My New Life

8 As Chaves do Pai


Notas iniciais
E então meus amores, como vocês estão? Espero que bem, pois um capítulo novinho acabou de sair do forno, mas eu particularmente acho que ele ficou tanto tempo que até queimou, hehe. Culpem o meu mouse que morreu, e agora o meu computador não aceita mais mouses USB. Tive que andar a beça pra achar um com entrada PS2 (não, não é o video-game seus viciados). Mas enfim, boa leitura. O capitulo não tá tão grande, mas pelo menos eu cumpri meu novo mínimo de 2500 palavras. Aproveitem e nos vemos nas notas finais.

Lucy não podia acreditar que Acnologia estava bem ali, a um metro e meio de distância dela, quando ela achava que levaria anos até que eles se reencontrassem. Mas ele estava lá. Um sentimento sem igual tomou conta do peito da Maga Celestial. Felicidade. Felicidade por ter reencontrado uma pequena parte da sua nova família.

− A-Acno... – tentou formular uma frase, porém não existia um número de palavras que pudesse expressar sua emoção atual.

O dragão pôs a pequena e dorminhoca Exceed na cama, na qual ela se enrolou no lençol e ronronou suavemente.

− Ela vai dar tanto trabalho pra criar quanto a mãe. Não acha? – perguntou o dragão sorrindo e voltando seu olhar para Lucy – Lucy, você tá bem?

A loira estava à beira das lágrimas. Não por se sentir triste, mas pela alegria que sentia naquele momento. E então, em passos silenciosos, Lucy se atirou nos braços de Acnologia, abraçando-o com toda a força e carinho que ela tinha. Por um breve momento o dragão ficou parado pela atitude repentina da loira, mas logo em seguida ele retribuiu o abraço. A garota se encaixava perfeitamente no corpo forte do rapaz. O queixo do albino estava apoiado no topo da cabeça da loira, de uma forma que não a machucasse, obviamente. Os braços fortes do rapaz envolviam possessivamente a cintura da loira, que por sua vez mantinha suas mãos e seu rosto escondidos no peitoral dele.

Lucy levantou o rosto, encarando os orbes vermelhos do rapaz. A curva no lábio dele. A pequena cicatriz acima de sua sobrancelha, a qual foi feita pela loira em um acidente durante o treino. As respirações de ambos estavam em uma sincronia perfeita. Era como se estas fossem instrumentos em uma sinfonia. Acompanhavam uma a outra. Completavam uma a outra.

Seus rostos se aproximaram mais e mais, até que as pontas de seus narizes se tocassem por um micro segundo. Ela esticou mais o corpo. Ele dobrou um pouco mais o pescoço. O encontro entre seus lábios parecia inevitável. Músculos se retesaram. Suas bocas estavam a torturantes milímetros de distância...

− Estamos interrompendo algo?

Lucy escondeu imediatamente o rosto no pescoço de Acnologia, enquanto este beijava sua testa, rápida e sutilmente. Uma ótima forma de disfarçar o que iriam fazer ou era isso que eles achavam.

O dragão olhou por cima da cabeleira loira, em direção ao ser que roubou o que seria o momento mais fantástico de seus quatrocentos anos de existência, e reconheceu-o imediatamente, juntamente com seus acompanhantes.

− Seus safadinhos – começou um loiro cuja voz era conhecida por Lucy – Vão para um quarto – completou rindo da situação embaraçosa criada.

− Tecnicamente eles estão em um quarto – retrucou um rapaz de curiosos cabelos roxos – Nós é que invadimos – este parecia indiferente com comoção da situação atual.

E dentre os dois estava um rapaz, cujos cabelos eram negros com um leve tom azulado. Este por sua vez parecia ser o único irritado com a aproximação um tanto íntima de Lucy e Acnologia.

— O que? Não, absolutamente nada — respondeu rapidamente Lucy tentando disfarçar o óbvio "clima" de constrangimento e descontentamento instaurado no recinto.

A garota olhou para os outros por um segundo e viu que os três estavam levemente corados. Todos encaravam um ponto diferente do quarto, deixando assim Lucy confusa. Porém, logo ela entendeu o motivo. A Maga Celestial ainda estava trajando apenas uma toalha, a qual não cobria muito do corpo bem construído da loira.

Lucy abriu a boca e ficou absolutamente vermelha. Soltou-se de Acnologia, que ainda estava a abraçando, pegou sua mochila em cima da cama e se trancou no banheiro. A última fala que ela conseguiu discernir por causa da vergonha foi uma de Urano.

− Ela não tem vergonha de ficar de toalha na frente dele, mas na nossa ela fica vermelha? – resmungou o Deus do Céu Celestial, sendo respondido por um suspiro pesado do Dragão do Apocalipse.

Após isso a loira parou de prestar atenção na conversa deles e buscou uma roupa em sua mochila, uma que fosse um pouco mais decente do que uma toalha. Ela encontrou um pijama composto por uma calça e uma blusa de mangas curtas. Vestiu- o juntamente da roupa íntima e saiu do banheiro, virando assim alvo dos olhares de todos os presentes, com exceção da pequena Exceed, pois esta estava dormindo tranquilamente, ignorando todos os presentes.

A loira andou silenciosamente, para não acordar a gatinha recém-nascida, e abraçou fortemente cada um dos três que acabaram de chegar. Mas então algo lhe ocorreu e Lucy bateu fortemente na cabeça de cada um deles, incluindo Acnologia. Os três dragões e o deus fizeram o possível para controlar o gemido de dor que veio a seguir.

− Gorda agressiva – gemeu Vitous, o rapaz de cabelos arroxeados, baixinho, após receber o murro pesado de Lucy.

Lucy parou e encarou sinistramente o Dragão da Vida.

− O que você disse? – perguntou a Maga Celestial de forma assustadora e sinistra.

− Eh, gostosa impulsiva. Foi isso que... Eu disse – corrigiu rapidamente dando passinhos minúsculos e discretos para trás.

A loira bufou e fez uma cara feia.

− Por que você bateu na gente? – perguntou Draco, o loiro, passando a mão no mais novo hematoma em sua cabeça.

− E você ainda pergunta? – falou a loira incrédula – Primeiro vocês dizem que está na hora de ir embora e desaparecem, e agora estão aqui, logo após me fazerem achar que eu levaria anos até encontrá-los outra vez. Tem ideia do que eu estava passando?

Ao fazer essa pergunta, Lucy estava quase chorando. Vê-la naquele estado partiu o coração dos presentes e eles reconheceram que realmente era desolador fazê-la passar por aquilo. Urano deu um passo à frente e abraçou a loira.

− Sentimos muito Lucy – falou o deus ao ouvido da loira, enquanto esta chorava silenciosamente no ombro do rapaz – Mas precisamos conversar sobre algo sério.

A garota fez o que pôde para conter as lágrimas e levantou o rosto, ficando assim, frente a frente com os intensos olhos azuis do deus.

− É melhor sentar – falou Acnologia chamando a atenção de Lucy.

Ela o obedeceu e se sentou calmamente na cama para não acordar a pequena Exceed que dormia.

− Tem algo vindo – começou Urano.

− Tartaros está agindo – prosseguiu Acnologia – eles estão perto de conseguir o que precisam para...

− Ressuscitar Zeref. Eu sei – interrompeu Lucy.

− Isso é uma meia verdade – repreendeu Vitous – Eles realmente procuram algo que vai permitir que alguém, não, algo seja ressuscitado, mas não é Zeref.

− Então o que é?

− E.N.D. – respondeu Draco – O demônio mais poderoso que Zeref conseguiu criar. Ele está fortemente selado no momento, mas aquilo que a Tartaros busca, vai quebrar este selo e ao mesmo tempo roubar a magia de todos os magos deste continente.

Ao ouvir aquilo, Lucy ficou em choque. Seus olhos ficaram arregalados e sua boca ligeiramente aberta.

− Quão poderoso E.N.D. é? – perguntou a loira após alguns minutos em silêncio.

− Bom, não acreditamos que ele esteja no nível de um Infinity Slayer, mas se ele for solto, é porque a Tartaros conseguiu o dispositivo que procurava, e deu fim a magia deste continente – respondeu Acnologia – Ele vai dizimar a humanidade.

A Maga Celestial engoliu em seco.

− Não se preocupe. Sabemos que você vai vencer – encorajou Urano – E você vai ter os outros quatro Infinity Slayer’s para te ajudar. Eles também são muito poderosos.

− Eu sei. São até mais poderosos do que eu – disse Lucy, encarando o chão

− Apenas porque você ainda não consegue usar a magia da Marca dos Anjos – foi a vez de Acnologia falar – Quando ela despertar você será tão imbatível quanto eles. Talvez até mais.

Lucy riu.

− Não. Provavelmente ficaremos no mesmo nível.

− Provavelmente. Mas serão os mais poderosos magos de Earth Land – retrucou Vitous – Até mesmo Zeref vai temer vocês.

− Bom, se esse dispositivo serve vai quebrar o selo do E.N.D. e acabar com a magia dos magos, onde Zeref entra nisso tudo? – perguntou Lucy confusa – Quero dizer, se ele não está morto, onde ele está? Por que não ajuda a Tartaros a completar esse plano?

− Não sabemos – respondeu Urano – Ele é poderoso e está escondido. Não vai ser encontrado a menos que ele queira se revelar. E também, não parece que ele quer participar dos planos da Tartaros.

− Quão perto a Tartaros está de achar esse dispositivo?

− Pelo que descobrimos, ela já possuiu a localização dele. Agora eles estão procurando uma forma de ativá-lo – disse Draco.

Lucy ainda mantinha uma expressão vazia.

− Foi por isso que vocês foram embora? – perguntou a Maga Celestial encarando-os – Para investigar a Tartaros? Vocês poderiam muito bem destruí-la – acusou Lucy em um tom irritado.

Os quatro passaram a apresentar uma expressão de culpa.

− Sim. Foi por isso, mas não, nós não podemos destruí-la – respondeu Urano em um tom triste.

− O que? Por quê? – perguntou Lucy.

Os quatro assumiram uma expressão culpada e melancólica.

− Não é algo que possamos dizer agora – respondeu Urano de forma triste – Mas não temos apenas notícias ruins – completou de forma animada.

Ele se virou e foi até a cômoda do quarto, na qual havia um grande livro. Lucy se perguntava mentalmente como não havia o visto, afinal este era antigo e possuía uma capa bem desgastada. O deus o pegou e voltou, parando em frente à Lucy.

− É um livro muito antigo sobre Magia Celestial. A linguagem é um pouco diferente da atual, mas tenho certeza que você vai decifrá-lo – explicou Urano.

− Ele contém instruções de como formar chaves – continuou Draco.

− Que tipo de chave? – perguntou Lucy.

− Todo tipo de chave – respondeu Draco – Você pode formar uma chave para qualquer tipo de ser, mas ele deve existir. Não fique achando que você vai criar espíritos, pois isso é impossível.

Lucy tentava absorver a informação. Ela poderia criar chaves para qualquer ser existente? Pois, se fosse como ela imaginava, ela poderia fazer algo que passava por seus pensamentos a um bom tempo. E isso faria com que ela vencesse qualquer batalha.

− Por que estão me dando isso agora?

− Você precisava terminar o treinamento – explicou Acnologia – Além do mais você vai precisar da magia da marca para usar os feitiços desse livro. Eles requerem muito poder.

− Mas eu não faço à mínima ideia de como dominar a marca – argumentou Lucy – A última vez que eu tentei, eu...

A jovem não pôde terminar a frase, pois encarou Acnologia profundamente, com uma expressão de culpa mais que visível.

− Não se culpe por aquilo – consolou-a Acnologia enquanto afagava os cabelos dela – Foi um acidente. E eu estou bem.

− Eu sei, mas... – disse Lucy evitando encarar Acnologia – Eu não acho que vou conseguir controlar algo tão poderoso assim. É poder demais.

− Ei – disse o Dragão do Apocalipse se agachando e segurando as mãos da loira – Você vai conseguir. Todos nós sabemos isso e temos fé em você Lucy. Basta ter fé em si mesma.

A garota estava quase chorando e ela odiava isso. Toda vez que Lucy chorava, ela se lembrava da dor. Do sofrimento. Do ódio. Da raiva e de todos os sentimentos ligados ao dia em que ela foi expulsa da Fairy Tail. E além de lembrar-se de tudo isso, ela se culpava por ser tão fraca, a ponto de não conseguir superar o acontecido, pois as lembranças traziam de volta a sensação de impotência. Saber que algo ruim vai acontecer, mas não poder fazer nada para impedir. Era o que ela sentia naquele momento. Lucy sabia que os quatro voltariam a desaparecer e ela não poderia fazer nada. Sabia também o que a Tartaros estava planejando, graças às informações dos quatro, mas não tinha ideia de como impedir os planos nefastos da Dark Guild.

− Seja rápido, Urano – avisou Vitous – Nosso tempo está acabando.

O que o Dragão da Vida falou confirmou a teoria de Lucy. Eles realmente partiriam de novo.

− Tudo bem – disse Urano, enquanto colocava o livro sobre a cama, tomava a mão direita de Lucy e nela descrevia um círculo – Uma coisinha para te ajudar. Olha.

O deus tocou a palma da mão da jovem e sobre ela, apareceram treze chaves. Doze delas eram de um material, o qual Lucy identificou como diamante. Elas eram brilhantes e tão bem polidas que eram translúcidas. Já a décima terceira era negra e feita de ferro.

− As chaves dos doze deuses do panteão e a décima terceira chave, aquela que abre o portão para o Deus dos Mortos – explicou Urano para Lucy – São poderosíssimas. E eu tenho certeza que vão ser de grande ajuda para você. Você deverá invocá-las quando quiser usá-las.

− Como... Como um reequipar de chaves – concluiu Lucy.

− Exato – concordou Urano – Eu formei uma ligação de sangue entre você e as chaves, então apenas você pode invocá-las e usá-las. Você pode usar esse feitiço para guardar as suas outras chaves também. Para isso, segure a chave com essa mão e una a sua magia com a chave. Isso vai mandá-la para um bolsão dimensional de onde você poderá acessá-la livremente.

Mesmo que isso não seja o esperado, Lucy não estava feliz com os presentes. Pelo simples fato de estes serem presentes de despedida de Urano e dos outros. Após este dia, apenas a sorte definiria se eles se veriam ou não de novo.

− Eu... – começou a Maga Celestial tentando formar uma frase, enquanto as chaves desapareciam das suas mãos – Eu agradeço pelo livro e pelas chaves, mas...

Ela não conseguiu terminar a frase, pois Urano a abraçou com força, sendo seguido pelos outros, resultando assim em um abraço em grupo para a loira.

− Nós amamos você – disse Acnologia.

− Jamais se esqueça disso gorda – disse Vitous fazendo a loira sorrir brevemente.

− Sempre estaremos te observando – disse Draco.

− E quando você precisar de nós, nós estaremos lá por você – disse Urano, enquanto os quatro rapazes começavam a perder a forma física.

E então eles desapareceram simplesmente. Sem brilho mágico, sem portal. Eles simplesmente desapareceram. Como se nunca estivessem estado ali.

Aquilo partiu o coração de Lucy. Ela não pôde segurar mais as lágrimas, caindo assim aos prantos. A loira abraçou o próprio corpo.

− Sozinha... De novo – disse a garota entre soluços.

Ela estava tão triste que mal podia se mover. A sensação do vazio tomava conta de seu peito, enquanto uma dor angustiante tomava de assalto sua mente. Mas então, tudo isso passou. Passou quando uma pequena mão tocou a sua. Quando dois belos olhos olharam seu rosto com tamanho amor e gentileza, os quais a garota não recebia de muitas pessoas. Quando sua mais nova amiga repousou gentilmente a cabeça no colo da Maga Celestial e miou como se dissesse “Tudo vai ficar bem. Eu estou com você. Jamais vou deixá-la”.

Lucy secou as lágrimas e tomou a pequena gatinha em seus braços. Em seguida deitou-se na cama aninhando a pequena Exceed em seu peito. A jovem sorria, pois não estava mais sozinha. Ela nunca mais ficaria sozinha. E assim adormeceu, sonhando com o dia em que reencontraria seus treinadores e em quão bom este momento seria.

Continua...

Próximo capítulo: Em Busca do Purgatório.

Notas finais
E aí povão, o que vocês acharam? Comentem dando opiniões sobre o capítulo. É sério gente, eu não vou parar de escrever por não receber comentários ou favoritos, mas saber que os leitores estão gostando e ler suas opiniões a cerca da história, inspiram o autor a escrever com mais empenho. Então eu peço, por favor, para que você perca só um pouquinho do seu tempo comentando. Conte se ao decorrer da leitura você encontrou algum erro ou falta de coerência em algum trecho, afinal eu sou humano também e erro como todo mundo. E também digam o que acham do enredo. Se ele está interessante ou não, o que pode ser feito para melhorar, esse tipo de coisa. Até o próximo gente, e boa noite pra vocês. :3