My New Life
24 Mundo em Chamas
Notas iniciais
Marcus
Um trovão retumbou no céu e um impacto fez o chão tremer. Chamas inundaram a pequena casa, ateando fogo a todo o lugar. A cortina que dividia as camas foi a primeira coisa a ser completamente consumida. O casal de pais acordou assustado, tanto é que marido abraçou a mulher, para mantê-la longe das chamas que haviam começado a se espalhar pelo colchão.
Will, que ainda estava acordado, pegou Marcus, o qual havia acabado de despertar, e o removeu da cama com um salto, antes que o móvel começasse a ser destruído. O rapaz estava com a criança em seus braços, olhando para o pai e a mãe que estavam cercados pelas chamas.
— Papai! Mamãe! — gritou o pequeno Marcus, desesperado.
Ele tentava se soltar dos braços de Will, mas o rapaz o segurava firmemente. Algumas lágrimas escorriam pelo rosto do pequeno.
O pai segurou a mulher de forma mais firme e, quando as chamas estavam a centímetros dos pés dos dois, o homem saltou sobre o fogo. As costas dele foram lambidas pelas chamas, destruindo a parte de trás de sua camisa e queimando sua pele, mas ele conseguiu evitar que a mulher fosse ferida.
— Vo... Você está bem? — perguntou a mulher enquanto se separava do homem e analisava as costas do mesmo, as quais se encontravam extremamente feridas.
— Vou ficar. — respondeu ele, reprimindo um gemido de dor e fazendo uma careta de desconforto — Temos que sair daqui.
O fogo começou a se espalhar por todo o lugar. A mesa de jantar começou a incendiar.
Os quatro foram até a porta, a mãe ajudava o pai a se manter em pé e Will carregava o pequeno Marcus com os braços. Já o Marcus fantasmagórico apenas assistia a tudo que acontecia com espanto. Ele não entendia como o cenário mudará tão rapidamente.
Ele estava parado no mesmo lugar, próximo a cama dos dois irmãos que agora já estava completamente engolida pelo fogo. O rapaz nem mesmo notou o quão próximo as chamas estavam dele e quanto calor elas emitiam. Isto até que uma centelha tocou sua mão, fazendo-o emitir um pequeno som de dor.
O mago se afastou do fogo e observou o ferimento feito pelo calor, o qual se encontrava em carne viva. Ele não entendia como ele conseguiu ser ferido, pois ao que parecia nada naquele mundo podia tocá-lo. Mas aquele fogo parecia ser diferente.
Marcus se voltou para a porta e viu Will e seu pai tentarem abri-la, enquanto que a mãe dele abraçava o menor e tentava mantê-lo calmo. Mas as tentativas dos dois eram inúteis, pois a porta nem se mexia, como se alguma coisa bloqueasse o outro lado.
— Não abre. — rosnou Will — E agora?
— Não sei. — respondeu o pai, enquanto analisava o lugar ao seu redor — Talvez... Talvez nós possamos derrubar uma parede. A estrutura da casa está deteriorando, então talvez seja possível.
Will concordou com a cabeça e olhou para o irmão menor. Ele lançou um olhar tranquilizador para o pequeno, quase como se dissesse "Tudo vai ficar bem. Não se preocupe". Marcus assentiu e observou o mais velho acompanhar o pai até a parede mais próxima, e que não estava em chamas, obviamente. Ambos tentaram achar uma falha entre os tijolos, mas eles não estavam tendo muito sucesso.
— Espere. — disse Will, fazendo com que o pai parasse de ferir as próprias mãos no processo de romper a parede — Me deixe tentar algo.
— O que? — perguntou o pai, em um tom que poderia ser considerado rude, mas o outro não pareceu se importar.
— Apenas confie em mim e se afaste. — respondeu o rapaz.
O pai fez uma cara de desconfiança e foi se juntar à esposa e ao menino. Próximo a eles também estava o Marcus adulto, que tentava ao máximo ficar longe das chamas que pareciam poder lhe machucar.
Will fechou os olhos e tocou a parede com as duas mãos, as quais emitiram uma pequena luz branca. A energia se expandiu e abriu um buraco na parede, causando também uma pequena explosão. O rapaz pareceu ficar abatido por um momento, mas logo em seguida ele se recompôs.
— Rápido. Venham. — chamou ele, voltando até o pequeno Marcus, o pegando nos braços e atravessando o buraco.
Então, ele podia usar magia? Isso surpreendia o Marcus mais velho, principalmente pelo fato de ele não conhecer a magia utilizada por ele. Mas agora não era tempo de pensar nisto, por isso ele seguiu os demais, que agora se encontravam passando pela passagem improvisada.
Ao chegar ao lado de fora, ele se voltou para trás e observou a casa em chamas. O fogo era carmesim, como o sangue mais escarlate e vívido, e consumia todo o telhado. Ele queimava ainda mais intensamente agora que o mago e a família haviam saído tanto é que a casa desabou, muito provavelmente porque as chamas haviam chegado às fundações da mesma, as quais não resistiram ao calor.
— O que foi aquilo? — Marcus ouviu o pai dizer, fazendo-o se voltar para a família que se encontrava a alguns metros da casa que desabava.
O homem mais velho estava sentado no chão com as costas curvadas e com uma expressão de dor, enquanto que a esposa se encontrava analisando a grande queimadura nas costas dele. O pequeno Marcus chorava encolhido nos braços do irmão mais velho, enquanto Will afagava seu cabelo e suas costas, no intuito de fazê-lo se acalmar.
— O trovão de antes deve ter sido de um raio que acertou a casa. — explicou Will, enquanto o mago se aproximava deles.
— Não estou falando do fogo. — falou o homem mais velho — Você tem usado magia? — completou com um tom de desagrado, principalmente na última palavra.
Marcus não entendeu o porquê daquela reação, afinal ele havia salvado a todos, mas ao que parecia magia era um assunto complicado.
— Você sabe o que a magia fez com nossa família, não sabe? Como ela nos destruiu e nos fez sofrer? — perguntou o pai de uma forma que parecia ser retórica.
— Querido, por favor. — a mãe chamou — Esqueça isso. Ele salvou nossas vidas. — disse repousando a mão do braço dele.
Ele levou seu olhar do filho mais velho, que o encarava com uma expressão indecifrável, para o caçula, que parecia não participe daquela conversa. Em seguida, ele repousou a mão sobre a da esposa e suspirou derrotado.
— Vamos sair daqui. — disse ele, fazendo a mãe suspirar aliviada e o filho suavizar sua expressão.
A mulher ajudou o marido a levantar, enquanto que Will levantava o rosto do irmão menor para si.
— Ei. Por que você continua chorando? Nós estamos bem. — explicou o rapaz, tomando o outro em um abraço — Você está bem. — completou em um sussurro.
— Eu… eu… — respondeu ele em voz baixa.
— Não. Esqueça tudo isso. — interrompeu ele — Nós vamos superar isso, entendido? — perguntou enquanto se separava do outro e o olhava nos olhos.
O menor concordou com um aceno de cabeça, para em seguida secar as lágrimas do próprio rosto.
— Agora eu preciso que você se esforce para ser forte. — explicou o rapaz — Todos nós precisamos. — completou olhando para trás, para os pais que estavam olhando-os há algum tempo — Acha que pode fazer isso?
— Sim. — respondeu fraco e entre soluços.
Will sorriu.
— Então, vamos sair daqui? — perguntou o rapaz.
— Sim. — respondeu novamente, mas com um pouco mais de determinação.
O mais velho sorriu abertamente mais uma vez e se levantou esticando a mão para o menor.
— Então vamos. — disse em um tom extremamente otimista.
O pequeno segurou a mão dele a usou para se levantar, para logo em seguida abraçar a cintura do outro.
Marcus realmente se impressiona cada vez mais com o carinho entre o seu eu mais novo e o seu irmão. Ele se também se questionava o porquê de não ter lembranças sobre o outro, as quais parecem ser maravilhosas. Mas então, a resposta veio seguida do som de algo cortando o ar e do grito da mulher.
O mago se voltou para o casal, assim como a dupla de irmãos, que se encontrava junto e seus olhos focaram no rosto vazio do pai, o qual possuía uma ponta de flecha atravessada em sua testa.
Lucy
A loira estava zangada por Mira ter tentado controlá-la e sua fúria se manifestava por meio de poder mágico, o qual não parecia se esgotar, fazendo com que a força da maga celestial parecesse não ter fim, assim como os monstros que não paravam de surgir.
Lucy formou diversas esferas de luz ao seu redor com um único movimento de mão e com outro a garota as lançou em direção das criaturas mais próximas que caíram uma a uma. As demais pareciam estar assustadas com a força da maga, tanto é que cessaram seus ataques, mas em momento nenhum elas recuaram.
— Bem, pode não ter sido a melhor decisão do mundo, mas nós precisamos ficar juntas aqui. — disse Mira, invocando mais uma série de livros que flutuavam ao seu redor.
A maga loira não respondeu, mas no fundo ela sabia que a outra tinha razão, afinal tudo acabaria mais rápido se elas enfrentassem os monstros juntas, mas ao mesmo tempo todos os seus sentimentos brigavam dentro si, fazendo com que ela não soubesse lidar muito bem com a situação. Ora a raiva triunfava, instigando-a a lutar contra Mira, ora a compreensão que fazia com que ela desejasse fazer as pazes com a outra. Na verdade, era como se houvesse duas Lucy’s lutando pelo controle dentro dela.
Uma criatura reptiliana cuspiu veneno em direção a Lucy, porém a albina lançou um tornado de água de um de seus livros flutuantes, o qual anulou o ataque do monstro.
— De nada. — disse a maga do Take Over.
A loira se conteve a bufar e voltou sua atenção para o monstro que a atacou.
— Rugido do Dragão do Apocalipse. — disse ela. Um feixe azul foi liberado de sua boca, acertando o alvo e o fazendo tombar.
Mira olhou para a maga celestial com espanto.
— Dragão... Do Apocalipse? — questionou ela mais para si mesma do que para a outra — Acnologia? Como você tem a magia do Acnologia?
E então esta bomba explodiu nas mãos de Lucy. Até agora ela não havia mostrado a ninguém, exceto para os outros Infinity Slayer’s, que possuía a magia de Acnologia, o que poupava explicações sobre por que ela possuía a magia de um dragão como ele. Era como se apenas agora ela notasse que pessoas como Mira poderiam pensar coisas horríveis sobre a relação dos dois.
— Depois conversamos. — Lucy limitou-se a dizer apenas isto e voltou a atacar os inimigos, mas, antes que pudesse conjurar qualquer feitiço, uma onda de choque se espalhou pelo lugar, trazendo consigo rachaduras que se espalharam por todos os cantos do recinto, assustando as feras que se acumulavam ao redor das magas.
— O que foi isso? — perguntou Mira, enquanto olhava para os lados.
— Não sei. — respondeu Lucy, mas um poder mágico familiar para ela preencheu o ar — Carol?
Carol
O escudo mostrou-se útil em proteger as duas magas das pedras que desabavam. Bem, pelo menos nos primeiros cinco segundos. Depois disso ele começou a se fragmentar, permitindo que a poeira caísse sobre as duas garotas.
A loira tinha certeza que não resistiria aquilo. Seu poder mágico estava se esgotando e seu corpo doía. As partículas de barreira mágica de Keyes deviam ser as responsáveis por isto, afinal, ela havia as inalado em grande quantidade.
E então, o escudo foi completamente destruído. Carol aproveitou-se dos últimos segundos que sua defesa havia lhe proporcionado e se debruçou sobre o corpo de Katrina, tentando protegê-la de alguma forma do impacto, mas este não veio.
Vários segundos se passaram e a loira se manteve de olhos fechados, temendo que, ao abri-los, de repente as rochas a esmagassem. Porém ela passou para pensar e constatou que isto era altamente improvável, então direcionou seu olhar para cima, vendo uma camada de gelo arroxeado mantendo os pesados escombros longe dela e de Katrina, funcionando como um escudo.
— O que diabos...? — disse ela, não se preocupando em deixar a frase sem um final.
O gelo começou a se expandir, afastando todas as pesadas rochas, de forma que Carol pudesse novamente ver uma pequena quantidade de luz. Em seguida, o escudo desapareceu. A maga olhou ao redor e viu a mesma sala de antes, porém grande parte de sua estrutura, que havia sido fortemente abalada pelo último ataque da Infinity Slayer, estava coberta por gelo, o que parecia ter retardado o desabamento.
— O que aconteceu aqui? — disse uma voz abaixo da loira.
Ela olhou em direção do som e viu Katrina sentando-se de forma desengonçada.
— Kat! — gritou feliz antes de abraçar a amiga recém-desperta.
A morena ficou sem reação a princípio. Ela apenas piscou repetidas vezes, enquanto a outra a abraçava com força, mas este abraço logo foi retribuído.
— Estava preocupada. — disse a maga da terra, sem se soltar da outra.
— Dá para notar. — respondeu Katrina entre um sorriso — Mas o que aconteceu? Só me lembro do Keyes me mordendo e depois... Nada. Branco total.
— Você deve ter apagado. — propôs Carol, enquanto se separava o suficiente da outra para poder estudar sua aparência — Como o seu pescoço está? Ele tinha um ferimento enorme.
A morena passou a mão por toda a região e a movimentou para ambos os lados, alongando-se.
— Bem, eu acho. Não sinto nada se é o que você quer saber.
A outra sorriu.
— Que bom.
A loira acariciou a bochecha da amiga, fazendo-a sorrir. E então, aconteceu. Carol puxou a outra contra si, selando seus lábios nos dela. A princípio, foi uma ação que pegou ambas de surpresa, fazendo com que nada mais fosse do que um simples toque de lábios, mas segundos depois ambas se entregaram ao momento.
Carol se deliciava na maciez e no gosto dos lábios de Katrina. Chocolate, pensava ela, doce e maravilhoso chocolate. E além do delicioso beijo, todas as memórias das duas passavam pela mente da loira. Momentos de felicidade, nos quais a maga fora tola o suficiente para não tomar uma iniciativa, mas agora, depois de sair de uma experiência de quase morte, ela não podia esperar. Ela precisava fazer isto logo. Ela precisava gritar para os quatro cantos do mundo que amava esta mulher agressiva e chocólatra.
A loira pediu passagem com a língua e a outra concedeu. Carol tinha de admitir que o interior da boca da outra era ainda mais surpreendente, por isso, viu-se na obrigação de explorar cada canto da mesma, enquanto lutava pelo controle com a língua da morena. E Katrina venceu, mas isto não importava para a loira, afinal não havia problema em perder para tão maravilhosa criatura.
As mãos de ambas se perdiam entre os fios de cabelo da outra, desfrutando da sensação indescritível que lhes era transmitida. Porém, para o descontentamento das duas magas, o ar lhes escapou, obrigando uma separação dos lábios que outrora estavam em contato selvagem e necessitado.
Elas encostaram as testas, apenas apreciando o momento e a visão que tinham dos olhos da outra, os quais se encontravam brilhantes e felizes.
— Você demorou. — disse Katrina, em um tom descontraído e vacilante, devido à falta de ar — Achei que eu teria de tomar uma iniciativa.
Carol riu.
— Bem, digamos que eu não tinha certeza sobre nós... Sobre o que eu sentia por você... Mas quando eu te vi ferida, eu... Eu... — ela tentou terminar a frase, mas lágrimas começaram a surgir em seus olhos.
— Ei, ei... Não se preocupe. Eu estou aqui, eu estou bem. Nós estamos bem. — disse enquanto acariciava a cabeça da loira — Embora eu não saiba exatamente o porquê de estar tudo congelado. — completou olhando ao redor.
Carol esfregou os olhos e seguiu a linha de visão de Katrina, os quais se encontravam avaliando o ambiente.
— Esse lugar devia ter desabado. — disse Carol — E esse gelo é...
— Meu. — disse uma voz grave atrás das duas magas.
As duas se voltaram para trás e deram de cara com Silver, porém seu corpo parecia ser etéreo, como se ele fosse um fantasma.
— Silver? Você não devia estar morto? Quero dizer, de verdade. — perguntou Carol.
— E eu estou, mas ainda tenho magia suficiente para sustentar esta forma e está sala, para que eu possa fazer um último pedido a vocês duas. — explicou o homem.
— Es... Espera. — pediu Katrina ruborizada e chamando a atenção dos outros dois — Você... Há quanto tempo você está aqui?
E então o rubor também infectou a loira.
— Bem eu... — começou Keyes, coçando a bochecha — Vocês formam um casal muito fofo. — completou com um leve rubor.
Carol deu um gritinho, enquanto o rosto de Katrina perdia a cor.
— Não... Não era para ninguém saber... Por ora. — disse Katrina, como que para as paredes.
— Sinto muito por invadir a privacidade de vocês. — finalizou o espírito, passando a mão no cabelo — Mas voltando ao pedido que eu ia fazer...
Esta frase foi mais do que suficiente para que as duas recobrassem a compostura, se colocando de pé e escutando com atenção o homem a sua frente.
— Qual de vocês duas tem mais poder mágico? — perguntou o homem, fazendo com que ambas as magas se espantassem com a pergunta.
— Bem... Nunca paramos para pensar nisso, mas porque você... — começou Katrina, mas Carol a interrompeu.
— É a Kat.
— Co... Como? — questionou a morena.
— Você tem controle absoluto sobre a sua marca, enquanto a minha, a dos Anjos Caídos, é instável. Isso faz com que eu não possa usar meu poder livremente, mas você... Você não tem esse problema. — explicou a loira.
A morena piscou repetidamente, parecendo analisar as palavras da outra, mas Keyes voltou a falar:
— Sendo assim, me dê o seu braço.
Katrina o obedeceu e ergueu a manga da roupa até o cotovelo, deixando todo o seu antebraço esquerdo visível. Silver pôs a mão sobre a área à mostra e uma luz arroxeada foi emitida pelo homem.
Quando a luz cessou, uma marca negra se encontrava presente na pele da maga. Ela começava em seu pulso e terminava em seu bíceps, parte de seu corpo ainda coberta pela roupa.
— O que é isso? — perguntou Carol, cujo olhar ia da outra maga até o homem repetidamente.
— Minha magia de Devil Slayer e uma pequena parte da minha consciência. — explicou Silver, para o espanto das garotas — Eu gostaria que você entregasse esta marca para o meu filho.
— Seu... Filho? — disse Katrina.
— Sim. O nome dele é Gray Fullbuster. Ele é um mago da Fairy Tail. — explicou o homem — Por favor, façam isso por mim.
— Cla... Claro. Quero dizer, você salvou nossas vidas. — disse Carol, com um sorriso
— É o mínimo que podemos fazer. — completou Katrina, com gratidão no olhar — Obrigada por tudo.
Keyes sorriu, enquanto começava a se desfazer em pontos de luz.
— Vocês realmente formam casal muito fofo. — disse ele, fazendo com que as duas ficassem novamente ruborizadas.
O espírito do homem desapareceu completamente, enquanto as meninas assumiam uma expressão triste. Ambas estavam felizes pelo homem finalmente ter encontrado paz, mas ainda assim uma parte delas esperava que ele pudesse continuar vivo, pois elas haviam se afeiçoado a ele.
— Vou sentir saudades. — disse Katrina, chamando a atenção da loira para si.
— Eu também. Ele era diverti... Hmn! — Carol iniciou a frase, mas não a terminou.
As pálpebras da loira pesaram repentinamente, enquanto algo parecia se prender a sua garganta, dificultando sua respiração. Seu corpo foi em direção ao chão, no qual teria caído se Katrina não tivesse a segurado.
— Carol! Você está bem? — perguntou a morena, ao mesmo tempo em que deitava a outra no chão com a cabeça apoiada em seu colo — Por favor, responda.
Mas a loira não o fez. Ao invés disso, a aparência dela piorou muito. Suas veias se destacavam negras sob a pele, enquanto sangue quase que coagulado vertia de suas orelhas e de seu nariz.
— Carol!
John
— Cubo? — disse John — É isto que esse lugar é? — questionou-se.
As fraturas no chão se expandiram ainda mais, chegando à área onde ele estava com o corpo de Marcus. Em breve a situação ficaria crítica e todo o lugar desabaria. Ou seja, o mago precisava sair dali antes que isto acontecesse.
Ele olhou para os demônios de antes, para garantir que eles não atrapalhariam sua fuga, e para seu espanto os dois se encontravam alguns metros acima do chão, envoltos em um tornado que os mantinha a salvo do desabamento eminente.
— O Sr. Mard Geer usará aquilo, não é? — John ouviu Tempester dizer.
— Provavelmente. Basta manter o escudo por mais algum tempo. — Torafuzar respondeu.
Aquilo?
Marcus
O corpo do homem foi direto para o chão, inutilmente amparado pela mulher que não conseguiu evitar a sua queda e se encontrava com lágrimas nos olhos.
— Joseph! — gritou a mulher — Joseph!
O pequeno Marcus gritou, enquanto sua versão adulta entrou em choque. Seus olhos seguiram para a direção de onde a flecha viera e ele se deparou com uma multidão empunhando tochas, forcados e arcos. Ao que parecia eles haviam disparado a flecha que acertou o pai de Marcus.
— Mã... Mãe... Temos que ir. — disse Will com o irmão menor nos braços, impedindo que ele corresse em direção aos pais — Rápido. Eles estão vindo.
— Não... Não, eu... Eu não posso deixá-lo aqui. — disse a mãe entre soluços sofridos — Tire o seu irmão daqui, por favor... — pediu ela enquanto erguia o tronco do marido e deitava a cabeça dele em seu colo, porém, antes que ela pudesse concluir a ação, uma flecha atravessou seu ombro. Uma flecha com um círculo mágico.
A mulher mal teve tempo de emitir uma expressão de dor, pois a partir do círculo mágico uma explosão ocorreu. Uma grande explosão. Ampla o suficiente para espalhar labaredas escarlates por todo o céu e arremessar a dupla de irmãos, juntamente de Marcus, para vários metros de distância.
...
...
Gritos começaram a ressoar na audição do mago. Gritos da mais pura e irracional raiva. Ele inclusive achou que estava sonhando, mas então notou o líquido quente que escorria de sua testa. Sangue, a julgar pelo cheiro.
Ele abriu seus olhos e se deparou com um céu cheio de fumaça negra e sufocante, enquanto um calor escaldante envolvia seu corpo. Ele ergueu seu corpo, pondo-se de pé e se surpreendeu com o cenário despótico que via a sua frente.
Primeiro, um mar de chamas vermelhas, como as que consumiram a casa, se espalhava até onde os olhos podiam ver, engolindo toda a vegetação rasteira que existia ao redor do vilarejo. Segundo, Will estava no chão e desacordado. Uma quantidade preocupante de sangue escorria de diversos cortes presentes eu seu corpo. Pelo que Marcus se lembrava, ele havia coberto o irmão mais novo com o próprio corpo antes que a explosão os acertasse, mas isto fez com que ele virasse o único alvo de uma parte do poder destrutivo da explosão.
Marcus correu para o rapaz ferido e, mesmo sem poder tocá-lo, conseguiu constatar que, por algum milagre, ele estava vivo. Agora, a próxima coisa que ele precisava fazer era achar a versão mais nova de si mesmo e certificar-se de que ele estava bem. Mas isto fazia com que ele tivesse que voltar sua atenção pela terceira coisa em todo aquele cenário.
Todos os moradores do vilarejo juntaram-se, formando uma multidão completamente descontrolada. Eles empunhavam armas e algumas delas eram mágicas. Dentre todas aquelas pessoas Marcus identificou um homem com um arco e flecha encantadas, do mesmo tipo daquela que causou a explosão de antes.
Alguma coisa rugiu dentro do mago naquele momento. A mais pura raiva circulava em suas veias e ele nunca desejou tanto que fosse possível interferir fisicamente naquele lugar. Se pudesse, ele estraçalharia todas aquelas pessoas. Ele não conseguia compreender o que levava uma pessoa a fazer tudo isto contra uma família inocente. Como eles conseguiam ser tão selvagens?
Mas então, toda a raiva se transformou em preocupação. Bem no centro da multidão, amarrado em uma fogueira, como as usadas para queimar magos na antiguidade, estava o pequeno Marcus. Ele chorava e implorava para que aquelas pessoas horríveis parassem, mas eles nem davam ouvidos.
— Por que vocês estão fazendo isso? — perguntou o pequeno, mas um dos homens que terminavam de arrumar a fogueira desferiu um soco no rosto dele e outro em seu estômago.
— Malditos! — gritou o Marcus mais velho, enquanto se lançava em direção ao homem que havia feito aquilo, mas a única coisa que ele conseguiu fazer foi atravessá-lo e se chocar contra o chão.
O pequeno chorava alto. Era um som que mostrava todo o desespero que ele sentia. Um filete de sangue escorria de seu lábio, e então ele viu algo que o fez entrar ainda mais em pânico: Will estava sendo arrastado em direção a fogueira, sendo jogado na palha que a circulava.
— Por... Por favor. Ele não. — implorou o pequeno Marcus, porém sua voz saia fraca, quase que em um fio.
— Mas seria cruel matar um irmão e deixar o outro vivo, não é? — disse uma voz desconhecida, enquanto uma presença mágica esmagadora surgia acima de todos.
Marcus e a criança foram os únicos que olharam para cima, onde conseguiram discernir a silhueta de uma mulher escondida pela fumaça.
— Quem... Quem é você? — perguntou o menor.
— Eu sou aquela que livrará o mundo da ameaça que é a sua existência. — respondeu a mulher. Sua forma e sua voz eram extremamente etéreas, como se ela não estivesse ali de verdade.
— Você está fazendo isso? Você está obrigando estas pessoas a fazer isso comigo e com a minha família?
— “Obrigando” não é o termo que eu utilizaria. Meu encantamento apenas deu força para estas pessoas fazerem algo que desejavam fazer por si mesmos. — respondeu a mulher de maneira indiferente — Agora, você e seu irmão irão queimar nas chamas infernais.
— Espera. Por favor. Me mate se quiser, mas não machuque o Will. Por favor, por favor, por favor...
— E correr o risco de ele gerar descendentes como você? Hunf. Sou conhecida por ser cautelosa, por isso não há a menor possibilidade de algo assim ocorrer. Então, por favor, me desculpe e morra.
A mulher levantou sua mão e uma rajada de chamas escarlates voou em direção da dupla de irmãos. Marcus correu em direção dos dois, pois pensou ser capaz de receber o impacto destas chamas e salvar os dois, mas ele não chegou a tempo. O fogo já se encontrava a um metro do rosto do menor.
— Não! — gritou a criança e as chamas se dissiparam, enquanto uma liberação de energia lançava todas as pessoas para longe, juntamente com a mulher que voava céu acima, porém o corpo de Will se manteve no lugar.
Marcus caiu sentado no chão. Ele olhou para a criança, mas ela se encontrava diferente. Sua pele havia escurecido, seus olhos estavam vermelho sangue e ela também estava livre das amarras. Uma quantidade gigantesca de magia emanava dele, quantidade a qual superava a da feiticeira de antes.
— Não... Não pode ser. — disse a mulher, fazendo Marcus encará-la — Esse poder não deveria ser tão grande... E também não deveria ter despertado tão cedo. Eu... Planejei mal?
O pequeno olhou para a mulher no céu e ela tremeu. Ele então ergueu sua mão e liberou um feixe mágico gigantesco que decolou em direção da adversária. Ela ficou imóvel por um momento, mas se teleportou antes que o ataque a atingisse, fazendo com que o laser causasse uma grande explosão no céu noturno.
— Ela... Ela fugiu? — questionou-se Marcus, enquanto analisava o céu, mas sua atenção foi desviado por gritos de dor.
Seus olhos moveram-se para a direção do som e se depararam com o pequeno Marcus dilacerando completamente as pessoas que corriam por suas vidas. Os punhos dele atravessavam corpos e arrancavam membros, espalhando sangue por todo o lugar.
Ele parecia um gladiador selvagem, matando sem distinção em uma arena por sua vida. Se bem que, as atuais circunstâncias não eram lá tão diferentes. As pessoas desesperadas usavam as armas mágicas que possuíam, as quais deveriam ser cortesia da feiticeira misteriosa, mas os ataques não surtiam efeito contra o menino. Na verdade, os ataques pareciam deixá-lo ainda mais poderoso.
Quando Marcus deu por si, não havia mais nenhuma pessoa viva no campo. Agora, o menino estava imóvel e coberto de sangue, enquanto as chamas de antes se apagavam. E então, dois braços envolveram o menino por trás. Os braços de Will.
— Já... Já acabou. Volte para mim... Por favor. — pediu ele com um tom de voz que tentava disfarçar a dor que ele sentia.
O menor olhou por cima do ombro e encarou fixamente o rosto do rapaz apoiado em seu ombro. Por um segundo Marcus achou que ele atacaria Will também, mas para sua surpresa o garoto começou a voltar ao normal. A escuridão que cobria sua pele diminuía gradativamente em direção do pescoço dele, se contendo em uma marca de asas. Seus olhos também voltaram ao castanho habitual.
E então os dois desabaram no chão com Will ainda abraçando o irmão mais novo de forma protetora.
Mard Geer
Uma lacrima mágica mostrava a Mard Geer os acontecimentos mais recentes na base flutuante da Tartaros. Tempester e Torafuzar se protegiam contra os ataques do Infinity Slayer que portava a Marca dos Cavaleiros do Apocalipse. Eles se mantinham a alguns metros do chão, dentro de um tornado produzido por Tempester, mas o inimigo começara a atacar está proteção, enquanto fazia diversas perguntas aos dois.
Uma das Infinity Slayer's que havia derrotado Keyes e Silver se encontrava desmaiada, enquanto a outra tentava fazê-la despertar. Pelo que Mard Geer pôde compreender pela imagem, a loira havia absorvido partículas de barreira mágica. Em breve ela acabaria morrendo.
A Fairy Tail enfrentava os soldados rasos da Tartaros que, de alguma forma, estavam conseguido conter o avanço da guilda. Mard Geer achava que deveria agradecer a última Infinity Slayer por isso, pois ela havia derrotado alguns dos magos mais poderosos das fadas. E falando nela, ela se encontrava com uma das magas da Fairy Tail, aquela que derrotou Seilah, e ambas estavam na Nação das Bestas, a qual fora quase que totalmente aniquilada. Aquelas duas eram definitivamente perigosas. Mas agora, Mard Geer daria um fim a toda esta confusão.
— Senhor Mard Geer, eu localizei Crawford Sean, como solicitado. — disse Kyôka, enquanto entrava no recinto acompanhado pelo ex-presidente do Conselho.
— Bom. Agora, Mard Geer pode finalmente expurgar as impurezas que se infiltraram em sua base. — disse o homem, enquanto cruzava as pernas em seu trono — Prepare-se, ex-presidente. Assim que Mard Geer se livrar dos intrusos, você poderá voltar para a sala de comando e retomar o projeto Face.
— Mas... Mas senhor... O Face foi destruído. Como eu deveria... — o velho homem tentou argumentar, porém Kyôka o interrompeu.
— Quando você ativou o Face localizado no Vale das Cicuta, a busca pelo dispositivo não havia sido completada ainda. Ela estava em 0,005%. Não vê o que isto significa? — explicou Kyôka, fazendo com que o rosto do homem se contorcesse em surpresa.
— Não... Não me diga que... — Crawford tentou formular uma frase, mas desta vez foi Mard Geer quem o interrompeu.
— Existe mais de um Face. Análises iniciais feitas pelos arquivos que você nos concedeu acesso, apontam a existência de cerca de 2000 dispositivos Face neste continente.
— E agora, você é o único que pode ativá-los. — completou Kyôka.
Mard Geer apontou a mão para o lado e um círculo mágico negro surgiu nas pontas de seus dedos. Ele começou a emanar uma energia, também negra, que se espalhou pelo chão e pelas paredes do lugar onde estavam.
— Alegria: Destroyer of Soul. — disse Mard Geer, fazendo com que o poder que agora circulava pelo chão e pelas paredes assumisse um brilho vulcânico, como se lava fluísse em seu interior.
Pela lacrima de antes, Mard Geer, Kyôka e Crawford viram todos os inimigos e soldados rasos da Tartaros serem aprisionados por uma substância que surgia a partir do chão e das paredes. A substância tinha uma aparência viscosa e era negra, mas tinha um brilho alaranjado em seu interior. Nem mesmo os Infinity Slayer’s conseguiram evitar serem aprisionados.
— O... O que você fez? — perguntou Crawford.
— “Alegria” é a maldição responsável por transformar a base voadora de Mard Geer, o Cubo, em sua verdadeira forma: o Etherious colossal, Plutogrim. — explicou Mard Geer, voltando a relaxar em seu trono, enquanto observava todos os seus inimigos presos — “Destroyer of Soul” é uma variação que Mard Geer fez na maldição original. Agora, todos aqueles presos no interior de Plutogrim terão suas existências completamente consumidas.
— Que macabro. — disse Crawford.
Mard Geer sorriu.
— Este é o destino daqueles que se voltam contra os demônios de Zeref.
Próximo capítulo: De Volta do Abismo
Fale com o autor