My Favorite Rockstar
1 Melhor amigo, rockstar e matando uma garota.
Notas iniciais
Alícia
São Paulo, 17 de feveireiro, 06:00 m.p.
06:00 m.p. Hora de ir para a escola. Revirei os olhos pela décima vez e levantei da cama, suspirando pesadamente. Calcei as pantufas e caminhei até o banheiro, despi-me e abri o box, liguei o chuveiro e deixei a água levar aquela sensação de lençol. Ao acabar, enrolei-me na toalha e assim que acabei de me secar, fui me vestir. Como é o começo das aulas, a gorda ainda deixa irmos sem uniformes. Minutos depois eu estava pronta.
Coloquei os óculos escuros para disfarças as olheiras e um cachecol para disfarçar os chupões no meu pescoço — causadas pela festa de ontem, mas como está chovendo ninguém perceberia -, e joguei a mochila sobre os ombros. Soltei meus cabelos e fiz uma maquiagem simples. Desci para a sala e encontrei os meus pais, os melhores pais do mundo, Verônica e Felipe Gusman.
– A festa ontem deu no que falar, hein filha? — minha mãe indagou, rindo.
– Ô, a senhora tinha que ver mãe. Tinha um gostoso lá e.. — meu pai me interrompeu.
– ALÍCIA! — meu pai gritou, e eu e minha mãe rimos, jogando a cabeça pra trás, feito crianças.
– Tô indo família, beijos — beijei a bochecha do meu pai e a bochecha da minha mãe. Dei um ultimo gole de suco e peguei meu skate. Saí de casa e pus o skate no chão, indo rumo a escola Mundial.
***
Cheguei na escola e fui falar com meus amigos. Valéria se atracava com Davi, Maria Joaquina com Jaime e Daniel com Marcelina. Bati o pé no chão e eles me olharam surpresos.
– Ah, oi, Lícia. Não percebi que estava ai — Valéria disse, arrumando a roupa amarrotada. — Ah, e você não tá sabendo. Paulo Guerra vai estudar aqui! AH! Paulo Guerra!
Revirei os olhos. Não suporto esse famosinho metido a besta.
– Tô nem aí pra essa bicha de calça apertada — falei e os meninos riram.
– ALÍCIA!
– Tá, tá. Podem continuar se pegando aí seus devassos. Beijos — eu ri e mandei um beijo no ar. Fui para a arquibancada e tirei da minha mochila meu ipod e os fones de ouvido. Ativei a playlist que começou a tocar Walk — Foo Fighters.
– Learning to walk again i believe I've waited long enough, where do i begin? — eu cantava a música, até ser drasticamente interrompida.
– Oi Alí! — ouvi uma voz conhecida, e rapidamente me virei. Era o meu loirinho.
– Jorginho! — gritei, pulando em cima do meu melhor amigo, sendo envolvida pelos seus braços fortes, em quanto ele inalava o cheiro de baunilha do meu cabelo.
– Estava com saudades! Não me ligou nas férias, seu feio — bati em seu peito e ele riu.
– Esqueceu que por sua culpa eu fiquei sem celular por 3 meses? — ele me fez cócegas.
– O que? Que mentira! — me fiz de inocente — Eu não tenho culpa de você ter dado uma festa e seu pai ter parado na cama com o Rabito vestido de bailarina!
Rimos.
– Alí, vou ali na diretoria e já volto, ok? — Jorge falou, dando um beijo em minha testa.
Jorge é um garoto alto, 1,73 de pura gostosura. Cabelos loiros, meio que um topete e olhos azuis cristalinas. Ai como eu tenho inveja daqueles olhos. Pele branquinha de um bronzeado incrível. Eu já fiquei com ele, mas não deu lá muito certo. Jorge gosta de uma menina, e eu, bem.. Não sou de namorar.
Fiquei ouvindo música por mais alguns minutos até que me dei conta: eu estava atrasada para a primeira aula. Guardei o iPod na mochila rapidamente e saí correndo, até esbarrar em um ser e acabar desmaiando.
Paulo
1 dia antes..
Londres, 16 de feveireiro, 18:23 p.m.
– COMO ASSIM EU VOU TER QUE MORAR COM A MINHA MÃE?! — eu gritei a Roberto.
– Abaixe esse seu tom de voz, mocinho! — Roberto ordenou, e eu me segurei para não dar um soco na cara do meu próprio pai. — Pensa-se antes de ser deste jeito!
– Que jeito?! — eu gritei. — Eu sou jovem! Tenho fama, carros, popularidade e mulheres! TENHO QUE APROVEITAR!
– E quer jogar tudo isso para o alto? — ele me encarou. — Paulo, você tem que aprender que nem tudo gira ao seu redor. Do que adianta ter fama, popularidade, dinheiro e mulheres se não tem caráter, honestidade e humildade? Paulo, você passou dos limites. Você vai sim morar com Lilian e o assunto acaba aqui. Sua passagem para São Paulo está em cima da mesa. Não perca o horário.
Roberto jogou seu paletó pelo ombro e a saiu do meu apartamento. Cara, que saco! Ele não entende!? Eu sou jovem! Tenho que aproveitar minha vida!
Me joguei na cama e adormeci, com as mesmas roupas.
Londres, 17 de feveireiro, 03:00 m.p
Acordei com o meu celular despertando. Filho da puta — desculpa vovó -, Roberto colocou meu celular para despertar. Praticamente me arrastei para o banheiro e me despi, abri o box e liguei o chuveiro, deixando a água gelada levar aquele calor. Ao acabar o banho, fui até meu closet e peguei uma jaqueta de corou, vestindo-a por cima de uma camisa branca. Vesti uma calça jeans e um coturno. Botei os óculos escuros e estava pronto.
Saí do apartamento e fui recebido por fãs. Caraca, ainda é de madrugada e essas garotas ficam aqui? Ok, eu sei que sou foda. Após passar por uma avalanche de meninas cheguei a limosine, e o motorista me levou para o aeroporto de Londres. Eu tive que ficar naquela sala de espera xinfrin até meu voo ser anunciado. Entreguei a passagem de voo de classe A para o homem e entrei no avião. Algumas pessoas vieram me pedir autógrafos e eu tive que dar. Peguei meu iPhone e acoplei os fones de ouvido, que começou a tocar Come as you are — Nirvana.
***
Acordei com o pescoço doendo, coloquei meu iPhone no bolço da calça e saí do avião. Várias pessoas vieram me pedir autógrafos, fotos e etc. Assim que consegui saí do aeroporto, o motorista mandado por Roberto me levou para a casa de Lilian. A casa era era grande. Azul com alguns detalhes beges, jardim e canteiro floridos. Assim que saí do carro vi uma mulher na janela. Ela tinha cabelos castanhos que estavam presos em um coque e a pele branca, usava roupas sociais.
– Paulo, meu filho, quanto tempo — Lilian me abraçou. Sentia falta do seu abraço..
– Eu sei mãe, muito tempo mesmo — dei um sorriso sincero. — Onde tem uma cama? Preciso descansar..
– É filho, mas, temos que ir na escola Mundial ainda. Precisamos te matricular — revirei os olhos e ela riu. — Não faça drama, Paulo. Vamos!
Lilian me arrastou para dentro de seu carro e eu liguei o som. Não me surpreendi, a música era minha. Minha mãe riu mais uma vez e eu ajeitei os óculos escuros, cantando uma parte do refrão:
– I'm no a superman, i can't take your hand and fly you anywhere, You wanna go, yeah! — cantei, batucando
– I can't read your mind like a billboard sign.. — Lilian cantou.
–And tell you everything you wanna hear, bu! — cantamos juntos.
Rimos mais um pouco e em poucos minutos chegamos na tal Escola Mundial. Era bem grande, e muito colorido por sinal, que para nossa sorte, os alunos já estavam em suas respectivas salas. Assim que entramos, duas garotas que bebiam água correram até mim, me pedindo autógrafo. Lilian riu.
– Como é seu nome, flor? — perguntei a uma menina ruiva.
– Beatriz, mas me chame de Bibi — ela disse, e assinei em sua camisa um "Com amor de Paulo Guerra para Bibi."
– E o seu, docinho? — perguntei a uma menina morena.
– Margarida. — ela disse e eu assinei em sua camisa "Com carinho, de Paulo Guerra para Margarida."
– Obrigado! Nós te amamos! — a ruiva disse. — Vamos Marga, estamos atrasadas.
E elas saíram correndo.
– Paulo Guerra arrasando corações, hein? — Minha mãe mãe bateu em minha cabeça.
– Sabe como é, né!? — eu ri.
– Paulo, vamos na diretoria. — Lilian me puxou até uma sala.
– Claro diretora, meus pais vão adorar patrocinar as olimpíadas de vôlei. Claro. — dizia um garoto loiro.
– Ah Jorge, você é um exemplo. Agora pode ir pra sala — a mulher que aparentava ter 500 quilos dizia. O menino levantou da cadeira e me encarou, balbuciou um "então era verdade" e saiu da sala. Não fui com a cara desse moleque.
– Paulo Guerra! Ah.. vai ser uma honra.. — a mulher levantou da cadeira e apertou minha mão, em seguida a de Lilian.
– É.. bom.. Eu vou no banheiro. — falei. — Boa conversa. Tchau.
Saí disparado da sala até esbarrarem uma criatura, que desmaiou no chão. Ai meu Deus, será que eu matei essa garota? Fodeu.
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