My Hands Are Tied
14 And we both know hearts can change
Notas iniciais
Acordei no outro dia, um domingo que parecia outro qualquer, muito tarde, e muito cansada. William não estava lá, então resolvi arrumar a casa e sair um pouco. Depois de tomar um banho rápido e um café não mais demorado, coloquei um casaco por cima dos jeans e da camiseta azul e ao descer as escadas fui surpreendida pelo imenso telefone tocando.
-Senhorita Hatfell?
-Eu mesma — respondi.
-Seu irmão foi liberado hoje as oito, poderá vir buscá-lo?
-Claro! Estou indo agora! Muito obrigada — falei, muito alegre e ansiosa para ver Jack novamente. Ele teria uma vida nova, e contaria com todo o meu apoio.
Saí de casa imediatamente, levando as chaves e entrando em meu carro. Dirigi até a clínica e lá entrei, com o coração saltando. Quando vi ele no corredor, acompanhado da enfermeira, soltei uma lágrima de emoção e corri em sua direção.
Ele estava chorando também, e me abraçou. Ficamos lá por alguns minutos até eu assinar um formulário, pegar suas malas e sairmos.
-Lizzy, não sabe como estou feliz em te ver! — falou ele, animado, me beijando no rosto. Após colocar as malas no banco de trás, entramos no carro e dirigi até a minha casa enquanto conversávamos.
-Eu estou muito mais, você não tem ideia. Se sente melhor? — perguntei.
-Me sinto renovado.
-Vou levá-lo passar alguns dias em minha casa até ajeitarmos o apartamento.
-Como vão Derek e Tate? — perguntou ele. Nunca havia visto Jack feliz daquela maneira.
-Muito bem, inclusive, encontraram um emprego descente. Pelo visto a banda vai por água abaixo... — falei. Ele riu. Chegamos finalmente em casa e depois de descarregarmos o carro percebi Will descendo as escadas, provavelmente havia chegado há pouco tempo.
-O que Jack faz aqui ? — perguntou-me, de um modo grosseiro.
-Ele é meu irmão, e posso recebê-lo quando quiser, William. Ele acabou de sair da clínica de reabilitação, e vai passar alguns dias aqui. — Jack estava calado.
-Ótimo, era tudo que eu precisava! — gritou, subindo novamente as escadas, bravo. Jack me encarava.
-Se sou um problema posso sair, não me importo. — a alegria havia desaparecido de seu rosto, o que me entristeceu. William sabia ser um imbecil quando queria.
-Nunca será um incômodo, Jack. Agora suba as escadas, o segundo quarto à direita é o seu. Vou preparar o almoço, está bem? — perguntei. Ele assentiu e subiu até seu quarto. Depois de certo tempo, Will desceu e me abraçou por trás.
-Me desculpe por ser tão grosso, Lizzie. Foi... Um impulso. — falou.
-Eu te conheço, você falou o que pensava e ofendeu o meu irmão, mas não me importo. Estou acostumada. — eu parecia mais fria do que nunca. Não era a primeira vez que isso me acontecia.
-Tudo bem. — falou, pegando alguma coisa no armário e indo para a sala de estar. Acabei o almoço e chamei Jack e Will, que se aproximaram rapidamente. Comemos em silêncio, e depois que Jack subiu as escadas, explodi.
-Por que faz isso? — perguntei.
-Isso o que? — falou, grosso novamente.
-Ser estúpido com todo mundo! Você não percebe?! Não me ama mais, não é, William? — abaixei meu tom de voz, percebi alguma coisa diferente em seu olhar, como se confirmasse a minha dúvida.
-Se não está satisfeita, por que não vai embora? — falou. Estava quebrando meu coração aos poucos.
-Por que eu sou apaixonada por você, Will, e sabe disso muito bem — finalizei. Ele me beijou, mas de um modo frio, não apaixonado. Depois saiu pela porta da frente.
Resolvi ler alguma coisa para ocupar minha cabeça, e peguei no sono. Acordei em minha cama, assustada. Como isso tinha acontecido? Desci as escadas e percebi Jack, animado, tocando um violão que tinha encontrado, com um pacote de chocolate vazio ao seu lado. Percebeu minha presença e parou automaticamente, rindo.
-Como vim parar na minha cama? -perguntei, rindo e me sentando ao seu lado.
-Isso é um mistério! — disse ele, ajeitando meu cabelo. Percebi que era muito tarde, e eu não tinha sono algum. Jack estava novamente feliz, e cantamos juntos até as onze horas, quando resolvemos assistir um filme. Passamos uma de nossas melhores noites como irmãos juntos, e nos divertimos demais.
A certa altura, pelas duas da madrugada, Jack subiu para seu quarto para dormir, e eu permaneci acordada lendo até as oito da manhã. Fiz algumas panquecas e comi. Will não estava em casa, e eu estava apreensiva. Depois das dez, Jack se levantou e depois de tomar café, perguntou o motivo de minha apreensão, aparente.
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