Notas iniciais
Obrigado pelos reviews! Sério mesmo, é muito bom saber que estão gostando da fic! Ah, e o capítulo é dedicado a todas que favoritaram e a todos que comentaram! Obrigado! LEIAM AS NOTAS FINAIS!

Paulo

Quando eu cheguei em casa tive que responder um interrogatório. Minha mãe me perguntou o porque do sumiço, causa, o porque de pegar seu carro emprestado, porque estou melado de molho de espaguete e etc. Mas quando eu falei da Alícia, minha mãe ficou.. calma. (?)

– Hum.. Alícia, é? — ela sentou no sofá. — Uma boa garota. Mora aqui em frente. Mas ainda não entendi o porque de você estar na casa dela. — ela arregalou os olhos. — Paulo, não me diga que..

– O que?! Não! — me defendi. — Quando eu sai da diretoria correndo, esbarrei nela, e ela acabou desmaiando. A levei para a enfermaria e a enfermeira me orientou a leva-la para casa. Apenas isso, dona Lilian.

– Ok, então né — ela riu. — Agora vá tomar um banho.

– Está bem — falei, indo em direção ao meu mais novo quarto. Ele era azul marinho com detalhes pretos. Uma luminária de neon em cima do criado mudo e uma cama de casal. Tinha um closet, que aparentemente já estava com minhas roupas. Fui até o banheiro, despi-me e abri o box. Liguei o chuveiro e deixei a água fria levar todo o calor que contia em meu corpo. Ao acabar, fui até meu closet e de lá tirei uma bermuda xadrez e meu moletom. Calcei minhas sandálias e desci para a sala.

Liguei a TV e fiquei assistindo Hora de Aventura de cabeça para baixo no sofá. Depois de alguns minutos — quando eu já não sentia mas o meu pescoço -, levantei do sofá e voltei a meu quarto, indo pra sacada. Estava frio, muito frio. Fiquei olhando pro nada, até notar uma certa garota de cabelos castanhos tocando violão e cantando na casa da frente. Era Alícia. Sua voz era perfeita, nem muito grave, nem muito aguda. Ela atingia as notas certas e o que mais me surpreendeu foi ela segurar a nota B4 por 7 segundos. Ela cantava Slipped Away, da Avril Lavigne.

– I've had my wake up won't you wake up, I keep asking why i can't take it, it wasn't fake, it happened you passed by.. i miss you. — ela finalizou a última parte quase num sussurro. Eu a aplaudi e ela limpou as lágrimas que corriam pelos seu rosto.

– A q-quanto tempo você tá ai, Guerra?! — ela gritou e eu ri.

– A tempo suficiente para ver você cantar. Você tem talento, Gusman — eu disse.

Ela bufou.

– Não enche, garoto! — ela fechou a cortina e eu fiquei ali, plantado, com um sorriso idiota no rosto.

Alícia

Eu já havia acordado. Ainda fazia frio, o que me fez ficar arrepiada. Coloquei o porta-retrato em cima do criado mudo e fiquei encarando o teto. Peguei o Violão ao lado da minha cama e comecei a tocar uma música que falava tudo o que eu sentia naquela momento.

– I miss you

I miss you so bad

I don't forget you

Oh! It's so sad...

Eu comecei a tocar. Cada clave, cada nota, cada verso retratava tudo o que eu sentia e estava entalado na minha garganta por um bom tempo. Quando não dei por mim, lágrimas tomavam conta do meu rosto, e um ser aplaudia tudo. Era ele.

– A q-quanto tempo você tá ai, Guerra?! — gritei, e ele riu.

– A tempo suficiente para ouvir você cantar. Você tem talento, Gusman — ele disse, sorrindo.

Eu bufei. Esse garoto acha que o que eu estou passando é bom?

– Não enche, garoto! — fechei a cortina. Okay, eu fui um pouco grossa. Mas não deu pra controlar. Fui até o banheiro e abri o armário, tirando de lá minha antigas "amigas". As giletes.

[/autora: antes de começarem a ler, apertem nesse link e deem play na música: http://www.youtube.com/watch?v=BphrCg8SDFI]

Posicionei a gilete em meu pulso e a cortei. Em primeiro momento, a dor tomou conta de mim, mas logo depois o alívio veio. Me posicionei na parede. Virei para o lado e peguei uma pílula. Fazia um tempo que eu não tomava.

Eu ainda sentia um vazio dentro de mim.. Um vazio que só era ocupado por Mario. Lembro-me de quando eu saía com garotos, e ele os ameaçava de espanca-los se me magoassem. Lembro-me das caminhadas na praia com Rabito. Lembro-me das viagens que fazíamos ao sítio. Lembro-me de quando eu joguei ele na piscina, e ele me puxou de volta. Lembro-me de quando eu estava triste, e ele fazia palhaçadas para me alegrar. Lembro-me de quando fazíamos maratona de filmes, e ficávamos trancados dentro do quarto por um final de semana inteiro. Lembro-me do seu jeito sarcástico que me irritava até o último fio de cabelo, mas eu nunca fui diferente. Lembro-me das suas ironias e idiotices. Lembro-me de quando íamos ao cinema e ficávamos xingando os atores só para irritar os outros. Lembro-me de sua risada. Lembro-me de como ele me chamava de "Lilica" "Marrentinha" e "Birula". Lembro-me de que quando eu não conseguia dormir, ele ficava fazendo cafuné até eu dormir. Lembro-me de como seus olhos brilhavam quando lia ou via algo sobre medicina. Lembro-me quando nós fazíamos travessuras e nossos pais davam bronca, mas depois abava traquinando conosco. E além de tudo, lembro-me do meu herói, do meu amigo, do meu companheiro, do meu irmão de toda a vida. Mario, se tiver me ouvindo, eu vou falar pela milésima vez: Eu te amo, e sinto sua falta, seu bobão. Depois disso, senti minha visão ficar escura, e depois, eu apaguei.

Now you're gone

Now you're gone

There you go

There you go

Somewhere you're not coming back

The day you slipped away

Was the day I found it won't be the same ..

Notas finais
Então pessoas, pra quem não entendeu, a Alícia sofre de desturbio de bipolaridade, auto-mutilação, bulimia e depressão. Mario a ajudava, e depois que ele morreu, a garota piorou.