My Dark Angel

1 Welcome to Los Angeles


Notas iniciais
Hey babies!Primeira Fic no Nyah! Primeira sobre o Guns N' Roses. Espero que gostem. Divirtam-se.
Kiss Kiss.

1986. O Brasil vivia o fim de um momento louco. Jovens rebeldes, opiniões severamente reprimidas, politica movimentada, pequenos confrontos, um país ainda em firmação. Havia um novo Brasil sendo construído onde ainda existiam marcas de um momento terrível.

Se queria um filho "perfeito", criado em suas medidas e na forma como adota-se como correto o Brasil não era o lugar certo para isso, não naquele momento. E meus pais pensaram muito sobre o assunto aterrorizante, pois ninguém quer ficar longe de seus filhos amados, não é?

Eu estava entrando em minha adolescência sadia, tinha apenas 16 anos, idade em que um adolescente não tinha capacidade mental de definir o que era certamente apropriado a ele e seguia o que lhe diziam, o que ele via seus amigos fazerem. Meus pais com certeza não me queriam andando com jovens rebeldes e me tornando um deles, não me queriam andando pela rua e ser confundida com alguém que ia contra as ideias do governo, eles não queriam ver minha adolescência se basear em gritos de dor e desespero, frases de marchas contra o governo, barulhos de sirenes e histórias loucas de repreensões. Então chegaram à conclusão: Sua única e filha seria mandada para os Estados Unidos, onde as condições de vida pareciam melhor, onde eu poderia ouvir o que eles queriam que eu ouvisse — aquele som insuportável e sonífero que eles chamavam de música clássica -, poderia fazer amizades com adolescentes normais e sair na rua sem medo de ser confundida com algum jovem rebelde.

Não demorou muito para que eu estivesse me mudando para Los Angeles. Sozinha. Enquanto aos meus pais? Eles me mandaram para lá sem pensar duas vezes. Problemas financeiros? Isso não existia para mim. Os custos que essa viagem traria para os meus pais era como um investimento e não um gasto. Naquela época não era mesmo muito barato uma mudança tão brusca, mas dinheiro nunca fora problema em minha vida. Eu desconhecia a história de minha família e a fonte de ouro de meu pai, sabia apenas que cresci em meio a riquezas e que o dinheiro estaria em minhas mãos sempre que precisasse.

Pensei em me declarar sobre o assunto, mas eu não deveria, eu não podia, era quase um crime. Quase nunca eu dirigia a palavra aos meus pais, quanto mais se tratando de uma reclamação. O que eles declaravam ao meu respeito era como uma lei para mim, e deveria cumprir minuciosamente sem pestanejar. E em uma bela tarde de sábado eu fui alertada sobre a viagem que seria no dia seguinte. Eu mantive postura perante a presença ilustre de meus pais e minhas forças não foram o bastante para impedir que pelo menos uma lágrima escapasse de meus olhos. Eu pude ver a dor nos olhos de minha mãe quando eu respondi "sim senhor" ao meu pai, secando a lágrima fugitiva. Ela tentou se aproximar para me abraçar mais antes que ela chegasse a mim foi reprimida pela voz tenebrosa de meu pai que rompeu o silêncio do escritório particular da casa, onde estávamos. Ele chamou por seu nome por uma única vez e ela parou onde estava. Olhou em seus olhos e eu pude ver sua tentativa de mexer os lábios quando se virou para mim, novamente. Talvez fosse a tentativa de falar "Eu te amo".

Por mais terrível que fosse minha relação com meus pais, meu pai principalmente, eu os amava e nunca desejei viver longe deles. Eu tinha toda uma vida ali, uma vida que agora eu deixaria para trás.

Eu disse Adeus ao Brasil e recebi um "Welcome to L.A" de um letreiro que enxerguei logo em minhas primeiras passadas na saída do aeroporto de Los Angeles.

Um novo mundo, bem diferente do qual eu estava acostumada, mas não tão ruim quanto pensei que fosse. Los Angeles era incrivelmente, surpreendentemente, deslumbrantemente perfeita. A minha solidão talvez sumisse em alguns dias naquela cidade.

A nova escola não fazia muita diferença para mim, mais confesso que era bem diferente da que eu estudava no Brasil. Era grande, muito grande, incrivelmente grande. Milhares de alunos, que me olhavam de forma repressora. Senti-me um ser de outro planeta, em alguns momentos. Eu era tímida de mais, tímida a ponto de não conseguir me movimentar perante a tais olhares. Na hora do intervalo durante as aulas eu pude sair até o pátio e sentar-me em uma mesa.

–Aluna nova, não é? — uma garota de cabelo loiro e óculos de grau disse, sentando-se ao meu lado.

–Sim. -respondi. Logo que a olhei identifiquei-me, ela tinha aparência frágil, tímida, de inteligência assustadora e que era considerado o grande cérebro da turma.

–Prazer, sou Sarah Johnson. -ela se apresentou erguendo uma das mãos.

–Elizabeth, Elizabeth Muller. -eu me apresentei, apertando sua mão.

–Acho que somos da mesma turma. -ela disse.

–É, acho que sim — eu disse.

–Você não parece ser daqui.

–Não, eu sou...brasileira, meus pais me mandaram para cá para estudar. -por incrível que pareça eu tive uma ótima impressão de Sarah. Algo me dizia que seriamos melhores amigas.

–Sabe, eu gostei de você... -ela disse como se pudesse ler meus pensamentos.

–Eu também gostei muito de você. -eu disse.

–Para falar a verdade eu me identifiquei com você. Sabe, nesse lugar, ninguém me entende.

–Sei, ninguém te entende porque você é super inteligente, a melhor nota, a melhor aluna, a que lê dez mil livros por puro prazer, entrega trabalhos em dias...

–Isso, isso, como você... Você me intende? -ela disse dando um suspiro, surpresa. -Ninguém nunca me entende e você...Deus! -eu abri um sorriso.

–Digamos que eu passava pelo mesmo no Brasil. — eu disse.

–Nossa que incrível. -ela disse ainda surpresa com o que eu havia dito.

–Ei, mas e aqueles... garotos ali...? -eu disse olhando para um grupinho de duas garotas e três garotos no outro lado do pátio. Eles eram estranhos, usavam roupas estranhas, maquiagens estranhas, mas não sei por que, de alguma forma aquilo me atraia.

–São os roqueiros daqui. -ela disse.

–Roqueiros? Mas as pessoas que ouvem rock são assim?

–Elizabeth...

–Lizzi.

–Lizzi... Nós acabamos de atravessar um longo período, chamado de era "sexo, drogas e Rock 'n' Roll"

–Nossa! Que... era foi essa?

–Bom, acho que foi a época mais louca que L.A viveu. Pelo menos seus jovens. Adolescentes rebeldes, que se vestiam e se maquiavam com cores obscuras, ouviam um som muito pesado, usavam todo tipo de droga e tinha pelo menos uma transa por noite. Festas frequentes iam madrugada adentro, regadas a heroína, cocaína, e outros tipos de drogas, bebidas alcoólicas como vodca, e ouviam o som pesado do verdadeiro Rock 'n' Roll. -ela disse detalhadamente com um tom de espanto enquanto eu ouvia a tudo atentamente, fitando o nada, mas na verdade passava em minha cabeça um filme sobre as palavras que acabará de sair de sua boca. Nós já voltávamos a sala quando ela completou sua fala. -Foi mais o menos entre os anos 60 e 70. Época em que surgiram as "grandes bandas". Sex Pistols,The Pretty Things, The Rolling Stones ... Todas com seu som louco e seus integrantes drogados. É nisso que aquele pobre grupo está preso. Nesse mundo sujo.

–Mas, nem mesmo a música deles eram boas? Por que...Por que você os despreza tanto? -eu perguntei.

–Porque é ridículo o que fizeram com os adolescentes da época. Monstruoso. -ela disse e percebi que o professor adentrava a sala.

Eu me calei e permaneci olhando o rosto de Sarah por alguns segundos. Ela estava sentado ao meu lado, havia puxado uma cadeira que ela colou na minha. Eu pensava no que ela havia me dito, sobre os adolescentes. Sexo, drogas, Rock pesado... Em que mundo perverso e vulgar eles viviam? Mas por que isso me deixava atraída? Por que Sarah odiava tanto esse estilo de... vida?

Duas semanas se passaram e eu fui alertada sobre a busca de uma babá para mim. Eu teria alguém me perseguindo 24h por dia. Uma mulher velha, chata e gorda que me impediria de fazer o que eu queria. Então tive uma ideia, uma ótima ideia diga-se de passagem.

–Você quer que eu seja sua babá? -Sarah perguntou incrédula. -Eu tenho a mesma idade que você, ainda estou no colegial...Você só pode estar louca. -ela disse.

–Não, calma. Meus pais estão fazendo a seleção por meios de cartas em que as mulheres mandam suas fotos e uma carta dizendo todos os seus dotes, requisitos entende? Você só precisa mentir sua idade na carta e eu sei de algumas informações que podem ser enviadas junto que vão deixar meus pais de queixo caído. É certo que eles te contratem. -eu expliquei.

–Ah tá! E como eu vou parecer mais velha na foto? E se eles decidirem vir me conhecer? E se eles descobrirem?

–Sarah, a sua idade vai aumentar sei lá uns dois ou três anos e se te arrumarmos mais na foto não vão nem perceber. Enquanto a eles virem, relaxa, isso não vai acontecer. Confia em mim. -eu disse.

–Eu vou fazer isso pelas nossas duas semanas de pura amizade. -ela disse.

–Tudo bem, bobinha. -eu disse e abri um sorriso.

Uma semana e veio à resposta. Meus pais caíram direitinho em minha pequena peripécia, Sarah era oficialmente minha "babá". Então, da solidão que eu achei que teria quando me mudasse para L.A já não havia nem lembranças. Como pude chorar quando a vida me abriu os braços? E tive a chance da felicidade e agora estava vivendo o que estava traçado em meu destino. Estava provando da fruta mais saborosa da árvore da felicidade, a liberdade. E creio eu que não há nada no mundo melhor do que ser livre. Com certeza uma babá normal me faria ouvir música clássica, praticar horas de aulas de piano exaustivas todos os dias e passar o dia praticando balé nos finais de semana, mas com minha nova babá eu tinha liberdade para fazer o que eu quisesse enquanto meus pais acreditavam que eu seguia suas ordens como sempre fiz.


Notas finais
Hey Girls! Meu nome é Carolinna, Carol se preferirem, é minha primeira fic aqui no Nyah! e minha primeira fic sobre Guns N' Roses. Bom, espero que tenham gostado e comentem muito, por favor, façam uma autora feliz. Aceito dicas, criticas, elogios... Enfim, estou aqui para isso. Espero que tenham gostado do primeiro capitulo.
Kiss Kiss e até o próximo. =D