My Rebel Heart

20 Órbitas Cinzas (Emma)


Notas iniciais
Hello Darlings VOLTEI!!! FINALMENTE VOLTEI S MINHAS FÉRIAS E JÁ VENHO COM TIROS! Aproveitem essa semana especial, como eu prometi nos últimos capítulos, pq eu fiz com MUITO CARINHO!! Bom, boa leitura amores! ❤ Twitter: @HausOfVal

“Por que você fez isso com a minha mãe? Por que você chamou a minha mãe de monstro?” — meu filho repetia as perguntas feitas anteriormente com ainda mais raiva.

“Filho... Eu...” – tentei argumentar, mas as palavras iam morrendo na minha garganta.

Como eu iria explicar isso a ele?

Como eu conseguiria explicar isso?

“Quer saber?! Só responda o que eu perguntar.” – Ela gritou olhando no fundo os meus olhos enquanto chorava – “Ela fez algo pra você?”

Recebendo meu silêncio, ele repetiu a pergunta ainda com mais raiva: “Ela faz algo pra você?”

Eu apenas balbuciei um “Não” recebendo cochichos acusatórios da população, que ainda estava acompanhando tudo, como urubus, e um olhar decepcionado de Henry.

“Você... você não pode ter feito isso!” – A voz sussurrante de minha mãe despertou-me como um alarme de celular as 6h da manhã, me fazendo olha-la prontamente.

E o que eu encontrei em seus olhos foi exatamente a mesma coisa que existiam nos do Henry.

Tristeza, raiva e decepção.

“Eu... eu vou ver a minha mãe... Não me esperem.” – Henry voltou a dizer enquanto caminhava em direção a casa de sua mãe morena com lágrimas nos olhos.

Conforme ele ia se afastando, mais dor eu sentia.

Dor por não ter sido forte o suficiente para me declarar a ela.

Dor por ter feito o que eu fiz, e por ter causado o que causei a mulher que eu tanto amo e meu filho.

E dor por não ter falado nada para eles.

A decepção que nosso filho sentia era tão forte que chegava a ser quase palpável.

Suas lágrimas mancharam boa parte de seu rosto e seus olhos estavam tão vermelhos quanto os de Zelena, e provavelmente os de Regina.

Eu tinha quebrado as duas pessoas mais importantes da minha vida com um único ato egoísta.

Eu me sentia tão suja.

A única coisa que tinha força para fazer é chorar. E foi isso que eu fiz.

Chorei tudo o que estava dentro de mim.

Chorei mais até do que achava fisicamente possível e quando achei que não tinha mais lágrimas para chorar, a minha alma chorou enquanto eu me sentava no chão.

Enquanto eu colocava para fora tudo o que sentia por meio de lágrimas, as pessoas iam se dissipando pela cidade. Uma a uma elas iam embora, com a certeza da veracidade das minhas ações estampada em suas respetivas faces, embora aquilo tudo fosse mentira.

Até que sobrou apenas uma pessoa.

Mary Margaret.

Minha mãe.

Quando minhas lágrimas secaram, eu notei sua presença. Com mais alguns minutos de silêncio, ela se aproximou, sentou ao meu lado e acariciou mais cabelos enquanto falava:

“Eu..” – Então ela travou durante um tempo – “Eu não achei certo o que você fez a Regina.... Eu não apoio o que você fez e adoraria saber o porque de você ter feito isso... Mas, algo em mim diz que você não quer ficar sozinha... ao menos não agora...”

E ela estava certa.

Então nós ficamos assim durante algumas horas.

Apenas sentadas em frente ao loft.

Até que ele apareceu.

Hook chegou com um sorriso cafajeste e um olhar brilhante.

Mas eu não estava com cabeça pra isso.

“Olá Love, fiquei sabendo de sua nova façanha!” – e usando meu silencio como resposta, ele se encorajou a continuar – “Admito Love, poucos tiveram a coragem que você teve! Tentar envenenar a rainha em sua própria casa é um ato de muita, muita coragem!”

“Hook, agora não... Por favor!” – tentei enquanto me levantava e seguia em direção a entrada do apartamento de Mary Margareth segurando a mão da mesma.

“Ah, qual é Love? Vamos comemorar, você finalmente tentou matar a rainha!” – ele exclamou enquanto gargalhava – “Eu não tentei, admito, porem assisti a quase morte dela aqui em Storybrook... acho que dá no mesmo, né?!” – Ele disse correndo em minha direção, aparecendo em minha frente e tentando me beijar.

Nesse momento, eu vi com quem estava me relacionando.

Eu sentia um nojo tão grande.

Um nojo e uma raiva tão grandes.

O que diabos ele tinha feito?

“Hook, você fez o que? – minha mãe sussurrou como se estivesse lendo meus pensamentos enquanto me segurava pela mão.

“Eu nada sogrinha, Greg que a eletrocutou!” – ele teve a coragem de dizer enquanto dava de ombros – “Admito que foi ótimo ver a temida rainha, tão frágil, fraca e impotente... Mas não precisamos falar sobre isso, vamos falar sobre a sua tentativa...”

Nesse momento eu o calei.

Com um forte e bem dado tapa em seu rosto.

Mary viu o clima pesado que estava se instalando entre nós é nos interrompeu:

“Eu acho que esse não é o momento para vocês conversarem!”

“EU ACHO QUE O MOMENTO CERTO NUNCA EXISTIU.” – Eu gritei assustando os dois – “SABE O QUE EU ACHO TAMBÉM? EU ACHO QUE VOCÊ DEVERIA FICAR LONGE DE MIM E DE REGINA!” – conclui apontando pra ele

“Love...?” – ele disse receoso com o significado de minhas últimas palavras.

“NÃO TEM “LOVE”! SE BEM QUE PARANDO PRA PENSAR, ISSO NUNCA EXISTIU ENTRE NÓS!” – soltei o que estava guardado em minha garganta todos esses anos.

“O que você...”

“VOCÊ SABE EXATAMENTE DO QUE EU ESTOU FALANDO! AGORA SAIA DA MINHA FRENTE E DA MINHA VIDA!” – disse enquanto começava a subir às escadas a caminho do loft seguida por minha mãe.

Estava tudo acabado.

Assim que entrei no loft notei que minha cabeça estava doendo muito.

E novamente, eu tinha absoluta certeza que era algo relacionado a o feitiço de proteção da cidade.

Como uma válvula, meu cérebro reproduziu a imagem da mulher que eu tinha visto nesse mesmo dia, mais precisamente de seus olhos.

Seus olhos.

Órbitas incrivelmente profundas na cor cinza.

Quando me recuperei destes devaneios, me dirigi a porta, disse a minha mãe que iria atrás dessa mulher e sai sem ser espaço a contestações.

Entrei em meu fusca e fiquei rodando por Storybrook por algumas horas, a procura da tal mulher.

A cada segundo que passava, pior eu me sentia. Aquilo era uma conclusão básica do meu psicológico tanto pela situação entre mim e Regina, quanto ao fato de que essa mulher, que eu procurava agora, era uma completa estranha.

Continuei com minha busca até finalmente admitir que esse ato foi um absurdo tempo perdido e notar que meu estômago reclamou pela falta de alimento. Então, eu prontamente me dirigi ao Grannys.

Apenas o barulho de meu fusca sendo estacionado, já fez com que a atenção de todos clientes dos Grannys foram voltadas a mim. Por um momento, eu me arrependi de ter saído de casa. Entretanto, eu teria que enfrenta-los mais cedo ou mais tarde... Melhor que fosse mais cedo.

Enquanto fui me aproximando, fui reparando nos rosto apreensivos nas mesas ao ar livre e refletivos nas janelas.

Assim que entrei na lanchonete, entendi o porque disso tudo.

Ela estava lá.

Regina.

Ela estava conversando animadamente com Ruby, no balcão, enquanto acariciava os cabelos de Henry, que por sua vez carregava em seus braços um gato desconhecido. No momento que o sino da entrada anunciou minha chegada, o sorriso dela desapareceu dando espaço para uma expressão vaga.

Regina se aproximou de nosso filho e sussurrou algo para ele, que apenas acenou a cabeça em compreensão. Naquele momento, eu notei que continuava parada em frente a porta como uma idiota.

Aquele era o momento perfeito.

Perfeito.

Perfeito para explicar tudo o que aconteceu.

Perfeito para dizer o que eu realmente fiz e arcar com as consequências dos meus atos.

Perfeito para dizer o quanto a amava.

Então eu fui entrando na lanchonete e me dirigindo rapidamente em direção a mulher que eu amava. Entretanto, um imprevisto aconteceu.

Enquanto eu estava a poucos passos de quem eu amava, Leroy entrou no meio de nós duas.

“Saia sister!” – Ela sussurrou entre dentes.

Aparentemente a reação de Leroy impressionou apenas a mim e a morena e minha frente, que esboçava um perfeito “O” com a boca.

“Leroy! Por favor?!” – soltei com um risinho que mostrava o quão ridícula eu achava aquela situação – “Eu só vou conversar com ela....” – disse fitando os olhos castanhos de quem eu tanto amo – “Eu até prefiro que vocês fiquem aqui para ouvir!” – conclui com um olhar esperançoso.

“Acontece que não há nenhuma possibilidade de nós deixarmos você falar com a Regina, nem sozinha e nem acompanhada...” – a voz da Granny apareceu.

Antes que eu pudesse contestar ou intervir naquilo, uma voz tão conhecida, pela primeira vez, fez presente:

“Na realidade, eu acho muito cedo para que tenhamos qualquer tipo de conversa Srta. Swan...” – Regina disse com os olhos repletos de lágrimas enquanto fazia carinho na cabeça do animal no colo de nosso filho.

Então um peso caiu sobre mim.

Ela realmente não queria falar comigo!

“Vamos apenas retira-la daqui.”

“Ela é uma ingrata.”

“Eu ainda não acredito que ela teve coragem de fazer isso!”

Estas falas do outros ali presentes só fizeram com que eu ficasse ainda pior com tudo isso. Entretanto, uma cliente me chamava a atenção. Ela não olhava para toda a confusão e nem dizia nada. Não era como se a mesma não soubesse o que estava acontecendo, e sim como se não se importasse.

Então, cortando meus devaneios, Regina continuou, agora se direcionando a todos na lanchonete:

“Eu realmente aprecio o que vocês estão fazendo... Muito obrigada! Eu... Eu não faço a mínima ideia do que vocês ouviram de Zelena... Mas eu realmente não esperava isso.” – ela disse enquanto apontava para Leroy e Granny.

Então algo muito estranho aconteceu, a mão de Ruby parou sobre a dela e então a apertou, fazendo a mesma olhar confusa para a garçonete e depois sorrir.

“Mas eu realmente só quero minha encomenda...” – ela continuou a falar, agora pegando as sacolas em cima do balcão – “Henry, pode ficar para falar com sua mãe e depois procure o dono dele...” — ela disse apontando para o gato – “Estarei em casa com Zelena e não chegue muito tarde.... Adeus Srta. Swan”

Então, nós cruzamos nosso olhar mais uma vez.

Ambos repletos de lágrimas e exalando sofrimento, até que uma névoa roxa conhecida à envolveu.

Nesse momento, apenas uma pergunta pairava em minha mente, e eu apenas a soltei como um sussurro: “O que foi que eu fiz?”

“Você quer mesmo que eu diga? Porque eu digo!” – uma boa suave, determinada e carregada de sotaque soou atrás de mim. Então, como num reflexo involuntário, eu girei meu corpo o mais rápido possível e a encontrei.

A dona daquelas órbitas tão peculiares.

Minha única ação foi encarar aqueles olhos. Incrivelmente expressivos e brilhantes. Pareciam que ambos iriam expor os mais profundos sentimentos da estranha a minha frente.

Quanto mais eu os encarava, mais eles devolviam isso pra mim, com ainda mais intensidade.

Ela usava um vestido prata fosco e um casaco preto, contrastando perfeitamente com seu cabelo castanho, inacreditavelmente perfeito, e seus tão enigmáticos olhos.

“Sabe, Emma?!” – ela começou a falar enquanto andava de um lado para o outro, atraindo os olhares de todos os presentes – “Eu ainda não compreendi como você consegue!” – ela concluiu parando e fitando meus olhos tão rápido, que eu não pude evitar o susto.

“Como eu consigo o que?”

“Viver com isso em você! – ela apontou para o meu corpo com um tremendo nojo e repulsa – “Esse... medo...! — Nesse momento eu apenas franzi o cenho não entendendo absolutamente nada que estava acontecendo – “Vamos deixar isso mais claro!” – então ela se aproximou de mim incrivelmente devagar, até que estivesse perto o suficiente para cochichar em minha orelha:

“Você não fez o que estas pessoas dizem que você fez... O universo te apresenta todas as oportunidades existentes para que você se declare a ela: E.. VOCÊ... RECUA... POR... PURO... MEDO!”– ela disse enquanto olhava diretamente para mim.

Ela sabia. Sabia da verdade. Sabia que eu não tinha criado um veneno para Regina. No momento que essas conclusões ficaram claras em minha mente, eu recuei alguns passos, recebendo um uma gargalhada da mulher em minha frente.

“Isso! Recue! Aproveite a recue novamente! É a única coisa que você fez mesmo!” – ela disse enquanto me encarava e dava de ombros – “Bom.... O momento dos conselhos acabou... Querido, você não quer me devolver Lucifer?”

“Esse gato? É seu?”

“Sim querido, Lucifer gosta de explorar lugares novos!” – ela disse com uma risada observando enquanto Henry deixou o gato no chão, que prontamente veio a encontro se sua dona – “Ele deu muito trabalho?”

“Não, nem um pouco! Você... é nova por aqui né?”

“Sim, mas não pretendo ficar por muito tempo... Bom, muito obrigada querido, aceite esse pingente como um agradecimento por ter cuidado tão bem dele!” – ela disse acariciando seu animal enquanto uma corrente com um pingente de esmeralda em formato oval aparecia por trás de uma névoa cinza no pescoço de meu filho.

“Como... Como você sabe isso?” – eu soltei, ainda perplexa, me referindo a tudo o que ela tinha me dito.

Nesse instante, ela que estava agachada acariciando seu gato, parou e focou seus olhos em mim novamente, pensou durante um tempo e perguntou enquanto arqueava uma sobrancelha:

“Esta é realmente a pergunta que quer fazer pra mim?”

Então eu apenas respirei fundo e soltei:

“Quem é você?”

“Quem sou eu?” – ela disse enquanto pegava seu gato nos braços e se dirigia a porta do Grannys. Assim que é porta foi aberta, ela se virou e continuou – “Eu sempre achei que a reputação da família Tremaine chagava antes de mim...” – Então ela sorriu e saiu da lanchonete, me deixando com um amargo na garganta, entretanto, ao menos, a dona das órbitas cinzas que provavelmente irão me tirar o sono, agora, tinha um sobrenome.

Notas finais
Obrigada por lerem darlings! Se preparem porque essa semana é muito especial pois, como prometido, terá att tdo o dia. ❤ Espero ansiosamente o retorno de vcs por meio de lindos xingamentos e ameaças de morte...❤ Grupo da fic: https://chat.whatsapp.com/JlbzS21ikDjL5C3X7kEMCe PS: Muito obrigada pelos comentários, favs e inventivos, vcs fazem minha semana melhor Xoxo Val (@HausOfVal)