My New Life
27 O Despertar de H.E.L.L.
Notas iniciais
Marcus
— É diferente do poder que o outro usou... — disse Torafuzar.
Ele desapareceu do lugar em que estava em uma velocidade impressionante, para logo em seguida aparecer ao meu lado.
—… sendo assim, você pode ser derrotado.
Ele tentou desferir um golpe em meu rosto, mas eu pude habilmente inclinar meu corpo para trás, evitando o ataque e ainda me mantendo a uma pequena distância dele.
Aproveitei-me de nossa proximidade e o agarrei com firmeza pelo braço que ele usou para tentar me golpear. Assim que o fiz, usei o membro para arremessar o demônio para longe de mim. Eu precisava acabar isto rápido. Cada gota da minha magia que era usada em combate desviava o que Bael podia usar, e por ora ele era minha única esperança para contornar esta situação.
Asas apareceram em minhas costas e eu pude me mover rapidamente em direção ao demônio, na intenção de continuar o golpeando enquanto voava logo acima dele.
— Punho do Deus… — entoei, mas fui interrompido por um assobio.
Tempester estava ao meu lado com os punhos envoltos em pequenos tornados. Sua velocidade podia se comparar a minha e isso era preocupante. Não pude atacar Torafuzar como havia pensado, pois precisei bloquear com meus braços o ataque do outro oponente. Se eu fosse pego por aquilo, o dano não seria baixo e de fato, como eu pensei, havia ali força o suficiente para me repelir bons metros.
Vi-me na necessidade de me afastar dos dois, enquanto os oponentes se colocavam novamente no chão.
— Não podemos diminuir o ritmo. — disse Tempester.
— E não vamos. — concordou o outro.
Ambos voltaram a atacar. Torafuzar avançou com os punhos e barbatanas cortante preparados para golpear, enquanto que o outro avançou preparando um ataque de energia em sua mão direita. O homem-tubarão tentou cortar meu tronco, mas eu consegui carregar minha mão com energia e a usei para repelir a lâmina, no entanto minha defesa não foi assim tão efetiva. Mesmo com minha magia ativa, o golpe do Etherious foi o suficiente para causar um corte superficial na palma da minha mão. Bem, pelo menos eu acreditava que seria um corte superficial, já que o meu Take Over diminuía as sensações de dor do meu corpo.
Mas não foi apenas um ataque que ele tentou usar. Golpes consecutivos foram desferidos pelo homem-tubarão, enquanto tudo que eu podia fazer era tentar me defender usando minhas mãos e minhas defesas mágicas, que pareciam diminuir a cada ataque defendido.
Fechei meus punhos com força e desferi um soco em direção ao rosto do demônio, no entanto ele segurou minha mão como se meu golpe não possuísse força.
— Você está fraco. — ele disse com um semblante sério. — Gostaria de enfrentá-lo em seu poder máximo em algum momento, mas agora você é o único inimigo de pé.
Torafuzar se moveu mais rápido do que meus olhos podiam acompanhar e causou um grande corte em minha barriga.
— Por isso, deve ser eliminado o mais rápido possível. — completou para logo em seguida acertar um soco em minha barriga, de baixo para cima, fazendo minhas costas arquearem, o ar abandonar meus pulmões e meu corpo ser lançado para o ar.
Tempester saltou por cima do homem-tubarão, usando as costas deste como apoio. Devo admitir que meu cérebro se esqueceu momentaneamente da presença de um segundo inimigo no recinto.
— Catástrofe Estelar. — ele disse.
O Etherious movimentou os braços como se golpeasse o ar, e de seus punhos saíram esferas flamejantes maiores do que eu mesmo. Um ataque forte e que me acertaria sem nenhuma chance de erro, tanto pelo meu estado atual, quanto pela mira do demônio. Tem algo de errado acontecendo. Meu corpo parece que perdeu seus sentidos, como se estivesse dormente. Meus reflexos pioraram muito e não preciso mencionar minha energia. Tudo isso é consequência do feitiço que Bael está usando?
Não tive tempo para pensar em uma explicação plausível, pois fui atingido em cheio pelo ataque de fogo. A única coisa que pude fazer foi direcionar toda minha magia para a defesa, já que não podia ativar meu corpo de diamante devido à escassez de poder mágico. Entretanto, isto não evitou os danos graves que meu corpo recebeu.
“Seu corpo está neste estado porque você morreu.”
Eu meio as explosões que me atingiam, pude ouvir a voz de Bael dentro de minha cabeça. Isto era quase como um alívio para a dor lancinante que eu sentia por todo meu ser.
“Você não tem chances de vencer essa luta sem seu poder mágico estar completo, Marcus.Você precisa focar em ganhar tempo para mim. Se você morrer, tudo vai estar acabado para este continente. Está me ouvindo? Marcus? Marcus?!”
Sua voz se perdeu em meio à luz dos ataques.
Mard Geer
— A ativação ocorrerá em poucos instantes, meu senhor. — disse Kyôka, enquanto se ajoelhava perante o trono no qual o Rei do Submundo, Mard Geer, se encontrava. — H.E.L.L. está mais poderoso do que qualquer um dos Nove Portões. Ele eliminará qualquer inimigo, contudo...
— Você se preocupa que ele possa tentar desafiar os planos de Mard Geer? — disse, fazendo a Etherious acenar em concordância.
Mard Geer ergueu-se de seu trono e caminhou até a lacrima de observação presente na sala do trono e dedilhou a superfície da mesma, mostrando o laboratório onde um Hell’s Core parcialmente operacional funcionava. Ali era possível ver um grande tubo de vidro, cheio de um líquido azul e viscoso, que comportava um ser de grande estatura envolto em tentáculos. Seu tamanho facilmente superava três metros, e seu corpo era grande e repleto de músculos desde as grossas pernas até os volumosos e destacáveis braços. Suas orelhas eram pontudas, assim como seu cabelo branco e sua barba.
Sua pele era morena quase que em sua totalidade, com exceção de suas mãos e seus antebraços, que eram completamente negros como o céu noturno sem estrelas. Seu único traje era um saiote azul escuro, pequeno demais para o corpo excessivamente grande. Tão pequeno que cobria apenas a parte interna das coxas e que se estendia apenas até pouco antes dos joelhos. Seu tórax repleto de cicatrizes estava exposto para qualquer um pudesse observar ali as batalhas vencidas.
Naquele corpo habitava um grande poder. Mard Geer podia senti-lo a quilômetros. O poder de todos os Nove Portões Demoníacos contido em um corpo forte o suficiente para conter tamanha energia. Isto era H.E.L.L., o verdadeiro inferno ambulante que caminharia pela terra causando destruição em nome de Zeref.
— Lamy. — chamou Mard Geer pela lacrima. — Acorde-o.
— Sim, mestre. — respondeu a voz esganiçada da mulher que controlava o laboratório. — Acionando todas as fontes de energia auxiliares. Redirecionando as essências do mestre Franmalth...
Eletricidade começou a percorrer o tubo que continha o corpo de H.E.L.L., o qual se moveu ligeiramente, como se sofresse um espasmo muscular.
—... Sr. Ezel. — prosseguiu Lamy. — Mestra Seilah, Sr. Jackal. Redirecionando essência do demônio Deliora.
O tubo de vidro começou a rachar conforme a energia crescia. O corpo agora se contorcia, fazendo com que boa parte dos tentáculos ligados a si fossem arrebentados.
— Adicionando as parcelas de poder extraídos da mestra Kyôka, do Sr. Torafuzar e do Sr. Tempester.
A onda energética agora fluía de forma descontrolada por todo o laboratório. Picos de energia ocorriam por todo lugar, fazendo com que cabos começassem a pegar fogo e tubos de vidro explodissem completamente. Até mesmo o painel de controle que Lamy manejava não suportou o poder e entrou em curto, fazendo com que muitas de suas partes se desprendessem e fossem lançadas longe.
O clima naquele lugar não podia ser resumido à outra palavra que não fosse inferno. Os soldados, que até então tentavam remontar o lugar, corriam desesperadamente por suas vidas. Aqueles que caiam ou eram pisoteados pelos demais, ou se feriam gravemente em meio aos destroços.
— Mestre Mard Geer... — gritou Lamy pela lacrima, enquanto continuava a manejar o possível no painel de controle. —... eu perdi completamente o controle. Todo o lugar vai explodir, senhor. H.E.L.L. está destruindo o lugar apenas por acordar. Não conseguiremos controlá-lo.
— Controlá-lo não será necessário, Lamy. — explicou Mard Geer. — Ele irá, por si só, atrás do maior poder que puder rastrear. No momento o inimigo está próximo o suficiente para ser captado pelo nosso monstro.
— Mas depois, senhor... — Kyôka tentou argumentar, mas o Rei do Submundo a interrompeu.
— Depois que ele derrotar a Fênix, o Projeto Face já terá sido concluído. Você seguiu as orientações de Mard Geer, não seguiu, Lamy?
— Sim, mestre... — respondeu Lamy, gritando ao final, pois o painel que a mesma manejava se incendiou completamente.
— Então está tudo resolvido. H.E.L.L. será destruído juntamente com toda a magia do continente e não teremos que nos preocupar em enfrentá-lo também. Tudo dará certo.
— Senhor... — sussurrou Kyôka.
— Lamy, evacue o laboratório e, assim que H.E.L.L. deixar o lugar, contenha os danos e restaure o possível do Hell’s Core.
— Não precisa dizer duas vezes. — respondeu a mulher, correndo para fora do campo de visão da lacrima.
Marcus
Braços e pernas queimados. Abdômen sangrando. Pelo menos três costelas fraturadas. Estou em perigo aqui.
Quando o ataque de Tempester me acertou todos os meus sentidos pareceram desaparecer, dando-me a impressão de flutuar. Isto é, se flutuar fosse o mesmo que enfrentar uma dor pior que o inferno.
Minhas defesas foram completamente inúteis contra os golpes repetitivos e, quando estes cessaram, eu apenas pude cair e me chocar direta e violentamente com o chão.
Quando meus sentidos voltaram a mim, notei que meu braço direito estava em um ângulo estranho, indicando uma fratura grave. Mas como eu poderia ter quebrado o braço se não sinto nenhuma dor?
“Marcus, recue. Você não tem chance no atual estado do seu corpo. Não imaginei que isso seria um problema, mas você ficou morto por tempo demais. Todos os seus sistemas estão falhando repetidamente.” disse Bael dentro da minha cabeça.
— O que está dizendo? — respondi verbalmente, mas não tão alto a ponto de meus inimigos me ouvirem.
“Sua alma voltou ao seu corpo e você voltou à vida. Mas biologicamente falando, seu corpo e todas as suas funções vitais estão falhando. Isso normalizaria com o tempo, mas creio que não temos tempo o suficiente para tal. Recue.”
— Se eu recuar... — reuni minha força e me levantei do chão. — Você não vai conseguir terminar a magia, não é?
“Não seja burro.”
— Bem, isso responde.
Cancelei meu Take Over, pois na atual situação ele só servia para desperdiçar minha energia.
— Eu vou dar a vocês dois uma única chance para se renderem, aqui e agora. — gritei para os meus dois inimigos, enquanto unia minhas mãos em frente ao peito.
— Nos render? — questionou Torafuzar com um claro tom de descontentamento em sua voz. — Por que acha que faríamos essa burrice?
Não pude conter o sorriso que tomou conta de meus lábios. Realmente, nas atuais circunstâncias eles não têm motivo para abandonar a luta, não quando enfrentam um inimigo cujos ferimentos são tão graveis quanto os meus. Mas mesmo levando o agora em conta, há uma maneira de vencer.
Canalizei e concentrei toda a minha magia disponível. Se eu errar, com certeza morrerei.
Meus oponentes sentiram minha última união de forças e avançaram antes que eu pudesse responder aquela pergunta, mas não antes de eu conseguir fazer meu movimento.
— Território: Deslocamento Divino. — disse enquanto lançava meu ás.
Uma distorção espacial surgiu a minha frente, mas apenas por frações de segundos. Os ataques de Tempester e Torafuzar foram facilmente bloqueados, não pela distorção, mas sim pelo que ela trouxe. Nada menos do que meu aliado mais poderoso.
— Se vocês dois tivessem desistido, eu não teria que ter chamado o meu pai para bater em vocês. — expliquei sorrindo e fechando os olhos, enquanto meu corpo caia sentado.
— Pai? — perguntou o Etherious tubarão enquanto tinha a barbatana cortante contida.
— Sim. — respondeu uma voz acalentadora, o que me deu energia para forçar meus olhos a abrirem e encarar a cena mais uma vez.
Erik Lehnsherr, chamado carinhosamente por mim de papai, estava a minha frente bloqueando sem o mínimo de esforço os golpes dos dois Etherious como se estivessem atacando com talheres de plástico. As expressões de surpresa no rosto dos dois eram absolutamente impagáveis. No lugar de suas roupas de negócios habituais, ele usava uma calça azul, botas de combate brancas que se estendiam até os joelhos e uma espécie de farda militar também branca. Havia detalhes metálicos dourados nos ombros e no peito, sendo que o do peito era a marca da guilda.
Com um único movimento de mãos meu pai foi capaz de mandar os demônios para longe com extrema facilidade. Em seguida ele se pôs em posição de guarda à minha frente.
— Eu estava a poucos minutos daqui, mas fico feliz que você tenha me teleportado. Isso facilita as coisas. — disse Erik, sem tirar os olhos dos inimigos e analisando rapidamente o espaço em que estávamos. E então seus olhos se fixaram em um ponto. — Aquele é o John?
Seu tom era de preocupação. Ele havia criado John tanto quanto havia me criado, o que fazia com que ele o visse como uma espécie de filho. Um irmão para mim...
— Sim. Se não agirmos logo, ele e todos os outros magos que foram pegos por essa coisa vão morrer. — expliquei enquanto fazia o possível para me levantar.
Pude ouvir os dentes dele rangerem ao serem friccionados uns contra os outros. Sua testa foi tomada por veias, indicando o tamanho da raiva que tomava controle de seu corpo. Seus ombros foram tensionados e seu poder mágico começou a emanar de forma descontrolada, fazendo seu cabelo ondular e seus olhos assumirem um brilho de chamas assustador, como se os globos oculares estivessem em combustão e destruído as fendas oculares e as pálpebras.
Já havia ouvido falar de uma vez que o mestre da Phoenix Sorciére se irritou de verdade há alguns anos. Eram apenas boatos, mas me falaram que uma cidade desapareceu do mapa, obrigando o Conselho Mágico a vigiá-lo constantemente. Eu o questionei sobre o fato uma vez, mas a questão pareceu atordoá-lo e ele se trancou em seu escritório. Apenas uma semana depois meu pai voltou a agir normalmente.
Não saberia dizer o nível de danos que ele causaria caso se descontrolasse agora. Muitas vidas, incluindo dos aliados imobilizados pelo Alegria, poderiam ser perdidas, então eu teria que convencê-lo a se conter. Se achasse que todos estão mortos, meu pai apenas explodiria todo lugar em seu estado atual.
— Eu já estou dando um jeito nisso. — disse da forma mais confiante que pude.
A expressão dele mudou minimamente e a tensão pareceu deixá-lo um pouco. Pelo menos ele virou ligeiramente o rosto para mim, indicando que estava prestando atenção ao que eu dizia.
— Estou trabalhando em um feitiço capaz de trazer todos de volta. Só que não posso completá-lo se tiver que lutar contra esses dois. — disse enquanto indicava os dois inimigos com a cabeça.
— Ah, sim. — exclamou ele. — Então, eu só tenho que me livrar desses dois, não é? Fácil.
Meu pai pareceu se acalmar por ora, mas ainda assim o poder mágico que emanava dele fluía de forma desordenada. Era tão intenso que eu estava sendo empurrado para longe dele, enquanto ele se colocava em posição de combate.
Bael? Pode me ouvir?
“Sim.” pude ouvi-lo sussurrar em minha cabeça.
Falta quanto tempo até o encantamento terminar?
“Não muito. Apenas mais alguns instantes e tudo vai ter terminado.”
Tudo fora o apocalipse que estamos enfrentando. Meu pai vai conseguir derrotar esses dois com certeza, então quantos ficarão sobrando?
“Dois. Kyôka e o Rei do Submundo, Mard Geer. Mas tem algo errado, Marcus.” seu tom era de preocupação. “Há mais alguma coisa. Algo forte e… está vindo até aqui”.
No momento em que Bael parou de falar, um berro ensurdecedor preencheu o salão em ruínas. O som parecia ter saído do mais profundo abismo, como se a criatura que o tivesse feito fosse o próprio governante das profundezas. Uma presença esmagadora, que fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem, podia ser sentida.
Meu pai olhou preocupado para a entrada do salão que se encontrava atrás de mim. Até mesmo os membros da Tartaros pareceram se assustar com a coisa que se aproximava.
— Isso é mal. — exclamou Erik.
Ele levou uma de suas mãos até a cabeça e arrancou um fio de cabelo da mesma, jogando-o para mim em seguida. Apenas observei o cabelo flutuando no ar em minha direção, sem entender o que ele pretendia com aquilo, mas repentinamente o fio começou a pegar fogo ao tocou a minha testa.
Não pude conter uma exclamação de dor, pois achei que o fogo me queimaria. Contudo, a chama não era excessivamente quente, mas sim aconchegante, como o calor corporal. Havia muita magia ali. O fio se transformou em uma pena e as chamas se espalharam instantaneamente pelo meu corpo.
Meus ferimentos começaram a desaparecer rapidamente. O corte em minha barriga desapareceu, meu braço foi posto no lugar, minhas costelas foram remendadas e as queimaduras desapareceram.
— Uma pena de fênix? — disse em voz baixa para mim mesmo.
— Isso deve te pôr de pé de novo. — disse meu pai. — Temos apenas dois minutos até que a coisa que fez aquele barulho chegue aqui. Neste meio tempo você deve terminar seu feitiço e eu devo mandar aqueles dois ali pro inferno. Não há margem para erros, entendeu?
— Si… Sim.
— Assim que John estiver livre, você deve pegá-lo e sair daqui imediatamente. Eu enfrentarei aquela aberração sozinho.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele se lançou em direção aos inimigos com o corpo envolto em chamas e com asas incandescentes em suas costas.
— Obedeça. — gritou enquanto acertava Tempester com um soco flamejante.
Droga. Corri em direção ao círculo mágico em que Bael estava.
— Bael!
— Ele está certo. Não temos chance contra aquilo. Não agora. — agora ele não falava mais em minha cabeça, mas sim através da projeção astral.
— O que podemos fazer para adiantar o encantamento? — perguntei a ele, enquanto que explosões ocorriam ao meu redor.
Olhei ligeiramente por cima do ombro e vi uma fração da batalha. Meu pai lançava uma torrente de chama contra os inimigos que agora estavam em suas formas Etherious.
— Precisamos fazer isso juntos. Vou ter que tomar controle do seu corpo.
Engoli em seco, mas agora não era momento de ter receio. Precisou de apenas um segundo para todos os últimos acontecimentos cruzarem minha mente como se fossem estrelas cadentes.
Estrela número um. Eu morri.
Estrela número dois. Eu fui parar no inferno, onde conheci todos os meus demônios. Onde uma enxurrada de fatos horríveis sobre o meu passado foi despejada em cima de mim
Estrela número três. Eu voltei dos mortos. Eu voltei dos mortos logo após eu ter descoberto que o homem que passou a vida ao meu lado, e que eu considerava um irmão, era apaixonado por mim.
Estrela número quatro. Eu voltei apenas para ver o homem que me ama semimorto. Nem sei dizer em quantos pedaços meu espírito se partiu ao vê-lo daquela forma.
Estrela número cinco. Meu pai pretende se sacrificar para que possamos vencer.
Na estrela número quatro meus olhos se encheram de lágrimas. Na quinta estrela, as lágrimas não podiam ser contidas.
— Faça, Bael. — dei a ordem.
No segundo seguinte eu já não podia controlar meu próprio corpo. Tudo era o demônio agora. Tudo menos os olhos. Minhas mãos se moviam sem que eu as movesse e minha boca dizia palavras que eu não compreendia, mas meus olhos ainda choravam.
— Maloc Ian Graus, Virse Astaroth.
Uma bolha de energia vermelha surgiu ao meu redor e começou a se expandir a partir de mim. A magia que fluía por ela causava um pequeno desconforto, mas não poderia esperar algo diferente vindo de magia demoníaca.
Conforme o encantamento se espalhava pelo lugar, o calcário vermelho e incandescente do Alegria ia desaparecendo. Explicando melhor, seria mais correto dizer que ele estava queimando, pois era consumido entre centelhas e fagulhas.
— Está feito. Agora corra! — Bael disse apressadamente, liberando minhas ações e permitindo que eu voltasse a ter controle sobre meu próprio corpo.
Ignorei os ataques e explosões vindas da batalha de meu pai contra os demônios da Tartaros. Ele me disse para correr, então é o que eu devo fazer, não é? Mesmo que cada átomo de meu corpo me diga para voltar e ficar com ele?
A presença do monstro de antes ficou ainda mais forte, indicando que ele deve estar a alguns segundos de chegar até este lugar.
— Eu sou um imbecil! — disse para eu mesmo e comecei a correr em direção a John. A magia de antes já estava afetando-o, e a rocha que o imobilizava começava a se desprender, permitindo que ele se movesse minimamente.
Quando eu me encontrava a alguns metros dele, seu corpo já estava completamente livre. Seus olhos brilharam em vermelho vivo, como se ali existisse um rio de sangue. Uma névoa negra começou a emanar da armadura que ele usava, juntamente com um grande acúmulo mágico. Ele estava prestes a atacar.
Saltei em direção a ele e agarrei seu corpo, fazendo o possível para imobilizá-lo com meus braços, e voltei a correr, mas agora rumo à saída.
O contato físico pareceu fazê-lo recobrar a consciência, pois seu poder mágico se estabilizou e sua expressão ficou mais calma. Seus olhos vermelhos olharam para o meu rosto e eu ouvi em um fio de voz:
— Marcus?
Próximo capítulo: Situação desesperadora.
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