My New Life
6 A Filha da Terra
Notas iniciais
Todos os espectadores estavam boquiabertos com a transformação de Lucy. Para os membros da guilda, a forma da Maga Celestial era muito semelhante ao estilo de magia dos magos classe S, tais como, Marcus e Katherine. Muitos cochichavam que se Katherine resolvesse usar a mesma magia que a loira, a cidade seria destruída.
− Loke, volte. As coisas vão ficar feias por aqui – disse Lucy.
O espírito assentiu e desapareceu em um brilho dourado.
− Então, você usou o seu espírito para me distrair, enquanto concentrava energia mágica para impulsionar sua transformação? Belo truque. Meio demorado, mas ainda assim, belo truque – falou a morena com desdém.
− Para falar a verdade, eu não esperava ter de usar esta forma, mas nós estamos no mesmo nível de poder. Se continuássemos nessa briguinha, ficaríamos nisso o dia inteiro – falou a loira suspirando – Mas, agora... você vai cair – completou com uma expressão assustadora.
Antes que a morena pudesse responder, Lucy se moveu em direção a ela em uma velocidade absurda. Até mesmo Marc us, que era um experiente e veloz combatente corpo a corpo, acompanhou o movimento com certa dificuldade. A loira socou o estômago de Katherine, fazendo com que esta fosse arremessada contra a parede da arena, a qual desenvolveu uma série de rachaduras, mas resistiu. Antes mesmo que a gravidade pudesse fazer efeito sobre o corpo de Katherine, mandando-a para o chão, Lucy juntou as mãos acima da cabeça. Entre estas se formou uma reluzente esfera dourada, pequena, mas que emitia grandes quantidades de energia.
−Starbolt – Lucy lançou a esfera, que voou em uma velocidade equivalente a da loira.
A esfera atingiu Katherine em cheio, causando assim uma enorme explosão a qual resultou em uma grande cortina de fumaça.
Poeira, rochas estilhaçadas. Era fácil acreditar que a morena havia sido derrotada, mas os magos mais experientes ainda podiam sentir a magia da maga classe S, e esta estava mudando.
No centro da cortina de fumaça, era possível distinguir uma silhueta humana, ou mais especificamente quase humana.
Onde outrora estava uma mulher absolutamente normal, se encontrava alguém diferente. Agora a jovem usava uma roupa familiar a de Lucy, porém diferentemente da Maga Celestial, a morena usava um maiô completamente fechado na barriga que possuía uma singela abertura entre os seios, a qual voltava a se fechar mais acima. Suas mãos se tornaram garras de dragão assim como as de Lucy. Tinha botas escamosas até metade das coxas e possuía uma calda pontiaguda. Sua nova forma era composta quase inteiramente por tons rosa com detalhes em roxo.
− Take Over Dragon Soul: Dragão da Ruptura – exclamou Katherine enquanto asas de morcego, em um tom arroxeado, brotavam de suas costas.
A morena voou rapidamente, desferindo um soco no estômago de Lucy para logo em seguida desferir um potente chute no rosto da loira. A Maga Celestial foi mandada em direção ao chão com grande velocidade e força, abrindo uma cratera funda no mesmo. Katherine se deixou cair, indo rapidamente rumo a Lucy com ambos os pés voltados para esta, na intenção de esmagá-la.
Mas, antes que Katherine pudesse acertar Lucy, esta agarrou fortemente o pé da morena impedindo o impacto. Logo em seguida, a loira lançou a maga classe S para longe de si, em direção a parede, porém antes de Katherine acertar a mesma, Lucy surgiu atrás dela desferindo um forte chute na coluna da morena, mandando-a para o outro lado da arena.
Katherine aterrissou em pé, mesmo que com certa dificuldade. Ela encarou a loira mortalmente e pensou: Que se dane. Vou fazê-la em pedacinhos. Com isso em mente, ela uniu as mãos em frente o corpo. Em frente às mãos da maga, começou a ser acumulada uma grande quantidade de energia. Katherine direcionou as mãos à cima da cabeça, moldando a energia no formato de uma gigantesca esfera de energia roxa. Destro desta, pequenas explosões se formavam como se fosse uma bomba composta por muitas outras.
Lucy, prevendo o ataque iminente, viu que era hora de responder a altura. Pôs as mãos acima da cabeça, acumulando energia mágica assim como Katherine. Entre suas mãos, começou a surgir uma esfera de energia incandescente, que crescia em uma velocidade incrível, alcançando surpreendentemente rápido o tamanho da esfera de Katherine
Vistas de uma distância segura, os dois grandes globos de energia poderiam ser considerados bonitos. Dispostos lado a lado, como dois planetas brilhantes. Mas, vistos de perto, ambos possuíam uma periculosidade que não pode ser medida em palavras. Quase todos os presentes na arena estavam estáticos e imóveis. Todos menos um. Marcus sabia que teria de intervir, se não aqueles ataques poderiam significar o fim da cidade. Porém, a aproximação de uma magia conhecida sinalizou ao rapaz que a interferência dele não seria necessária.
− Dioga TeoRadomu – gritou Katherine, enquanto lançava sua esfera de energia.
− Supernova – gritou Lucy, enquanto lançava sua magia.
Devido o tamanho das esferas de energia, a distância entre elas era de apenas alguns poucos metros. Então, quando foram lançadas, se chocaram rapidamente, causando uma onda de choque que varreu todas as nuvens do céu. O chão do estádio começou a colapsar e as pessoas começaram a correr loucamente desejando salvar a própria vida.
Porém, quando parecia que as magas destruiriam tudo, seus ataques desapareceram. Toda aquela energia mágica havia desaparecido do nada, deixando todos, inclusive as duas magas, estupefatos. Além dos ataques terem desaparecido, os Take Over’s de ambas tinham sido desativados.
−Mas, o que...?
Antes que Lucy pudesse terminar, grandes plantas brotaram, do que uma vez havia sido o solo, e imobilizaram tanto a loira quanto a morena. Lucy tentou usar sua magia para se soltar, mas era um esforço inútil, e logo ela viu o porquê. As plantas emitiam uma toxina que impedia o funcionamento da magia. Então ela tentou usar sua força, porém ainda assim era um gesto sem fundamento. As vinhas pareciam feitas do mais duro aço.
− Não adianta. Ela nos pegou – disse Katherine levemente ruborizada, olhando para a entrada da arena.
Lucy seguiu o olhar da morena e viu uma garota. Ela parecia um pouco consigo, divergindo apenas em alguns pontos específicos. A garota também possuía cabelos loiros e ondulados, porém seus olhos eram de um verde intenso, como esmeraldas. Possuía uma estatura média como a de Lucy. Ela usava uma blusa vermelha, saia verde, meias arrastão e botas marrons com fivelas douradas. Usava também protetores de antebraço que se estendiam pela parte superior da mão, se prendendo ao dedo médio. No ombro direito da maga, meio escondida pelo cabelo, estava a marca da fênix em dourado.
A recém chegada avançou pela arena destruída, parando apenas quando alcançou o centro da mesma.
− Eu saio da cidade por uma semana e o apocalipse acontece. Marcus, seu pai é um imprestável – disse ela olhando acusadoramente o rapaz da arquibancada, a qual atualmente se encontrava apenas com um espectador.
Uma onda de depressão, um tanto cômica, pairou em Marcus, enquanto ele falava um baixo e sem graça “Isso não é verdade”.
A desconhecida suspirou cansada e pesadamente e estalou os dedos, fazendo as plantas desaparecerem em um feixe de luz vermelha. Tanto Lucy quanto Katherine caíram de pé.
− Quem é você? – perguntou Lucy irritada.
− Carol Danvers. E você é a garota que estava prestes a chutar a bunda da Katherine – respondeu amigavelmente enquanto apertava a mão da Maga Celestial – Posso ter a honra de saber seu nome?
− Lucy, Lucy Heartfilia.
− Opa, opa, pode parar – começou Katherine indignada enquanto se aproximava – Se alguém aqui ia ter a bunda chutada, esse alguém é ela. Você que me atrapalhou.
− Não ligue para ela. Ela também foi um porre comigo no meu primeiro dia – disse Carol para Lucy, fazendo esta rir baixo.
− Oh meu deus...
As garotas voltaram a olhar para a entrada da arena e lá viram um mestre completamente embasbacado. Erik estava imóvel, abrindo e fechando a boca, tentando formular uma frase que não conseguia. Então, fez o que pareceu a decisão mais lógica. Gritar:
− KATHERINE! LUCY! O que vocês pensam que é isso, hein? Bagunça? Um lixo qualquer que vocês podem destruir – falou enquanto andava de um lado para o outro, enforcando um ser imaginário.
Depois que se acalmou o mestre simplesmente encostou-se na parede e se permitiu escorregar até o chão, ficando de cócoras no mesmo, enquanto escondia o rosto nas mãos.
Marcus, vendo o estado do pai, pulou para a arena, entregou o ovo de Exceed para Lucy que estava se sentindo culpada pelo estado atual de Erik e foi até o pai tentando consolá-lo.
− Hey, hey, calma. Vou fazê-las arrumarem tudo. Por que o senhor não vai descansar um pouco, hein? Tomar um vinho, um banho quente, que tal?
O mestre olhou para o menor, sorriu e saiu nervoso da área de combate. Quando o mais velho se retirou, Marcus se virou e encarou as meninas, e deu a elas seu sorriso mais frio e psicótico possível. As garotas por sua vez não ficaram, visivelmente, abaladas, mas por dentro sabiam que deviam seguir qualquer ordem que o moreno desse. Ele se aproximou com passos calmos e pesados e parou em frente às três:
− Vocês vão deixar esse lugar do mesmo jeito que antes.
− Mas, essa luta nem era minha. Qual é Marcus, eu acabei evitando uma tragédia ma...
Carol não pôde terminar a frase, pois o olhar de Marcus encarou única e exclusivamente ela. A garota engoliu em seco.
− Tudo bem. Vou ficar e ajudar – disse rapidamente, vendo o rapaz se acalmar.
− É bom mesmo.
Marcus pegou o ovo dos braços de Lucy, deu uma última encarada mortal nas garotas e seguiu para a sede da guilda.
− Bebê, você merece pais que não sejam destruidores natos – murmurou o jovem para o ovo enquanto caminhava.
Katherine seguiu o garoto com os olhos e murmurava para si mesma: “Esse cara tem sérios problemas de personalidade”.
− Posso te fazer uma pergunta? – falou Lucy encarando Carol.
− Bem, você já fez, mas claro.
− Como conseguiu anular nossos ataques de antes? Geralmente minha magia é imune a manipulações de fontes externas.
A maga da terra riu baixinho e respondeu com um sorriso calmo e amigável.
− Tanto você quanto Katherine estavam distraídas demais, sabe, querendo arrancar a cabeça da outra e tudo mais. Então, quando eu usei meu feitiço anulador, nenhuma das duas estava em condição de se defender. Simples.
As informações eram assimiladas e analisadas calmamente por Lucy. A loira nunca havia encontrado alguém que fosse capaz de resistir aos seus golpes ou anular sua magia, mas eles, essas pessoas, estavam no mesmo nível da Maga Celestial. Talvez, eles fossem até mais poderosos que ela. Katherine ativou sua Dragon Soul muito mais rápido do que a loira. Carol, por sua vez, chegou de forma imperceptível no campo de batalha e anulou, não só um, mas dois feitiços poderosíssimos. E Marcus? Em determinado momento Lucy sentiu nele tanto uma reserva mágica enorme, quanto uma força maligna muito antiga.
A Maga Celestial teria que tomar cuidado com eles. Mesmo que não fossem mais poderosos que ela, eles estavam em maior número. Por isso ela decidiu que evitaria, ao máximo, conflitos com eles até descobrir com o que estava lidando.
Suspirou fundo, limpou sua mente e ergueu a mão acima da cabeça:
− Reparo.
Uma luz rosa ofuscante brilhou fortemente por um segundo para logo em seguida desaparecer. Quando desapareceu, era possível notar que toda a destruição, causada desde a chegada de Lucy até seu embate com Katherine, havia sido desfeita. O chão da arena não só havia sido restaurado, pois agora o mesmo possuía uma grama verde e macia. As paredes destruídas estavam em pé como se tivessem terminado de ser construídas. Até mesmo a porta da guilda, que tinha sido despedaçada pela “entrada triunfal” da loira, estava inteira como se fosse nova.
− Manipulação de mana, não é? – perguntou Katherine para loira que assentiu com a cabeça – Prático. E você tem um ótimo cruzado de direita – admitiu finalmente, um tanto sem graça.
− Obrigada – agradeceu meio sem jeito. Lucy não esperava algo deste tipo vindo da morena, afinal ela implicara com ela desde que se conheceram – Sua voadora... foi incrível.
A morena sorriu.
− Vão para um quarto vocês duas – exclamou Carol, irritada por não ter nenhuma de suas “incríveis habilidades” reconhecida – Então, Lucy você tem um lugar para ficar na cidade?
A loira negou. Um lugar para morar era a última coisa na qual havia pensado. Na verdade ela nem havia pensado sobre isto, afinal estava ocupada em uma batalha contra uma oponente mortal.
− Bom, se você quiser e a Katherine concordar, você pode morar conosco – exclamou maga da terra feliz.
− Mesmo? E vocês moram? – perguntou a Maga Celestial. Carol assentiu − Claro. Mas...
Os olhares de ambas as loiras se voltaram para a morena. Esta por sua vez assumiu uma expressão de choque.
− N-nó-s três dividindo uma casa? Vamos nos matar na primeira noite. Eu mal suporto você Carol.
A loira de olhos verdes assumiu uma expressão desolada.
− Você poderia ter dito isso há três anos não acha? – disse fingindo chorar.
A morena abriu e fechou a boca tentando formular uma frase que não fosse carregada de palavrões. Deu-se por vencida e suspirou:
− Tudo bem. Ela pode morar com a gente. Mas se eu a matar por ser chata demais...
A morena não pode terminar a frase, pois Carol pulou no pescoço da mesma, derrubando ambas no chão.
− Sai de cima de mim. Gorda – suplicou a morena enquanto a maga da terra se levantava com uma carranca.
− Eu não sou gorda. É que, quando a comida decide cometer suicídio, ela pula na minha boca enquanto eu durmo – disse em um tom choroso ao mesmo tempo em que alisava a própria barriga.
Lucy, que assistia a cena calada e confusa, finalmente se pronunciou:
− Vocês duas parecem um casal de velhos.
Tanto Carol quanto Katherine, que havia acabado de se levantar, encararam a Maga Celestial com uma expressão mortal.
− Você quer ter um teto sobre sua cabeça hoje? – perguntaram ambas em uníssono.
A dupla de magas nem esperou a loira responder, voltaram-se para a guilda e começaram a andar.
Lucy deu um pulo e acompanhou as duas.
− Onde vocês estão indo?
− Primeiro: vamos pegar suas coisas com o Marcus. Segundo: você vai ter a festa da sua vida – respondeu Katherine parando em frente à porta de entrada da guilda.
Por baixo da porta da guilda, era possível ver luzes das mais diversas cores. De dentro do prédio, se ouvia música e som de alguns golpes.
Pela primeira vez em muito tempo, Lucy sorriu e se sentiu feliz por estar em um lugar que não fosse com seus dragões. Pela primeira vez em muito tempo, encontrou um lugar que chamaria de casa, que não fosse o seu Palácio.
Katherine e Carol se posicionaram à entrada. E então, cada uma abriu, simultaneamente, uma metade da grande porta dupla.
Próximo capítulo: Nascimento.
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