My Favorite Rockstar
3 Flashbacks.
Notas iniciais
Alícia
Ok, como vocês acham que eu estou nesse momento? Simplesmente paralisada. Minha mãe chegou, colocando as compras em cima do balcão. E minha primeira reação foi me separar do Guerra.
– Mas o que é que tá acontecendo aqui?! — ela perguntou, pondo as mãos na cintura.
– M-mãe.. — ela me interrompeu.
– Tô de zoa! Podem continuar aí. Mas limpem, ok? — ok, bem vindos a família Gusman, onde temos o pai pirado, uma mãe liberal e uma filha tarada.
– Mas oque.. — Paulo ia perguntando.
– Ela é assim mesmo, liga não. — falei, e ele suspirou, aliviado. — Vem, vamos limpar essa bagunça.
Começamos a limpar a cozinha melada de espaguete. Fiquei com a parte da parede, onde eu teria que esfregar até sair o molho. Já Paulo ia limpando o chão. Aquilo estava muito parado, então liguei o som.
– Curti Calvin Harris? — ele perguntou.
– Sim! — falei, dançando no ritmo da música, que era Feel So Close. Paulo me acompanhou na dança, e em poucos minutos havíamos acabado de limpar toda aquela bagunça.
– Bem.. Eu vou indo, minha mãe deve está me esperando — ele falou, colocando as mãos nos bolço da calça.
Mordi o lábio.
– Está bem, eu te levo até a porta — eu disse, andando até a porta, e ele me seguiu. — Até, Guerra.
– Até Gusman — ele disse. Fui dar um beijo em sua bochecha, mas ele também iria dar na minha, e numa tentativa falha acabou saindo um selinho. Meu rosto deveria estar parecendo um tomate de tão vermelho, e o dele também. Murmurou um "tchau" e saiu. Fechei a porta e corri para meu quarto. Iria tomar um banho. Não é legal ficar suja de espaguete.
Abri a porta do banheiro, me despi e abri o box. Abri o chuveiro, deixando a água gelada levar aquele cansaço dos meus ombros. Peguei o shampoo, despejei um pouco em minhas mãos e passei pelo cabelo. Fiz o mesmo com o condicionador, e em poucos minutos havia acabado o banho. Peguei minha toalha e saí do banheiro. Assim que saí, pude perceber que o tempo havia mudado, antes, fazia sol. Agora, chovia muito. Fui até o guarda-roupas e peguei um blusa preta regata com um cruz estampada. — sim, sim, eu sou lovatic. -, uma calça de moletom, e minhas sandálias. Coloquei meu moletom da GAP e deixei meus cabelos soltos. Logo estava pronta;
Deitei na cama e fitei o teto. Hoje faz dois anos. Dois anos que o meu idiota, meu peste, meu amigo, meu parceiro, meu babaca, meu saco de pancadas, meu irmão morreu. Virei para o outro lado da cama e vi uma foto. Lembro-me bem daquele dia. Eu era feliz naquela época.
Flashback ON.
– Ah, a pirralha acordou – Mario falou com a boca cheia de pão.
– Cala a boca, velhote – falei.
– Já começaram? – mamãe franziu o rosto, mas logo começou a rir.
– Agora que o Mario completou dezoito anos ele tá se achando mãe.
– Não posso acreditar – mamãe falou chorosa. — Meu bebezinho é maior de idade agora.
– Mãe – Mario a abraçou. – Não fica assim, você sabe que eu vou pra faculdade depois das férias. Mas pensa assim, você vai ter que aturar essa pirralha por mais um ano. – falou apontando pra mim.
– Há há há, muito engraçadinho você, Sr. Mario.
– Eu sei que você vai morrer de saudades, Lilica. – convencido.
– Vou nada, graças a Deus, vou ficar livre de você, seu chato. –falei rindo.
- Chato é? – Me olhou intrigado, os olhos castanhos iguais aos meus tinham um brilho. Ele vai aprontar. – agora você vai ver o chato – E me pegou no colo saindo correndo.
– Mãeeeeeee, me salva – gritei.
– Suas crianças – Mamãe falou rindo.
Mario me segurou forte e me mandou prender a respiração. Fechei os olhos e senti o impacto. Nós dois caímos dentro da piscina, rindo, como sempre.
Flashback OFF.
Lágrimas tomaram meus olhos. Achei que essa fase tinha passado..
Procurei em minha gaveta a única coisa agora me ajuda a superar tudo isso, que me dá forças para tentar de novo. Achei o caderno de couro. Olhei mais uma vez e comecei a ler.
“É, mais uma vez tivemos essa conversa. Eu já disse milhões de vezes, mas meu pai não me escuta. Eu odeio direito, meu sonho (Que está se tornando realidade) é fazer medicina. Ninguém sabe o prazer que eu tenho quando vou ao hospital e encontro aquelas crianças rindo. Desde que eu, e meus colegas começamos esse projeto de levar alegria e brincadeiras a elas, elas estão mais felizes, o tratamento avançou muito mais. A idéia que Lilica teve foi genial, criar uma feira para arrecadar fundos é a melhor opção. Aquela cabeça de vento teve uma ótima idéia e não se lembra disso. Ela falou quase sem querer e eu captei a ideia. Não falei que foi ela, porque senão ninguém agüenta essa metida. Vou sentir falta dela. Da Mamãe e do meu Pai também. Finalmente vou me graduar, adeus ensino médio, olá faculdade. Não sei se vou me tornar um grande médico, afinal eu quero o que todos querem: Mudar o mundo.”
No final não consegui controlar as lágrimas. A caligrafia perfeita, o jeito com as palavras, as lembranças voltando em flashes.
– Mario, você mudou o mundo. Você me fez uma pessoa melhor. – falei pensando nele.
Mario tinha um projeto, era de criar uma feira para arrecadar fundo para o hospital, só que um idiota bêbado bateu no galpão..
Flashback ON.
Não demorei muito para chegar em casa. Os carros estavam na garagem. Meus pais estão em casa. Abri a porta em silencio. Meus pais estavam na sala conversando sobre alguma coisa. Resolvi ir até lá.
– É Verônica, realmente o estrago foi dos grandes no galpão. – Meu pai falou.
– Eu fico muito sentida pela Alícia, você sabe como tudo isso é importante pra ela. – mamãe disse.
– Eu sei, Mario queria muito isso. Então, a Alícia vai fazer isso acontecer. – lagrimas encheram meus olhos.
– Ela sente tanto a falta dele – mamãe estava triste.
– Todos nós sentimos – não tinha escutado isso dele antes. – eu não quero que você comente nada sobre o acidente relacionado ao galpão. Ela não precisa saber. – Não preciso saber?
– Quando esse jovens vão entender, que bebida e direção não combinam?
– O que?! – gritei e eles me notaram.
– Alícia? – meu pai se assustou. — Que horas chegou?
– Quem se importa? Pai, foi um motorista bêbado não foi? –perguntei gritando mais alto.
– Do que você ta falando Alícia? – minha mãe tentou disfarçar
– Fala, pai. Foi um filho da puta bêbado que destruiu tudo, não foi? — eu já estava chorando.
– Sim, Alícia. Foi um motorista bêbado.
Flashback OFF.
Então eu tive a ideia? Eu não vou desistir, Mario. Nós vamos ajudar essas crianças.
A imagem de Mario veio a minha cabeça, e eu sorri com o pensamento. Pressionei a foto de Mario em meu peito e assim, adormeci.
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