My New Life

23 Inferno Astral


Notas iniciais
- Os personagens de Fairy Tail não me pertencem. Grande parte dos personagens da Fanfiction são criações do mangaká Hiro Mashima. — Alguns dos personagens da Fanfiction (Ex.: Draco, Vitous, Urano) são criações próprias. PS: O personagem Urano foi criado com base no deus grego de mesmo nome. PS2: O personagem Draco, teve o nome inspirado na constelação de dragão. — O conteúdo da Fanfiction (Ex.: Magia Infinity Slayer, Dragon Soul) são criações próprias e não devem sob hipótese alguma ser inseridos em Fanfictions de terceiros. Caso você conhece alguma Fanfic com algum dos elementos originais deste enredo, por favor denuncie. — A primeira parte da sinopse desta Fanfiction foi escrita pela usuária NoRedemption. Ela está sendo usada com permissão dela. Aproveito o espaço e agradeço pela colaboração da leitora. Oi, oi, oi. Seus lindos, como vocês estão? Eu estou extremamente cansado por causa das minhas provas, hehe. Mas fazer o que? Vida de estudante é assim. Enfim, perdão pela demora, mas eu acho que foi um período justificável sem postar. A partir de agora eu voltarei a escrever no ritmo normal e tentarei ao máximo trazes um capítulo por semana. Bem, eu queria avisar que eu editei o cap. 2. Ele está muito melhor agora. A única modificação que eu fiz quanto ao enredo, foi acabar com aquele história de Mundo do Infinito e Imperatriz, porque eu vi que era uma coisa infantil e sem graça. Bem, aproveitem o capítulo e avisem sobre qualquer erro. :)

Marcus

A respiração de Marcus foi cortada. As mãos ao redor de seu pescoço eram fortes a um nível desumano, além disto, o rapaz jamais enfrentara alguém com uma presença tão maligna e sombria quanto a deste ser, o qual o mago mal sabia o que era.

— Pa... Pare. — disse o rapaz com a pequena quantidade de ar que lhe restava.

Ele tentava se soltar utilizando de suas mãos, porém sua força falhava e o ser parecia não cometer nenhum deslize que permitisse a fuga do rapaz.

— Não se preocupe criança. Eu não pretendo lhe matar, apenas desejo que você sofra um pouco. — disse a coisa, com uma voz extremamente grave.

O rapaz olhou para o lugar onde ele achava que a criança de antes se encontrava, mas ela havia desaparecido. Mas o mais esquisito nela, era o fato de ela ser idêntica a Marcus quando este era mais jovem. Na realidade, ele era exatamente igual. Mas agora não era hora de pensar nisto, pois ele precisava se libertar de algum jeito.

— Quem... É... — disse Marcus, mas ele não pôde concluir sua frase.

— Você? — completou o ser — Você descobrirá em breve, mas por ora, você precisa lembrar.

O rapaz se espantou. Lembrar? Do que? O que haveria para o garoto se lembrar sobre esse ser, ou sobre este lugar?

E então, a pressão ao redor de seu pescoço desapareceu, assim como a presença sombria atrás de si. E, para deixá-lo ainda mais surpreso, ele caiu numa imensidão sombria e fria. Ele olhou para cima e pôde ver o interior da cabana se afastar, enquanto que ele caia em um túnel de sombras.

Marcus gritaria, mas aquilo não resolveria em nada sua situação. Então ele se acalmou e se voltou na direção na qual caia, esperando para ver o que aconteceria. E, do nada, uma paisagem rural surgiu abaixo dele e o rapaz se chocou fortemente contra o chão.

— Ai! — exclamou o mago em sinal de dor.

Ele se encontrava estirado em uma área gramada. A esquerda dele havia um pequeno vilarejo, enquanto que a sua direita, uma cadeia de montanhas se estendia até onde os olhos podiam ver. As montanhas possuíam neve em seus cumes e uma floresta de pinheiros em sua base.

Marcus se sentou no chão e removeu os pedaços de grama de seu cabelo, enquanto tentava por seus pensamentos em ordem, mas ao que parecia estes se recusavam a cooperar. Sua mente borbulhava e doía. É quase como se ela estivesse tentando ordenar diversas coisas ao mesmo tempo, mas não conseguisse.

O rapaz se levantou e analisou o vilarejo, que se encontrava a cerca de cem metros de si. Este possuía construções simples, mas que pareciam ser aconchegantes, dentre as quais havia um estábulo com alguns cavalos. Além disto, havia uma construção que se destacava das demais devido o seu tamanho e formato, apontando que ela deveria ser a igreja da pequena vila, e, caminhando calmamente por esta, se encontravam pessoas fazendo diversas tarefas.

Marcus analisou todas as informações que possuía no momento e fez algumas conclusões. Ele não achava que estava muito longe do local de antes, afinal o ser que o atacara pelas costas não o mandaria longe, não se houvesse risco que o rapaz escapasse. Mais além, também era possível que sua presença no pequeno vilarejo pudesse atrair a atenção do ser para a vida daquelas pobres pessoas, envolvendo-as em um problema que não é delas. Ou talvez, a pequena localidade humana fosse uma criação feita no objetivo de enganá-lo.

Ambas as teorias eram preocupantes, mas o rapaz não tinha escolha. Seu poder mágico estava esgotado por algum motivo, assim como seu corpo, o qual possuía uma série de ferimentos por seu tronco, os quais eram visíveis, já que ele estava sem camisa. Mas afinal, o que acontecera a ele?

Bem, isto não era o foco principal no momento. Ele precisava de informação e o único lugar onde ele conseguiria seria naquele vilarejo. Uma visita rápida não faria mal, nem a ele nem aos moradores.

Sendo assim, ele se levantou e deu um passo em direção a vila, porém se deteve. Uma sensação estranha percorreu seu corpo, fazendo-o suar frio. O rapaz, então, olhou por cima do ombro e analisou com cuidado o que se encontrava atrás de si: a montanha.

Marcus havia a ignorado a princípio, porém uma das montanhas atrás dele emitia uma sensação desconfortável, quase como se os seres mais sombrios do mundo estivessem ali, a espreita, aguardando pelo momento em que iniciariam uma carnificina. A sensação era tão tenebrosa que o corpo do rapaz queria correr para longe dali o mais rápido possível.

— Assustador. — disse Marcus para si mesmo.

Mas desde quando ele falava sozinho? Marcus pensou nisto e sorriu, esquecendo momentaneamente seus problemas. Porém ele precisava se apressar, pois o Sol estava perto de se por. E então, ele rumou até o pequeno vilarejo, esperando encontrar alguma resposta.

Mirajane

Mira chegou ao momento perfeito para salvar a maga celestial.

A albina fora guiada até a chamada Nação dos Monstros pelo soldado da Tartaros. O pobre homem tremia de medo a cada passo que dava, mas a maga não se sentia nem um pouco mal com isso, afinal quem mandara ele se juntar a uma DarkGuild? Ambos avançaram até uma parte da base da guilda onde quase tudo estava em ruínas e, mesmo a distância, era possível ouvir o rugido de diversos monstros.

E então, um raio amarelo brilhou alguns metros à frente.

— Lucy. — disse Mira.

A albina correu na direção da luz, ignorando completamente o seu guia. Em questão de segundos ela estava no ar, chutando a mandíbula de um monstro de aparência reptiliana. A besta escamosa estava prestes abocanhar a maga celestial.

Enquanto a criatura caia, Mira invocou uma pequena quantidade de livros e os juntou, formando uma plataforma na qual ela pousou, ficando próxima a maga celestial.

— Você está bem? — perguntou a albina com preocupação, mas sem tirar os olhos dos monstros que agora rondavam as duas magas.

— Mira? — perguntou Lucy surpresa, porém, na frase seguinte, seu tom de voz se tornou agressivo e cheio ódio — O que você está fazendo aqui?

— Nossa. Isso é jeito de falar com alguém que acaba de salvar a sua vida? — questionou Mira, olhando a loira por cima do ombro — E pensar que eu ia te pedir desculpas.

Mira sorriu irônica, num claro tom de brincadeira, porém mesmo assim Lucy pareceu se irritar.

— Eu não preciso da sua ajuda. — rosnou Lucy, formando uma lança de luz em sua mão e arremessando contra o monstro mais próximo.

A fera desapareceu com o poderoso ataque celestial da loira.

— Estou vendo. — disse Mira, analisando a forma da loira com um ar de curiosidade — Incrível.

A verdade é que Mira estava completamente admirada com o poder que fluía de Lucy, o qual superava em muito o seu. Era quase como se a garota tivesse adquirido o poder dos deuses… Não… Era como se ela tivesse se tornado uma deusa.

— Bem, independente do que você precise ou não, eu estou aqui e você vai me ouvir. — disse a albina, carregando suas palavras com a influência sobrenatural do Macro.

Lucy tremeu por um momento, arregalando os olhos e desfazendo sua expressão raivosa. Mas em seguida...

— Não. Ouse. Tentar. Me. Controlar! — disse Lucy pausada e ameaçadoramente.

A loira formou uma esfera de luz em sua mão esquerda e arremessou em direção a Mira. O ataque passou a milímetros de distância da bochecha esquerda da albina, causando surpresa e medo a ela e acertando um monstro semelhante a um urso, que se esgueirava por trás da mulher.

— Não fique no meu caminho, senão será a última coisa que você fará. — ameaçou Lucy.

E então a loira retornou a batalha, ignorando Mira que ficou parada e estática, não acreditando nas ações de sua antiga amiga.

Marcus

Marcus chegou à entrada do vilarejo e analisou as pequenas construções a sua frente. Nenhum dos moradores que andavam pelo local parecia notar sua presença, ou se eles notavam não pareciam se importar com o rapaz desconhecido e ferido.

Ele seguiu em frente buscando, dentre as pequenas casas, alguma que se assemelhasse a uma prefeitura, ou algo do gênero. Afinal, ele precisava de informações. Mas então, um pequeno objeto voou em sua direção, caindo aos seus pés. Uma pequena bola vermelha, a qual despertou algo na mente do rapaz.

— Boa pirralho. Chutou a bola para fora do campo. Vá buscá-la! — disse uma voz infantil, carregada de ironia e raiva.

Marcus levou os olhos até a fonte da frase e seus olhos encontraram um grupo de dez crianças reunidas à frente de um menino que tremia.

— Si... Sim. — disse o pequeno, completamente nervoso e intimidado.

O sangue do rapaz ferveu e sua expressão se contorceu em uma carranca. Ele não suportava presenciar cenas como aquela, ainda mais entre crianças. Aqueles pirralhos levariam uma bronca da qual jamais se esqueceriam.

Marcus se abaixou pronto para pegar a bola vermelha que se encontrava a seus pés, porém, quando ele tentou tocá-la, suas mãos a atravessaram completamente, como se ele estivesse tentando agarrar ar.

— O que? — questionou o moreno.

Ele tentou novamente, porém o acontecido se repetiu. Era quase como se o objeto não existisse. Marcus estava tão surpreso com o que acontecia que quase não notou o garoto se aproximando e se abaixando para pegar a bola, ignorando completamente o homem a sua frente.

Marcus olhou para a criança e sua boca se abriu em surpresa. Ele era o mesmo garoto de antes, ou seja, era idêntico ao mago quando ele era mais novo. O pequeno pegou o objeto e se levantou, enquanto Marcus levou sua mão em direção ao braço da criança.

— Ei. Espere! — disse o rapaz, porém o outro pareceu não ouvir o chamado e a mão de Marcus atravessou o corpo do menino da mesma forma que atravessara a bola, causando ainda mais pânico.

Como isso tudo poderia ser possível? Seria ele algum tipo de fantasma? Pois esta seria a única explicação válida para a atual situação. Após se levantar em um salto, Marcus começou, desesperadamente, a tentar falar com as pessoas ao seu redor. Ele perguntava coisas como, “Você pode me ver?” e “Que lugar é esse?”. Porém ninguém lhe deu atenção ou o notou.

Espere. Uma coisa importantíssima voltou à mente de Marcus. O menino? Para onde ele fora? O rapaz olhou ao seu redor e viu o menor correndo de volta ao grupo de crianças. Não perdendo tempo, ele correu até lá, se aproximando rapidamente e ficando atrás do garoto.

— Francamente, tinha que ser você, não é? — disse uma menina com cara de brava, dirigindo-se ao menino — Por que você não faz um favor para todo esse vilarejo e se tranca em casa para sempre?

— Eu... Eu sinto muito. — respondeu o pequeno, com os olhos fixos no chão — Ma... Mas não há motivo para dizer uma coisa dessas. Eu já peguei a bola.

O tom de voz do pequeno era completamente inocente. Ele ergueu a bola a frente de seu corpo e outro menino rapidamente a pegou.

— Não há motivo? Você é cínico ou imbecil? Todos aqui sabem que você é uma criança amaldiçoada. Admita isso. — disse a menina de antes.

— Isso é mentira! — gritou o garoto, surpreendendo Marcus que o assistia e também as outras crianças — E não tenho maldição nenhuma. Você está inventando tudo!

Marcus olhou ao redor e sentiu a intensidade dos olhares das demais pessoas sobre a criança. Alguns até demonstravam certo ódio ao fazê-lo.

— Ah, é? Então porque a Montanha do Dente Quebrado se tornou perigosa desde que você e sua família chegaram aqui? Por que monstros têm atacado nossas casas e matado nossos animais? Admita, é você que eles estão buscando. Os demônios vieram para levá-lo de volta ao infer...

— Já chega! — disse uma voz grave que chamou a atenção de todos para seu dono.

Um homem extremamente parecido com Marcus se encontrava atrás do pequeno que agora encarava o chão, enquanto lágrimas caiam de seus olhos. Ele tinha olhos e cabelos castanhos, sua pele era clara e aparentava ter dezessete anos.

— Vão para casa. Agora. — disse o homem.

Todas as crianças fizeram cara de desgosto e correram em direção do que devia ser a igreja do vilarejo. As pessoas ao redor também pareceram voltar às suas atividades habituais.

— Vamos para casa. — disse o homem pondo a mão no ombro do menino.

O pequeno soluçou. Lágrimas se espalhavam sem controle por seu rosto.

— Ei. Pare, pare. — o maior disse se agachando e virando o outro para si — Não chore. Só está dando a eles o que querem e...

— É verdade? — perguntou o menor, parando de soluçar.

O homem pareceu se surpreender com a pergunta, tanto é que seus olhos se arregalaram um pouco.

— Como?

— É verdade? O que eles disseram sobre nós? Sobre mim?

O maior pareceu tremer por um segundo, mas sua resposta veio repleta de determinação.

— Claro que não. Monstros não perseguem pessoas assim, ainda mais meninos bons como você. — disse enquanto secava as lágrimas do menino com os polegares — Mas se eles estiverem atrás de você, saiba que eu jamais permitirei que eles te levem. Entendido?

— Sim... — respondeu o jovem entre soluços e enquanto secava as lágrimas restantes.

— Então vamos para casa. O pai e a mãe estão nos esperando, não é, Marcus?

A expressão do mago se contorceu em choque. Marcus? Como isso era possível? Além de aquela criança ter a sua aparência, ela ainda possuía seu nome? Afinal, qual o maldito problema com este lugar? Ele estava completamente incrédulo com tudo que presenciara até agora, tanto é que apenas encarava abismado o menino se afastar com o rapaz, rumo à última casa do vilarejo, a qual parecia ter sido depredada, pois suas janelas estavam quebradas e suas paredes pichadas. Os dois pareceram ignorar o estado da casa e adentraram na mesma.

— O que? O que é... — começou Marcus, mas ele não parecia saber como completar a frase.

— Você, meu querido. Isto é você. — disse uma voz grave atrás de si, a mesma de antes.

Marcus se lançou a frente, fazendo um movimento acrobático e se pondo de pé, virado para o ser que surgira atrás de si, o qual era estranhamente familiar. Era um homem, ou pelo menos era o que Marcus achava. Sua pele era pálida e seus olhos eram de um vermelho macabro, como se o sangue de milhares de inocentes estivesse refletido neles. Seu cabelo era grande e absolutamente negro, como se houvesse absorvido as trevas da noite mais profunda e assustadora de todas as eras. Seu traje era uma armadura vermelha com um dragão negro esculpido no peitoral e ele usava brincos que eram basicamente pequenos fragmentos de cristal.

— Não precisa ter medo de mim. Como eu disse anteriormente, eu não pretendo lhe ferir. Bem pelo menos não por enquanto. — disse o homem, enquanto observava o ambiente ao seu redor com um sorriso, quase como se conhecesse aquele lugar e estivesse feliz por voltar.

— Bem, quando se é asfixiado por alguém desconhecido, você começa a se tornar um pouco paranóico. — respondeu o rapaz, tentando não demonstrar choque ou medo, e tentando também conseguir alguma informação — Então, quem é você?

O outro riu.

— Por acaso você não se lembra de nada do que eu disse anteriormente? Você precisa lembrar, e quando você o fizer tudo estará claro. Você terá toda a informação para poder escolher.

— Escolher o que?

O outro sorriu sinistramente, mostrando presas pontiagudas.

— Algo que decidirá o destino do seu mundo. Agora, por que você não vai atrás daqueles dois? Tenho certeza de que descobrirá coisas, no mínimo, interessantes.

Assim que ele terminou sua frase, seu corpo começou a se desfazer em névoa negra e, à medida que se desfazia, o céu começou a escurecer, revelando uma noite sem estrelas. Era como se o corpo do homem se tornasse a escuridão que caia sobre o vilarejo.

Marcus olhou ao redor, questionando-se como anoitecera tão repentinamente, mas, pela expressão dos moradores, aquilo parecia normal. Mas ainda assim, as pessoas pareciam apressadas para entrar em suas casas, como se algo chegasse junto da noite. Algo perigoso. E então, quando Marcus deu por si, ele era o único que se encontrava na rua. Todos os demais estavam dentro de suas casas, apagando as luzes e fechando as janelas e cortinas.

Um vento gélido passou pelo lugar, vindo das montanhas. Se o rapaz não estivesse enganado, ele ouvira que o lugar se chamava Montanha do Dente Quebrado. Marcus tinha a impressão de já ter escutado este nome antes, mas não conseguia se lembrar sobre nada mais específico do que isso.

Então, vendo que não tinha escolha, e também querendo sair daquele lugar assustadoramente vazio, Marcus foi até a casa onde o menino e o rapaz haviam entrado. Ele olhou por uma janela cuja cortina não havia sido puxada e olhou lá para dentro, vendo uma família reunida na mesa.

Eram quatro pessoas no total. Dentre eles um homem notoriamente mais velho, porém o que acusava isto era o seu porte, que era sério e responsável, e uma mulher, que parecia possuir a mesma idade que o homem. Além destes, o menino e o rapaz estavam lá também. Todos tinham características parecidas, como o cabelo e os olhos castanhos. Eles pareciam jantar calmamente, mas Marcus podia sentir uma tensão no ar, como se uma bomba fosse explodir a qualquer momento.

O olhar do mago focou no pequeno. Ele se encontrava na ponta da mesa e mexia desanimadamente em sua comida, usando o garfo.

— Querido, por favor. — começou a mulher, que estava no centro da mesa, em frente para o rapaz mais velho — Você precisa comer.

O menino empurrou o seu prato para o centro da mesa e apoiou o seu queixo na superfície de madeira.

— Estou sem fome. — respondeu ele.

— Marcus... Escute a sua mãe. — disse o homem mais velho, com um olhar de repreensão.

— Sinto muito, mas eu realmente não quero comer. — respondeu ele, com a voz baixa — Posso ir dormir, pai?

O homem na ponta da mesa pareceu ponderar, enquanto observava a aparência abatida do filho.

— Tudo bem, mas isso não vai se repetir, entendido? Boa noite, querido. — disse, dando a autorização e um aviso, acompanhado por um olhar sério, mas que transmitia preocupação.

— Boa noite. — disse o menino, enquanto se levantava e ia para uma das duas camas presentes no final da casa.

Parando para reparar, o lugar era pequeno. Possuía apenas dois cômodos, dentre os quais um era extremamente menor que o outro, sendo provavelmente o banheiro. Já o outro, possuía diversos espaços próprios de outros cômodos. Em um canto se encontrava um fogão a lenha, um armário simples e uma pequena pia, enquanto que no centro se localizava a mesa de jantar, a qual tinha quatro lugares e não era muito grande. E, no ponto mais distante da porta de entrada, ficavam duas camas divididas por uma cortina escura.

O pequeno se deitou na menor delas e se enrolou com o cobertor, parecendo dormir instantaneamente. Que sorte ele tinha por dormir tão rápido, pensava Marcus, pois o rapaz passava horas e horas acordado antes de finalmente dormir. Além disto, a criança dormia serenamente, enquanto que o mago tinha infinitos pesadelos e se agitava na cama.

— Will, por que seu irmão está assim? — perguntou o homem ao rapaz, que se encontrava analisando o menor, como se quisesse ter certeza de que ele estava dormindo realmente.

— O de sempre. — respondeu vagamente, voltando a comer.

— Está piorando. — disse a mãe — Não podemos ficar mais tempo aqui. Em breve as pessoas tomarão alguma atitude sobre a nossa presença.

O pai pareceu analisar as palavras da mulher. Ele levou a mão até o queixo e começou a analisar a expressão de preocupação da mulher e também o menino dormindo na cama.

— Tem razão. Mas desta vez, acho que devemos contar a ele. — respondeu o homem, fazendo com que a mãe e o rapaz chamado Will se surpreendessem.

— Ele ainda é novo demais. — disse Will.

— Eu sei, mas é que dói vê-lo assim. Dói fazê-lo viver como um fugitivo, sem ao menos explicar o porquê. Nós não podemos continuar assim. — explicou em um tom sofrido e coçando o olho esquerdo.

Os outros dois ficaram em silêncio por um tempo, encarando as próprias mãos sobre a superfície de madeira.

Os três terminaram de jantar e se retiraram da mesa. A mãe e o pai levaram os pratos até a pia, enquanto Will terminava de fechar a casa, puxando inclusive as cortinas da janela onde Marcus espiava o que acontecia dentro da casa.

— Droga. — resmungou o mago, ao ter a visão cortada.

Ele precisava dar um jeito de voltar a observar o que acontecia lá dentro, mas como? Ao que parecia ninguém podia vê-lo ou escutá-lo, e também ele não conseguia tocar nada naquele mundo. Então, ele poderia simplesmente entrar no lugar, não é? E se, na pior das hipóteses, eles notassem sua presença, o mago poderia ao menos conseguir algumas respostas.

Sendo assim, Marcus ergueu a mão e tentou tocar a janela, e, como ele esperava, sua mão atravessou o vidro como se nada fosse. Então, o rapaz se levantou e andou para dentro da casa, atravessando a parede e encontrado um lugar escuro, já que as velas responsáveis pela iluminação foram apagadas.

Ele se dirigiu até as camas, em passos lentos, analisando primeiro a da esquerda, na qual o pai e a mãe se encontravam dormindo com as mãos entrelaçadas. Marcus não conseguiu conter o sorriso que se formou em seus lábios ao ver aquela imagem. O mago esperava o dia em que ele dormiria daquela forma com alguém, o dia em que alguma pessoa o amaria e ele a amaria de volta. Ele desconfiava de que isto seria apenas um sonho distante, mas quem poderia tirar dele o prazer de sonhar com uma vida repleta de felicidade?

Ele se voltou para a cama da direita, onde ele vira o garoto se deitar mais cedo. Lá estavam os dois irmãos, Will e o pequeno Marcus, sendo que o menor estava com a cabeça deitada no peito do mais velho, e este por sua vez abraçava o corpo do outro. Ambos tinham um sorriso bobo no rosto.

— Não deixarei que nada de ruim lhe aconteça. — disse Will, surpreendendo Marcus, já que o mago achava que ele estava dormindo — Nem mesmo um exército de monstros seria capaz de tirá-lo de mim.

O rapaz possuía uma convicção inabalável em sua voz, algo que fez com que Marcus o admirasse, mesmo sem conhecê-lo. Aquela altura do campeonato ele já aceitara que aquele menino era ele mesmo, porém mais novo, e que tudo que ele via eram memórias que por algum motivo haviam sido bloqueadas em seu cérebro, então ele começara a imaginar a possibilidade destas pessoas estarem vivas em algum lugar, procurando por ele. Ele entendia que era injusto pensar desta forma, considerando que Erik havia o criado com todo o amor e devoção que um pai deveria ter, mas conhecer a sua família biológica era algo incrível.

Por algum tempo, o mago teve um vislumbre da preocupação de seu pai, do carinho de sua mãe e do amor de um irmão, e tudo isto era mais do que suficiente para despertar algo em sua mente que ele não lembrava existir.

Mas então, o mundo foi engolido em chamas.

Kyôka

— Franmalth, Seilah, Minerva, Erza, Ezel e agora Silver e Keyes. Como podem as forças de Mard Geer estarem caindo uma atrás da outra? Explique, Kyôka. — disse o homem de longos cabelos negros em seu trono.

A sua frente estava Kyôka de joelhos e amarrada por diversas vinhas. O corpo da mulher recebera diversos danos dos espinhos existentes naquilo que a imobilizava.

— Sr. Mard Geer, imploro para que me perdoe. Eu fui tola quanto as minhas escolhas e estratégias de batalha, porém obtive sucesso em matar um dos Infinity Slayer’s presentes em nossa base. Além disto, duas delas caíram após a derrota de Silver e Keyes. Com exceção dos dois Infinity Slayer’s restantes, nós temos condições de enfrentar e conter a invasão da Fairy Tail. — respondeu a mulher de modo calmo, tentando tomar o máximo de cuidado na escolha das palavras.

— As presenças da Fairy Tail e da Phoenix Sorciére nesta base são fruto da sua incapacidade de manter suas atividades em segredo. Além disto, a fuga dos membros que haviam sido capturados foi resultado da incompetência dos seus soldados. E agora, dois Infinity Slayer’s estão em fúria máxima e usando todo seu poder contra Mard Geer, e não temos confirmação se os dois que desapareceram estão mortos ou sem condições de lutar. No final, nenhum de seus “resultados” é positivo o suficiente para justificar a catástrofe que acontece neste lugar. — disse o homem, apoiando o queixo em sua mão direita, enquanto que com a esquerda segurava um livro antigo, cuja capa apresentava o título “E.N.D.”.

Mard Geer estalou os dedos e as vinhas que seguravam Kyôka desapareceram, fazendo o corpo da Etherious ir ao chão.

— Mard Geer não nem tempo para conflitos internos. Ache Crawford e deixe que Mard Geer cuide dos inimigos. — disse o moreno, encarando o nada com um ar pensativo — A ressurreição de E.N.D. está próxima.

— Mas... Mas senhor, o Face não existe mais. Como poderíamos trazer o mestre de volta?

O homem no trono sorriu de forma perigosa, mostrando que ele tinha completo controle da situação e fé de que venceria. E então, ele movimentou a mão para o lado, na qual surgiu um círculo de energia.

Próximo capítulo: Mundo em Chamas.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Este capítulo não terá aquelas perguntinhas, porque eu notei que pouquíssimas pessoas respondem. Então eu prefiro deixar com que vocês comentem o que lhes chamou atenção sobre o capítulo. Se gostou, por favor favorite e comente. Comentários inspiram autores a escrever cada vez melhor, bem, pelo menos inspiram a mim. Espero realmente que tenham gostado. Até o próximo. :3