My Rebel Heart
21 Órbitas Cinzas (Regina)
Notas iniciais
“Não pergunte... Senhorita Swan precisa de um tempinho para direcionar seu ódio a pessoa certa... ela mesma.”
As palavras de Zelena martelavam em minha mente com tanta força que eu simplesmente não tive reação nenhuma, a não ser balbuciar um “Ok” enquanto ela se levantava e seguia em direção a porta.
Assim que chegou no limite entre meu quarto e o corredor, ela virou para trás e disse com um sorriso no rosto:
“Levante-se sis, eu estou faminta!”
“Você tem muita sorte por eu te amar tanto!” – eu disse enquanto gargalhava alto e me levantava para, mesmo ainda mole de sono, ir atrás dela.
Assim que chegamos no andar de baixo, eu notei que a pequena Robin estava dormindo e lancei um olhar interrogativo para minha irmã.
“Oh, eu a peguei com a Granny enquanto você dormia... a propósito: COMO VOCÊ DORME!”
“Ah querida, seu comprimido fez milagres! Então... O que quer comer?”
Então fomos interrompidas por uma entrada ofegante e com voz embargada:
“Oi Mãe... Oi Tia Z...”
“O que aconteceu querido?” – eu perguntei preocupada enquanto me aproximava o mais rápido possível dele.
“Eu só... Eu sinto muito mãe!” – ele disse se afundando em meus braços.
“O que?”
“Sobre a minha mãe... Eu sei o que ela fez com a senhora!”
“Como você...” – Então minha ficha caiu... – “ZELENA!”
“Olha, primeiro: eu juro que não foi minha intenção, segundo: eu não consegui me politizar na frente dele, terceiro: EU NÃO ENCOSTEI NELA PORQUE EU AMO MUITO MEU SOBRINHO e quarto e mais importante: VOCÊ NÃO VAI BRIGAR COMIGO POR ISSO!” – minha irmã disse enquanto abria a porta de um armário.
“Você... você foi me defender?” – eu disse enquanto processava todas as informações que estava recebendo.
“Claro, você é minha irmã!” – ela disse comendo um cookie.
Naquele momento nós trocarmos olhares silenciosos que passavam apenas um pensamento.
Como o nosso relacionamento tinha evoluído!
Antes, ser minha irmã era um motivo para nos matarmos, agora é para nos defendermos.
Então eu apenas esbocei um sorriso, enquanto ela sorria largo a buscava outro cookie em um pote no armário.
Mas agora eu tinha uma prioridade.
Henry.
“Oh... Henry, olhe pra mim.” – e assim ele fez – “Não importa o que sua mãe fez comigo, Emma é, e vai continuar sendo, sua mãe!”
A única reação dele foi abaixar a cabeça.
Isso não era bom.
“Henry Daniel Mills, o que você está pensando?”
“Eu não quero ser filho de uma mulher que faz isso com você. Você é minha mãe!”
“Então garoto..” – a voz de Zelena soou atraindo nossa atenção – “Para a primeira frase: Sinto muito.” – Ela disse com um dar de ombros, recebendo de mim um olhar exalando surpresa e desaprovação – “Já para a segunda: Regina continua sendo sua mãe, e consequentemente eu continuo sendo a tia mais linda de toda a galáxia.” – ela disse enquanto todos riamos de sua última frase.
Porem eu tinha uma prioridade agora.
“Zelena, ligue para Rubi e encomende algo para comermos...” — eu disse olhando para minha irmã.
“Mas...” – Ela tentou argumentar apontando para o pote cheio de Cookies de Chocolate em cima do armário.
“ZELENA!”
“Ok, ok!” – ela respondeu enquanto saia em direção aos fundos da casa.
“Henry, sente aqui...” – disse enquanto ia em direção ao sofá – “Emma é sua mãe e te ama independente de qualquer coisa que ela fez pra mim, ok? Não podemos, e nem vamos, misturar isso!... Apenas não pense que a minha relação com ela ficará como antes!” – eu disse fitando seus olhos, com medo de sua reação – “Eu realmente quero um tempo sem pensar em sua mãe! MAS, ISSO NÃO SIGNIFICA QUE VOCÊ FARÁ O MESMO! Você irá conversar com sua mãe e trata-la do mesmo jeito que sempre tratou! Estamos entendidos? Que bom!” – conclui sem esperar sua resposta.
Ele apenas deu um aceno de cabeça e me abraçou do mesmo jeito que Zelena fez.
Como se seu abraço concertasse todas as rachaduras que estivessem em minha alma.
E acho que aqueles dois realmente tinham esse poder.
Ficamos algum tempo assim, apenas trocando carícias e curtindo a companhia um do outro.
Até que Zelena apareceu, carregando um gato incrivelmente grande, com pelo marrom escuro cobrindo a maior parte de seu corpo. A pele de sua barriga, patas e na ponta de sua cauda eram cinza. Os olhos dele eram verdes e o fundo do seu olho amarelo, enquanto o nariz era rosa. Ele tinha dois bigodes de cada lado do lábio superior e unhas tão afiadas que eu me perguntei como que ele não tinha ferido minha irmã.
“ZELENA, DE QUEM É ESSE GATO?” – perguntei em tom de acusação.
“EU NÃO SEI, ELE ESTAVA PERTO DA SUA MACIEIRA E EU FUI BUSCA-LO” – Ela respondeu no mesmo tom enquanto acariciava o pelo do animal.
“Podemos ficar com ele?” – meu filho perguntou esperançoso, o que quase me causou um infarto.
“NÃO!” – eu gritei fazendo Zelena dar uma gargalhada.
“Henry, acho que esse gato está perdido, veja..” – ela disse se aproximando de nós – “Ele é bem cuidado e seu pelo é muito bonito...”
“Mãe...” – Ela começou sendo interrompido por um aceno de cabeça negativo meu.
“Mas eu nem pedi...” – ele disse de cabeça baixa, então eu apenas o incentivei a continuar – “Tia Z disse que ele tem um dono... então, nós podemos ficar com ele só até acharmos o dono... por favor!”
No exato momento que estas palavras terminaram de sair da boca de meu filho, Zelena abriu um sorriso e foi aí que eu descobri que não conseguiria ganhar dos dois.
“Ok, mas você irá comigo no Grannys buscar seja lá o que sua Tia pediu para que o dono desse gato o ache logo.”
“Feito!” – ela disse antes de me dar um beijo na bochecha e ir correndo para buscar o gato dos braços de Zelena.
E nós ficamos assim durante um bom tempo, apenas curtindo nossa Família Mills, até Ruby retornar a ligação e dizer que o Craftsteak’s Wagyu Ribeye Steak que Zelena tinha pedido estava pronto. Então eu apenas fui até meu quarto, troquei de roupa e peguei um casaco para ir buscar a tal carne assada ao molho de cerveja preta com cogumelos e espinafre que Zelena tanto queria.
Assim que desci encontrei minha irmã e filho comendo cookies enquanto Robin sorria para ambos. Aquela cena aqueceu o meu coração e retirou um sorriso de meu rosto.
“Vamos?” – disse alto o bastante para que ambos escutassem.
“Eu fico em casa e arrumo a mesa! Voltem logo pois eu ainda estou faminta!” – Zelena disse recebendo minha risada em resposta.
Decidimos ir em direção do Grannys caminhando mesmo, para aproveitar e procurar o dono do gato. Toda a vez que eu olhava para Henry, eu reparava que ele estava realmente preocupado em encontrar o dono do animal em seu colo.
“Está seria a Operação Gato Perdido?”
“Não, é a Operação Animal de Estimação!”
“O que?” – eu soltei sorrindo enquanto entrávamos na lanchonete.
”Bom, eu vou cuidar desse gato até encontrarmos seu dono, então você vai ver que sou responsável o bastante para ter algum bichinho pra mim!” – nesse momento, uma figura desconhecida olhou para nós e rapidamente retornou o olhar a sua mesa.
Apenas dei um “Boa Noite” geral e recebi a resposta de todos em um coro.
“Olá!” – fomos interrompido pela voz alegre de Ruby – “Temos um novo mascote da Família Mills?”
“Ainda não” — Henry disse exalando certeza e uma felicidade tão grande que fomos obrigadas a rir.
“Bom, talvez podemos pensar nisso tudo caso você tenha boas notas em Química...” – Eu disse piscando para meu filho e acariciando o pelo do gato, que se aconchegou em minha mão arrancando um sorriso de todos nós, depois apenas passei a mão nos cabelos de Henry, surpresa com o brilho de seus olhos enquanto ele olhava pra o gato.
Então, o som estridente do sino do Grannys soou.
Eu nem precisava olhar para saber que era ela.
Emma.
Ela estava ali, parada e olhando fixamente para mim, com um olhar que eu não conseguia decifrar. Meu primeiro impulso foi desaparecer dali, mas essa, definitivamente, não era uma opção. Eu tinha que ser o exemplo do Henry.
Então eu apenas me aproximei de meu filho e cochichei: “Lembra do que eu disse sobre sua mãe?”, e como resposta, ele prontamente acenou a cabeça em compreensão.
Assim que levantei o olhar novamente, vi que Emma foi entrando na lanchonete e se dirigindo rapidamente em minha direção. Entretanto, um imprevisto aconteceu.
Enquanto ela estava a poucos passos de mim, Leroy entrou no meio de nós duas.
“Saia sister!” – Ele sussurrou entre dentes.
Aparentemente a reação de Leroy impressionou apenas a mim e a loira a minha frente.
O choque que eu tive ao perceber que uma das pessoas que mais me abominava estava me defendendo, foi muita coisa pra digerir tão rapidamente, então eu apenas mostrei minha surpresa com um perfeito “O” feito com a boca.
“Leroy! Por favor?!” – Emma soltou com um risinho que mostrava o quão ridícula ela achava aquilo – “Eu só vou conversar com ela....” – ela disse fitando os meus olhos com tanta veracidade que eu quase cedi – “Eu até prefiro que vocês fiquem aqui para ouvir!” – ela concluiu com um olhar esperançoso.
Quem ela estava achando que era?
EU NÃO QUERO FALAR COM ELA!
“Acontece que não há nenhuma possibilidade de nós deixarmos você falar com a Regina, nem sozinha e nem acompanhada...” – a voz da Granny apareceu.
Então eu finalmente tomei as rédeas daquela situação:
“Na realidade, eu acho muito cedo para que tenhamos qualquer tipo de conversa Srta. Swan...” – eu disse com os olhos repletos de lágrimas enquanto fazia carinho na cabeça do animal no colo de nosso filho.
Ela realmente não tinha entendido que eu não queria falar com ela?
“Vamos apenas retira-la daqui.”
“Ela é uma ingrata.”
“Eu ainda não acredito que ela teve coragem de fazer isso!”
Estas falas do outros ali presentes só fez com que eu ficasse preocupada com o que fariam com a Emma se eu não intervisse o mais rápido possível. Afinal, eu ainda a amava.
Entretanto, uma cliente me chamava a atenção.
Ela não olhava para toda a confusão e nem dizia nada.
Não era como se a mesma não soubesse o que estava acontecendo, e sim como se não se importasse.
Então, cortando meus devaneios e raciocinando muito bem antes de falar, eu comecei, agora se direcionando a todos na lanchonete:
“Eu realmente aprecio o que vocês estão fazendo... Muito obrigada! Eu... Eu não faço a mínima ideia do que vocês ouviram de Zelena... Mas eu realmente não esperava isso.” – eu disse realmente surpresa enquanto apontava para Leroy e Granny.
Então, a mão de Rubi parou sobre a minha e então a apertou, trazendo uma nova sensação para mim que era absolutamente confusa a meu ver, entretanto, embora essa interação de carinho entre eu e Srta. Lucas fosse nova para mim, eu apenas a olhei e sorri continuando:
“Mas eu realmente só quero minha encomenda...” – eu disse apontando para as sacolas em cima do balcão e depois as segurando – “Henry, pode ficar para falar com sua mãe e depois procure o dono dele... Estarei em casa com Zelena e não chegue muito tarde.... Adeus Srta. Swan”
Então, nós cruzamos nosso olhar mais uma vez.
Ambos repletos de lágrimas e exalando sofrimento, até que uma névoa roxa me envolveu.
Assim que meus pés tocaram o chão de minha sala, eu vi Zelena próxima a mancha feita pela cidra. Como se tivesse sentido uma carga de energia ela se virou rapidamente em minha direção:
“MEU DEUS! QUE SUSTO!” – ela disse colocando a mão no peito como se estivesse se certificando que seu coração ainda permanecia ali e batendo.
“Desculpe...” – eu balbuciei olhando para o chão.
“Ei! Está tudo certo...” – ela disse, já estabilizada enquanto tirava as sacolas da minha mão, as deixando em minha mesa na sala de jantar e voltando para acariciar o meu rosto – “O que aconteceu?”
“Nada...” – Eu disse pensando em todo o trabalho que eu estava dando para minha irmã.
“Vamos, você não consegue esconder seus sentimentos... Ao menos, não enquanto você estiver esses lindos olhinhos castanhos!!” – ela disse acariciando o meu rosto e sorrindo.
“Ela estava lá... Eu só queria sumir da frente dela... Mas aí Henry acharia que eu estou o incentivando a fazer o mesmo...Então...” – soltei como se fosse uma frase só e fui interrompida.
“Sis, calma! Vamos fazer assim, você me conta tudo enquanto comemos, ok? VOCÊ AINDA NÃO COMEU QUASE NADA E ISSO NÃO É BOM!” – ela disse realmente preocupada.
Então nos dirigimos para a mesa, que a mesma tinha colocado, tiramos as comidas das sacolas e começamos a comer.
Eu ia explicando o que tinha acontecido para Zelena, que me ouvia atentamente prestando atenção e pedindo os mínimos detalhes de tudo e me fazendo rir com alguns comentários absurdos como: “Leroy ganhou pontos comigo... mas ele deve estar te querendo sis... mas eu não quero ser cunhada dele!”
Assim que nós terminamos de comer e fomos começar a limpar a mesa, a campainha tocou.
Fui atender a porta e quanto isso aconteceu, eu vi uma mulher.
Ela usava um vestido prata fosco e um casaco preto, contrastando perfeitamente com seu cabelo castanho, e segurava o gato encontrado por Zelena em meu quintal.
Porem não foi isso que me chamou a atenção, e sim seus olhos.
Órbitas absurdamente peculiares na cor cinza.
Minha única ação foi encarar aqueles olhos. Incrivelmente expressivos e brilhantes.
Tão absolutamente belos e expressivos que lembravam o que as pessoas falavam sobre os meus.
Até que fui retirada de meu transe por sua voz, que era suave, determinada e carregada de sotaque:
“Olá, eu posso entrar?”
Então o que eu fiz foi encarar ainda mais seus olhos.
Quanto mais eu os encarava, mais eles devolviam isso pra mim, com ainda mais intensidade, me mostrando exatamente o que ela pensava.
Naquele momento, eu tive certeza que estava vendo tudo o que todas as pessoas diziam que viam em meus olhos, e isso me assustou.
Então, eu desconfiei, embora estivesse bem óbvio, sua identidade, mesmo não sabendo seu nome.
Mas suas órbitas cinzas me tiravam do eixo e excluiam todas as minhas respostas racionais sobre aquilo.
Afinal, não existiriam duas prometidas.
Ou existiriam?
Então, sem hesitar, eu abri mais minha porta principal, dando passagem para que ela entrasse.
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