My Favorite Rockstar
5 Stay Strong
Notas iniciais
Paulo
Eu estava deitado em cima da cama jogando video-game quando ouvi uma voz gritar por socorro. Dei pause no jogo e fui até a sacada, quando deparei-me com uma garota de cabelos loiros abaixo dos ombros, olhos verdes e de pele bem branca, gritando. Calcei os chinelos e pus meu gorro, desci até a sala e abri a porta. A menina veio até mim correndo.
– Socorro, por favor, minha amiga tá caída no banheiro! — ela me notou. — Ai meu Deus, você é Paulo Guerra! Tá, foco Maria Joaquina. Por favor, você pode me ajudar? Por favor..
– Não, claro. Como é o nome dela? — perguntei, seguindo a garota, que havia saído correndo até a casa.
– Alícia! — falou ao chegarmos na casa.
Não, não, não.. Não podia ser aAlícia que eu conheço.
Ela abriu a porta bruscamente e saiu correndo até o quarto de Alícia, abriu a porta do banheiro e lá estava ela, deitada no chão do banheiro com remédios jogados por todo ele e também tinha sangue. Muito sangue. A peguei no colo e desci até a sala.
– Venha, o meu carro tá estacionado logo ali! — a menina gritou. Abriu a porta do carro e eu entrei com Alícia no banco de trás. Ela estava mais branca do que o normal. Minhas roupas já estavam sujas de sangue. Por que ela se cortou? Por que ela se entupiu de remédios?
Meus pensamentos foram impedidos por Maria Joaquina, que abriu a porta e saiu, depois abriu a minha. Saí correndo com Alícia em meus braços até a recepção do Hospital. Lá encontramos uma mulher de praticamente 1,50 cm. O cabelo era joãozinho e tinha um sorriso caloroso nos lábios. Mas esse sorriso se desmanchou ao ver Alícia.
– Ah meu Deus.. Alícia.. — ok, todos conhecem ela?. — Venha, o Dr. Marcos vai atende-la!
Caminhamos até um enfermeiro, coloquei Alícia na maca e o enfermeiro a levou para um sala. E eu fiquei ali, plantado na sala de espera com Maria Joaquina.
– Como ela conhece Alícia? — perguntei, depois de minutos calado.
– Ela quem? — indagou confusa.
– Ela, a recepcionista. — apontei para a mulher que falava com alguém no telefone.
– Ah, Charlie. Alícia sempre vem aqui, visitar as crianças. Ela é como uma mãe para todas as crianças daqui. E como você conhece a Alícia?
– Bem, eu a fiz desmaia, levei para a enfermaria, aí graça me orientou a leva-la para casa, fizemos guerra de espaguete, fui pra casa, e agora estou aqui. — respondi, com a voz fraca.
– Cadê ela?! — o mesmo garoto da diretoria de hoje cedo apareceu, e Maria Joaquina se levantou.
– Calma, Jorge. A Alícia já está sendo atendida. A qualquer momento podemos receber notícias — Maria Joaquina respondeu e Jorge percebeu minha presença ali.
– O que ele está fazendo aqui? — perguntou com desprezo. Out, eu também não fui com sua cara não, o loiro oxigenado.
– Ele prestou socorro a Alícia, Jorge. Fique calmo — Maria Joaquina disse, colocando a mão no peito do garoto.
– Ficar calmo? Como você quer que eu fique calmo? Minha amiga voltou a se auto-mutilar e você quer que eu fique CALMO? — Jorge se alterou.
– Vá beber uma água Jorge. Vamos — Maria Joaquina o puxou, mas ele me olhou em último relance.
Sentei novamente na cadeira e pus as mãos nas minhas têmporas, massageando-as. Até ser interrompido por um casal, que estavam alarmados.
– Cadê a minha filha?! — percebi que se tratava de Verônica. E ela chorava. E muito.– P-paulo, cadê a minha filha?
– Calma dona Verônica, a Alícia já está sendo atendida. Estamos esperando por notícias. — respondi.
– E-eu fui a casa de uma amiga, e quando voltei, a casa estava aberta, a porta do b-banheiro do quarto de Alícia havia sido arrombada, e estava cheio de sangue — ela abraçou Felipe. — E capsulas, e pílulas..
– Fique calma, amor. Tudo vai ser resolver. — Felipe se manifestou, me lançando um olha de "muito obrigado". Sentei novamente na cadeira e enviei uma mensagem a minha mãe.
"Tive que sair, foi urgente. Não se preocupe.
Paulo."
Guardei o celular no bolço da bermuda. Minutos depois ele vibrou. Era a resposta da minha mãe.
"Ok, qualquer coisa me avise.
Lilian."
Guardei novamente o celular no bolso e fiquei esperando notícias, assim como Maria Joaquina, Jorge, Verônica e Felipe. Logo um médico, alto, de cabelos cor de areia e olhos castanho-esverdeado veio até nós. Supus ser o dr. Marcos.
– Verônica, Felipe.. Quanto tempo — dr. Marcos os abraços. — Bem, o estado da pequena Alícia se mantêm instável. Mas, ela terá que ficar sobre observação por dois dias.
– Não, claro, Marcos. — Felipe disse. — Podemos vê-la?
– Claro. Mas, duas pessoas por vez. — Marcos respondeu.
– Ok, eu e Verônica vamos — Felipe disse, puxando a esposa até o quarto.
***
– Como ela está? — Jorge perguntou.
– Está bem, graças a Deus — Verônica sorriu de leve.
– Eu posso vê-la? — perguntei.
– Hã, claro. É só seguir até aquela sala a direita, meu jovem — o dr. falou e eu assenti. Caminhei até o quarto e bati na porta. Ouvi alguém murmurar um "entre", girei a maçaneta e entrei no quarto. Alícia estava deitada na cama, ainda estava branca, só que seu bronzeado estava voltando a habitar sua pele.
– Como se sente? — perguntei, sentando em uma cadeira que tinha do lado da cama.
– Fraca — ela respondeu. — Por que me salvou? Eu preferia ter morrido.
– O que? Não diga isso! — falei, segurando sua mão. Uma corrente elétrica passou pelo meu corpo. -Eu sei como se sente!
– Você não sabe como eu me sinto! — ela disse. Lágrimas rolavam pela sua face. — Você não tem desturbio de bipolaridade. Você não se auto-mutila. Você não tem depressão. Você não é bulemico. Você não sente vontade de se suicidar. Você não perdeu a pessoa mais importante da sua vida. Então não diga que sabe o que eu sinto pois você não sabe! — ela soluçava.
Eu estava em estado de choque. Como uma garota tão linda, tão amada, e tão sensível tinha tantos problemas? Eu nem sei como eu viveria desse jeito. Roberto tinha razão. O mundo não gira só em torno de mim.. E eu vou ajuda Alícia. Eu vou alegra-la.
– Você é fã de quem, Alícia? — perguntei. Eu já sabia de quem ela era fã.
– Demi Lovato — ela respondeu, olhando olhando pro nada.
– E a Demi tem problemas? — perguntei.
– Tem — ela respondeu.
– E ela sempre os enfrentou?
– Sim.
– Como?
– De cabeça erguida.
– E qual é o lema dela?
– Stay Strong.
– E o que isso significa? — perguntei, segurando ainda mais forte sua mão.
– Fique forte. — ela disse, olhando fixamente em meus olhos.
– Então faça o mesmo que ela. — dei uma beijo em sua testa. — Stay Strong, Alícia.
E saí do quarto.
Eu sei como é ter que tudo dando errado, e sorrir fingindo que tudo está dando certo. Só fique forte, ninguém merece suas lágrimas. — Demi Lovato
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