos chegaram e todos nós começamos a comer.

Um silêncio agradável estava impregnado em nossa mesa, entretanto, como nem pra isso eu tenho sorte, a porta do Grannys foi aberta.

Eu não precisava olhar para saber que a imagem mostrada até a de uma loira especifica. Assim que a porta foi fechada, ouvi um sussurro de minha irmã confirmando o meu pensamento. Levantei minha cabeça e mirei seu olhos.

Eu não sei de onde tirei forças para fazer isso, só sei que doeu.

Emma estava ali.

A mulher que me odiava tanto, ao ponto de se fingir de minha amiga, entrar em minha casa e tentar me matar estava ali.

A mulher que eu amo esta ali.

Oh Deus, como eu quero deixar de ama-la.

Mas esse sentimento parece uma praga que atacou meu coração e meus sentidos.

Porém eu não tinha tempo pra pensar nisso, não agora.

Ouvi o som de suas botas virem lentamente em direção a mesa em que eu e minha família estava.

Eu não tinha forças para brigar com ela.

Não agora.

Quando vi que ela estava próxima o suficiente para me ouvir, soltei apenas uma palavra:

“Saia”

“Regina, eu...” – Ela tentou falar, mas eu a impedi.

Falar o que?

Falar o quão estava arrependida por não ser cuidadosa o suficiente para me matar em minha própria casa.

Eu sinto muito, mas não.

Eu não estava disposta para ouvir isso logo pela manhã.

“Você é surda senhorita Swan?” – disse enquanto começava a alterar minha voz e começava a chamar a atenção de outros clientes

“Não Regina, é só que...” – ela começou a falar quanto se dirigia para tocar em seu braço.

Quem ela pensava que era?

“NÃO ME TOQUE!!” – gritei, assustando todos os presentes, até Zelena e fazendo Robin chorar – “PELO AMOR DE DEUS VOCÊ NÃO SABE O QUE SIGNIFICA FICAR LONGE DE ALGUÉM? ENTÃO, FIQUE LONGE DE MIM.” – terminei com os olhos banhados de lágrimas, quebrando algumas janelas dos Grannys e sumindo em minha fumaça roxa em direção a minha casa.

Assim que minha fumaça se dissipou e eu vi que estava em casa, eu sentei no chão e senti uma incrível dor no peito e uma tontura.

Uma tontura muito forte.

Eu não sabia como, mas eu sabia que era o feitiço que fiz com o Gold.

O feitiço de proteção da cidade.

Eu não sabia quando ou como, mas sabia que o mal estava vindo para Storybrook.

Quando a minha conclusão finalmente ficou clara em meus pensamentos eu fiz a mesma coisa da ultima noite.

Eu chorei.

Chorei pela dor que estava sentindo.

Chorei pela atitude que tive.

Chorei pelo que estava vindo em direção de minha cidade.

E chorei porque a mulher que eu amo me odeia.

Notas finais
Obrigada por lerem darlings e eu espero ansiosamente o retorno de vcs por meio de lindos xingamentos e ameaças de morte...❤ Grupo da fic: https://chat.whatsapp.com/JlbzS21ikDjL5C3X7kEMCe PS: Muito obrigada pelos comentários, favs e inventivos, vcs fazem minha semana melhor Xoxo Val (@HausOfVal)