Notas iniciais
Então galera, aqui está o segundo cap da fic. Espero que não se zanguem por eu demorar muito para postar mas vocês sabem como fim de ano é hahaha. aproveitem a leitura :)

– Quer dançar?

Dou um salto e quase tropeço nos próprios sapatos ao sentir o sussurro, macio como seda, tocar meus ouvidos. E não preciso ouvir duas vezes para saber de onde vem. Nate.

Viro-me para ele e, pela primeira vez em longos 20 minutos, olho diretamente para seus olhos.

Durante todo esse tempo, permaneci calada, apenas ouvindo a conversa do grupo de amigos de Nate e bebericando meu copo de cerveja. Não que eu goste exatamente da bebida, mas por um motivo óbvio: quero me misturar. Todas essas pessoas digerem o álcool tão naturalmente. Acho que eu me sentiria mais excluída ainda se não estivesse bebendo. E, além do mais, uma vez não vai matar ninguém.

Algo toca minha mão e entrelaça nossos dedos.

– Lau?

Balanço a cabeça para espantar os pensamentos.

– Eu não sei dançar, Nate. — digo, envergonhada demais para olhá-lo nos olhos.

– Não tem problema. — ele pega meu rosto e o levanta. — Sou um ótimo professor.

Ele nem espera por uma resposta e já está me conduzindo para a pista improvisada em seu quintal.

O lugar está extremamente lotado. Adolescentes pulam para lá e para cá, sacudindo cabelos, movendo cinturas, jogando braços para cima, tudo isso ao som frenético da música eletrônica saindo das enormes caixas de som de Nate.

De alguma forma, ele acha caminho até o meio da pista. Diferente de todos ali, Nate não começa a pular como um louco bêbado e deixar que eu me esfregue nele. Ele apenas aproxima-se de mim, calmo, e posta as mãos de dedos esguios em minha cintura, tão delicado como se eu fosse de vidro. Deixo que ele me puxe para si, inebriada na magia de seu toque, e entrelaço meus braços ao redor de seu pescoço. Meus dedos coçam, tentados a acariciar os cabelos de sua nuca.

Começamos a nos mover, lenta e vagarosamente, ao som de uma música que só nós estamos ouvindo.

– Viu? Está dançando. — ele sorri.

– Com você é mais fácil.

Tento rir em resposta, mas meu coração está correndo tão rápido no peito que tudo que sai é um sussurro engasgado. Coro.

Permanecemos em silêncio. Não sei se isso é bom ou ruim. Bom porque posso finalmente tentar me concentrar em algo que não sejam suas mãos tocando a pele descoberta de minha cintura. Ruim porque isso só pode significar uma coisa: que estamos desconfortáveis demais um com o outro para conversar.

Suspiro.

– Era verdade?

– O que era verdade? — ele olha para mim. Quase perco a linha do pensamento.

– O que você disse. — sinto as bochechas arderem. — Sobre eu ser sua garota especial. Quer dizer, — grudo os olhos no chão. — vou entender se você só estava brincando.

Minha vontade no momento? Enfiar a cabeça em algum buraco no chão, exatamente como um avestruz faria.

– Laura? — Nate chama. -Olha para mim. Por favor.

Seus dedos mais uma vez, tocam meu queixo e o puxam para si. Nossos olhos se encontram no mesmo instante, verde misturando-se ao mel.

– Por que você acha que eu estava brincando?

– É o normal, não é? Para vocês eu sou só uma brincadeira. — cerro os olhos com força. — Quer dizer, quem sou eu perto das garotas populares?

Por um instante, tudo à nossa volta parece congelar. O mundo se cala. Só há eu, Nate e minha palavras descontroladas.

Ouço-o suspirar e até penso que ele vai desistir. Mas, seus dedos não deixam meu rosto. Não o soltam por nada.

– Você é Laura. — sua voz parece o mel que cobre seus olhos, doce e suave. — A menina linda, inteligente, meiga, boa, fofa e, principalmente, melhor que qualquer garota naquela escola. — ele faz um pausa. — Você é Laura. A garota por quem estou apaixonado.

Arregalo os olhos de surpresa.

– Apaixonado?

Ele sorri.

– Desde a quarta série. — confessa.

Nate afasta os cabelos de meu rosto e traça a linha de meus lábios com o indicador.

– Sempre foi você.

E, como nos sonhos que sempre tive, ele toca minha boca com a sua própria.

*

Já se passa da meia-noite quando Nate finalmente me deixa ir embora. Não que eu queria, de alguma forma, partir. Mas, acho que se eu demorar mais para chegar em casa ficarei de castigo pelo resto da vida.

– Você precisa mesmo ir? — pergunta ele, fazendo cara de cachorrinho abandonado.

– Se eu não quiser ficar de castigo, sim. — riu.

Nate abre a porta para mim e o frio nos atinge como um tapa. Encolho-me dentro do casaco.

– Não quer que eu te leve para casa?

Balanço a cabeça negativamente.

– Acho que você tem coisas mais sérias para cuidar. — riu e aponto para as pessoas e a bagunça na sala de Nate.

Ele me olha, as íris analisando cada parte de meu rosto. Ele inclina-se e seus lábios ficam à centímetros dos meus.

– É muito cedo para eu te dizer uma coisa? — ele sussurra, os olhos ainda presos nos meus.

– Depende do que você quer dizer. — sorriu, mas por dentro quero que ele me beije logo.

– Eu te amo.

As palavras me chocam tanto que por um momento não consigo fazer nada a não ser ficar estática. Quer dizer, o menino de quem tanto gosto a anos se declarando para mim? Como supostamente eu deveria me preparar para isso?

Então, como uma resposta, puxo-o para mim e beijo-o.

– Eu te amo, Nate.

*

– Alô?

Atendo o celular depois de finalmente encontrá-lo no meio da bagunça em minha bolsa.

– Laura?

Para meu alívio, é a voz de meu melhor amigo no outro lado da linha. Fico feliz de poder realmente ouvir algo que não seja o zunido do silêncio profundo da noite, ou o barulho arrebatador do vento. Ficar assim, tão sozinha nesse beco escura já estava me dando nos nervos.

– Você bebeu? — ele pergunta, mais como uma acusação. — Não acredito que Nate te fez beber.

O sangue sobe para meu rosto.

– Ele não me obrigou a nada Scott. — retruco. — Eu bebi porque quis.

Ouço-o suspirar enquanto entro em outro beco vazio e escuro. Sinto calafrios na espinha.

– Okay. Desculpe. A festa foi boa, pelo menos?

– Foi sim! — exclamo, relembrando cada momento perfeito ao lado de Nate. — Foi simplesmente um sonho.

– Por que algo me diz que toda essa alegria tem haver com Nathan?

Estou prestes a responder quando ouço algo estilhaçando. Não algo. Vidro. E não muito longe de onde estou.

– Laura? — Scott me chama no telefone. — Está aí ainda?

– Hey, Desculpe. Achei ter ouvido algo.

– Você ainda não está em casa? — ele exclama e já até imagino sua cara de preocupação.

– Relaxe, Scott. Estou quase chegando. — minto. Devem faltar alguns bons quarteirões ainda. — Posso te ligar quando chegar?

– Se você chegar. — ele caçoa. — Não deixe os monstros te pegarem.

Bufo.

– Tchau Scott. — e desligo o celular.

Ouço algo novamente. Dessa vez, não é vidro quebrando. É mais concreto. Constante. Passos.

Jogo o celular na bolsa e acelero minha caminhada. O beco parece mais escuro e silencioso que antes. O barulho continua a ecoar em meus ouvidos.

E então, antes que eu possa sequer entender de onde veio o golpe, algo me atinge. Algo forte e rápido. Quase como um carro.

Sou lançada para longe em uma força descomunal. Minha cabeça sofre o impacto de um muro. Tudo começa a girar.

Pressiono a palma da mão contra o ferimento em minha cabeça e ela volta encharcada de um líquido quente. Meu sangue. Vejo pontinhos pretos. A dor parace corroer tudo.

Tento gritar, mas algo agarra minha garganta e me levanta no ar. O oxigênio sufoca-se nos pulmões. Engasgo. O grito fica preso na traqueia.

Estou fraca demais para me debater. Fraca demais até para pedir ajuda. Fico apenas congelada, esperando que o que quer que tenha me atacado ache que já estou morta e me deixe em paz.

– Tão deliciosa. — uma voz tão doce que chega a ser enjoativa, sussurra ao pé de meu ouvido. — Seria um pecado desperdiça-la.

Meus pelos todos se arrepiam quando algo gelado e pegajoso encosta em meus pescoço. E vai se arrastando por toda a extensão, fazendo questão de ir lentamente para eu sentir cada toque.

– Não vai gritar? — rosna. — Ou vai continuar se fingindo de morta?

Fico em silêncio.

– Tudo bem. Vamos ver se você não vai gritar agora.

E dito isso, sinto uma dor dilacerante no pescoço. Uma dor ácida e insuportavelmente brutal. Algo animalesco e sem piedade nenhuma.

A dor se espalha por todo meu corpo, como um veneno pregando-se nas paredes de minhas veias. Uma dor tão forte que não consigo segurar um grito.

O vermelho tinge minha visão. O ar sufoca-se em meus pulmões. Meu corpo não aguenta mais a dor. Está entorpecido.

E, de repente, tudo acaba. A dor, o veneno, os dentes em minha pele. Estou livre das garras, caindo em um abismo escuro sem fim.

Ouço o baque surdo de algo quebrando. Sei que o barulho vem de mim, mas não sinto nada. Não sinto nenhum osso quebrando. nem meu corpo sem vida sendo jogado no chão.

A única coisa que vejo são sombras. Escuras e rápidas, quase invisíveis, movendo para lá e para cá, em uma dança sobrenatural.

Sinto-me fora dos eixos. E não resisto. Deixo a inconsciência me sugar.

Notas finais
E ai gente? O que acharam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.