Notas iniciais
Hey Little girls! Aí está o segundo capitulo, não sei se vão gostar muito dele, mas espero que sim. Divirtam-se.

Era tarde da noite quando sai da casa de Sarah depois de um trabalho de história cansativo. Fiz questão de voltar para casa sozinha, eu não precisava incomodar ninguém em horário tão tardio. As ruas estavam desertas e eu podia ouvir o som de minhas passadas rápidas e nervosas rompendo o silêncio da noite. Estava frio, mais frio que de costume e em meio aos meus olhares e atentos de um lado para outro eu podia ver o vapor que saia de minha boca quando eu bufava em decorrência do frio.

Cheguei finalmente à rua em que morava. Já estava ficando com medo daquela situação. Não é bom andar sozinha por ruas desertas em meio a uma noite fria. Mas enquanto eu me aproximava pude ouvir outro som além do de meus sapatos quando iam de encontro ao chão. Eram fungadas. Eu curvei meus olhos e estiquei meu pescoço, curiosa, mas ao mesmo tempo com medo do que veria. Até que uma voz masculina, de tom grosso e ao mesmo tempo embriagado sôo alto fazendo com que eu saltitasse com o susto. A voz havia dito algo como "Não seja tão idiota, ela te largou como as outras". A fraca neblina e acho que algum sério problema de visão me impediam de ver quem era. Mas eu pude ver uma sombra escura de alguém sentado no meio fio, frente ao meu prédio. "Seu babaca, você não é capaz de se apaixonar. Você não se apaixona seu filho da puta. " "Nenhuma vagabunda vai mudar você. São todas umas putas." a voz disse novas frases. Pelo visto, ele falava consigo mesmo, e o pior falava de si mesmo.

Eu já estava perto o bastante para ver quem era. Eu não pude ver seu rosto que estava direcionado ao chão. Sabia apenas que era um homem de cabelos cumpridos, que estava com uma calça de couro, sem camisa e com uma garrafa de vodca na mão. Garrafa a qual já estava vazia. Era sinal de que ele estava completamente embriagado. Ele pareceu não perceber que havia uma garota, de pé, parada, ao seu lado.

-Posso ajudar? -eu perguntei franzindo a testa. Sei que não deveria fazer isto, não se deve falar com estranhos, quanto mais com um homem bêbado, sentado em sua porta, tarde da noite. Mas eu não podia simplesmente passar por ali o ignorando, talvez ele precisa-se de ajuda. Assim que minha voz soou doce e nervosa, ele ergueu a cabeça e eu pude ver seu rosto. Ele era tão bonito, tinha a face semelhante à de um bebê, olhos tristes e um ar de arrogante, que por um momento estava preso a um menino doce e meigo.

-Ninguém pode. -ele disse e abaixou a cabeça novamente.

-Tem certeza? -eu perguntei novamente abaixando-me para sentar ao seu lado.

-Sua mãe não te ensinou a não falar com estranhos, garota? -ele disse fitando a garrafa em sua mão esquerda.

-Sim, mas me ensinou a ser solidaria também. -respondi.

-Pois eu não preciso de sua solidariedade. –disse ele ainda sem me olhar e levantou-se indo em direção ao final da rua. Ele tentava se equilibrar sobre suas pernas, e quando conseguiu andou a caminho da escuridão, com certas dificuldades enquanto procurava um último gole de bebida em sua garrafa vazia.

Fitei o chão por alguns segundos e depois dei impulso para levantar e entrar em casa. Entrei no elevador e apertei o número do último andar. Abri a porta do grande apartamento e a tranquei assim que entrei. Depois me direcionei ao sofá da sala de estar. Logo o sono bateu com força e não pude segurar minhas pálpebras que insistiram em se fechar.

-Elizabeth, Elizabeth, Elizabeth... -eu ouvi sussurros de timbres diferentes que chamavam continuamente por meu nome. Eles me chamavam desesperadamente, o tempo inteiro, era enlouquecedor. Então eu levantei do sofá e todos os cômodos pareciam ser apenas iluminados pelos abajures de luz amarelada e suave. -Elizabeth, Elizabeth, Elizabeth... — os sussurros continuavam.

-Venha Elizabeth. -uma voz se destacou entre as outras, que disse no mesmo tom de sussurro. Era um tom amedrontador, daqueles vistos apenas em filmes de terror. Eu andava pela sala escura de um lado para o outro. Eu tentava acender as luzes mais não conseguia. Andava sem parar, assustada, desesperada.

-Elizabeth... -a mesma voz se destacou mais uma vez chamando por meu nome mais dessa vez de forma mais prolongada.

-Elizabeth saia, saia Elizabeth. -outro sussurro se destacou, mas dessa vez pude reconhecer tal voz. Era a voz de minha mãe. Corri para a porta e girei a maçaneta várias vezes, mas parecia trancada. E a chave não estava à vista. Tentei a varanda mais a porta de lá também estava trancada. Então parti para outros cômodos do apartamento, mas as janelas estavam todas trancadas, eu não conseguia sair, estava trancada. -Elizabeth fuja, fuja imediatamente minha filha. -ouvi o sussurro de minha mãe novamente mais dessa vez em tom de choro. Então uma risada maligna surgiu no ar. Joguei-me no chão chorando desesperadamente.

-VÁ EMBORA. -eu gritava com a cabeça entre os joelhos dobrados, segurando meus cabelos e senti lágrimas molhando meu rosto. Eram lágrimas de medo, de desespero.

-Não sem você. -a voz disse e não mais em sussurro, o tom da voz agora era ainda mais assustador.

-ME DEIXE EM PAZ. -gritei e pude ouvir a risada novamente. Lembrei-me de um cômodo que não havia tentado. O banheiro. Corri para lá. Mas não havia janelas no banheiro. Tentei tacar coisas grandes e pesadas contra a parede de lá que parecia mais frágil, em vão. Então me desesperei mais ainda e me aprofundei nas lágrimas enquanto ouvia mais uma gargalhada.

-Você não vai conseguir. Eu vim te buscar. -a voz disse. Virei-me para o espelho e vi uma sombra negra, algo que estava com uma capa e que parecia se aproximar.

-NÃÃÃÃÃÃO -gritei.

Eu acordei num pulo. Por pouco não caí do sofá. Olhei em volta, muito assustada, e percebi que tudo não havia passado de um pesadelo aterrorizante. Vi a leve cortina da varanda, na sala ser soprada longe em decorrência do vento forte. Então fui até lá, dei uma olhadela na rua vazia lá em baixo. O tal bêbado bonito parecia não ter voltado, nem sinal dele por ali. Entrei a fechei a porta da varanda.

Direcionei-me ao banheiro onde tomei um banho quente e depois vesti um moletom qualquer antes de me jogar na cama macia junto aos meus travesseiros confortáveis.

Antes que eu pudesse cair num sono profundo viajei por terras distantes e voltei a um assunto atormentador. Meus demônios. Sim, meus demônios. Quando pequena eu tinha pesadelos terríveis todos parecidos, era como se tivessem alguma ligação, então, toda vez que eu fechava os olhos uma voz amedrontadora me perseguia. Ela dizia querer minha alma, estava ali para me buscar, e todas às vezes eu podia ver a sombra negra com sua capa esvoaçante e rasgada nas pontas de forma maligna enquanto se aproximavam de mim. Eu podia ver suas mãos formarem grandes garras e virem em minha direção. Sempre consegui me salvar de todos os pesadelos, exceto uma vez, aos nove anos.

As mãos se aproximaram mais rápido do que eu pensei que seria e logo elas se fecharam em meu pescoço. Eu não podia respirar, me faltava ar, muito ar. E as mãos apertavam com mais força, cada vez mais forte, enquanto eu lutava pela vida, me debatia desesperadamente e tentava manter meus olhos abertos. Mas fui salva pela minha mãe, que seguiu sua rotina de passar em meu quarto antes de dormir e viu o estado em que eu me encontrava. Sufocada, na cama, me debatendo, tendo a cor branca da pele de minha facial se transformando em um roxo meio azulado.

Ela sempre acreditou nos pesadelos e a partir daí passou a acreditar mais ainda. Mas meu pai era sempre um problema. Para ele aquilo tudo não passava de uma fase, era coisa de criança. Minha mãe, muito preocupada tentou buscar ajuda espiritual longe dos olhos de meu pai mais não foi possível. Tudo que ela sabia era que os pesadelos estavam ligados ao meu futuro. É, eu poderia morrer a qualquer momento, assim que o senhor da voz amedrontadora decidisse me buscar de vez. Mas eu não podia viver acreditando nisso. Poderia não ser verdade, não é? Ou então um alerta de um futuro complicado, talvez ruim, mas não a morte. Acho que eu não deveria me preocupar com aquilo, pelo menos não naquele momento. Minha única preocupação era a volta da atormentação. Os pesadelos já não existiam mais desde quando eu tinha 10 anos. E agora eles voltaram e se algo parecido com que aconteceu comigo quando eu tinha nove anos se repetisse, seria a concretização da morte.

Notas finais
Hello! Primeiramente quero agradecer aos reviews, adorei todos e espero não decepcionar vocês. Lembrando que estarei aqui sempre aberta a sugestões, dicas, criticas... enfim, o que acharam do capitulo? Gostaram? Perceberam a primeira participação do senhor Rose na fic, lá estava ele, drunk. O que será que irá acontecer? =D Agora só acompanhando.
Kisses, my loves!