My New Life
15 Demônio do Passado
Notas iniciais
Katherine
Eu irei derrotá-lo. Por meu pai, por mim. E para que eu possa cumprir a promessa que fiz a ela. Carol, ninguém vai nos separar.
Com tudo isto em mente, eu corri rapidamente desferindo um corte no braço esquerdo de Keyes, o qual foi arrancado. O esqueleto nem sequer piscou com a perda do membro e usou o cajado em sua mão direita para lançar uma enxurrada de trevas em cima de mim.
Desviei do ataque, dando uma “estrela” para o lado. Arrumei-me e tornei a atacar o demônio.
Desta vez eu tentei desferir uma estocada na barriga dele, porém não obtive sucesso, pois ele se tornou imaterial e desceu para o andar inferior.
— Me siga se puder Katrina. Vamos brincar como nos velhos tempos? – ele perguntou enquanto sua cabeça terminava de atravessar o chão.
Droga. Eu não posso permitir que ele escolha o campo de batalha, mas se eu não segui-lo agora, ele pode ser um problema mais tarde. Merda.
Concentrei um pouco da minha magia e, quando dei por mim, já estava atravessando o chão de uma forma semelhante a Keyes.
— Você é cheia de habilidades interessantes, Katrina. Conseguiu tudo isso nesses dez anos? Sempre soube que você era um prodígio – o esqueleto disse com sua voz asquerosa, assim que eu terminei de atravessar o solo.
Ele estava de pé no centro de um grande salão. Este era escuro, então tornava difícil uma descrição precisa, mas eu tenho certeza que o chão era de rocha calcária e havia algumas rochas pelo chão em formatos circulares.
Aterrissei de pé no chão, à aproximadamente dez metros do inimigo.
— Fugindo de uma garotinha? Você não me lembra aquele grande e assustador demônio de dez anos atrás. Para falar a verdade, você está bem deplorável – provoquei, em uma tentativa de fazê-lo perder o controle.
Eu tinha plena na consciência de que se ele lutasse de forma controlada, a luta poderia durar muito tempo. Mas se eu conseguisse fazê-lo se descontrolar, ele ficaria desajeitado e eu poderia derrotá-lo facilmente. Mas ao que parece, ele já esperava essa provocação.
— Fugindo? – questionou ele ainda com a voz calma – Não, não. Eu apenas decidi levar a luta para um lugar mais interessante.
Interessante? Como assim interessante? O chão começou a tremer, formando fendas profundas nele, e eu entendi de imediato o que ele quis dizer com interessante.
Braços esqueléticos saíram do chão. Em seguida os corpos saíram inteiros, formando assim um exército de esqueletos. Um braço saltou de uma fenda próxima a Keyes e se grudou ao corpo dele, substituindo o braço que eu havia arrancado.
— Esta é a minha Cidade dos Mortos. Não importa o quão forte você seja, neste solo, eu sou imbatível – ele explicou, enquanto um conjunto de sombras fluía de sua recém-adquirida mão, até os esqueletos que se erguiam do chão. Uma espada de osso surgiu em frente a cada um dos esqueletos. Eles as pegaram e empunharam contra mim – Agora, vamos brincar como nos velhos tempos?
Velhos tempos. Duas palavras que remetiam minha memória a uma época negra da minha vida. Uma época, na qual não importava quantas vezes o Sol nascesse, minha vida continuava uma sombria e profunda noite.
Tudo começou dez anos atrás. Eu era feliz. Vivia com minha mãe e com meu pai em um singelo chalé, o qual se localizava no coração de uma floresta. Eu posso me lembrar de cada detalhe, desde as flores que permeavam a construção, até o décimo degrau da escada que ia para o segundo andar da casa, o qual rangia toda vez que alguém pisasse nele.
Meu pai fora o homem mais incrível que eu conheci em toda minha vida. Ele era gentil, carinhoso e protetor. Não houve uma única vez em que eu senti medo com ele ao meu lado, bem com exceção de uma, a qual eu mencionarei mais para frente. Já a minha mãe era uma mulher tão cheia de vida, tão bondosa e gentil que foi difícil aceitar que ela havia sido consumida por uma doença, principalmente uma doença tão violenta quanto a que ela havia contraído.
Eu e meu pai ficamos desolados com o acontecido. Principalmente o meu pai, que mudou de uma forma inacreditável.
Ele se isolava em seu quarto. Saia à noite e só voltava após o nascer do Sol do dia seguinte, trazendo sempre consigo um objeto novo. Ele fez isso por meses, até que finalmente, no fim do inverno, ele parou. Eu não havia entendido o que ele almejava, até a meia-noite da Lua de Sangue.
Ele me levou até uma parte isolada da floresta, na qual havia uma série de símbolos desenhados no chão. O único que eu reconheci foi um grande pentagrama feito de sangue. Além dos símbolos, os itens que ele levava para casa estavam distribuídos de forma singular pelo lugar.
Quando eu perguntei a ele o que significava aquilo, e ele me disse que veríamos a mamãe de novo, mas para isso eu teria que ajudá-lo. Eu, de forma extremamente ingênua, me alegrei com o que ele disse e prontamente concordei. Ele me pôs no centro do pentagrama e disse para que não me mexesse. Eu fiz o que ele pediu, mesmo que com receio, afinal, ele era meu pai. Não iria me machucar. Mas eu estava enganada. Assim que eu me posicionei no centro do símbolo, ele começou a entoar um cântico, o qual era lido de um livro com uma capa negra, a qual possuía o desenho de uma caveira. As linhas do pentagrama começaram a brilhar e uma dor lancinante atravessou meu corpo.
Naquele momento todo o mundo ao meu redor desapareceu em meio à tão incomparável agonia. Meus gritos atravessavam o ar frio da noite, rompendo o silêncio amedrontador e instaurando um aspecto macabro a floresta. A dor era tamanha, que eu não entendia como ainda estava consciente. Porém, mesmo com a imensa dor que atravessava meu corpo em um ciclo infinito, eu estava ciente do que estava acontecendo.
Enquanto eu sofria no centro do pentagrama, meu pai lia o livro de capa negra. Eu não entendi nada do que ele disse, mas não sei se foi devido à linguagem estranha, ou por causa da minha atual situação. À medida que ele lia, a Lua de Sangue de levantava no céu, atingindo seu ápice juntamente do ápice do texto. Eu só consegui distinguir uma única frase da leitura: a última.
— Keyes, o Arcebispo Negro, eu ordeno que se levante e me sirva – ele gritou, erguendo o livro acima da cabeça.
Uma onda final de poder emanou do pentagrama, lançando sobre mim uma onda final de dor, diferente das anteriores. Depois disso, o símbolo começou a perder o brilho, e a agonia que percorria meu corpo ia desaparecendo.
Eu caí no chão, sem conseguir me mover e com meu rosto prensado contra a terra, o que me impedia de ver qualquer coisa. Mas eu podia ouvir o que acontecia ao meu redor. Meu pai perguntava a si mesmo repetidamente se havia dado certo. Ele nem sequer saiu do lugar para me ajudar.
Então, eu ouvi passos. Mas estes eram pesados demais para ser de um ser humano. Eles vierem em minha direção.
— O que é você, pequena? – disse uma voz horripilante para mim.
Eu teria corrido para bem longe, mas o meu corpo não me obedecia.
— Afaste-se dela e cumpra a minha vontade: traga de volta a minha mulher – meu pai disse em um tom desesperado.
A voz horripilante riu.
— Você realmente acha que existe um feitiço no mundo capaz de controlar um Etherious? – a voz perguntou – Eu agradeço por você ter me libertado do livro, mas agora, eu irei fazer o que eu quiser.
Em seguida, eu ouvi meu pai gritar e me mandar correr, mas eu não podia. Ouvi também o som de algum líquido se espalhar pelo chão. Um grito final cortou o ar gélido da noite. E então, o silêncio voltou a reinar sobre a floresta.
— Agora que você me serve o que você usou para me trazer de volta? – a voz sinistra se pronunciou – Esta menina foi à fonte do poder?
— Sim – disse uma voz parecida com a do meu pai, mas esta era muito mais grave.
Os passos pesados de antes vieram em minha direção. Algo frio acariciou minha cabeça.
— Interessante. Como uma criança como você tem este nível de poder?
Dito isso, algo puxou fortemente meu cabelo, obrigando-me a olhar para cima. E foi esta a primeira vez em que eu vi a face desumana de Keyes. Ele sorria sinistramente para mim.
Olhei por cima do ombro dele e vi meu pai, ou pelo menos algo que parecia meu pai. O corpo era basicamente o mesmo, porém sua pele estava cinzenta, seus olhos estavam totalmente brancos, sem o seu natural brilho. Além disto, seu abdômen estava dilacerado, de forma que era possível ver alguns órgãos, e sua garganta estava cortada. Porém, nenhum sangue escapava pelos ferimentos.
— O que… O que você fez com o meu papai? – perguntei.
— Oh, minha pequena. Esta é a menor das suas preocupações agora – ele respondeu com um sorriso.
Após isso, Keyes, o cadáver de meu pai e eu voltamos para o chalé. Os meses passaram. Um tempo que pareceu anos para mim, por causa das sessões de tortura sem fim, realizadas por Keyes, as quais ele chamava de “experiências”, que eram feitas no objetivo de descobrir a fonte do meu ainda não descoberto poder. Às vezes eu via o cadáver ambulante do meu pai acompanhando o esqueleto, ato o qual me deixava ainda mais amedrontada.
E ao fim de cada uma das “experiências” feitas pelo demônio, ele me lançava seu típico sorriso perverso. O mesmo que ele me lançava agora, enquanto seu exército de esqueletos marchava contra mim. Um deles tentou desferir um golpe na minha barriga, mas eu bloqueei o golpe com grande facilidade, usando a lâmina da minha espada. Pus um pouco de força e lancei o esqueleto para longe, desmontando-o.
— Arte Secreta do Dragão da Ruptura – disse enquanto tocava o chão – Campo de Minas Explosivas.
Traços da luz fluíram pelas minhas mãos, circulando por dentro do chão e parando bem embaixo do exército de Keyes. Assim que as ondas de energia se posicionaram, grandes explosões ocorreram embaixo dos esqueletos ambulantes. Estas os desmontaram completamente e destruíram uma grande quantidade do solo. O esqueleto apenas riu, enquanto o chão ficava cheio de ossos.
− O que foi maldito? – perguntei a ele – Eu acabei de destruir seu exército dos mortos. Você deveria estar bem triste agora.
Eu não estava mais aguentando olhar para ele. Aquele sorriso frio e coberto de escárnio que ele dava, fazia meu cérebro ferver, como se minha cabeça estivesse dentro de um forno.
− Pobre menina. Você verá que não é tão fácil derrotar meus seguidores – Keyes disse.
Após sua fala, os ossos presentes no chão começaram a se acumular e a formar duas novas formas. Porém, ao invés dos soldados do exercito de esqueletos, como os que ele havia invocado antes, estas eram muito maiores.
Ambas eram grandes, tanto é que mediam uns bons dez metros. As formas como os ossos se depositavam formavam algo semelhante a um grande homem, com cabeça de touto e um machado cujo cabo media a mesma altura da fera. Já o outro, se assemelhava a um grande cão, cujo corpo começou a arder em chamas escarlates. Ambos rugiram para mim.
− O Minotauro e um Cão do Inferno – explicou Keyes – Os consegui há algum tempo atrás. Estava louco para usá-los, mas como eu não me envolvo em muitos confrontos, a primeira oportunidade está sendo hoje.
Ele demonstrava um sorriso sádico.
− Que tal você testá-los para mim? Tenho certeza que eles serão desafiantes a sua altura. Não acha Katrina?
Assim que ele me fez esta pergunta, o Minotauro e o Cão do Inferno, ou pelo menos duas formas esqueléticas deles, correram em minha direção. O cão tentou me abocanhar de primeira, usando sua mandíbula em chamas.
Eu saltei e a fera abocanhou o chão onde eu estava. Mas em um momento de distração, o Minotauro usou do cabo de seu machado para me acertar. O golpe foi poderoso e certeiro, tanto é que me arremessou contra uma parede, a qual cedeu perante o grande impacto.
− Droga – exclamei.
Eu tentei me por de pé, mas eu rapidamente voltei ao chão, levando apressadamente minhas mãos em direção as costelas. As tateie de leve, sentindo a dor se espalhar pelo meu corpo a partir daquele local, fato o qual indicava que pelo menos uma delas estava fraturada.
Maldição. Um ferimento deste tipo em uma luta como essa vai me atrapalhar seriamente. Meus movimentos ficarão mais lentos, isso caso eu consiga me mover. Mas agora não é hora de ser pessimista. Eu devo vencer. Eu preciso.
Ergui minha cabeça e vi o Cão do Inferno vir em minha direção em uma velocidade incrível. As chamas que preenchiam seu corpo se espalhavam pelo ar, deixando uma trilha pelo trajeto percorrido por ele, a qual logo se desfazia. O ser monstruoso rosnava de forma ameaçadora.
Coloquei-me de pé e o encarei com atenção. Ele estava a apenas alguns metros de me alcançar, por isso precisava colher o máximo de informações possíveis. Seus passos eram atrapalhados e barulhentos. Sua pata esquerda, dianteira, possuía um movimento lento, como se ele estivesse com dificuldades para se movimentar de forma adequada.
Observei tudo o que precisava e saltei para minha esquerda, deixando-o atravessar o buraco feito na parede. Apoiei minha mão no chão e me aprumei o mais rápido possível, pois como eu havia previsto, com base no último ataque, o Minotauro vinha em minha direção, porém de forma mais lenta do que a do Cão Infernal. Ele tentou me acertar com o machado, porém desta vez ele usara a lâmina do mesmo. Eu recuei o mínimo necessário para que não fosse partida em duas, e saltei em direção a lâmina, correndo pela extensão do cabo.
Apenas quando eu cheguei ao meio do caminho, o Minotauro removeu a lâmina do chão, no qual estava presa. Como eu pensei, o Minotauro era lento, e por isso precisava que o Cão distraísse o alvo com um ataque que é fácil de ser esquivado. Uma estratégia útil apenas no primeiro golpe, o qual deve ser fatal, pois caso não seja, o inimigo vai enxergar esta tática e não cairá mais nela. Do meio da extensão do cabo eu saltei, me pondo em posição de ataque.
− Técnica Secreta do Dragão do Tempo: Corte de Mil Anos.
Passei rapidamente pela fera, desferindo um golpe de espada em sua cabeça e em seguida pousei no chão com um pouco de dificuldade, por causa das minhas costelas.
Encarei Keyes profundamente, enquanto algo pesado caia atrás de mim. Atrevi-me a olhar para trás, por cima do ombro, e vi um dos chifres do Minotauro cair, enquanto todo seu corpo emanava um intenso brilho azul e começava a se desintegrar de forma gradativa a partir da cabeça.
Enquanto o Minotauro permanecia imóvel e seu corpo brilhava, o Cão Infernal circundava-o e partia para me atacar novamente. O monstro lançou uma baforada de chamas em mim, porém eu produzi uma barreira de água que me defendeu do ataque.
Concentrei minha magia e novamente minhas vestes mudaram. Agora, a armadura que eu usava era azul. Esta era semelhante à anterior, divergindo em apenas alguns detalhes, tais como as marcas verdes, que representavam ondas, e cobriam as extremidades da armadura, como as laterais do peitoral, da calça, das botas e das luvas. Minha arma mudou da enorme espada que eu usava antes, para um tridente dourado e azul.
− Técnica Secreta do Dragão da Água...
Bati com a base do tridente no chão e uma quantidade incrível de água preencheu o recinto incrivelmente rápido. Das paredes, do chão, enfim a água vinha de todo lugar e ficava girando ao meu redor, formando uma espécie barreira, e assim, impedindo o ataque do Cão Infernal, o qual ficou se debatendo enquanto afundava.
− ...Boca do Leviatã.
E então o meu escudo de água se tornou um vórtice de água, o qual limitava uma pequena área seca, na qual o Cão Infernal foi preso. Em seguida, uma grande quantidade de água se ergueu, tomando a forma de uma gigantesca serpente que abriu sua “boca” mostrando dentes muito afiados. Uma vez formada, a serpente abocanhou o Cão, causando uma grande explosão de energia azul que enviou uma onda de choque por toda a sala, englobando também o imóvel e semi destruído Minotauro. Todo o recinto foi tomado pela "tempestade" improvisada, com exceção da pequena área onde eu me encontrava. Ondas enormes e altamente destrutivas varriam a sala, desintegrando as rochas e as pilastras, e destruíam os ossos que formavam o Minotauro e o Cão do Inferno.
Após alguns minutos de ondas intensas, o nível da água começou a baixar, revelando um ambiente despótico, no qual tudo estava dizimado. Olhei ao meu redor, a procura de Keyes, mas não o vi em parte alguma.
— Merda.
O desgraçado aproveitou que eu estava ocupada e fugiu como um covarde. Eu preciso achá-lo, afinal, ninguém sabe o quão perigoso aquele esqueleto velho pode ser.
Toquei o chão, que agora estava ensopado, e tentei achar uma assinatura de energia que fosse parecida com a de Keyes, mas não conseguia encontrá-lo por causa da dor gritante nas minhas costelas.
Foco Katherine. Você precisa se acalmar e em seguida encontrá-lo. Ele é uma ameaça. Inspire, expire, pense. Inspire, expire, pense. Sim. Isso!
Há alguma coisa cuja assinatura energética é idêntica à de Keyes, mas ela está se movendo rápido. Eu teria de me apressar para alcançá-lo. Espere... Quem é essa?
Além da assinatura do poder de Keyes, há outra, para qual o esqueleto estava se dirigindo. E esta eu conhecia. Carol. Ela se movia alguns andares abaixo, enquanto Keyes ía em sua direção, e a julgar pela trajetória dela, ela não sabe que está sendo seguida, pois a loira está indo em direção ao demônio.
Meu Deus. Eu preciso achá-la. Ignorei a dor gritante dos meus ossos e me concentrei para ficar intangível mais uma vez e atravessar o chão.
— Espere Carol. Eu estou indo.
E que ele não ouse machucá-la.
Hermes
Eu voava freneticamente na direção indicada por Lucy. Pelo que eu havia entendido há algo nessa localização que irá erradicar a magia do continente e pôr os Etherious de Zeref no poder. O Olimpo não pode permitir isso. Ele não irá.
Preciso chegar rápido, mas ao mesmo tempo não posso usar muita magia, pois se o fizesse iria canalizar indevidamente a energia mágica de Lucy. Porém ao mesmo tempo, eu precisava me apressar.
Concentrei um pouco mais de magia e cortei o céu muito mais rápido do que antes.
Lucy
Tossi fortemente e quase caí, mas John me segurou.
— Você está bem? – perguntou ele, me pondo sentada, apoiada a uma parede.
— Sim. Hermes apenas aumentou a velocidade e a distância. Eu vou ficar bem. Mas me levante tudo bem? Precisamos dar um jeito na Tartaros.
Ele assentiu e passou meu braço por seus ombros, dando-me apoio e me levantando. E continuamos caminhando pelo lugar a procura do inimigo.
Marcus
Mirajane e eu nos esgueirávamos sala por sala na tentativa de localizar Erza. Eu não via muita utilidade em encontrá-la, mas Mira estava decidida e eu acabei sendo arrastado junto de toda essa bagunça.
Qual bagunça? Bem, a da Fairy Tail é claro. Após ouvir as respostas de Mira, eu fiquei mais confuso do que esclarecido. E o pior é que eu senti algo estranho assim que pus os olhos nas duas fadas. Algo sombrio.
Mas agora não é hora de ficar remoendo o passado, ou neste caso, o passado dos outros.
Eu e a albina chegamos a uma sala que parecia bastante com o Hell's Core, mas este não possuía os grandes tubos de vidro, nos quais um humano adulto caberia. Entramos nela e lá dentro vimos algo que nos chocou.
— Er... Erza? – perguntou Mira boquiaberta.
Carol
Eu fiquei um pouco tonta após minha luta contra Franmalth. Mas se fosse para analisar bem o acontecido, eu havia usado uma fração do poder de Gaia, a Deusa da Terra, não... Ele é a Terra. Uma deusa primordial que personifica o mundo atual como ele é. É poder demais para alguém usar.
Eu tropeçava pelos corredores, tentando ao máximo me manter consciente e achar os outros, mas eu não conseguia nem ao menos sentir a magia deles.
Fiz uma curva fechada em um corredor, a qual quase me fez cair, e algo negro pulou em cima de mim. Quando estava a centímetros de distância, outra coisa negra fez com que a anterior recuasse. A recém-chegada se posicionou a minha frente, de costas para mim, como se me protegesse.
— Quem é...? – perguntei do chão, no qual eu havia caído por culpa do susto.
— Desse jeito você me ofende – disse uma voz que eu conhecia.
Coloquei-me de pé e forcei minha visão para tentar enxergar a sombra, a qual entrou em foco.
— Katherine! – exclamei animada, após identificar minha amiga.
— Katherine? – perguntou uma voz horripilante.
O rosto de Katherine ficou sério e ela encarou o dono da voz de forma intimidadora. Olhei por cima do ombro dela e vi um ser cuja aparência era basicamente a de um esqueleto.
— Oh, Katrina. Que tipo de mentiras você tem contado a esta bela jovem? – questionou o homem.
— Katrina?
Próximo capítulo: O Poder do Deus Alado.
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