My New Life

26 Sozinho nos Portões do Inferno


Notas iniciais
— Os personagens de Fairy Tail não me pertencem. Grande parte dos personagens da Fanfiction são criações do mangaká Hiro Mashima. — Alguns dos personagens da Fanfiction (Ex.: Draco, Vitous, Urano) são criações próprias. PS: O personagem Urano foi criado com base no deus grego de mesmo nome. PS2: O personagem Draco, teve o nome inspirado na constelação de dragão. — O conteúdo da Fanfiction (Ex.: Magia Infinity Slayer, Dragon Soul) são criações próprias e não devem sob hipótese alguma ser inseridos em Fanfictions de terceiros. Caso você conhece alguma Fanfic com algum dos elementos originais deste enredo, por favor denuncie. — A primeira parte da sinopse desta Fanfiction foi escrita pela usuária NoRedemption. Ela está sendo usada com permissão dela. Aproveito o espaço e agradeço pela colaboração da leitora. Olá pessoal. Faz um tempo, né? Bem, o capítulo tá aqui. Não ficou muito grande, pelo fato de só ter uma narração, mas tá completo e do melhor jeito que eu consegui fazer. Aproveitem e mil desculpas pelo atraso.

Marcus

Minha cabeça ficou uma confusão absurda por causa do feitiço de ressurreição. Isto porque um enorme túnel de luz, que girava como uma espiral, surgiu a minha frente e me engoliu.

Lá dentro, diversas memórias da minha vida rodopiavam em meio ao turbilhão de energia. A primeira que eu vi, mostrava um parto. Nele estavam meus pais e uma versão muito jovem de Will. Todos os três sorriam para o choroso bebê que havia acabado de chegar. Eu. Em seguida, diversas visões de uma infância que eu desconhecia começaram a aparecer uma após a outra.

Meu primeiro passo, que terminou comigo dando de cara no chão e chorando extremamente alto, enquanto meus pais tentavam me acalmar. A vez em que eu tentei pegar um sapo que estava me encarando, mas que na verdade pulou atrás de mim por toda a floresta enquanto eu gritava. Não pude deixar de rir um pouco ao ver tudo aquilo.

As visões felizes e alegres, porém, deram lugar as cenas horríveis que eu havia visto há pouco. As chamas escarlates que queimaram minha casa. O momento em que uma flecha atravessa o crânio do meu pai. A explosão que tirou a vida da minha mãe. O estado em que Will ficou. A bruxa que tentou nos matar.

Todas essas coisas fizeram meu sangue ferver. Um ódio como eu nunca senti antes tomou conta da minha mente.

Se aquela mulher estivesse aqui, na minha frente, eu muito provavelmente atravessaria minha mão em seu peito e arrancaria seu coração. E isto ainda seria menos do que ela merece por ter feito o que fez.

As memórias mudaram de novo. Agora eu me via na casa de Erik. Ele me pegava no colo como sempre fazia, e me aninhava calmamente em seu ombro até que eu dormisse. Naquela época, eu tinha pesadelos horríveis com pessoas mortas. Até hoje, nunca desconfiei que algo como o que eu descobri pudesse ter acontecido comigo.

Depois eu revi o dia em que conheci John. A forma como eu estava envergonhado me fez sorrir nostalgicamente. Ele estava exatamente como eu me lembrava, com exceção dos seus olhos. Agora, eu notava neles um brilho que eu não notei no dia. Um brilho diferente de tudo que eu já vi.

Quando eu despertei do breve torpor que este detalhe me causou, eu notei outra coisa. John aparecia em todas as memórias restantes. Ele estava em cada uma das outras recordações gravadas naquele vórtice de luz. Ele sempre esteve comigo.

Engoli em seco. Minha boca amargou.

Como eu nunca notei que aquele homem sentia algo por mim? Cada um dos meus neurônios se sentia extremamente burro e insensível por nunca ter percebido o tipo de sentimento que John sentia por mim.

E então, uma última lembrança surgiu. Uma lembrança de quando eu estava ligado à vida por um estreito e fino fio.

— Eu... ainda tinha tanto para te dizer. Eu tinha tanta coisa planejada para nós dois. Tantos planos... tantos. Mas agora...

Era a voz de John, mas eu não conseguia ver o seu rosto na memória que estava vendo.

— Você... se lembra do dia em que nos conhecemos? Nós tínhamos uns dez anos, não é? Era o meu primeiro dia como membro da guilda. O primeiro dia após eu fugir daquele lugar maldito onde eu fui escravizado. Seu pai me recebeu de braços abertos e com um sorriso no rosto, e você estava lá. Encolhido e quase que totalmente escondido atrás dele...

Ele fungou profundamente e prosseguiu com o que tinha a dizer.

— Você estava fazendo uma cara tão esquisita. Eu pensei tantas coisas sobre você naquele dia. Eu pensei... no quão sozinho você aparentava ser. No medo que você parecia sentir ao ficar perto das pessoas e tudo isso me deixava tão intrigado.

E então eu finalmente pude vê-lo. Seus olhos estavam tomados por lágrimas. Antes ele estava apertando meu corpo contra o dele, mas agora eu conseguia vê-lo de baixo, como se estivesse em seu colo.

— Você parecia ser tão medroso e eu me perguntava o que te assustava tanto. Eu me questionava sobre o que assustava uma pessoa com uma aparência tão inofensiva quanto a sua? O que algum dia ousaria te ferir? Acho que nem mesmo o mais cruel monstro do mundo o faria.

O mago fechou os olhos com força, enquanto uma enxurrada de lágrimas descia por suas bochechas. Ele parecia procurar coragem para prosseguir e eu não pude evitar a sensação estranha que surgia em minha garganta por ele estar naquele estado.

— Mas mesmo com medo, você foi gentil comigo. Eu lembro até hoje da forma como você tremeu quando eu apertei sua mão, e também da forma como suas bochechas se tornaram vermelhas quando eu disse “É um prazer te conhecer”. As mesmas bochechas que, agora, estão tão sem cor e vida. Você era uma graça... me respondeu de forma quase inaudível “Prazer em conhecê-lo também”. E então eu notei que você não me olhou nos olhos em nenhum momento, o que me fez achar que você não queria estar ali, comigo. Mas eu estava tão encantado que acabei não levando esse raciocínio muito longe.

Levei minha mão a minha bochecha, pois senti uma carícia em meu rosto. Mesmo sendo apenas uma visão, eu senti o calor da mão de John tocando minha face.

— Eu te amei desde aquele momento. Desde a primeira vez que eu olhei nos seus olhos, eu senti que você era tudo o que eu queria. Tudo o que eu precisava.

Ele pareceu finalmente ceder às lágrimas.

— Eu nunca te contei isso. Acho que por medo, ou até mesmo por achar que tínhamos tempo. Eu achava que apenas estar com você bastava, mas agora eu… eu…

Tornei a sentir calor em meu rosto. As lágrimas de John caiam sobre mim.

— Merda. Eu… quis estar com você. Quando éramos crianças, agora, sempre. Mas você era tão sozinho, e eu não queria te ver daquele jeito. Eu queria me tornar um pilar, no qual você poderia se apoiar. Uma armadura que pudesse te proteger. Uma espada… que pudesse enfrentar qualquer inimigo, e até mesmo destruir exércitos por você. E eu o fiz.

Os olhos dele me olhavam profundamente. Como se ele estivesse tentando um observar um universo inteiro.

— Mas você também mudou. — ele disse sorrindo — Você se tornou tão, tão alegre. Seja lá o que te assustava no mundo, você enfrentou. Você se tornou tão lindo... e incrível… e maravilhoso. E eu apenas podia me apaixonar mais e mais, afinal, eu te considerava cada vez mais perfeito.

Soluços violentos fizeram com que John parasse de falar por um momento. Ele não parecia ter sofrido nenhum ferimento, mas seu estado se assemelhava a alguém que foi pisoteado por um exército. Alguém cujo próprio espírito foi quebrado.

— E os anos passaram. Você conheceu tantas pessoas, fez tantos amigos. Kath, Carol, o pessoal da guilda. E Lucy. Eu… achava que você a amava. Para ser totalmente sincero, ainda acho, mas eu não sinto ciúmes nem nada do gênero. Se vocês ficarem juntos… por amor… eu ficaria tão feliz por você. Não importa se não for comigo, eu apenas te quero bem… aqui. De volta.

Ele completou com um tom de pesar, e em seguida gritou alto. Ele não parecia se importar que alguém o ouvisse. Era como se o momento de agora anestesiasse todos os seus instintos como um guerreiro.

— Mas… isso não é mais possível. Tiraram você de mim e eu… eu não pude fazer nada.

John tomou novamente o meu corpo em um abraço. Um abraço que mais se assemelhava ao último que ele daria em mim. Meus olhos foram bloqueados novamente.

— Por mais que eu desejasse ser tudo para você, você dava um jeito de se irritar e iniciar uma briga.— disse, afundando o rosto na dobra do pescoço do meu pescoço

Senti a respiração dele arrepiar meu pescoço. Sua voz soava ainda mais rouca próxima ao meu ouvido, mas eu senti um pequeno sorriso se formar em seus lábios prensados contra minha pele. Como se a lembrança de nossas pequenas brigas lhe desse conforto.

— Mas ainda assim… eu te amei em cada momento da sua vida, pelo menos até agora.

Escutei passos se aproximando, mas John pareceu não notá-los.

— Que o paraíso seja digno de você, Marcus. — concluiu, enquanto um som de corte encerrava a memória que flutuava a minha frente.

Gritei o nome dele. Não pude evitar o pânico que me dominava por não saber o que havia acontecido.

Durante toda minha vida a incerteza sempre foi algo que me assustou muito. Não saber o que de fato acontecia a minha volta era definitivamente o meu maior medo, mas isto era de longe a situação mais desesperadora que eu jamais havia enfrentado.

A dúvida do que aconteceu a John, a incerteza se todos os outros estavam bem, o mistério que envolvia tudo pelo que passei... Tudo isto era um peso que sobrecarregava completamente minha mente, fazendo meus pensamentos afundarem assim como soldados que afundam no solo enlameado de um campo de batalha.

O desgaste mental era grande demais, e quando eu notei, minha consciência se perdeu em meio ao turbilhão de luz em que eu estava.

...

Quando recobrei meus sentidos, notei uma pressão em torno do meu corpo. Algo de toque frio me envolvia como se me protegesse.

Abri meus olhos e tentei ao máximo me preparar para todo o tipo de situação que pudesse estar ocorrendo. Eu não precisava, e nem podia permitir, que minha mente ficasse confusa. A situação, contudo, era um tanto desesperadora.

A coisa que me envolvia era o corpo de John, porém ele era feito de pedra vulcânica. Na verdade, seria mais correto dizer que ele estava petrificado. Seu toque era áspero e me mexer muito arranhava minha pela com facilidade.

Tentei com o máximo de cuidado possível fazer com que meu corpo escorregasse em meio aos braços de John, mas ele me apertava com força suficiente para me manter preso abaixo de si. Mencionando a minha situação, devo admitir que se alguém nos visse seria um tanto quanto vergonhoso.

Eu me encontrava sobre o colo dele, enquanto que seus braços me seguravam firmemente. Minha cabeça estava perfeitamente encaixada no espaço entre seu pescoço e seu peito, e mesmo que ele estivesse petrificado, eu podia sentir a força com a qual ele me mantinha perto de si.

De fato, eu acho que desmaiaria de vergonha se ele estivesse consciente.

— Se importa de sair de cima dele? Ou será que você está gostando de estar aí? — disse uma voz que eu conheci há pouco.

Olhei em direção do som e vi Bael me encarando com olhos furiosos. Como ele podia estar ali se, até pouco tempo atrás, ele estava no inferno?

— Não estou aqui de verdade, se é o que te incomoda. — respondeu ele — Eu continuo no inferno, se você quer saber. O que a quebra do selo fez foi destruir o bloqueio que conectava o inferno ao lugar onde ele existe… ou seja, o interior da sua alma. Por assim dizer, agora, eu tenho acesso direto a sua mente.

Adquiri uma expressão de choque. A última informação foi pesada demais para que meu cérebro pudesse processá-la corretamente. O fato de o inferno existir em mim era no mínimo difícil de aceitar, e no máximo assustadora.

— Não precisa ter medo de nada, amor. Garantirei que mais ninguém além de mim tenha acesso ao seu lindo cérebro. Afinal, eu sou o Grande Rei dos Setenta e Dois. — disse ele suavemente enquanto se abaixava próximo a mim.

Seu tom era agradável o suficiente para fazer com que qualquer um que o escutasse lhe confiasse a própria vida. Qualquer um menos eu. Eu tinha plena consciência de que ele não passava de um lobo, que quando lhe convinha, assumia pele de cordeiro.

— Um lobo em pele de cordeiro que pode escutar tudo que você pensa. — constatou com um sorriso, enquanto meu rosto se contorcia em uma carranca — Mas não se preocupe. Já me chamaram de coisa pior, então eu não irei puni-lo por isto. Por ora…

Ele pausou sua frase e ergueu o braço em minha direção. Sua mão atravessou o corpo petrificado de John e segurou meu antebraço. Como ele podia me tocar sendo apenas uma projeção de pensamento era, no entanto, uma dúvida que persistia.

Seu toque fez meu braço se aquecer e meu corpo se sentir leve. Quando dei por mim, ele estava me puxando em sua direção, fazendo com que meu corpo atravessasse o de John, assim como ele fez anteriormente.

— … Vamos focar em fazer você sobreviver aos Portões do Inferno. — completou finalmente enquanto me pegava nos braços, após me tirar do colo do mago.

Fiquei em silêncio alguns segundos por causa da surpresa.

— Como… como você?

— Não fui eu. Foi você. Eu apenas lhe lembrei que você possui esta habilidade.

— Mas eu…

— Não há tempo para isso. — ele falou firmemente, enquanto me colocava de pé no chão — Eles já notaram que alguém escapou do Alegria. Estão vindo para cá.

Alegria? O nome desta magia é Alegria? Pensando bem, Bael disse mesmo algo sobre este nome antes de eu começar a voltar. No entanto, não me lembro de ele usar o termo magia, mas sim…

— Maldição. Seu poder transcende a magia comum, tornando-a incapaz de impedir seus efeitos. Não há como se defender de Alegria. Além disto, ela é responsável por dar vida a este lugar. — disse a parte final em um tom de desagrado.

— Como assim dar vida? Não estamos na base da Tartaros? — perguntei enquanto olhava o ambiente ao redor.

— Sim, nós estamos. Na base voadora da Tartaros. O demônio-fortaleza colossal. Plutogrim. A energia que você sente fluindo pela rocha, é nada mais do que a consciência desse Etherious consumindo a mente, a alma e a magia das pessoas aprisionadas, transformando tudo isto em energia para si próprio. — explicou em detalhes, ao mesmo tempo em que se agachava e tocava o chão com a ponta de seus dedos.

Ele realmente possui muito conhecimento sobre demônios, mas acho que isto é algo esperado de um Alto Demônio de Ars Goetia.

— Como podemos combater essa coisa?

— Não há como combater. Pelo menos nós não conseguiríamos, levando em conta as habilidades que possuímos, mas no entanto…

Ele parou e fez uma expressão pensativa. Seu silêncio era uma tortura levando em consideração as circunstâncias atuais.

— Talvez eu possa balancear os efeitos da maldição usando uma magia de destruição, afetando as partículas demoníacas que fluem através do Plutogrim. Mas isto afetaria qualquer tipo de partícula demoníaca presente naqueles presos no Alegria. Até mesmo aqueles que usam magia baseada em demônios. — sua frase final foi dita olhando diretamente para mim e apenas um nome veio a minha mente.

Mira.

— No melhor dos cenários, ela sentiria apenas um choque físico que a faria perder a consciência. Não haveria danos relevantes a sua própria magia.

— E no pior dos cenários?

Ele ficou em silêncio novamente, mas este foi interrompido pela minha insistência.

— Ela morreria pelo fato de sua magia ser destruída. Tudo vai depender do nível de poder dela. O quão forte ela é?

Foi a minha vez de parar para pensar. Não tinha certeza sobre o poder de combate da maga. Mesmo ela sendo definitivamente mais fraca do que eu ou qualquer Infinity Slayer, ela é uma maga classe S. Seu poder é considerável, mas se não fosse o bastante…

— Não plante dúvidas em suas ações. — gritou Bael, fazendo com que eu me assustasse.

— Mas eu quero arriscar nada. Nem mesmo uma vida. — retruquei, tentando falar no mesmo tom que ele, mas falhando notavelmente.

— O que é mais importante, Marcus. Riscos? Medo? Uma vida? Não é nada disso. Você e eu sabemos o que é mais importante pra você. Você e eu sabemos que esse mundo vai ser destruído se a Tartaros não for detida. Pense com clareza. Você não é uma criança assustada. Se uma pequena parte de você acha que ela é forte o bastante, então confie na força dela. — ele não conteve o próprio tom nem um pouco.

Suas palavras me acertaram como se uma montanha fosse usada para me golpear repetidamente.

Parte de mim sabia que ele tinha razão. Não entendo o que estava acontecendo comigo. Normalmente eu não teria dúvidas sobre tomar este tipo de decisão, mas agora, após tudo que vi, eu só consigo temer em dar o próximo passo.

Mas eu não posso me permitir ser este covarde.

— Corpo de Diamante. — com esta frase meus punhos se transformaram em cristal e eu, sem pensar duas vezes, os usei para golpear meu rosto, um em cada lado da minha face.

Os danos não foram severos, mas serviram para afastar de mim a insegurança que eu sentia.

…

…

— Lembre-se, eu vou estar ocupado preparando o encantamento. Além disso, eu disponho apenas do poder mágico que compartilhamos. Mesmo que ele seja grande, você vai notar que haverá limitações no seu poder de combate. — explicou Bael, enquanto se colocava no centro de um círculo mágico produzido por ele.

De fato, eu sentia a minha magia sendo usada para energizar aquele círculo. Era estranho. Bael era, basicamente, apenas uma projeção de pensamento que só podia ser vista por mim, mas ao mesmo tempo era como se fosse uma segunda mente dentro da minha cabeça. Uma segunda mente que funcionasse à parte do meu controle, possuindo vontade própria.

Um feixe de pensamentos passou por meu cérebro. Imaginei tudo que aquele demônio poderia fazer usando minha magia. De fato, era um cenário aterrador. Espero apenas que ele esteja ocupado o suficiente com o feitiço e não tenha ouvido isto.

— Eu ouvi. — disse ele, com os olhos fechados e uma expressão de concentração — Por mais que eu possa fazer algumas coisas em simultâneo com você, eu não passo de uma presença. No final das contas, você está sozinho contra os inimigos que se aproximam, Marcus. A menos que eu pare o encantamento e tome controle do seu corpo, não poderei lhe ajudar em nada.

Engoli em seco. Aquele cara dá medo, mas não posso pensar nisto agora. Posso consertar minha cabeça depois. Agora, se eu quiser salvar a todos, eu preciso lutar.

Pus-me diante da entrada do grande cômodo onde estávamos. Uma presença se aproximava rapidamente vinda daquela direção.

Conforme a proximidade aumentava, pude notar que não se tratava de um único inimigo, mas sim de dois. No entanto, só pude fazer contato visual com eles quando os dois surgiram, em questão de segundos, à minha frente.

O oponente a minha esquerda era um homem de altura mediana. Sua pele era morena e seus cabelos se estendiam até seus ombros. Já o inimigo a direita era bem maior que eu. O termo que mais podia defini-lo era “homem-tubarão”. Parece até título de filme ruim, mas era a única coisa que me permitia explicar em palavras o que estava à minha frente.

Ambos estavam no ar e seus punhos se encontravam a centímetros do meu rosto. Eles de fato queriam finalizar a luta rapidamente, mas com certeza deram azar com o oponente.

Apenas com um comando mental minha magia espacial ativou e eu pude me teleportar para trás dos dois. Virei-me para eles antes que seus rostos pudessem se contorcer em surpresa.

— Rugido do Dragão de Cristal.

Uma tempestade de fragmentos de cristal foi lançada em direção aos dois. Um ataque certeiro… ou era pelo menos o que eu pensava.

O homem que estava a minha esquerda anteriormente girou rapidamente em torno de seu próprio eixo, formando um tornado em miniatura que redirecionou todos os projéteis que poderiam acertá-lo. Já o homem-tubarão usou das barbatanas em seus antebraços e facilmente cortou tudo que foi mandado contra ele. O nível de técnica, a maestria em como usava seu corpo com uma espada. Ele era como um espadachim.

Após se defenderem do meu ataque, eles permaneceram parados por um tempo, olhando para o meu rosto.

— Você não poderia ser... — disse o homem-tubarão enquanto olhava por cima do ombro na direção de John.

Quando visualizou o mago petrificado, seus olhos se alargaram em espanto.

— Você estava morto. — disse ele entre gritos — Não é possível que esteja aqui de pé a nossa frente.

— Bem, vamos dizer que o pós-vida não me aturou e me mandou de volta. — respondi, tentando fazer com que o foco deles se mantivesse sobre mim, e não sobre o encantamento que se desdobrava por trás deles.

— Se ele estava de fato morto, isso explica o porquê de não ter sido pego no Alegria. — constatou o moreno — No entanto, não existe nenhum tipo de magia neste mundo que possa trazer os mortos de volta. Explique-se e vamos mandá-lo de volta para a morte de forma indolor.

Sorri com a proposta.

— Olha, até que é uma proposta tentadora, mas acabei de voltar do inferno. Não desejo voltar para lá tão rápido.

A boca deles se contorceu, mas suas expressões mudaram conforme eles voltavam a se virar para trás.

— Este poder... o que é? — perguntou o homem-tubarão.

“Torafuzar”.

O que? Por um segundo eu pensei ter ouvido...

“O outro se chama Tempester e eles já me notaram. Digo, já notaram o que estou fazendo”.

“Desde quando você pode ‘pensar’ usando meu cérebro? Isso é extremamente invasivo”. Não pude conter minha cara de irritação.

“Não é hora para agir como um pirralho”.

— Isso está vindo de você? — perguntou Tempester se referindo ao feitiço que era preparado.

Mordi o lábio. Não queria dizer que sim, mas a esta altura não adiantaria negar. Eu era o único mago em todo aquele lugar.

— Não importa se vem ou não... — disse enquanto manifestava minha magia. Minhas roupas que estavam caindo aos pedaços deram lugar a um corpo repleto de escamas roxas.

Chifres azuis, que se assemelhavam aos de um cervo adulto, surgiram no topo da minha cabeça. Meus cabelos perderam o castanho e assumiram um tom azulado próximo a base dos chifres, e um tom roxo conforme se afastavam da mesma.

Meus antebraços e minhas mãos foram cobertos de escamas roxas, e minhas unhas se tornaram maiores. Passei a usar uma calça preta simples, mas que era parcialmente coberta pelas botas de combate que se estendiam até meus joelhos. Escamas também surgiram nas laterais das minhas coxas e subiam até minha cintura.

Uma espécie de exoesqueleto surgiu na região do meu peitoral, deixando a minha barriga de fora e algumas escamas, mas com uma aparência mais pontiaguda, fechavam a parte de cima do esqueleto, cobrindo meus ombros e meu pescoço. Também ganhei uma cada, cuja parte superior era roxa, e cuja parte inferior era preta.

— ... vocês não conseguiram fazê-lo parar. Take Over: Dragon Soul. Dragão da Gravidade.

Próximo capítulo: O Despertar de H.E.L.L.

Notas finais
Então, pessoal. O que acharam? Comentem. Um milhão de beijos e até o próximo :3