My New Life

25 De Volta do Abismo


Notas iniciais
— Os personagens de Fairy Tail não me pertencem. Grande parte dos personagens da Fanfiction são criações do mangaká Hiro Mashima. — Alguns dos personagens da Fanfiction (Ex.: Draco, Vitous, Urano) são criações próprias. PS: O personagem Urano foi criado com base no deus grego de mesmo nome. PS2: O personagem Draco, teve o nome inspirado na constelação de dragão. — O conteúdo da Fanfiction (Ex.: Magia Infinity Slayer, Dragon Soul) são criações próprias e não devem sob hipótese alguma ser inseridos em Fanfictions de terceiros. Caso você conhece alguma Fanfic com algum dos elementos originais deste enredo, por favor denuncie. — A primeira parte da sinopse desta Fanfiction foi escrita pela usuária NoRedemption. Ela está sendo usada com permissão dela. Aproveito o espaço e agradeço pela colaboração da leitora. E então pessoal? Faz um bom tempo que eu não escrevo notas iniciais, não é? Sinto até que esqueci como fazer isso, mas vou tentar... Primeiro, quero me desculpar por passar tanto tempo sem postar. Mas preciso que entendam que não foi por preguiça nem nada disso. Foi porque eu simplesmente perdi completamente o meu entusiamo para escrever. Então eu resolvi dar um tempo da Fic. Achei que me faria bem. Eu havia até mesmo começado a ignorar notificações em relação a ela, como favoritos e comentários. Mas de uns tempos pra cá eu notei que, mesmo a quantidade de leitores que me dão um feedback seja pequena, eles merecem ver a Fic terminada e é por eles que eu decide continuar. Segundo, provavelmente meus futuros capítulos não serão grandes como os anteriores (+ 4000 palavras). Eu estou muito atarefado com a escola para ter tempo de fazer algo tão grande. Bem, por enquanto é só. Agradeço desde já por ler o capítulo e desejo uma boa leitura. :3

Marcus

Eu não conseguia acreditar no que meus olhos podiam ver. Como era possível que o cenário tenha mudado de forma tão radical e repentina? Não pude evitar que meus olhos se enchessem de lágrimas, nem que as mesmas deslizassem de forma descontrolada por meu rosto.

Um sentimento de tristeza sem igual se abateu sobre mim, fazendo-me sentir como se um buraco tivesse surgido em meu peito. Tudo que eu podia pensar era no quão cruel e assustadores os últimos acontecimentos foram. Tão assustadores, que eu mal podia me mover, devido o choque.

Por isso eu apenas me mantive ali, ajoelhado no chão, distante da minha versão jovem e do meu irmão recém-descoberto. Apenas observando com completo pânico a forma na qual o ambiente ao meu redor se encontrava.

Corpos, ou pelo menos a maior parte deles, estavam espalhadas por todo o campo, enquanto um lago de sangue começava a cobrir a grama outrora verdejante. O fogo que tomava conta da clareira já havia se extinguido, deixando apenas uma grande área queimada e uma nuvem de fuligem que caia vagarosamente. Era como um cenário de guerra, repleto de dor, de desespero, de morte e de silêncio. Um silêncio macabro, como se o próprio Ceifador andasse por aquele lugar amaldiçoado, coletando as almas daqueles que não mais precisavam delas.

E então, um grito quebrou o silêncio medonho. Um grito infantil, carregado de medo e dor. Um grito que assustava muito mais do que qualquer coisa naquele lugar repleto de desespero.

— Por favor, irmão... Will... Acorda. — falava o pequeno Marcus completamente descontrolado, segurando a cabeça do irmão sobre seu colo — Por favor, por favor, por favor...

O pequeno estava em pânico e, para piorar ainda mais o seu estado, Will nem mesmo se mexia. Com muito esforço, consegui me levantar e comecei a andar vagarosamente até eles. Mover minha perna para dar um pequeno passo era como erguer uma tonelada: difícil e devagar.

Após algum tempo eu os alcancei e me ajoelhei ao lado deles. De perto o estado de Will era ainda mais preocupante. Os sangramentos pelo corpo do rapaz não paravam e, ao que parecia, haviam piorado desde a última vez que eu os vi.

— Por favor, alguém... Alguém o salve. — implorou o pequeno, desfazendo-se em lágrimas — Qualquer um. Eu... faço qualquer coisa.

Não diga isso. Não diga isso.

— Qualquer coisa? — perguntou uma voz extremamente grave — Esteja certo do que fala, criança.Tem certeza?

— Sim. Qualquer coisa. — respondeu o pequeno.

— Não. Não faça isso. — gritei, pois sabia exatamente o que aconteceria agora. Ele apareceria.

— Mesmo se não fosse para viver ao lado dele? — disse o homem de armadura vermelha de antes, sendo que desta vez ele se encontrava a frente do menor, envolto em sombras.

— Isso não importa. Eu só quero que ele viva. — explicou a criança, entre lágrimas.

— Sendo assim, use isto. — disse o homem, enquanto retirava uma adaga vermelha de seu cinto. A lâmina era ondulada e possuía uma empunhadura negra — Acerte o coração dele.

O que? Mas desta forma ele iria simplesmente matá-lo.

— Não. Você disse que iria salvá-lo... E agora quer que eu o machuque?

— Permita-me explicar, pequeno. Esta é a adaga do deus Moros, a Adaga do Destino. Aquele que tiver o coração perfurado por ela é levado até Moros e, se for digno de tal presente, ganha uma nova vida. Ele terá a mesma aparência, o mesmo comportamento, porém não se lembrará de você e de sua antiga vida. — o homem explicou, e eu devo admitir, era uma proposta tentadora.

Se fosse para salvá-lo, aquele pequeno sacrifício seria o mesmo que nada. Afinal, ele poderia simplesmente encontrá-lo em um futuro próximo, não poderia? Não, isso nunca aconteceria. Pactos como esse sempre significavam perder algo em troca daquilo que você quer.

— Eu aceito. — disse o pequeno convicto.

— Pare, não faça is… — tentei dizer algo, mesmo que em vão, mas fui impossibilitado por mãos que envolveram meu pescoço.

— Você vê, criança? Você buscou a salvação que apenas eu poderia lhe dar. — disse o homem de armadura de antes. Ele era idêntico aquele que colocava a Adaga de Moros nas mãos de minha versão mais jovem.

— E eu suponho que minha alma seja a moeda de troca usada neste pacto. Estou certo? — perguntei, usando o ar que me restava.

— Precisamente. Eu não achei que fosse necessário contar na época, afinal, esta bela marca no seu pescoço já prometia sua existência a mim.

— E quem é você?

O homem riu, enquanto aliviava a pressão posta em meu pescoço.

— Eu sou aquilo que habita dentro de você… Não. Seria mais preciso dizer que você e eu somos um só. — disse o homem — Eu sou o seu verdadeiro eu.

— Pare de brincar comigo. Qual é o seu nome? — contestei irritado.

— Para termos um nome, nós teríamos que ser apenas um. Sendo que na verdade…

Ele interrompeu a própria frase e o lugar ao nosso redor começou a se diluir em névoa. A última cena que consegui ver de minha versão mais nova foi a dela cravando a Adaga do Destino no peito de Will. Após o mais novo fazê-lo, o corpo do mais velho brilhou fracamente, e em seguida se desapareceu em uma poeira dourada.

O campo verdejante e queimado sumiu de minha vista e um lugar de solo vulcânico surgiu ao meu redor. Na verdade, seria mais correto dizer que o lugar era o interior de uma gigantesca caverna. Uma tão grande, que as únicas coisas que se podia ver do teto eram as estalactites pontiagudas que pareciam poder desabar a qualquer momento.

As paredes da caverna também não podiam ser vistas. O interior era tão amplo que possuía cadeias de montanha de se perder de vista, nas quais lava fervente fluía de forma calma.

As mãos ao redor do meu pescoço desapareceram, porém a pressão que me impedia de respirar permaneceu, só que desta vez ela era mantida por uma vinha negra com escritos em vermelho brilhante que também envolviam meus braços e pernas. Tais vinhas vinham de uma planta que ficava abaixo de mim, retendo meus movimentos e meu poder mágico. Eu me encontrava alguns metros acima do chão, tendo assim uma visão completa de tudo que estava ao meu redor.

Sombras começaram a surgir e a se movimentar pelo solo. Seus movimentos eram rápidos e organizados, como se tivessem se preparado para este momento por muito tempo. Parecia que um oceano de trevas se formava a minha frente.

Mas então, as sombras começaram a se separar do solo, assumindo formas humanas escuras. Não conseguia ver nenhum rosto naquele momento, mas isto mudou assim que a escuridão começou a escorrer dos corpos formados, voltando para o chão e deixando a minha frente dezenas de homens com trajes de batalha completos. E a frente de todos eles estava o homem de antes, aquele que me arrastou para tudo isso.

— ... Nós somos muitos. — ele completou com um sorriso de satisfação no rosto.

Meus olhos se arregalaram quando eu finalmente despertei do choque causado pela mudança de cenário e comecei a reparar no poder mágico que emanava daquelas pessoas. Era enorme. Não. Dizer que este poder era enorme era um eufemismo. Um poder deste tamanho não deveria existir. Não era possível que existisse.

— Quem...? — eu ia perguntar, mas as palavras escaparam da minha mente. Tudo que eu podia fazer era tremer. Isto fez com que eles rissem em uníssono.

— Finalmente se deu conta, não é? — perguntou o homem de armadura vermelha enquanto se aproximava de mim. As vinhas se movimentaram e me aproximaram dele. A cada centímetro que desaparecia entre nós, o poder mágico dele se tornava mais e mais assustador. — Eu sou o Grande Rei dos Setenta e Dois Pilares do Submundo. Meu nome é Bael. É um prazer finalmente revê-lo, Marcus. Estes atrás de mim são os outros Setenta e Um Pilares.

Ao mesmo tempo em que se apresentava, Bael fez uma reverência breve, mas eu sabia que aquilo não era uma demonstração de respeito ou cortesia. Ele estava apenas debochando de mim.

— Não posso dizer o mesmo. — respondi quando finalmente consegui formar uma sentença.

Ele sorriu de escárnio.

— Pelo visto você tem mais a ver conosco do que eu pensava. Gosto disso. Torna tudo bem mais fácil.

— Torna o que mais fácil? — questionei entredentes.

— Vamos por partes, querido. Não quero sobrecarregar sua mente. Antes de qualquer coisa eu gostaria de lhe fazer uma pequena pergunta: você deseja voltar à vida?

Mard Geer

— Vá, presidente. Acione os Faces. Todos eles. — disse Mard Geer — E que desta vez, não aconteça nenhuma falha.

— Sim, senhor. — respondeu o velho. Ele cambaleou e saiu do recinto, rumando até a sala de controle.

Kyôka permaneceu à frente a de Mard Geer.

— Senhor, não estou questionando suas decisões, mas tem certeza que este homem é confiável? — perguntou a Etherious.

— Não. Nunca se deve confiar em um traidor. Ainda mais um que trai a própria espécie. — disse Mard Geer — Contudo, ele é útil e facilmente manipulado, então por ora Mard Geer acreditará que ele fará o necessário para a libertação de E.N.D.

Mard Geer olhou para lacrima de visualização que flutuava a sua frente. Ela mostrava o ex-presidente se movendo pelos corredores.

— Entretanto, Mard Geer confia em você, Kyôka, para eliminá-lo assim que o Projeto Face estiver finalizado. A simples ideia de um humano se considerar no mesmo nível de um demônio dos livros de Zeref dá náuseas a Mard Geer.

— Sim, senhor. — respondeu Kyôka, enquanto se ajoelhava.

— E quanto aquele outro plano? Como ele está?

A mulher se levantou e foi até a lacrima, mudando o local que ela mostrava dos corredores para o que restava do Hell’s Core.

— Todas as cópias da Lamy estão trabalhando sem parar. H.E.L.L. estará pronto para o combate em pouco tempo. Mesmo com a destruição do Hell’s Core, Lamy conseguiu dar um jeito para manipular o poder das maldições dos Nove Portões Demoníacos que foram derrotados até agora. Uma parte desse poder foi dada a mim assim que eu fui ressuscitada usando o protocolo emergencial a base de ethernano. A outra parte está sendo transferida a H.E.L.L. enquanto falamos. — explicou a mulher — Mas senhor, qual a necessidade disto? Digo, os inimigos foram aprisionados e em breve eles estarão mortos.

Mard Geer sorriu.

— Você não consegue sentir, Kyôka? As duas coisas que estão vindo para cá neste exato momento?

— O que est... Não. — Kyôka ia tornar a falar, mas se conteve.

— Um poder assombroso que há muito Mard Geer não sentia. Ele está próximo e chegará dentro de alguns minutos. Quanto ao nosso segundo convidado, ele está a uma boa distância. O Face será ativado a tempo e ele será derrotado sem causar danos aos planos de Mard Geer.

Kyôka estremeceu no lugar.

— O que é esse poder, meu senhor?

Mard Geer sorriu de contentamento antes de responder.

— A Fênix.

Marcus

— Voltar à vida? — perguntei — Eu... Eu estou...?

— Morto. Este é o único motivo para você estar aqui, conosco. — respondeu Bael.

O choque da afirmação fez a minha cabeça ferver. Eu não podia estar morto. Não podia. Se eu estivesse morto, o que aconteceria com os outros? Lucy estava lutando na última vez que eu a vi. John estava desabando por causa do meu estado anterior. O meu... estado. Eu fui envenenado por Kyôka. Eu... estou morto de verdade. Eu estou...

Minha cabeça pendeu para frente e lágrimas se acumularam em meus olhos. Eu não podia acreditar, eu não queria acreditar que aquilo estava acontecendo de verdade.

— Se eu... Morri, que lugar é esse?

— Simples. Este é o inferno. — respondeu Bael com extrema naturalidade.

Não. Não é possível. Este lugar... Não pode ser. Eu fui mesmo condenado a este lugar?

— Não. É impossível. — respondi minha própria pergunta — Eu não posso estar morto. Não completamente morto, pelo menos. Mesmo que minha magia esteja contida, eu ainda posso sentir meu poder mágico. Espíritos não possuem poder mágico.

— De fato, você tem razão. Você não está completamente morto. Pelo menos, ainda não. — disse Bael — Mas isso vai acontecer se não formos rápidos. Precisamos te mandar de volta para o mundo dos vivos o mais rápido possível.

Minha expressão transmitiu o quão incrédulo eu estava com o que foi dito.

— Por que você iria querer me salvar? Você é um demônio. Um dos demônios da Chave Menor de Salomão. Você não é bom. Sua existência se resume a fazer o que você mesmo quer.

A expressão do demônio foi tomada por contentamento.

— Exato. Eu apenas faço o que quero. — disse ele.

Os outros demônios começaram a se tornar sombras novamente. Seus corpos fluíram para o chão e em seguida foram na direção de Bael. Essas sombras se acumularam embaixo dos pés do homem de armadura vermelha, formando uma camada de trevas que começou a adentrar no corpo do Rei Demônio.

O aspecto dele mudou. Seus olhos brilhavam com um vermelho ainda mais intenso e sua pele tornou-se​ ainda mais pálida em contraste com a escuridão que emanava de seu corpo. Sua estrutura ficou ainda mais sólida, pelo menos visualmente, já que seus músculos aumentaram e sua estatura cresceu.

— E o que me agrada. — prosseguiu, enquanto dava passos pesados em minha direção. As vinhas que me prendiam me aproximaram dele mais um pouco — Apenas o que minha existência anseia. E... Apenas aquilo que eu amo.

Ele terminou de falar me dando um beijo. Eu tentei me afastar, mas minha cabeça estava imobilizada, então tudo que eu pude fazer foi comprimir os meus lábios e esperar que ele se afastasse.

— Relaxat. — disse, ainda próximo a mim.

Uma sensação de leveza se abateu sobre meu corpo, me pondo em uma espécie de torpor. Meus músculos relaxaram, assim como minha boca. Eu havia perdido o controle sobre meu próprio corpo.

O homem intensificou o beijo, pondo sua língua na minha boca, mas eu não senti nada. Minha cabeça estava distante demais para sentir qualquer coisa. Ou era isso que eu achava, até que Bael cessou o beijo, enquanto mordia meu lábio inferior. A dor fez com que minha mente estalasse.

— Você é mais delicioso do que eu achei que seria. — disse Bael, enquanto lambia os próprios lábios, os quais estavam manchados com um pouco do meu sangue — Mas eu não devia ter me permitido levar desta forma. Desculpe.

— Vai pro inferno. — gritei.

Minha raiva naquele momento não podia ser medida de forma alguma. A forma como ele me forçou aquele beijo fez com que eu sentisse nojo do meu próprio corpo.

— Já estou nele. — disse em um tom de seriedade, enquanto segurava meu rosto entre suas mãos. Eu tentei mordê-lo, mas ele conseguiu evitar meus dentes e tocar minhas bochechas — Você é nosso desde o dia do seu nascimento. Nós te amamos antes mesmo de você nascer. Nós estamos destinados, meu amor. — ele completou, se aproximando e colando nossas testas.

— Fique longe de... Hum... — eu tentei falar para ele se afastar, mas ele comprimiu minhas bochechas, me impedindo de dizer qualquer coisa.

— Mas você ainda não está pronto. Você ainda tem fé naquele mundo e nas pessoas que habitam nele. — disse ele, separando nossos rostos e me olhando nos olhos — Você precisa voltar. Voltar e ver que tudo aquilo é o verdadeiro inferno. E apenas quando você não tiver mais nenhuma fé na humanidade, e não antes disso, eu irei lhe buscar e nós reinaremos supremos. Mas, mesmo que eu queira te ressuscitar, eu preciso fazer isso com base em um contrato.

Bael se afastou de mim, soltando meu rosto. Com um aceno de mão simples um círculo mágico surgiu entre nós dois.

— Para permitir sua volta ao mundo dos vivos, eu preciso lhe impor uma condição. — disse ele.

— Não vou lhe dar nada. — respondi mais alto do que precisava. Meu descontrole era evidente.

— Escute a oferta antes de recusá-la, meu amor. É assim que os negócios funcionam. — disse ele. Eu rosnei ao ouvir o "meu amor" — Logo após você usar a Adaga de Moros no seu irmão, o deus Caos te achou e te levou até os dragões e até seu pai adotivo. Juntos, eles conjuraram um poderoso selo capaz de suprimir o poder da Marca dos Demônios, em outras palabras, este selo bloqueia a conexão entre você e eu, além de bloquear sua memória. — completou, falando esta última parte em um tom de desagrado.

— E isto é algo ruim? Porque para mim foi maravilhoso não ter você na minha cabeça. — provoquei.

O rosto dele se contorceu em raiva e ele se aproximou de mim rapidamente, transbordando poder mágico.

— Você não entende. Para mim, é como se esse selo me impedisse de respirar. Como se ele me impedisse de pensar direito. — ele gritou — Eu só podia sonhar com você. E isto é longe de ser o bastante.

— Nós nunca...

— Mas por agora, vamos resolver este problema primeiro. A condição do contrato é a quebra deste selo. Você é o único que pode permitir isso.

Quebrar o selo? Isso faria com que minha mente e a dele se conectassem diretamente pela marca, não é? Se eu fizer isso, ele teria acesso total a mim quando bem entendesse. E então, uma ideia aterrorizante passou pelo meu cérebro. Uma vez conectado a mim, ele poderia assumir o controle do meu corpo e...

— Não! Isso não vai acontecer. Eu prefiro enfrentar o inferno. — respondi, o encarando diretamente.

Essa era a resposta óbvia tanto para mim quanto para ele. Bael, porém, não agiu da maneira que eu esperava. Ao invés de surtar, como eu pensei que ele fosse fazer, ele simplesmente sorriu. Um sorriso que dizia "Você fez exatamente o que eu esperava que você fizesse".

Eu não entendi a reação dele, mas então o círculo mágico que flutuava entre nós dois começou a mostrar imagens de pessoas que eu reconheci, fazendo meu queixo cair.

Katherine, Carol, Lucy, Mira... Todas estavam petrificadas. Mas não era uma petrificação comum, com certeza. Uma energia vermelha fluía pela rocha que as aprisionavam.

— Que tal vermos onde o seu corpo está no meio de toda essa bagunça? — perguntou Bael, com extremo sarcasmo.

Com o que ele disse, a imagem do círculo mágico mudou, mostrando John. Ele estava pretificado assim como as meninas e com o meu corpo entre seus braços, mas ele estava usando uma armadura que eu jamais vi antes. Será que ele...?

— Sim. Ele usou a Marca dos Cavaleiros. Ele é bem forte. Não tanto quanto nós seríamos juntos, mas é mais forte que a maioria com certeza. — explicou o demônio.

— O que fez ele... Usar a o poder da marca? — perguntei, afinal aquilo não fazia sentido.

A Marca dos Cavaleiros do Apocalipse era tão incontrolável quanto a dos Demônios. John é o cara mais calmo e centrado que eu já conheci em toda minha vida. Não consigo imaginar algo que o fizesse ficar desesperado a este ponto.

— Você. — disse Bael, me fazendo arregalar os olhos em surpresa — Você morreu nos braços dele. Eu sei que isso é um tanto perturbador, mas ainda assim eu sintia que havia algo faltando. Depois que seu coração parou de bater, as coisas se tornaram mais claras.

— Do que... Do que você está falando?

Ele fez uma pausa e seu rosto se contraiu em uma carranca antes de falar.

— Aquele homem te ama. Depois que você morreu, ele se descontrolou e começou a se declarar para o seu corpo. Depois disso, alguns inimigos apareceram. Ele simplesmente começou a descontar toda a raiva que estava sentindo neles.

Ele... Ele o que?

Uma série de lembranças cortou meu cérebro como feixes de luz. Em todas elas, John estava ao meu lado. Em todas, sem exceção. E em cada uma delas, ele se preocupava comigo de uma forma diferente.

Me lembrei de quando nós dois tínhamos dez anos e fomos dar uma volta na floresta ao oeste de Gardênia, onde um Vulcan nos atacou. Ele havia tentado tomar controle do meu corpo usando o Take Over, mas John o cortou em dois assim que ele descobriu que eu era o alvo do monstro. E essa não foi a primeira vez que ele me protegeu de algo.

Eu perdi a conta do número de vezes em que ele me abraçou forte e dormiu comigo, quando eu tinha pesadelos. Ele escutava meus gritos e corria para o meu quarto no meio da noite. Em seguida, entrava devagar embaixo dos lençóis e me abraçava com força, enquanto eu afundava minha cabeça em seu peito e começava a chorar. Este era o único jeito que eu conseguia dormir. Nem mesmo Erik conseguia fazer algo quanto a isso.

Ele passou tanto tempo cuidando de mim, demonstrando carinho e afeto, e eu nunca nem sequer imaginei que ele poderia se sentir desta forma em relação a mim. John me amava? Eu nunca considerei essa hipótese em toda minha vida. Eu o amo? Não saberia dizer. Pois até hoje eu nunca notei o quão necessário ele era para mim... Mas ele era.

— Eu... Eu aceito o contrato. — disse firmemente, enquanto olhava a imagem de John que flutuava no círculo mágico.

O rosto de Bael foi tomado por alegria. Eu entendo que estava dando exatamente o que o demônio queria, mas eu não podia abondonar meus amigos. Eu não podia abandonar John. Eles... Eles vão morrer se eu não fizer nada.

— Sendo assim...

Bael começou a recitar um cântico. Conforme as palavras eram ditas, as escrituras nas vinhas que me prendiam começaram a brilhar mais intensamente. Mais do que isso, o próprio inferno estava ressoando.

O chão tremia e os vulcões ao longe entravam em erupção. Uma quantidade enorme de poder mágico estava sendo liberada pelo demônio. Meu corpo começou a brilhar lentamente em tons vermelhos.

— O selo já foi quebrado, Marcus. A partir de hoje, você e eu estamos conectados. — disse Bael com um sorriso de satisfação — Assim que voltar, seu corpo estará livre dos efeitos da maldição Alegria, afinal, ela só "engole" os vivos.

Meu corpo se tornava cada vez mais etéreo e minha consciência estava começando a falhar. A mente humana com certeza não estava pronta para passar por esse tipo de experiência.

— Até uma próxima vez, meu amor.

Próximo capítulo: Sozinho nos Portões do Inferno.

Notas finais
Bom, é isso. Obrigado por ler. Não esqueça de comentar e até o próximo capítulo. Bjs e até lá :3