Notas iniciais
Se aproximando do fim pessoal (: espero que gostem!!

–Will não voltou para casa — falei.Jack me encarava, seriamente.

–Sabe onde ele pode estar? — perguntou.

–Não tenho ideia. — finalizei. Ficamos em um silêncio constrangedor até eu subir as escadas e começar a ler um livro qualquer. Peguei no sono, já que não havia dormido quase nada na noite anterior e acordei com uma batida forte na porta de meu quarto. Era Will. Ele deitou na cama, agitado.

–Não dá mais, Elizabeth! Eu não aguento mais! — gritou ele. Eu me assustei e me sentei na cama.

–O que, William? — falei, em um tom mais baixo.

–Nós dois. Eu não aguento mais. O que sinto por você não passa de desejo, apenas isso. Eu não amo você, Lizzie! Me desculpe — falou.

Senti como seu eu houvesse desabado, minhas pernas amoleceram, meu coração se rompeu. Ele havia literalmente me acabado com aquelas palavras.

–Tudo bem, Will. Se eu não te faço feliz, quem é ? Me diga o nome dela. Vai ficar tudo bem.

–Erin... Elizabeth. Erin Everly.

–Mas... Ela não era só sua amiga, Will? — falei, chorando. Jamais esperei que ele dissesse aquilo. Eu conhecia Erin, éramos amigas.

–Eu menti, Lizzy. Me desculpe, eu só não posso mais fazer isso. — ele me beijou, mas eu logo me afastei, como por impulso.

–Esquece, Will. Se não dá certo, eu não vou mais te incomodar. — falei. Ele saiu do quarto e enquanto isso arrumei minhas coisas. Eu estava confusa, triste e me sentia muito mal naquele momento. Eu amava ele, não apenas fisicamente, mas como um todo. Chamei jack, ele arrumou suas malas, e quando saímos, Will estava na porta.

Ele me deu o que seria nosso útlimo beijo. Nos beijamos por alguns minutos. Eu amava ele, disso tinha certeza. Mas se ele não sentia o mesmo, aquele não era mais o meu lugar. Interrompemos o beijo, nos abraçamos, e eu entrei em meu carro, sem olhar para trás, após ajeitar minhas malas, e voltei para o meu velho apartamento, que ainda estava lá intacto. Jack subiu comigo, e depois de abrir a porta em silêncio,e ele me abraçou, ternamente.

–Me desculpe, Lizzy. — ele falou. Eu olhei para ele uma última vez naquela noite, e após tomar um banho no que seria meu velho chuveiro, chorei por algumas horas antes de dormir. Aquela tinha sido a pior noite de minha vida, disso eu sabia.

Acordei no outro dia, com receio de seguir em frente. Agora outra pessoa, não mais a garota de dezoito anos. Sentia que por mais que tivesse pouca idade, carregava muita maturidade em meus ombros, mesmo que não a deixasse transparecer. Jack voltou para seu apartamento antigo e arranjou um emprego. A vida correu normalmente por muito tempo. Sem amores, sem dor ou sofrimento. Depois daquele coração partido, estava dez vezes mais fria.

Na noite de meu aniversário em 1988, de vinte e cinco anos, recebi uma ligação inesperada as sete da noite. Quem seria?

–Alô? — falei.

–Lizzie! Não acredito! Quanto tempo! feliz aniversário! — falou a voz do outro lado, agora mais saudável. Ellen.

–Meu Deus! Que saudades, El! Ainda está na cidade?

– Sim, claro! Queria saber se podemos sair hoje? Ainda mora no mesmo lugar, certo?

–Não, agora mudei para um apartamento maior, na terceira avenida. Número 540. Você vem me buscar? — perguntei.

–Claro! Que saudades, amiga! Estou ansiosa! te vejo em duas horas, pode ser?

– Perfeito! Estou esperando! — desliguei, animada. Alguns minutos mais tarde ouvi batidas na porta e fui atender.

–A garotinha não é mais tão pequena então? — falou Derek, que correu me abraçar. Nós dois rimos. Eu realmente estava diferente do que aparentava com dezoito anos. Ele estava carregando um grande buquê de flores, que após acabar o demorado abraço me entregou.

– Como é bom te ver, Derek! Melhor ainda que lembrou de meu aniversário. — falei.

Conversamos alguns minutos, e quando percebi ele havia me beijado. E deixei o beijo seguir seu rumo, mas quando fomos longe demais interrompi.

–Vou ter que sair daqui a pouco, Derek. Estou... Muito feliz que tenha vindo. — falei, corando. Percebi que ele riu.

–Feliz aniversário, Lizzie.

–Muito obrigada — e eu abracei-o novamente, e ali ficamos até ele se levantar e sair pela porta da frente. O que havia acontecido? Não sabia, mas fora muito bom. Eu sentia alguma coisa por ele, e sabia disso. Me arrumei e as nove, Ellen subiu em meu apartamento, me desejou novamente feliz aniversário, e saímos.

A noite foi muito divertida, bebemos até tarde, dançamos, lembramos os velhos tempos e contei a ela sobre William. Ela foi compreensiva e me contou que havia parado totalmente com as drogas. Ela realmente parecia melhor, mais bonita, mais renovada. Era a nova versão de Ellen, e eu adorava essa nova versão. Ela era novamente viva, a minha amiga de infância.

Voltei para casa refletindo o quão maravilhoso aquele aniversário tinha sido. E o que eu deveria fazer em seguida? Eu não sabia.