My Fallen Angel

1 Chapter One


Notas iniciais
Notinhas no final, amores /o/
Boa leitura ♥

..my fallen angel..

Chapter One

\"\"

.Eu estava me sentindo bem naquele momento. Um tipo novo de sensação que estava espalhando um calorzinho de familiaridade, mesmo que eu nunca tenha estado naquela casa, nem mesmo para vê-la antes de fechar contrato. Talvez aquilo se desse à troca de ares que eu havia feito em uma decisão rápida demais, mas de satisfação total.

O aroma afável da casa sem mobílias me envolvia por completo, meus ombros relaxaram e algumas de minhas malas ocuparam o chão límpido. Eu, definitivamente, amava o cheiro de novo que o lugar emanava. A luminosidade ímpar que entrava pelas grandiosas janelas trazia calma para mim.

Admitia, eu havia escolhido aquela casa por causa daquelas imensas janelas, foi tudo o que me atraiu até ela. E depois que a vi, não mais desejei olhar as outras casas listadas no site da imobiliária local. Tinha que ser aquela casa, mais nenhuma iria servir para mim. Mais nenhuma casa iria me deixar satisfeito. Foi um motivo tolo e quase sem sentido algum, mas era preciso um motivo para se comprar algo. E eu tinha bem ali, em frente aos meus olhos, meu motivo.

Alguns me tachariam se eu deixasse escapar que aquelas vidraças eram o motivo da minha alegria e excitação. Que elas, simples vidraças bem posicionadas, eram o motivo que fazia com que um sorriso ameno nascesse em meu rosto com facilidade. Nada havia de especial nas vidraças, ainda assim elas me encantavam.

Talvez não elas em si, mas a claridade que inundava parte da sala que estava situada bem de frente para o sol nascente. Eu adoraria poder assistir ao nascer do sol na manhã que seguiria essa noite que, muito provavelmente, eu passaria em claro. Eu ainda tinha que organizar todas as minhas coisas.

Meus pés se moveram quase automaticamente em direção à cozinha, separada da minha sala iluminada apenas por uma parede baixa de vitrais cristalinos. O sorriso que eu mantinha em meu rosto se espichou um pouco mais para a esquerda enquanto eu imaginava quão perfeita ficaria a combinação dos móveis da minha sala com o branco dos móveis já montados da minha cozinha nova. Eu estava, inegavelmente, contente.

Não contive minha curiosidade e fui em busca dos outros cômodos, me satisfazendo com todos eles, mesmo que nenhum deles me agradasse tanto quanto minha sala com as janelas que me atraíram. Caminhei tranquilamente até os fundos de minha residência, me encantando com a grama verdinha de veludo.

No canto mais afastado da minha residência cercada, estava uma árvore imponente que eu não saberia dizer de que tipo era, mas possuía uma sombra inigualável. E ao fundo, para que um suspiro deliciado deixasse meus lábios, um terreno baldio me permitia a visão das casas vizinhas ao longe. E o que mais me deixava em expectativa, o pôr-do-sol no mar de árvores mais distante ainda. Meu desejo secreto era para que nunca construíssem nada no terreno às minhas costas.

Eu podia ter um colapso de fascinação a qualquer momento, eu via isso. Eu não tinha culpa se as pequenas coisas como aquelas me faziam feliz, tinha? Eu havia me mudado para aquele lugar justamente para fugir de toda a agitação da cidade, eu queria poder desfrutar dos prazeres naturais. Era o que eu mais precisava naquele momento.

Certo, franqueza... Fugir da cidade e da destruição iminente do meu casamento. Mas eu sabia que aquele acordo havia acabado antes mesmo de começar... Eu não tinha esperanças em relacionamentos. Então não era como se aquilo me abatesse, eu só queria relaxar antes das dores de cabeça começarem.

-Hmm... Tem alguém? – uma voz grossa, melodiosa, despertou-me dos pensamentos aos quais eu não dava grande significado.

-Aqui... – falei, voltando para a minha sala de lindas vidraças.

-Ah! Olá, sou Takashima Kouyou! Vizinho! – o loiro alto, dono da voz de graciosidade leve aos meus ouvidos, apontou para a casa às suas costas e eu me lembrei de ter notado o quão pequena minha própria casa parecia em comparação à construção de dois andares muito bem estruturada.

-Shiroyama Yuu. – o toque macio, apesar de firme, de sua mão fez um mínimo sorriso surgir no cantinho direito da minha boca.

-Ajuda?

-Ah, não... Não quero incomodar você com isso. Já vai ser bem trabalhoso pra mim.

-Sozinho, não é? Eu ajudo, não me custa nada. Minha inspiração para o trabalho não conseguiu encontrar o caminho hoje... – sua risada fácil, quase descontraída, foi capaz de me tirar mais um daqueles meio-sorrisos que eu havia reservado apenas para minhas vidraças – Onde arrumamos primeiro?

A expectativa divertida que bailava no calor acolhedor dos olhos cor de amêndoa tirou de mim um suspiro derrotado. Eu tinha uma péssima resistência quando se tratava de luminosidades tão vívidas, assim como as que os orbes verdadeiros daquele completo estranho não escondiam.

Aliás, eu não fazia idéia de que ainda existiam, num mundo tão conturbado como esse, íris que pudessem tem um esplendor tão excepcional quanto as daquele homem, que andava de um lado para o outro me ajudando a organizar toda minha nova morada.

Eu não tinha ali comigo muitas coisas, isso era verdade. Minha separação havia deixado minha antiga casa nas mãos de minha ex-mulher, mas eu não reclamaria por aquilo. Eu precisava de uma mudança completa. Cidade, casa, móveis...

Tudo o que eu havia trazido de antigo para aquela nova moradia eram objetos pessoais de importância e eu mesmo. Fotos, livros, CDs, meu eterno amigo violão, roupas, calçados e eu... Os demais móveis foram comprados pouco antes da mudança e, alguns deles até já se faziam instalados nos seus devidos lugares.

O homem loiro que ocupou mais da metade do seu dia me ajudando fez uma careta ao que eu lhe informei que aquilo era tudo o que eu tinha. De uma forma muito persuasiva ele me fez prometer ir comprar algumas plantas decorativas para o interior da minha casa. E mesmo eu tendo feito aquela promessa tola e sem sentido, eu sabia que não iria atrás de planta alguma no dia seguinte. Eu estaria bobo demais sentado na frente da minha adorada vidraça.

Não era como se minha casa estivesse vazia. Eram poucos móveis, disso eu tinha certeza, mas não era menos do que eu precisava para viver bem por um bom tempo. Era o necessário para alguém que o que mais queria no momento era ocupar o tempo de sobra com observações das estações pela vidraça encantadora.

Eu nunca precisei de muita coisa para viver, a simplicidade de tudo sempre causou satisfação aos meus olhos. Até por isso eu não demonstrei interesse nenhum em ter a minha ex-quase-mansão para mim. Mesmo aquilo tendo gerado desconfiança a respeito dos motivos, até o momento, secretos de nossa separação.

Não, eu não traía minha mulher e ela não me traía. Foi apenas um caso de concordância que aquilo não estava mais dando certo para nenhum de nós dois. Ela era uma boa companheira, era gentil, cozinhava bem, o sexo era bom, mas esses motivos nunca seriam o suficiente para que mantivéssemos aquela relação sem afetos mais fortes do que uma amizade.

Separação, simples assim... Projetos diferentes, caminhos diferentes. Sem ressentimentos. Ainda assim o dinheiro envolvido me traria incômodos futuramente, eu tinha quase certeza. Dinheiro é a fraqueza do ser humano.

-Ah! É verdade! Agora eu lembrei de onde eu conhecia você! – a voz que chegou suave até mim, quebrou minha concentração naquele assunto que eu queria deixar de lado. Notei em suas mãos um de meus livros, o mais recente que sequer ainda havia tido a venda iniciada e que seria prorrogada até que eu me sentisse bem o suficiente para toda aquela correria que implicava meus lançamentos – Você é um ótimo escritor...

-Obrigado pela gentileza...

-Hmm... Esse é novo? Eu nunca o tinha visto antes...

-É... Ele ainda não foi lançado...

-E tem data pra ser? Eu já estou sem nenhum livro... – ele fez uma careta, acomodando o livro junto dos outros na minha estante – Os seus me passam sentimentos bons...

-Aqui... – abri uma das caixas ainda lacradas, pegando um exemplar exatamente idêntico ao outro e lhe estendendo. Sua feição estupefata me fez sorrir miúdo mais uma vez – Pode ficar pra você... Eu sempre acabo pegando dois exemplares.

-Você... Você ta brincando, não é? Eu não posso aceitar algo do tipo! – ele acenou ambas as mãos nervosamente em frente ao livro. Eu achando graciosa a expressão ainda surpresa de seu rosto.

-Você me ajudou a tarde inteira, não foi? Aceite como um modo de agradecimento. Não há mais nada que eu possa oferecer como prova de gratidão...

-Você... não precisa me provar nada... – ele ainda acenava com ambas as mãos, agora sendo mais frenético que antes. Era como se ele acreditasse que o balanço de suas mãos grandes pudesse me convencer a não lhe presentear. O que ele não sabia é que quando eu decidia, eu simplesmente decidia. Assim como a compra da casa com vidraças atrativas.

-Aceite... Por favor... Se ficar aqui, esse livro vai ficar guardado assim como as minhas edições excessivas. Com você, ele vai ter mais utilidade.

-Mas... é um presente tão... – ele mordeu o canto do lábio inferior, parecendo em um dilema sobre qual era a melhor palavra para aquele momento. Ele movimentou as mãos de modo a me fazer crer que queria encontrar algo semelhante a “grandioso” para me dizer. Eu lhe sorri.

-Aceite. Eu quero que você seja a primeira pessoa no mundo a ler essa obra... Ela tem um significado importante pra mim e garanto que vai se surpreender no final. É diferente de tudo o que escrevi antes. Não posso afirmar que você vá gostar, por isso eu quero que leia e me diga o que achou assim que puder. Se você não gostar... eu nem vou arriscar a vender.

-Ah! Isso é responsabilidade demais! – ele me deu um sorriso envergonhado, em meio a uma careta. Eu via a tentação nos olhos fascinantes que ele tinha. Eu havia despertado sua curiosidade, assim como o previsto.

-Por favor... Aceite... Eu ficaria imensamente grato. – balancei de leve o livro em sua frente e suas mãos, incertas, tocaram a capa negra, levando meu presente para o encontro do seu peito.

-Céus, é um presente tão inaceitável... Eu sinto como se estivesse roubando isso de você...

-Um segundo. – pedi, abandonando-o em busca de uma das centenas de canetas que sempre me acompanhavam. Encontrei um maço delas junto de meus livros reserva – Assim, ó... – voltei a ter meu livro em mãos, rabiscando algumas palavras escolhidas especialmente para convencê-lo de que deveria ficar com aquele exemplar para ele – Melhor?

-Eu... não sei o que dizer... – ele voltou a morder o lábio, analisando minha escrita com o que me pareceu um sentimento de incredulidade. Os olhos, ao encontrarem os meus, demonstraram uma comoção tão verdadeira que eu me senti feliz só por ter dado aquele agrado àquele homem que eu havia conhecido há poucas horas.

-Você não precisa dizer nada... Apenas aceite meu presente e me ajude a decidir se eu devo ou não mostrar isso ao resto do mundo. Eu não quero estar errado quanto a esse livro, mas se eu estiver, por favor, me avise... Eu serei eternamente grato.

-É quase um pecado aceitar isso, senhor Shiroyama...

-É quase um pecado aceitar que me chame de “senhor Shiroyama”... – falei desgostoso, forçando uma careta. Eu realmente detestava esse tipo de formalidade – Pode me chamar de Yuu... Eu prefiro... E insisto sobre o presente...

-É tão gentil da sua parte me dar algo assim... Parece tão errado aceitar...

-Eu vou ficar muito magoado se você não aceitar... Falando sério. – acrescentei ao notar ser alvo de um olhar preocupado. Era impossível não achá-lo um ser de peculiaridade incrível. Era como se ele fosse um de meus personagens fictícios, ninguém no mundo real conseguia transbordar tanta pureza sem parecer algo forçado. Mas ele não era assim.

-Ahh... Ta certo... – ele se entregou à minha chantagem emocional, mesmo que ainda pudesse ter algum tipo de dúvida – Eu fico com o seu presente...

-Agora sim... – repousei minha mão esquerda em seu ombro, lhe exibindo um sorriso sincero – Você está me ajudando muito, acredite!

-Hmm... Licença... Senhor Takashima... Sua esposa... – uma mulher baixinha e gordinha estava parada junto à porta da minha casa, sua expressão preocupada me causando certos pensamentos intrigantes a respeito do que suas palavras poderiam significar. Não era como se eu esperasse que ela ou o loiro me explicassem algo.

-Ahh... Ela está atrasada mais uma vez... – ouvir o suspiro cansado daquele homem só conseguiu me deixar mais intrigado em relação ao que foi dito. Eu estava me sentindo um intrometido curioso naquele momento, mesmo que palavra alguma tenha abandonado meus lábios – Bom... Até mais, Yuu...

-Hmm? Ah! Sim, claro... – exibi um sorriso desconcertado ao notar que meus pensamentos estavam me dominando demais nos últimos dias. Em frente à outra pessoa eu teria escondido o meu desconforto com minha falta de atenção, mas ele não era digno de ser comparado a um simples mortal. Meu corpo parecia impossibilitado de ter qualquer tipo de atitude falsa demais ali em sua frente.

-E... muito obrigado por isso, Yuu... – ele agitou o livro, parecendo um tanto desconfortável por estar levando-o consigo. Desconfortável, mas ainda assim satisfeito.

-Não precisa agradecer... Me ajudou muito nessa tarde... Eu que agradeço...

-Não foi nada... Eu me diverti... – ele acenou e deixou meu campo de visão, trocando minha sala iluminada pela escuridão daquela minha primeira noite como seu vizinho.

Ironicamente, toda a luz da minha casa de vidraças perfeitas e imensas havia sido levada junto com sua partida.

Notas finais
Okay... estou aqui por ter me desafiado... comecei essa fic no final de 2008 e nunca consegui terminá-la por pura preguiça. O fim dela está em aberto e quero a opinião de vocês para ver que caminho seguir. Vou me desafiar a escrever sob a pressão de postar, mas tenho uma vantagem de 20 capítulos, portanto quanto mais reviews, mais rápido virão os capítulos (desde que eu consiga escrever como costumava escrever 2 ou 3 capítulos por dia). Mas, claro, vou manter uma boa margem de vantagem pra não acabar me perdendo.
Pretendo não ficar pedindo pela opinião de vocês, quem quiser opinar, quem quiser simplesmente dizer : ta uma merda, exclui isso agora, gostei, continua tia, beleza... Quem quiser falar algo apenas pelo twitter/msn/facebook/orkut, sinta-se a vontade. Mas eu gostaria que vocês escrevessem ao menos um oi, tia akita :D li my fallen angel, se não eu vou travar totalmente na fic outra vez. Espero que colaborem porque esse projeto sempre me foi importante.
Ah, o jeito da minha escrita, provavelmente, vai ter mudado a partir de alguns capítulos, afinal é um projeto bem velho e não sei se consegui escrever do mesmo jeito os capítulos mais atuais.
Espero que gostem e, por favor, me apoiem se gostaram nem que um pouquinho...
Obrigada a quem leu, desde já. Vejo vocês no próximo?
2O11, NOVEMBRO O6 @le_akita