My Fallen Angel
23 Chapter Twenty Three
Notas iniciais
Boa leitura ~ ♥
..my fallen angel..
Chapter Twenty Three
.Eu me senti terrivelmente bem na manhã seguinte. Minhas vidraças estavam abertas e uma brisa suave, e com aquele cheiro do mar que eu tanto adorava, entrava e rodopiava por mim. Estava tudo silencioso e eu sorri com a calmaria daquele dia.
Esperava mesmo que fosse desse jeito. Tanto ele, quanto todos os outros que se seguiriam em nossas vidas. Começariam desse jeito... Com o ventinho delicado a nos despertar aos poucos, nos trazendo para a realidade, para a certeza de que tudo estava maravilhosamente bem...
Então levantaríamos, os três, e faríamos o café-da-manhã juntos... Panquecas de maçã com calda, bolinhos de chuva com geleia de morango ou uva, ameixas, pêssegos, bananas e até sucos de laranja... Ou limão... As opções são inacabáveis!
Sorri com aqueles pensamentos... Mal havia despertado e já estava tão bobamente apaixonado por aquele dia... Só por suas hipóteses...
Se eu apenas soubesse...
Me remexi no colchão, procurando o corpo que sempre puxava para mim ao acordar. Estranhamente encontrei um vazio silencioso. Sentei na cama improvisada, passando os olhos pela sala vazia.
-Bom dia, Bela Adormecida... – ouvi o cumprimentar vindo da minha cozinha, só então notando Akira passando café e provando torradas com geleia. – Kouyou deixou um bilhete pra você... – ele apontou para a bandeja que estava na divisória e só então entendi que ele estava devorando meu café-da-manhã.
-Ele saiu? – perguntei ainda meio desnorteado por não acordar com sua presença aconchegante. Eu já estava tão acostumado com ele em minha vida que não tê-lo ali parecia absurdo. Heresia.
-Levou Takanori junto... E Gabriel, claro... – ele começou a servir café para nós dois e pegou uma faca para mim. – Mas deixaram essas delícias pra gente...
-Hum... – resmunguei um tanto chateado. Eu não conseguia acreditar que estava triste por culpa de algo que, eventualmente, iria acabar acontecendo. Pareceu-me idiotice e eu ri. – Geleia, por favor... – pedi ao separar uma das torradas pra mim. – Será que eles vão demorar muito?
-Só deus sabe, Yuu... – ele deu de ombros, deixando-me com meu café para se concentrar na televisão que ligara em um canal de notícias qualquer. Não fiquei surpreso ao ver meu rosto estampado na televisão, realmente. – É sobre sua viadagem, aposto.
-Que seja... Não é importante... – comi em silêncio. Meus pensamentos presos no único que me dominava daquele jeito, embalados pelas vozes dos jornalistas ao fundo. Akira riu e eu lhe encarei sem entender.
-Essa gente é engraçada... Divididas entre garotas enlouquecidas por vocês dois, adultos assustados e adultos compreensivos e interessados nos seus livros e não na sua vida particular... Não chega a ser interessante, mas... – Akira me sorriu e eu já havia entendido. Nossas vendas continuariam estáveis e nossos fãs, ou a grande maioria, permaneceria apoiando a arte.
Digo uma coisa: fiquei feliz com aquilo... Com o apoio de pessoas que sequer me conheciam direito... Sempre precisei de apoio e encorajamento. Felizmente sempre tive as pessoas certas perto de mim...
Até mesmo agora...
Claro que além daquela felicidade absurda e gratidão, também veio certo medo... Medo de não agradar aquelas pessoas que estavam ali dizendo que me apoiavam... Dizendo que se importavam com as coisas que eu escrevia, que eram importantes para elas e apenas isso era relevante naquele instante...
Acabei me sentindo como muitos escritores já haviam se sentido antes, inseguros quanto ao valor real de sua obra... Sorri. Isso era algo que não estava em minhas mãos realmente... O que está feito, está feito...
Não sabia, naquele instante, que nunca mais iria me preocupar com algo tão desimportante quanto aquilo...
-Hu... O Yutaka ligou mais cedo... O que acha de sairmos nós todos para almoçar? Depois disso Taka e eu vamos voltar... Ainda tenho coisas a acertar com Elliot e você tem muito o que aproveitar com aqueles dois...
-Já devia ter deixado confirmado... É mais do que perfeito, Akira... – acabei sorrindo, completamente feliz pela amizade incondicional que todos eles haviam demonstrado naquele momento difícil. Também me via contente com a entrada de Yutaka e seu namorado em nossas vidas... Eu acreditava que seriam companheiros importantes para mim e Kouyou... Não estaríamos sozinhos naquele lugar...
-Bom dia, dorminhocos... – Takanori entrou fazendo pirraça e sorrindo bobamente para um Akira que, no mesmo instante, foi recebê-lo com um beijo carinhoso. Eles conversaram entre cochichos, enquanto Kouyou vinha até mim com Gabriel em seus braços.
-Bom dia, meu anjo fujão... – brinquei, arrancando-lhe um riso antes de um beijo estalado se demorar em meus lábios. E era maravilhoso apenas aquilo...
-Eu deixei um bilhete... – se desculpou, apontando o pedaço de papel que – há poucos minutos atrás – havia me feito sorrir exatamente como o bobo terrivelmente apaixonado que era.
-Tudo bem... Teremos muitas outras manhãs para ver o sol nascendo como um verdadeiro casal, hu? – pisquei-lhe e ele me sorriu, gentilmente como sempre, embora algo no seu olhar tivesse me causado certo desconforto. Algo que sumiu assim que Takanori começou a narrar uma série de eventos que havia passado com Kouyou, nos fazendo rir e esquecer do mundo lá fora por tempo até demais.
Não nos havia restado muito daquela manhã, na verdade muito menos do que eu queria que tivesse restado... Entre conversas e risos, como me acostumei quando junto de todos eles, fomos nos arrumando para o almoço. Apenas gastando nosso precioso tempo com nossas bobagens mais simplórias.
Que, agora, se tornaram minhas mais preciosas memórias...
Não sei, com exatidão, quanto tempo se passou até que nos juntamos a Yutaka e Naoyuki. Desse tempo com eles, vou admitir, lembro pouca coisa... Quase nada, na verdade... São vagas as lembranças...
Lembro de termos passado muito tempo conversando assuntos quaisquer, lembro de ter feito brincadeiras que coraram as bochechas do meu anjo caído... Lembro de risadas que pareciam não ter fim e beijos delicados e discretos que trocávamos...
Foram momentos lindos, perfeitos se querem saber... Momentos que sempre serão minhas preciosidades e que amarei eternamente... Mas a exatidão dos fatos se perdeu no meio dos tantos acontecimentos conturbados daquela tarde...
Estou aqui... Tentando retardar ao máximo a dor dessas lembranças... Tentando não passar para o papel o que realmente há para ser passado dessas últimas horas... Queria poder mudar os fatos... Transformá-los em uma realidade alternativa... A vida, infelizmente para todos, não pode ser alterada... E eu não posso fazer nada para mudar essa verdade...
Se quiserem compreender porque me tornei tão miserável nesse tempo todo que passou, sigam em frente... Não digo que será bonito, porque não será... É por sua conta e risco... Infelizmente...
Lembro que terminamos de almoçar e ficamos perdidos no nosso mundinho particular... Todos sorrindo, felizes como nunca antes havíamos sido... Em algum momento houve um chamado ao médico Naoyuki e Yutaka seguiu com o namorado, como tinha que ser... Akira e Takanori também tinham que voltar... Além de falar com Elliot, era aniversário da mãe do Taka e eles tinham que estar de volta até a noite.
Se eu soubesse o que aconteceria, certamente teria aceitado sem pestanejar o convite para irmos junto. Mas não fomos... Estávamos exaustos ainda e precisávamos de um tempo sozinhos... Queríamos apenas colchões na sala, café em nossas mãos e um bom filme clichê na televisão.
-Apareçam logo, okay? – Takanori comentou, abrindo um sorriso gentil e me abraçando com força. Havia algo no abraço dele, quase como... se houvesse uma preocupação em sua mente. Senti isso naquele momento... E fui tolo em não ter feito absolutamente nada a respeito. – Cuide muito bem do Kou, Yuu...
-Eu... vou, Taka... – ele manteve o abraço firme por mais alguns poucos instantes e se separou de mim com algo estranho em seu olhar... O mesmo algo estranho de mais cedo nos olhos de Kouyou. Quando resolvi perguntar algo, os dois já estavam partindo no carro de Akira...
-Vamos, Yuu? – Kouyou entrelaçou nossos dedos daquele modo carinhoso que tanto me deixava satisfeito e me exibiu um sorriso tão gracioso que eu fui capaz de esquecer todas minhas preocupações.
-Vamos, anjo... – selei seus lábios, provando deleitosamente de seu sabor doce e delicado. Rimos como um casal bobo e apaixonado ao encararmos nossos olhos e eu vi suas bochechas rosadas, que me deixavam tão sorridente... Ele jogou o peso do corpo contra mim e sorriu do seu jeito mais adorável.
Naquele mesmo instante, em que ambos nos perdemos, cometemos nosso primeiro erro...
-Gabe! Gabe espere por nós, pequeno! – Kouyou começou a rir de seu filho travesso que havia atravessado a rua pouco movimentada e brincava com um filhote de cachorro de um casal que o mimava com sorrisos e carinhos nos cabelos. – Venha cá, filho!
-Ah, eu pego esse moleque safado! – berrei, rindo naquela nossa brincadeira infantil, vendo um sorriso gigantesco tomar forma no rostinho redondo de Gabriel.
Naquele momento, que eu amaldiçoei com tanta força e que ainda hoje me dói no peito, minha atenção era toda do meu pequeno anjo. Eu corria para ele e ele para mim com seus braçinhos miúdos estendidos na minha direção.
Meu segundo grande erro...
Aquele instante em que meu olhar era só de Gabriel, um estrondo me ruiu o coração... Eu sentia os cacos se partindo, caindo no meu interior, me perfurando, rasgando. E eu sangrava com os olhos e os braços no pequeno anjo. Mesmo que eu não olhasse, eu saberia o que havia acontecido... Mas meus olhos seguiram o rumo que sempre haviam seguido...
Eu negava em minha mente o que meu coração urrava em angústia, e meus malditos olhos confirmaram a cena que eu jamais queria ter visto.
Era ele... O meu vizinho loiro... O meu anjo caído... O mesmo anjo que havia acabado de recuperar suas belas e felpudas asas... Era ele lá... Estendido de qualquer jeito no asfalto imundo que me tirou parte da vida...
No meu maldito interior, aquela cena se gravou... Se repetiu... em câmera lenta... Me torturou... Destruiu cada parte do meu corpo...
Sem nem mesmo lembrar como ou quando, eu já estava lá... Junto do corpo estendido naquele pedaço de chão amaldiçoado pela minha dor, naquela cena que nunca devia ter acontecido...
A culpa equivocada, congelando meus sentidos, arrastava aquelas lágrimas que nunca deveriam ter deixado meus olhos por aquele motivo. E, embora eu tentasse com todas as minhas forças negar a realidade, ela estava ali... Em minha frente... Arrancando meu coração enquanto eu ainda respirava... Enquanto eu tocava, com minha mão trêmula e suada, naquele rosto que assalta todos os meus sonhos de todas as minhas noites...
E embora ele parecesse ter um sorriso calmo e gentil no rosto, eu tinha certeza que lhe doía cada centímetro do corpo perfeito. Eu sabia que lhe doía, mesmo eu tentando acreditar naquele sorriso doce que já havia servido para rechear meu coração, mas que agora o esmigalhava em incontáveis pedaços pontiagudos que me arrancavam os soluços que jamais deviam ter estado lá para brindar àquela cena do meu desespero incontido e contínuo.
E lá estava ele... Atirado como um pedaço de carne qualquer... Sua respiração falha me fazendo temer a chegada do fim do meu sonho... Querendo me alertar que os anjos clamavam por seu companheiro mais belo de volta... Que toda a tristeza que eu ignorei por todos aqueles trinta anos de existência havia sido libertada.
Por mais que meus lábios trêmulos lhe afirmassem que tudo ficaria bem, eu sabia que ele não estava em consciência para ouvir... Eu sabia que era quase impossível que depois daquele dia eu voltasse a ver a cor cálida de seus olhos amendoados, que eu nunca mais iria provar do néctar doce daqueles lábios singulares, que seus dedos quentes jamais voltariam a acariciar meu rosto...
Ainda que eu negasse veemente em minha própria mente distorcida... Ainda que eu me recusasse a acreditar, a aceitar... Eu sabia... O pequeno Gabriel sabia...
Eu chorei... Chorei feito uma criança... Berrando sem me importar com o que todas aquelas pessoas curiosas estariam pensando... Eu chorei... Os soluços descontrolados aumentando o tremor do meu corpo massacrado. Minhas lágrimas caindo rápidas contra sua bochecha pálida e levemente morna ao toque de meus lábios quentes. O gosto adocicado de seus lábios se misturando com o sabor salgado das minhas lágrimas incontidas.
Eu sabia que devia estar sendo forte naquele momento. Por Kouyou ali deitado, por Gabriel que tinhas as mãozinhas quentes junto às minhas nas mãos de seu pai... E quando eu devia ser o adulto, eu só conseguia ser a criança...
Ainda que eu houvesse tentado conter as minhas lágrimas, os meus gritos desesperados, eu jamais conseguiria... Eu não havia nascido para ser forte daquele jeito... Eu não havia nascido, também, para presenciar aquela cena que não se apaga da minha memória e que sequer me deixa em paz durante as minhas noites de sono escasso...
E no momento em que a sirene alta da ambulância me despertou, eu soube que irremediavelmente ele não era mais meu... E nem nunca mais seria...
Ou era no que eu acreditava...
Notas finais
Aqui está o antepenúltimo capítulo... Siim... Estamos quase lá *u* Já estou sentindo falta desses aí ;; YASUDGYAGUSGDGAUSGDUYGAS SIM. ;3; Q E também ficarei sem os comentários lindos de vocês OMG ;AAAAA; *esconde no cantinho escuro*
Bom... Espero que tenham gostado desse capítulo, mesmo sendo malygno Q
E MUUUUUUUITO obrigada pelos comentários perfeitos de vocês ;; ♥ Vou tentar responder todos ainda hoje seus limdo ♥ *U*
Até o próximo, amores da tia Akita *u* ♥
2O12, SETEMBRO O9 @__bloody_hell
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