My New Life
19 Aqueles Que Não Têm Alma
Notas iniciais
Lucy
Tornei a atacar Kyôka, mas desta vez eu usava de uma leve quantidade de magia em meus punhos, além da característica força do StarDress, e consegui acertar alguns socos no abdômen da Etherious, mas ela também conseguiu me acertar com suas afiadas garras.
Afinal o que houve com Kyôka? Ela havia sido morta por Katherine e agora estava aqui, completamente viva e infinitamente mais forte, afinal, antes eu a havia quase matado com um único braço, já que com o outro eu segurava Júpiter. E além de tudo, ela conseguiu me controlar, mesmo que por um pequeno período de tempo, já que Marcus conseguira quebrar a manipulação.
Ela se afastou de mim, tomou impulso na parede atrás de si e voltou a me atacar, desta vez com garras feitas de energia e muito mais rápida do que anteriormente.
— StarDress: Virgo Form – conjurei, mudando minha vestimenta estelar.
Agora minhas roupas se assemelhavam as de Virgo, assim como minhas habilidades.
Lancei uma simples magia de escavação e fui para o subsolo antes que Kyôka pudesse me acertar. Em seguida, cavei um túnel secundário, o qual me permitiu surgir atrás da inimiga e desferir um potente chute em sua coluna, utilizando da força do espírito de Virgem.
A Etherious foi acertada em cheio, mas ela mal se moveu, fazendo-me ficar surpresa, afinal, Virgo era extremamente forte e eu estava usando de toda sua força.
— Que fraca – exclamou ela.
Kyôka se virou extremamente rápido para mim e me chutou com uma força incrível, fazendo com que eu fosse lançada para o alto. A inimiga saltou e me atacou de forma certeira com suas garras, causando cortes profundos em meus braços.
Reprimi um grito de dor e desferi um segundo chute, desta vez, na face da mulher. Ela não pareceu sofrer muito dano, mas o golpe a fez voltar ao chão em grande velocidade, onde ela pousou com destreza.
Já eu caí no chão sem o mínimo de cuidado, por causa dos ferimentos. Segurei meus braços, em uma região próxima aos ombros, e tentei conter o sangramento com uma simples magia de cura, proveniente da minha magia da vida. Mas, para minha surpresa, o ferimento se recusou a fechar.
Tentei novamente e esta segunda tentativa fez com que os cortes doessem de forma incomparável, obrigando-me a gemer de dor.
Neste meu meio-tempo de distração, Kyôka se aproveitou para alongar uma de suas garras e a usou para envolver meu pescoço, apertando-o com força de forma que eu não pudesse mais respirar.
Em seguida, ela utilizou da “garra-tentáculo” para me lançar contra uma parede, a qual cedeu por causa da força do impacto. Minhas costas se chocaram com força nas rochas, fazendo com que eu tivesse a sensação de que minha coluna iria se partir a qualquer momento.
Kyôka riu em contentamento.
— O que aconteceu com aquela guerreira raivosa que quase me matou hoje mais cedo? – perguntou ela rindo.
Apenas de ouvir a voz dela, minha mente e meu corpo eram tomados por uma fúria desumana.
— Você disse e eu irei repetir, “Atacar alguém que eu ame é basicamente um ato suicida”. Bem, eu não me sinto nem um pouco suicida, minha cara Lucy – provocou ela, enquanto uma luz verde começava a emanar de suas mãos – Além de tudo, o ferimento que eu causei no seu amigo ali é extremamente sério.
Ferimento sério? Marcus sofria apenas um simples sangramento, bem, um grande sangramento, mas é algo que eu posso remediar. Mas então eu olhei para Marcus e constatei que não era exatamente como eu esperava. O ferimento do mago já havia parado de sangrar, tanto é que o sangue já havia coagulado, porém uma série de manchas verdes se faziam presentes ao redor do corte, mais precisamente em suas veias, as quais se destacavam pela cor estranha.
— O que… O que você fez com ele? – perguntei ainda olhando para o mago, o qual já se encontrava inconsciente.
A preocupação, tanto na minha voz quanto na minha expressão, era mais do que perceptível.
— O que? Isso? – questionou Kyôka, mesmo que já sabendo a que eu me referia – É apenas um veneno. Um veneno extremamente potente, do qual nem mesmo um Infinity Slayer pode sobreviver.
Veneno?
— Não importa, eu vou me certificar de que você seja derrotada e que você vai permanecer assim. E em seguida, eu mesma irei curá-lo – disse confiante – Você morrerá.
A Etherious riu de forma debochada e em seguida me olhou de forma vitoriosa.
— Essa é a questão principal, minha querida. Não existe cura, antídoto ou tratamento neste mundo que cure este veneno. Seu precioso Marcus vai ser o único a morrer hoje.
Como?
John
O loiro que acompanhava o tal Natsu, acho que o nome dele era Laxus, tentou me acertar com um rugido de relâmpagos, mas eu simplesmente usei meu reequipar e passei a vestir uma nova armadura.
Ela era composta por um peitoral azul marinho, o qual possuía relâmpagos dourados entalhados em suas extremidades. Também trajava uma calça de malha metálica, botas que iam até os meus joelhos e luvas de metal que cobriam até meu cotovelo, deixando meus bíceps a mostra, todos estes no mesmo tom de azul do peitoral e com o mesmo padrão de relâmpagos amarelos entalhados neles. Além de tudo isto, eu também usava um elmo dourado simples. A Armadura de Zeus.
O ataque de Laxus me atingiu em cheio, porém não me causou nenhum tipo de dano. Fiz surgir uma única espada em minhas mãos, a qual era grande e dourada, e a usei para desferir um golpe no braço direito do loiro.
Ele gemeu de dor e segurou com força o braço ferido, se afastando de mim, enquanto que os outros quatro magos me cercavam e lançavam cada um uma magia própria. Água, ferro, gelo e fogo. Seria fácil resistir a isso.
Tracei um arco com a espada e ela lançou uma espécie de correntes de raios negros, a qual anulou todos os ataques sem exceção, e em seguida derrubou os seus respectivos lançadores.
Voltei-me para trás, pois já que todos os cinco magos estavam caídos, esta era a chance que eu precisava para voltar e checar Marcus e Lucy, mas uma coluna de eletricidade bloqueou meu caminho.
— Você não irá a lugar algum – disse Laxus com a mão direita erguida. Ao que parecia ele não se importava tanto assim com o corte que eu causei.
— Ah, é? – retruquei – E é você que vai me impedir?
Ele me olhou de forma fria.
— Ordens da mestra Kyôka – disse ele.
Ordens de quem? Eu iria perguntar a que ele se referia, porém todos os magos se ergueram de súbito, ignorando completamente os ferimento em seus corpos. Nenhum deles possuía expressão.
— Tubo bem, deixe-me adivinhar. Controle mental? – questionei.
A garota de cabelos azuis lançou um ciclone de água em minha direção. Eu saltei, esquivando do ataque e ficando de ponta a cabeça no teto.
— É, controle mental. Só Deus sabe o quanto eu odeio controle mental – disse mesmo sabendo que eles não se importavam com o que eu falava – Tudo bem, vou tentar não machuca-los muito. Até porque se eu o fizer, a Lucy acaba comigo, então…
Interrompi minha frase, pois minha audição de Infinity Slayer ouviu algo que fez com que meus próprios pensamentos fossem interrompidos.
— Essa é a questão principal, minha querida. Não existe cura, antídoto ou tratamento neste mundo que cure este veneno. Seu precioso Marcus vai ser o único a morrer hoje – disse uma voz feminina vinda do outro lado do pilar de eletricidade.
Marcus? Veneno? Morrer?
Uma fúria inominável se apoderou de mim, sendo refletida diretamente em meu poder mágico, o qual se expandiu de uma forma que eu jamais achei ser possível.
Ignorando completamente os magos que tentavam me acertar com magias diversas, eu atravessei o pilar elétrico, não me importando se a Armadura de Zeus que eu usava seria poderosa o suficiente para me proteger. Eu apenas pensava em uma única coisa agora: Marcus.
Assim que eu passei pela barreira improvisada, eu vi Marcus caído no chão e Lucy frente a frente com uma mulher que eu desconhecia, sendo que agora a loira usava uma roupa de empregada.
O que eu fiz a seguir foi algo que nem mesmo eu entendi direito. Em um segundo eu estava passando pelo pilar elétrico e no segundo seguinte eu estava de pé à frente de Lucy, com uma mulher desconhecida voando na direção oposta a nós. Provavelmente eu a havia acertado com uma voadora.
— John? – perguntou Lucy – Eu mal te vi chegar aqui.
— Não importa – respondi, não me importando com o modo ríspido com o qual eu falei – Marcus é a prioridade – completei correndo em direção a ele.
Me pus de joelhos ao seu lado e me deparei com um ferimento extremamente feio no peitoral dele. Um grande corte que ia desde o lado esquerdo de seu peito, até o lado superior direito de seu abdômen. E para piorar, o ferimento possuía uma aparência esverdeada, a qual se estendia até as veias e as artérias que agora se faziam visíveis sob a pele. Segurei sua mão esquerda entre as minhas, para sentir sua pulsação é claro, e constatei que esta já estava diminuindo.
— Marcus. Por favor, responda. Acorde – chamei dando leves tapas nas bochechas dele, na tentativa de despertá-lo – Por favor, por favor.
Os olhos dele tremeram antes de se abrirem. Estes passearam pelo lugar, como se ele não pudesse me ver, mas após alguns segundos ele focou em meu rosto. Seus lábios tentaram se abrir, na tentativa falha de tentar dizer qualquer coisa, mas eu o impedi.
— Não fale nada – pedi – Apenas fique calma até que eu ache alguma coisa para te fazer melhorar.
Seus lábios se estenderam em um sorriso.
— Descul… Desculpe… Por te… Preocupar – disse ele.
Deus. Mesmo no estado atual, ele… Droga. Seus olhos começaram a se fechar lentamente. Sua mão amoleceu entre as minhas. Eu entrei em desespero. Seu pulso estava enfraquecendo mais e mais a cada segundo.
Peguei-o pelos ombros e o alinhei ao meu corpo, para em seguida tentar fazê-lo voltar à consciência, mas ao que parecia, ele não tornaria a acordar agora.
Estava tão absorto em pensamentos e em preocupação que demorei a notar que Lucy lutava sozinha contra os magos da Fairy Tail, mas quando o fiz, vi que ela estava bem.
Nenhum dos cinco magos, nem mesmo todos eles juntos, representavam ameaça à loira.
Olhei em volta, em busca da mulher que eu havia atacado anteriormente, mas não a localizei em lugar algum. Ela havia fugido. Merda.
— Lucy – a chamei.
— Vá – respondeu ela sem nem mesmo parar para pensar.
— Tem certeza?
— Absoluta – disse ela confiante – Até porque, já passou da hora de eu enfrentá-los.
O corpo dela brilhou e um vestido negro surgiu ao mesmo tempo em que as mãos dela começavam a emitir um brilho dourado único. Ela usou destes punhos de energia para socar Natsu e Laxus.
Ela estava certa. Lucy conseguiria se manter muito bem contra eles.
Tomei Marcus em meus braços e o tirei do chão, seguindo em uma direção qualquer no intuito de afastá-lo do perigo, afinal, isto era a coisa mais importante a se fazer agora.
Carol
— Brinquedo? – questionei, enquanto encarava o homem a minha frente.
— Um morto, Carol – explicou Kath de forma rápida, sem tirar os olhos dos inimigos – É isso que Keyes faz, ele ressuscita cadáveres e os usa como marionetes, brinquedos que ele pode manipular como bem preferir. Foi o que ele fez ao meu pai.
Como? Keyes havia matado e em seguida controlado o cadáver do pai da Katrina? Por mais que uma pequena parte em mim sentisse uma raiva mínima por ela não ter dito nada, havia também uma segunda parte que compreendia o fato de ela ter escondido um passado tão doloroso assim, até porque, eu também escondia o meu.
Mas não é hora de pensar sobre isso. A nossa prioridade é derrotar Keyes, e consequentemente Silver. E para isso, será necessária toda nossa concentração e todo nosso poder.
— Certo – disse – Nós podemos com eles – completei confiante.
Kath concordou com um aceno de cabeça e eu juro por Deus que vi um sorriso, mesmo que mínimo, no rosto dela. Ela estava feliz por eu estar ali, assim como eu.
Avançamos juntas contra os dois inimigos, os quais se puseram em posição de defesa. Kath desferiu um soco com magia de Dragon Slayer do Tempo em Silver, enquanto eu usava a Garra do Dragão da Terra, desferindo um chute com energia vermelha em Keyes.
Silver se defendeu do ataque de Kath com uma barreira de gelo, esta que possuía uma estranha coloração roxa. Já Keyes utilizou de seu cajado, juntamente com um acúmulo de energia sombria, para parar o meu chute, mas nenhum destes ataques era o que Katrina e eu planejávamos.
Tomei impulso no cajado do necromante, enquanto Katrina tomava como apoio o escudo de Silver. Nós trocamos de inimigo.
— Garra Explosiva do Dragão da Ruptura – exclamou Kath, desferindo um corte no corpo de Keyes com uma garra feita de energia rosa.
— Punho de Luz do Deus do Sol – exclamei, desferindo um poderoso soco feito de luz e fogo negros, o qual atravessou o escudo como se ele nem estivesse ali, e acertou o rosto de Silver em cheio.
Duas explosões simultâneas ocorreram, formando assim uma única e grande liberação de energia que envolveu ambos os inimigos, levantou uma grande quantidade de poeira e destruiu grande parte do ambiente.
Ouvimos alguma coisa cair no chão e, quando a poeira baixou, vimos o braço direito de Keyes estirado entre as rochas. Em seguida, olhando mais a frente, vimos os inimigos feridos, mas ainda de pé. Ao que parecia eles eram extremamente resistentes.
— As crianças sabem brincar – disse Silver – Mas nós também sabemos – completou sorrindo de forma perversa.
Silver decolou como um foguete, um foguete de gelo roxo, mas ainda assim um foguete. Ele formou espadas de gelo e desferiu arcos em nossa direção, porém tanto eu quanto Kath interceptamos os golpes, eu com a minha espada de espinhos e ela com seu tridente, o qual continuava com ela desde que chegara ao recinto.
— Fortes – elogiou o homem – Mas ainda assim…
Ele transformou as espadas em explosões de gelo, as quais formaram uma espécie de nevasca que cobriu a mim e a Kath, fazendo com que nossas visões ficassem bloqueadas.
O homem desapareceu de nossas vistas, por isso Katrina e eu colamos nossas costas, de forma que pudéssemos nos defender de um ataque que viesse de qualquer direção.
Minha audição escutou algo, semelhante a um projétil, cortando o ar na minha direção. Eu não possuía uma ideia muito boa do trajeto exato feito pelo objeto, e por isso eu ergui uma parede de rochas, a qual acabou sendo perfurada por um grande estaca de gelo que parou a centímetros de meu rosto. Eu engoli em seco.
— Eh… Esse cara não está brincando – falei dizendo o óbvio.
— Carol… – repreendeu Kath.
Um segundo projeto cortou o ar, porém desta vez ele foi em direção a Kath, mas ela simplesmente lançou uma grande torrente de água, em uma direção aleatória, tendo a sorte de parar o projétil.
— Viu? – perguntou ela em um tom superior – É assim que se faz.
Eu quase a xinguei de algo, mas ela se jogou por cima de mim, fazendo assim nós duas cairmos no chão, ao mesmo tempo em que uma terceira estaca de gelo, maior do que as anteriores, passou acima de nós, errando nossas cabeças por poucos centímetros. Essa havia sido por pouco.
— Desculpem-me por isso, mas eu preciso manter as aparências nesta luta – uma voz passou por minha mente, e para ser sincera, acho que pela de Katrina também – Esquerda, quarenta e cinco graus.
Olhei para a direção indicada e vi um brilho roxo vindo em nossa direção. Por causa disto, eu rolei para a direita com Katrina abaixo de mim, fazendo com que o projétil de gelo acertasse o lugar onde estávamos.
— Peço desculpas novamente, mas preciso fazer com Keyes ache que eu realmente quero matá-las. E a propósito, sou eu, Silver — explicou a voz.
Nós duas nos levantamos e voltamos a colar nossas costas, olhando em todas as direções possíveis.
— E por que deveríamos confiar… – perguntei em pensamento, mas Silver me interrompeu.
— Direita, noventa graus.
Eu canalizei magia para a espada de energia em minha mão e ele se alongou, emitindo um brilho avermelhado.
— Chicote de Rosas do Dragão da Terra.
Balancei o chicote brilhante na direção apontada por Silver e ele se chocou contra algo, causando uma explosão no processo. Ele havia se chocado contra um arpão de gelo.
— Obrigada, mas retomando o assunto anterior, por que deveríamos confiar em você? – perguntei mentalmente.
— Você vai mesmo dar ouvidos a ele? – perguntou a voz de Katrina no fundo da minha mente.
— Bem… – ia tentar formar uma explicação plausível, mas fui salva pelo homem.
— Carol, três horas. Katrina, cinco – falou ele.
Eu tornei a atacar, usando o chicote, a direção apontada pelo homem, enquanto Katrina lançou uma esfera explosiva na direção apontada para ela. Ambos os ataques destruíram arpões de gelo grandes o suficiente para caçar baleias.
— Estamos escutando – disse, ou melhor dizendo, pensou Kath.
— Tudo bem, eu preciso que vocês derrotem Keyes – explicou Silver.
— Conte uma novidade – ironizei.
— Como Katrina disse, eu sou apenas um cadáver reanimado por esse saco de ossos maldito. Ele me sustenta com o poder de sua maldição, a qual eu devo dizer que é desprezível – explicou Silver – Embaixo de vocês.
Kath e eu saltamos no exato momento em que aconteceu uma espécie de erupção de gelo que fez surgir diversas estalagmites congeladas que quase empalaram a mim e a maga das explosões. Nós aterrissamos em uma área segura.
— Uma vez que Keyes for derrotado, meu corpo vai parar de se mover, e então eu poderei descansar, finalmente – explicou Silver, em seguida nos avisando de outra série de ataques desferidos por ele.
Eu bloqueei maioria, enquanto que Katrina desviou todos os que foram mandados em sua direção.
— E por que você iria querer morrer? – perguntou a morena.
Silver ficou um minuto em silêncio antes de responder.
— Isto… Não é o que eu quero ser – disse ele em um tom triste e melancólico — Um morto. Uma abominação. Um homem cuja alma já deixou de existir há anos. Eu sempre desprezei esta existência amaldiçoada. O único motivo de eu viver, ou melhor, o único motivo que eu tinha, era destruir a Tartaros com a minha magia de Devil Slayer, mas agora, Keyes possui controle completo sobre meu corpo. Apenas minha mente se mantém a mesma.
Devíamos de outra série de ataques do mago de gelo. Então ele era um Devil Slayer? Achei que Marcus fosse o único que possuía esta magia, já que ele era o portador da Marca do Demônio. Silver, meu caro, você é uma caixinha de surpresas.
Kath defendeu a nós duas de uma série de arpões de gelo, usando de uma grande esfera explosiva.
— O que quer que façamos? – perguntou ela, com a expressão mais séria que eu já havia visto em seu rosto.
Mirajane
Assim como a Etherious que eu enfrentara junto de Marcus, eu invoquei uma grande quantidade de livros, os quais flutuavam ao meu redor, descrevendo círculos.
Poder da alma. Era com certeza uma fonte de energia inacreditável, tanto é que me permitiu criar um novo Satan Soul, sendo que eu não havia absorvido Seilah. Eu apenas havia observado suas habilidades de forma rápida. Isto sem mencionar o nível de energia, o qual ultrapassava com facilidade o poder que Marcus e Lucy demonstraram anteriormente, bem, pelo menos o poder que eles demonstraram até agora.
Erza se levantou, mesmo que com uma aparência assustada, e se pôs em posição de batalha. Suas espadas voltaram a emitir chamas vermelhas.
— Você realmente acha que pode me assustar com isto? – perguntou ela, fazendo com que eu respondesse mentalmente com um grande “Sim” – A senhora Seilah é poderosa por causa de seu Macro, mas ele não funcionará em mim. Eu sou um demônio também.
Ela gritou esta última parte e saltou em minha direção, erguendo ambas as espadas acima da cabeça. Acho que ela pretendia me derrotar com este golpe. Tola.
Os livros que traçavam círculos inofensivos ao meu redor voaram em direção a Erza. A ruiva desviou dos primeiros, mas uma acertou sua testa em alta velocidade, causando um corte na mesma e fazendo-a parar de correr.
Aproveitei-me de sua distração e fiz com que os livros se abrissem, o que eles fizeram e em seguida emitiram círculos mágicos diversos, os quais minha mente reconheceu em um piscar de olhos Primeiro, eu ativei aqueles que lançavam relâmpagos, me aproveitando assim do fato da armadura de Erza conduzir com facilidade a eletricidade. Em seguida, ativei diversos tornados de água, os quais maximizaram ainda mais o poder dos raios elétricos. A combinação a acertou em cheio, fazendo-a gritar de dor.
Finalizei os ataques por ora, e fiz com que uma enorme bíblia demoníaca se pusesse acima da ruiva e lançasse um tornado de fogo, o qual engoliu Erza, fazendo com que ela desaparecesse de minha linha de visão.
As chamas se apagaram e uma cortina de fumaça negra surgiu no lugar onde Erza foi queimada. Um cheiro pútrido invadiu minhas narinas, mas este não me incomodou.
Para falar a verdade, pouca coisa realmente me afetava desde que eu usará o Take Over em minha própria alma. As ameaças e provocações de Erza? Mal me faziam piscar. Era como se eu não me importasse mais com o que me acontecesse, como se eu não possuísse mais emoções. E isto era bem possível, afinal, eu havia acabado de transformar minha alma em poder. Eu não devia mais ser humana.
Foquei meus olhos no local onde Erza se encontrava e notei uma forma sair do meio da fumaça de forma rápida, vindo em minha direção. Erza tentava me acertar com um soco, o qual eu bloqueei pondo meus braços a frente do corpo.
— Satan Soul… – exclamou ela raivosa, quase como se dissesse o nome de uma doença – Eu vou derrotar este também, e depois eu vou matar você.
Ela tentou desferir um série de socos em mim, porém eu bloqueei todos com uma facilidade imensa. Devo dizer que foi uma feliz surpresa ver que Seilah era forte fisicamente sem assumir sua forma Etherious.
— Derrotar este Satan Soul? Acha mesmo que consegue – questionei em um tom debochado e com um sorriso irônico, fazendo Erza rosnar.
Ela se afastou momentaneamente, conseguindo tempo para equipar dois punhas cujas lâminas mediam aproximados trinta centímetros. Ela tentou me cortar com as armas, mas eu apenas desviei de graciosamente, enquanto que os ataques passavam de forma inofensiva ao meu lado. Aproveitei-me do foco exagerado que ela dava em tentar me acertar, e fiz com que diversos livros a acertassem de lado, fazendo com que ela fosse mandada para longe de mim em meio a uma tempestade de livros que explodiram todos ao mesmo tempo.
Uma enorme explosão ocorreu, de forma que todo o recinto fosse tomado pelo poder destrutivo do ataque, incluindo eu, mas eu não me preocupava, pois esta forma era extremamente resistente, bem, pelo menos eu acho.
Mas meu pensamento estava correto. Meu Satan Soul me protegeu completamente das chamas resultantes da explosão, a qual destruiu completamente o solo e levantou uma quantidade enorme de poeira, esta que eu afastei com um livro que produzia um tornado em miniatura.
A poeira desapareceu e eu pude ver o corpo inerte de Erza no meio de uma enorme cratera circular, a qual possuía bons vinte metros de raio. Ela estava mal. Meu ataque fora poderoso demais, pois ela estava completamente machucada. Diversos cortes e lacerações se faziam presentes em toda a extensão do seu corpo, enquanto que um grande fluxo de sangue escorria pela sua testa. Mas considerando o atual nível de poder da ruiva, eu não podia me conter.
Caminhei até a ruiva inconsciente, enquanto que os livros desapareciam ao meu redor. Pus-me de joelhos ao lado da maga e toquei sua testa, concentrando minha magia para que eu pudesse identificar a situação atual dela. E esta não era nada boa.
Seu interior era frio e desumano, absolutamente sombrio e sem senso de humanidade. Sua mente e seu corpo, estavam começando a se acostumar a viver sem alma. Em breve aquele estado seria permanente e eu não poderia fazer nada.
Eu precisava agir. Agora ou nunca. Pus minhas mãos sobre o coração de Erza, sentindo seus batimentos e fazendo meu Take Over passar através de seu corpo.
Erza tremou, como se uma lâmina congelada atravessasse sua coluna, mas rapidamente parou e abriu os olhos. Eles estavam com as pupilas dilatadas e transmitiam medo.
— Não, Mira. Eu lhe imploro. Não faça isso – suplicou ela tentando afastar minhas mãos, porém ela não possuía forças para tal ato.
Ignorei seus pedidos e continuei o que havia começado. Agora eu lançava meu Take Over tanto no corpo da ruiva quanto em sua armadura, em busca da essência restante de sua alma.
Após alguns segundos de esforço eu a achei. Triturada. Mutilada. Quase não parecia algo que compusesse um ser humano, mas era ela. A alma de Erza. Sendo usada como uma fonte de energia para aquela armadura, assim como a minha energizava meu Satan Soul atual.
Envolvi e alma de Erza da forma mais delicada possível, a qual não era muito, considerando o pouco tempo que eu tinha. Extrai-a do ferro que formava a armadura e passei a deposita-la de volta no interior da ruiva que continuava pedindo para que eu parasse.
Porém, quando eu comecei o fluxo da alma de volta para o seu corpo, ela parou de gritar. Seus olhos encararam o vazio. Sua expressão se tornou neutra, não de uma forma desumana obviamente, mas sim de alguém cansado.
Assim que a alma de Erza estava depositada de volta no seu corpo, a Armadura da Condenação desapareceu, deixando a ruiva nua a minha frente. Seus ferimentos desapareceram também. Os olhos dela se fecharam de maneira suave, serena. Ela era humana de novo. Meu trabalho estava feito.
Lucy
Os cinco magos tentaram lançar um ataque em conjunto contra mim, porém eu me protegi formando uma barreira de mana, a qual desviou o ataque para o teto do lugar onde estávamos, destruindo-o.
— Bem, até que a vadia é forte – disse Natsu, porém com uma voz que não era sua. Era de Kyôka.
— Não que eu me importe, mas como você está os controlando? – perguntei, sabendo que a Etherious poderia me ouvir.
— Bem, eu dei uma volta pela Tartaros antes de vir aqui enfrentá-la, e acabei encontrando os corpos de alguns aliados mortos. Uma coisa leva a outra é cá estou eu, mais poderosa do que nunca. Bem, não aqui, mas você entendeu – disse a voz de Kyôka, só que desta vez por Juvia.
Maldita. Pouco me importa se ela está controlando estes malditos, até porque agora eu tenho uma desculpa plausível para acabar com eles sem ninguém poder me impedir, mas se Kyôka queria me encarar, por que ela não está aqui? Tem alguma coisa muito errada neste lugar.
Agora eu apenas desejo que John e Marcus estejam bem e que estejam próximos de um antídoto para o mago da Marca do Demônio. Ele estava muito mal, mas eu tenho fé de que eles vão conseguir passar por cima disso.
— Minha cara Lucy, eu devo lhe dizer que foi extremamente fácil controlar estes magos patéticos a enfrentá-la – disse a Etherious por Laxus – Eles te odeiam muito. E para ser sincera eu devo lhe dizer que tem algo neles que eu reconheço de algum lugar. O que você acha que é?
Maldita. Deplorável. Demônio.
Avancei contra os magos com fúria nos olhos.
— Hoje será o dia em que eles pagarão pelo que fizeram a mim e depois que eu o fizer, eu irei atrás de você Kyôka – disse de forma ameaçadora.
Energizei meus punhos com o poder de Regulos, o qual me foi concedido pelo StarDress de Leo que eu usava agora.
— Você, sua vadia do inferno, vai morrer de uma vez por todas.
Próximo capítulo: O Poder da Fada Que Caiu.
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