My Immortal Love
1 How it all started
Notas iniciais
- Você vem hoje?
Quase caio da cadeira ao sentir um hálito quente na minha nuca. Viro-me na direção da voz, tremendo na base pois já sei quem é seu dono.
- O-onde? — pergunto, ao me deparar com um par de olhos cor de mel.
- Na festa. Lá na minha casa. — sorri o lindo menino loiro á minha frente. Sinto-me suspirando por dentro.
- Ah. Eu não sei... Amanhã tem aula e tudo mais.
Sua mão encontra a minha em um ato tão normal quanto respirar.
- Por favor. — seus olhos captam os meus. — Não vai ser a mesma coisa sem você.
Como dizer "Não" a um pedido desses? Lembre-me de pesquisar mais tarde.
- Okay. — minha voz falha. — Vou tentar.
Ele dá um salto na cadeira, lasca um beijinho em minha bochecha, dá as costas e saí, saltitante e animado. Volto a respirar.
Sim. Esse é Nathan Wolf. Loiro, alto, olhos cor de mel. Tudo que uma garota poderia querer em um garoto: meigo, inteligente, lindo, delicado, fofo, sensível e popular. A perfeição em pessoa.
E, mais uma vez, sim. Estou apaixonada por ele. Eu e mais metade da escola. a diferença é que não sou atirada como as outras garotas — e até garotos — de meu colégio. Sei esconder minha queda — talvez um abismo? — por Nathan. E acho que esse é o único motivo pelo qual ele me nota: o fato de eu não viver usando roupas absurdamente curtas para lhe chamar a atenção.
- O quê Nate queria com você? — a voz de meu melhor amigo, Scott, arranca-me dos devaneios.
Dou de ombros, fingindo indiferença enquanto ele se senta a minha frente na mesa do almoço.
- Saber se eu vou na festa dele hoje.
- E você vai?
Mordo meu lanche.
- Acho que sim. Problema?
- Você sabe o que eu penso sobre ele, Lau. — resmunga.
- Aprecio seu incentivo, Scott.
- Só não quero que ele te machuque.
- Ele não vai. — soou confiante, mas meu coração martela no peito.
*
Está frio. Absurdamente frio. Mas, pelo menos, se eu pegar um resfriado, culparei minha mãe por isso já que ela me fizera vir andando para a festa.
Consigo ouvir distintamente o som de música e vozes vindas de dentro da casa. Arrepio-me só de pensar no que está acontecendo lá dentro: todos aqueles populares da escola, dançando e bebendo, alguns se drogando, outros dando amassos nos corredores. Algumas patricinhas se esfregando em Nate.
Como vim parar aqui mesmo? Quer dizer, sou apenas mais uma garota que faz parte do grupo de excluídos. O que eu acho que vai acontecer aqui? Que por algum motivo do universo, vou conseguir me enturmar, e até mesmo provar um pouco do que é ser popular?
Patético e ingênuo.
Estou prestes a desistir e voltar para o aconchego do meu lar quando a porta se escancara. O ar quente de lá de dentro me envolve, aliviando cada partícula congelada de meu corpo.
- O que você estava fazendo aí fora? — um par de olhos amendoados me encara. — Achei que não fosse entrar nunca.
Ele estava me observando?
- Eu, hã...
- Relaxe. — Nate sorri e esfrega os braços descobertos. — Vamos. Quero te apresentar para meus amigos.
*
A casa é gigante. Deve ter tipo 3 vezes mais tamanho que a minha. E é super bem decorada, com móveis rústicos, lustres de vidro e tapeçarias persas. Se algum dia eu tivesse de filmar um filme, esse seria o cenário ideal.
Mas, é óbvio que sempre há aquela manchinha, mais conhecida como pedra no sapato, que sempre está pronta para arruinar a perfeição. No caso, essa pedrinha se resume ao extenso grupo de jovens bêbados espalhados pelos cômodos, dançando como doidos e gritando a plenos pulmões.
Como Nate não se incomoda com isso? Ah, esqueci. Ele já está acostumado a frequentar festas desse tipo.
Apesar de toda a loucura, aquelas pessoas são, de alguma forma, familiares para mim. Não porque são amigos ou coisa do gênero. São apenas conhecidos. Pessoas que frequentam aulas comigo e, às vezes, até me pedem cola durante as provas.
"Continue andando Laura. Ignore toda essa barulheira."
- Você não vem muito à esses tipos de festas, não é mesmo? — pergunta Nate enquanto nos conduz pela multidão.
Rio para retrair a tensão.
- Você acha?
Nate dá um sorrisinho torto e para exatamente ao lado de um pequeno grupo de 5 pessoas, que automaticamente voltam suas atenções para mim.
Reconheço todos ali. As duas meninas, loiras e perfeitas com seus olhos azuis e corpos malhados, frequentam a aula de história comigo todas as quartas. Os 3 meninos com aquele evidente e tão comum estereótipo de jogadores de futebol são Jackson, Nicolas e Bryan. Meus colegas em biologia 1.
Em algum aspecto, eles até podem ser descritos com a palavra "bonito". Mas, nada se compara a Nate e seu charme nato: cabelo claro jogado para o lado, olhos da cor do mel mais doce já provado, queixo anguloso, sobrancelhas arqueadas, bochechas coradas, corpo esguio e malhado.
- Laura, esses são Jackson, Nicolas, Bryan, Michele e Lauren. — ele aponta para cada um dos amigos. — Gente, essa é a Laura.
- Oi. — sorriu.
Nate passa os braços ao redor de minha cintura e me puxa para mais perto. Vejo as duas loiras rirem baixinho e cochicharem algo.
- Então essa é a garota especial? — zomba Nicolas.
Não sei o que fica mais quente: minha cara ou o lugar onde Nathan está tocando.
Para minha sorte, ele não parece perceber a verdade estampada em meu rosto. Apenas ri e entra na brincadeira do amigo:
- Ciúmes?
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