My Fallen Angel

5 Chapter Five


Notas iniciais
Boa leitura ♥

..my fallen angel..

Chapter Five

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.Respirei fundo. O ar normalmente mais gélido do início da manhã recheando meus pulmões acostumados. Eu sentia o calorzinho adorável das costas miúdas do pequeno anjo contra meu peito, foi impossível não sorrir do seu ressonar baixo. Procurei pela quentura que eu conhecia melhor, me surpreendendo ao encontrar um vazio. Abri meus olhos de imediato constatando a falta do meu vizinho loiro no conforto daquela cama, com um suspiro longo eu me movimentei com cuidado, até a janela grande entrar no meu campo de visão.

A passagem para a sacada permanecia aberta, enquanto uma ponta da cortina transparente balançava com doçura no ritmar calmo do vento. A manhã estava nascendo... Repousei meus lábios no topo da cabeça do pequeno anjo, deixando a cama sem fazer um barulho sequer. Meus passos lentos, cautelosos, me guiaram até o loiro pensativo. Ele parecia mais concentrado que o normal, as gotas de chuva contornavam suas mãos antes de se atirarem em uma queda livre até a grama fofa há alguns metros abaixo de nós.

Aconcheguei meu corpo no seu, deixando meu queixo descansar em seu ombro nu. Sua respiração manteve-se regular, compassada, em um ritmo gostoso demais, quase me levando a um torpor. O cheiro da chuva misturado com o cheiro delicioso da pele clara me arrancou um suspiro suave demais até para mim. Ele riu.

-Parece que não vamos poder fazer nossa caminhada hoje...

-É, Yuu... E ainda assim estamos aqui na chuva... Há algo de muito errado com nós dois...

-Ah, isso é verdade... Mas eu não me importo...

-Eu também não... – ele me exibiu um pequeno sorriso. Procurei por suas mãos, retirando-as do parapeito de pedra, encaixando cada uma perfeitamente em minhas próprias mãos. Envolvi sua cintura com nossos braços unidos, apertando-o com força.

-Você não parece ter dormido muito...

-E não dormi... Me sinto exausto, mas o sono não vem...

-Ficou pensando no que eu acho que ficou?

-Eu não consigo pensar em mais nada... E eu sei que se o juiz daqui ficar sabendo que eu sou homo... Com certeza eu nunca mais vou poder nem ver meu filho...

-Bom... Parece que esse não é o paraíso, afinal...

-Não para pessoas como nós, Yuu... Não para pessoas como nós...

-Sua sorte é que o pequeno Gabriel não parece ter criado nenhum tipo de preconceito até agora, mesmo com a influência da sua mulher pra cima dele...

-É, eu sei... Ele é um bom garoto... Vai ser... tão difícil pra mim... Ter que vê-lo só esse pouco... E ainda corro o risco de não ver nunca mais se ela quiser mesmo ir morar no Canadá... – o soluço baixo me fez apertar mais meus braços em sua cintura, meu coração parecendo trincar com toda aquela dor que eu queria poder arrancar daquela pessoa que, definitivamente, não merecia – O ser humano é tão vil... Despreza os sentimentos alheios só por prazer de ganhar muita grana...

-Dê tudo o que sua mulher quer, Kouyou... Pelo menos assim ela divide a guarda com você... Não é justo, eu sei, mas... é o que se pode ser feito, não é? Pelo bem do pequeno Gabriel... Com ela morando aqui você vai poder vê-lo praticamente todos os dias, não é?

-Yuu... É sério... Eu nem penso na possibilidade de ir morar com você!

-Ui... Isso soou muito cruel da sua parte...

-É sério, Yuu! Esse é um problema meu! Não preciso envolver mais você nessa!

-O problema, anjo... É que eu já me sinto envolvido... Por você e pelo seu filho... O meu emocional foi completamente abalado por vocês dois... Eu... quero ajudar, Kouyou... Faça esse sacrifício pelo bem do seu filho...

-E quando ela quiser ainda mais, Yuu? E se eu não tiver o que oferecer pra ela?!

-Eu vou estar do seu lado, ajudando você mais uma vez... Eu não quero ver você sofrendo desse jeito, Kouyou... E sabendo que eu posso ajudar de uma forma ou de outra, eu vou fazer! Pensa com carinho na minha proposta, anjo... Não jogue tudo para o ar dessa vez... Eu sei que é preconceituoso o que acontece, mas... Esse mundo não muda tão rápido... As pessoas não mudam tão rápido... Faça o errado pelo bem do seu pequeno anjo...

-Deus, Yuu... É como pedir sua alma emprestada!

-E eu a empresto pra você, Kouyou... Tudo o que quiser! Quando quiser! Eu só... quero ver você sendo feliz de verdade... Sorrindo pelas pequenas coisas... Me deixa construir o futuro ao seu lado dessa vez... Me permita essa honra, anjo... Por favor...

-O que seria de mim sem você, Yuu? – ele resmungou, quase inaudível pela chuva constante, fazendo nascer em meu rosto um sorriso grande, satisfeito. Eu tinha a confiança de Kouyou em minhas mãos... E eu sabia bem o que fazer com ela.

-Vamos entrar... O céu vai continuar negro assim por mais algumas horas...

-Não há possibilidades de sol hoje...

-O único sol hoje é você, anjo... – soltei seu corpo molhado, segurando uma de suas mãos com força, puxando-o para o conforto de sua casa espaçosa demais.

-Vá tomar um banho ali no meu banheiro... Eu tomo no outro...

-Espere um minuto... – parei em sua frente, encarava os orbes amendoados com seriedade – Preciso perguntar uma coisa.

-O quê?

-Sua mulher disse quando vinha pegar o pequeno?

-Amanhã de manhã... Por?

-Gabriel me disse que ela vem hoje... Que ela vai levar ele para uma viagem com o namorado...

-Então... Ela pode... Quer dizer...

-Fale com ela hoje mesmo, sim? Eu não quero que você vacile e se vacilar, o pequeno me conta tudo, entendeu? – ele negou com a cabeça, segurando o riso entre os lábios presos pelos dentes. Exibi um sorriso calmo, segurando-lhe o rosto pálido entre minhas mãos – Vou pra casa agora pra que você não corra riscos... Conte a verdade ao pequeno, ele vai entender...

-Tudo bem, Yuu... – as mãos geladas encobriram as minhas em seu rosto, ele me sorria – Obrigado por tudo mais uma vez, Yuu... Eu vou morrer sem conseguir quitar minha dívida com você...

-Você não me deve nada, anjo... Já falei muitas vezes isso, não é? – dei-lhe uma piscadela e ele riu, aproximando-se mais de mim – Vá lá em casa assim que puder, okay?

-Uhum...

-Não me deixe esperando em vão com minhas vidraças... Elas já sentem sua falta...

-As nossas vidraças, Yuu...

-É bom ouvir isso... – sorri minimamente antes do contato de sua boca fazer uma suave pressão contra a minha. E com a suavidade que veio, se foi... Assim como a brisa – Posso esperar?

-Deve...

-Não me decepcione... – beijei-lhe a testa com carinho, virando de costas e deixando o aconchego de seus braços por um tempo que, mesmo que eu não calculasse, eu saberia ser muito longo.

E passou a manhã chuvosa, o almoço solitário e a tarde lenta. Meu notebook aberto sobre minhas pernas, uma música qualquer no rádio, minha mente voando longe dos meus deveres. Eu estava simplesmente lá, vegetando sobre o sofá sem ideia alguma do que escrever, ocupado demais em pensar no meu vizinho loiro, nos problemas que viriam em grande quantidade no futuro.

A verdade é que eu não me importei em pensar em tudo aquilo, em fazer planos que eu sabia que nunca viriam a ser realizados. Eu só queria ter um motivo, por mais bobo que fosse, para pensar no loiro e não sentir culpa por não ter começado, mais uma vez, a escrever sobre o que quer que viesse a surgir em minha mente.

Uma ligação.

-Oi, Taka...

-E então, Yuu? Já decidiu quando vamos poder lançar seu livro? O Akira está ficando impaciente quanto a isso...

-Takanori... Você poderia me fazer um favor?

-Se você fizesse o favor de responder os e-mails do Akira...

-É sério, Taka... Eu... to precisando de um advogado competente... De você, Taka...

-Senhor! Eu nunca ouvi um tom tão sério na sua voz! O que aconteceu com você? Precisa de mim pra que?

-Não é necessariamente pra mim... É pro meu vizinho...

-Como assim? Vai me explicar ou eu vou ter que brincar de adivinhação?

-Eu sei que você detesta trabalhar em casos de separação, mas...!

-Ah, não! Nem vem, Yuu! Eu já me afastei disso há tempos!

-Taka, por favor! É importante pra mim! Eu... faço o que você quiser depois disso, Taka! Se o Akira quiser me levar por um tour mundial, aceito! Se ele quiser me deixar meses trancafiado escrevendo sem parar, aceito! Se ele quiser me levar pro inferno, aceito! Só... me ajuda, Taka... Por favor!

-Você... está implorando pra mim?!

-Estou, Taka! Estou implorando! Vem aqui e eu fico de joelhos na sua frente e beijo seus pés! Só... me ajuda...

-O negócio é tão sério assim?

-Envolve preconceito homossexual.

-To dentro! É quando?! Onde?! Afinal, se trata exatamente do que?

-Eu preferia falar disso cara a cara, entende? E... eu ainda não falei com o Kouyou sobre contratar você, foi uma ideia que me surgiu agora, mas... eu não conheço advogado melhor do que você...

-E eu não conheço criatura, além do Akira, que consiga ativar tanto minha curiosidade quanto você! Espero não me arrepender dessa viagem, Yuu...

-Traga o Akira e eu e ele já conversamos sobre o livro.

-Certo... Hoje o Akira sai mais cedo pra emendar com a folga de amanhã... Pode ser hoje ainda ou você está ocupado?

-Eu estou tentando ficar ocupado, Taka... Vai ser um prazer ter vocês dois aqui...

-Ótimo... Nos vemos logo, então... Até.

-Até logo, Taka... – deixei o telefone cair sobre o sofá, respirando fundo. O som da campainha inundando meus sentidos. Meu notebook teve o mesmo destino do meu celular assim que eu pus-me em pé. Passos cansados me levando até o encontro da porta que eu abri com outro suspiro.

-Oi...

-Você está bem? – a pergunta soou tola até mesmo para meus ouvidos, seu corpo ensopado colando no meu em um abraço machucado. Puxei-o para dentro de minha morada, trancando a porta, eu tinha um estranho sentimento pessimista.

-Eu tentei negociar com ela, Yuu... Minha casa e tudo o que eu tiver no banco... Guarda conjunta...

-Diga que você aceitou...

-Aceitei, Yuu... Aceitei... – ele se aconchegou mais contra mim e eu tive que suportar mais daquelas lágrimas molhando meu ombro. E aquilo me causava uma dor tão intensa quanto qualquer outra dor que eu já tivesse sentido por todos esses longos anos – É tão... estranho isso, Yuu... Ela me tirando tudo para que eu possa ver meu filho... Não é assim que as coisas deveriam ser! Ele é meu filho! Eu tenho o direito de ficar com ele!

-Eu sei, meu anjo de asas partidas... Mas por enquanto vamos ter que jogar sob as regras dela, hum? – resmunguei, afagando-lhe as mechas inundadas pela água da chuva que ainda castigava aquele solo – Eu chamei dois amigos meus pra ajudar, tudo bem?

-O quê?!

-Shhh... – alisei aquela face de traços tão delicados e de textura tão afável aos meus dedos, eu sabia que a sua ligeira surpresa viraria satisfação quando tudo melhorasse nem que um pouco – O Taka concordou em ajudar você, mas ele quer saber de tudo... Então eu pedi para que ele viesse me ver hoje.

-Você fez seu amigo vir até aqui, nessa chuva, só por isso?!

-Não é “só” isso, Kouyou! É a sua felicidade em jogo aqui! Não é pouca coisa, não pra mim, anjo... O que eu mais quero é ver você bem, hum? Se eu fiz isso é por você ser importante pra mim!

-É só que... Yuu, eu não vou nem ter com o que pagar o seu amigo! E por mais bem intencionado que ele seja, eu aposto que...!

-Esquece o dinheiro, okay? Dinheiro não é problema algum.

-Ah, Yuu! Eu não vou deixar você usar do seu dinheiro para...!

-Eu vou! Não importa o que você me diga, Kouyou! Eu vou! Tá bom? – beijei-lhe a testa do modo mais suave que consegui naquele momento tenso e entrelacei sua mão na minha – Venha tomar um banho, sim? Não quero que pegue uma gripe...

-Tá... – ele suspirou derrotado, e eu alarguei um sorriso em meu rosto, murmurando um “Confie em mim”.

E mesmo que ele não tivesse dito uma única palavra, eu sabia... Ele confiava...

Notas finais
Olá, galerinha! :3
Mais um chap on!! *-*
Só quero agradecer a todos que tem comentado e acompanhado essa fic! Vocês me animam bastante e estão me dando as ideias necessárias pros capítulos que estão faltando! Então, muito obrigada do fundo do coração POR TUDO! *---* akitão está feliiz #VOMITAOARCOÍRIS
Vejo vocês no próximo? ♥
2O11, DEZEMBRO 15 @le_akita