My Dark Angel
56 The letter
Notas iniciais
Enfim, todo mundo tem um trauma ou uma história de natal fail...kkkkk...Sempre tem uma coisinha que por mais que não se lembre direito sabe que rendeu muitas risadas...Ou não, né?!
Vamos ao que interessa.
Atualização extra o/
Espero que gostem!
Domingo tem mais sem falta, não posso deixar de desejar feliz natal para vocês, então venho domingo :)
Divirtam-se!
Há erros que na maioria das vezes não podemos corrigir por mais que a força de vontade seja grande. Provavelmente porque não podemos voltar ao tempo, nem remediar as marcas de um sofrimento. As cicatrizes sempre ficam por lá. Neste jogo confesso que já fui ativo e passivo. Já sofri e já fiz sofrer. Já matei e já morri por tantas vezes que perdera-me nas contas. As lágrimas apagaram os números. A dor impede o raciocínio. Descobri que sou irracional, que sou humana por completo, sou mais errante que um personagem de um livro qualquer de Shakespeare. Não podemos ser sempre as vítimas, pois sempre consideramos uma reação ao atirar das pedras, mesmo que esta seja inconsciente. Choramos o nosso próprio erro, pois somos tolos e imperdoáveis. Perdoamos ao outro, nunca a nós mesmo. Sinto-me anormal, tão intensamente como já me senti curiosa, e descobri desta forma os sabores e desgostos que a árvore frutífera de vida nos oferece. Encanta-nos. Morremos pelo desejo, pela curiosidade a qual somos tão permissíveis.
Nada melhor que um dia após o outro para quem não sabe que o sol que novamente nasce traz as mesmas marcas do dia anterior. É o mesmo, usado apenas com o codinome “nascer”, não nasce, renascer, volta a tentar e cai de novo. Ao dia seguinte as nuvens choram a perda até que novamente ele luta.
Estou aqui para confessar que errei, que sou um ser humano, que nunca desejei ser perfeita, no entanto, nunca desejei cometer devidos erros.
Talvez estas palavras que aqui gravam sejam as últimas que terão de mim. Sinto que estou mesmo partindo de alguma forma. Este fato não me põem lágrimas nos olhos, pois como o sol, já morri tantas vezes que posso suportar esta última. Descobri recentemente que dói mesmo é continuar vivendo, e só prosseguimos por em algum momento encontrar a satisfação por trás desse sofrimento. Minha satisfação teve diversos nomes.
Nunca esquecerei a enxurrada de sorrisos que aquela loura miúda me trouxe desde que pus os pés na nova escola. Ela se destacou entre aquele lençol amontoado, e eu já sabia quem era. Sabia que era ela a primeira pessoa que chamaria de amiga. Mas virou a primeira pessoa que pude chamar de irmã. Sarah fora tudo que um dia sonhara em ter. E tão nova e ingênua foi até mesmo mãe. Obrigada pelos sorrisos, obrigada pelos abraços, obrigada por secar todas as lágrimas, obrigada por existir dessa forma tão maravilhosa em minha vida monocromática. Por favor, nunca me esqueça. Vou arrumar um espaço para repousar para sempre em seu coração. Mas por favor, não chore tanto, suporte, você lutou demais para chegar onde está, não desista agora, sei que consegue.
Martha fora um novo sinônimo de mãe. Obrigada por me acolher de forma tão benevolente. Obrigada por ter feito de mim sua filha, por ter despertado por mim esse amor maternal tão intensamente. Sarah não pudera ter um exemplo melhor de mãe.
Mamãe, eu nem mesmo sei o que me acontecerá daqui para frente. Nunca fui capaz de prever o futuro, e se tivesse sido eu teria te ajudado a confrontar papai antes que tivesse sofrido tanto, de forma tão desnecessária. Desculpa por esconder isso, foi preciso, não posso deixa-la sofrer agora. Lembre-se que ainda tem uma neta que precisa da senhora tanto quanto um dia eu precisei. Obrigada por ter me protegido debaixo de suas asas por tanto tempo, por ter aguentado tanto por mim. Você é meu maior exemplo como sempre fora. Sei que se depender de você a pequena Lara será tão bonita e adorável quanto a senhora.
Slash, Duff, Izzy e Steven, vocês fazem parte de mim, me ajudaram tanto quanto os outros a escrever minha história por aqui. Tornaram-se minha família por tanto tempo, e carregarei como meus amigos. Espero que se casem com a pessoa certa, se apaixonem desesperadamente e tenham lindos filhos. Lara irá precisar de “priminhos”. Sei que serão os tios mais loucos e mais incríveis que uma criança pode ter.
Zac, eu queria que não fosse tão difícil falar sobre você. Nem sei se posso suportar, mas preciso tão desesperadamente agradecer por ter enfrentado tanta dor por mim. Eu sei o quanto os últimos meses foram difíceis, mas por favor, preciso que lembre de mim como antes, quando você chegou na escola, me lançou um olhar simpático no corredor e minhas bochechas arderam pela curiosidade dos outros alunos. Você me fez tão bem enquanto estava sofrendo por nunca ter passado de um amigo. Você foi o mais importante amigo. Nunca se esquece das nossas tardes estudando alguma matéria irritante, de como você enrolava a língua nas primeiras vezes que conversamos e eu ria do seu nervosismo de estar perto de mim. Não se esqueça destas minhas risadas. Lembre-se de mim como a garota que gostava de ver sorrir e que gostava de te fazer sorrir, principalmente sempre que olhar para Lara e encontrar nela algum traço que o faça se recordar de mim. Nunca esqueça também o quanto eu o amei, tão desesperadamente, da forma que eu me sentia segura nos seus braços, de como me manteve em pé quando eu quase desisti. Lamento que não tenha sido o bastante. Vou estar para sempre no seu coração. Um dia vai encontrar alguém que te ame da mesma forma que me amou.
{Coloque essa música para tocar}
Por fim, preciso dizer adeus a alguém que tive a promessa da eternidade. Eu não queria ter que deixa-lo. Eu nunca esqueci sua importância na minha vida. Eu mal podia saber que o ruivo bêbado na minha porta salvaria minha vida. E você salvou minha vida de todas as formas possíveis, Axl. Você me mostrou o caminho a percorrer, em alguns momentos teve até de me levar no colo pelo mesmo, e eu ainda tenho nitidamente a imagem de seu rosto molhado naquela noite de chuva, quando me teve nos braços por alguns minutos, o bastante para que eu soubesse que algo em você exercia uma estranha força sobre mim. Você é o que eu inconscientemente procurei por toda minha vida. Eu encontrei em você tudo que eu precisava mesmo que eu nem soubesse. Às vezes penso se no mundo exista alguém como nós dois. Talvez sim, mas de fato, o que tivemos foi único, algo que nem o mais apaixonado livro de romance que eu li pudera descrever. Você foi o herói e o vilão da minha história. Foi o príncipe encantado e o bandido apaixonado. Você me ensinou o significado de estar viva e eu nunca estive tão viva quanto na noite que eu te conheci. Agradeço até mesmo por todas as lágrimas, pois devo a maturidade a elas. Agradeço a razão da minha vida que carrego dentro de mim e logo estará em seus braços. Você me deu tudo que alguém pode dar a outra pessoa. Você me mostrou que tudo que um dia eu precisei era amor. Você me fez acreditar em para sempre e o que eu sinto por você vai ser eterno. Peço perdão por todas às vezes que errei e preciso confessar que nos seus braços eu fui uma mulher e uma criança, eu fui alguém, eu nasci e morri e eu ainda posso lembrar tão perfeitamente de quando tocara meu corpo em Paris, de quando acendera uma chama em mim na Grécia, de quando sentia a eternidade a partir do momento que a aliança abrigou-se em meu dedo. Com você eu tive segurança, eu estava completa. Obrigada por tudo. E mesmo errando eu sei que me amou, bem como eu te amo tão desesperadamente e nunca deixei de amar. Por favor, não deixe nossa filha se esquecer de mim, conte a ela o quanto a amei e o quanto nos amamos e fomos felizes juntos. Eu estarei sempre com vocês. Desculpa por não estar lá para amamenta-la ou trocar a fralda. Por não estar para vê-la dar seus primeiro passos ou assisti-la comemorar quando o primeiro dente de leite cair. Eu sei que não estarei lá para dizer o quanto ela se parece com você, nem para ensina-lo como fazer a mamadeira. Eu sinto muito. Mas saiba que quando o vento soprar forte contra as janelas serei eu, mostrando o quanto estou satisfeita em ver o pai em que se tornou, e como Lara está crescendo. Eu prometi que te amaria até o fim dos tempos, estou cumprindo minha promessa, é o fim do meu tempo.
Eu amo todos vocês e peço desculpa pelas lágrimas.
Estarei sempre por perto.
Com amor, Elizabeth.
Já havia se passado quase uma semana desde que aquele reboliço cobriu-me com a amargura de uma angústia. Sarah não disse muito sobre o que conversara com Axl, sobre o que ouvira dele, nem ao menos sobre seu estado. Tal fato me enervava. Depois daquele dia, nem mesmo meus sonos foram tão tranquilos e silenciosos. Eu podia ouvir sua voz, sentir o calor de sua pele, ver a nitidez do rosa em seus lábios, todavia, antes que o tivesse em mãos a imagem se desfazia em névoa cinza e então eu despertava, debaixo do dossel de luz celestial que diariamente abrigava-se em meu quarto.
Eu o teria procurado, teria voltado a nossa antiga casa, teria enfrentado aqueles fantasmas que me habitavam, cercando o fim conturbado daquela relação. Sabia que minhas pernas tremeriam ao olhar a escuridão ao envolto do que costumávamos chamar de lar, sabia que sentiria as doces lembranças invadirem-me e amargaria ao gosto das brigas que provavelmente ainda estavam vivas naquelas paredes surdas. Mas não era ausência de força de vontade e sim simplesmente forças para levantar-me tão facilmente da cama. A fome me escapara nos últimos dias e consequentemente estava mais fraca. Segundo o médico era de praxe que acontecesse tal fato durante o final de minha gravidez sob pressão de um risco raro.
Talvez este não fosse o único motivo. Ele precisava do tempo dele, sozinho e eu podia entender isso. Já estivera em seu lugar antes.
Zac telefonava todos os dias, Sarah o contara sobre minha fraqueza, o que provavelmente destruíra o fundo de esperança que gritava dentro de seus olhos na última vez que eu o vi. Mas ele insistia em nem mesmo dizer adeus quando desligava, em que estaria por perto logo. Não o confrontei, porém me doía intensamente vê-lo tentar acreditar em algo que estava certo de que não aconteceria. O parto estava marcado para dois dias depois de sua volta, mas algo em mim gritava que não seria desta forma. Algo estava errado, entretanto, nada disse. Calei e consenti.
As nuances verde-água se perderam em meio ao borrão de luzes brancas sob minha cabeça. Ouvi vozes ressaltando ocas e baixas diante a uma surdez parcial. Sentia meu corpo latejar, imóvel sobre a mesa dura e gélida. Minha face ardia, dando-me a impressão de que havia uma chama tomando meu rosto rapidamente. Meus lábios estavam em cascas, meus olhos estavam parados, curvados sobre aquela imagem desfocada, capturando vagamente a movimentação de corpos ao meu envolto. Não sentia aromas nenhum, meus pulmões pareciam nem mesmo funcionar corretamente. Era como se todos os meus sentidos houvessem me escapado pelos dedos em um momento ao qual eu não me recordava.
Recordei-me da mistura de timbres. Não conseguia reconhecê-los, não eram nítidos, suas palavras eram confusas. “Inaudíveis” pensei. E pelo simples ato de pensar percebi que a única coisa viva em mim ainda era meu cérebro. Mais ato que as vozes era o som abafada e sincronizado, mas era fraco, era frio, era quase morto. Percebi que era meu este rangido, era o grunhir de meu coração.
-[...] estão caindo. –ouvi a frase entre cortada de uma voz nervosa, um vibrar feminino.
-Precisamos reanima-la. –a voz desta vez era quase pacífica, no entanto tinha pressa. Era perceptivelmente masculina e brevemente oscilava, como a de um senhor que já houvesse passado de seus cinquenta anos, provavelmente abrindo a faixa de sessenta.
Vi uma sombra arruivada se curvar sobre mim.
-Precisa voltar. –sua voz emitiu um eco ensurdecedor em minha cabeça. Era calma e distinta, quase sussurrava, o que não impedia de soar como berros em meu intelecto. –Lara precisa de você. –suas palavras despertaram uma imagem em minha mente por meio de um choque doloroso: Uma criança banhada em sangue alinhava seu grito estridente de primeiro choro de um recém-nascido.
A lembrança se afugentou.
-Precisa voltar por ela –prosseguiu.
Retomei a imagem por meio de mais um choque.
Minha face morta, congelada em dor despertava em uma generosa felicidade ao reagir chorosa a criança que me era traga, em berros. Próximo a mim seu choro vagamente diminuiu, até que ela fosse novamente levada à medida que a consciência me escapava.
A passagem desta última lembrança foi mais branda.
-Não vamos conseguir. –ouvi um quase sussurro feminino, em tom de derrota.
-Lizzi, Lizzi! Volte! Pela Lara! –a voz de Axl insistia em ecos na minha mente que em poucos parecia se calar. Percebi que já não tinha mais nenhuma sensação ao longo do corpo e que minha visão era escura, opaca. Havia sono, desejo súbito de descanso. Precisava apenas dormir.
A luz do sol estreitou-se pela janela, abrigando-se em meu quarto. A névoa translúcida que tão alegremente caía sobre mim, fez-me despertar. Embora não houvesse uma completa visão de meu redor, rompida pelo embaçar de meus olhos e pelo impedimento da forte luz, o recobrar da consciência fez as lembranças daquele pesadelo invadirem minha mente como enxurrada. Tão repentinamente vieram as lágrimas em meus olhos. Por um tempo, decidi permanecer na cama, agarrando-me ao travesseiro que sobrava ao meu lado.
Repensei em cada momento daquela imaginação inconsciente que eram nítidos em minha cabeça. Era apenas um pesadelo bobo, certamente já deveria ter me acostumado depois de enfrentar tantos piores que aqueles. Porém, durante aquele período, onde as emoções abrolham tão facilmente em uma mulher, onde lágrimas ficam descontroladas e escorrem pelo rosto como uma ribanceira eu quis me permitir chorar por algum tempo. Havia suportado demais durante tantos meses, deixaria que meu intimo gritasse agora.
E tão intempestivas eram aquelas imagens que não me permitiam cessar o pranto. Por hora, não me preocupava em chorar, até que estivesse quase descontrolada. Mas calei, pois não queria ver Sarah invadindo o quarto em desespero, ligando para um hospital e não me deixando um minuto sozinha.
Só depois de algumas horas pude refletir sobre o resto dia, e então ouve uma lembrança recorrente: Zac estaria em Los Angeles antes do adentrar da madrugada. Mesmo que fosse normal que voos atrasassem ele pudera garantir que estaria em meu quarto antes da meia-noite. Prometera então que passaria as seguintes noites insone, ao meu lado, até que chegasse a hora do parto. Todavia, sua chegada não me interessava muito naquele momento.
Decidi levantar após o incomodo do suor proejando em todos os cantos de meu corpo. Precisava de um banho frio, relaxar a cabeça sob a água, apagar o sonho e as lágrimas que agora secavam em meu rosto. Queria me sentir simplesmente bem em meus últimos dois dias antes do parto.
Respirei fundo, erguendo o corpo com certa dificuldade. Fui coberta por um escuridão pelo olhos a medida que pontos de luz de diversas cores dançavam pela penumbra. O espaço ao meu redor girou tão rapidamente que meu estômago reagiu com um embrulho.
-Ó Deus! –murmurei, desconfortável.
Quando finalmente podia enxergar perfeitamente, dobrei a coluna, apoiando as mãos sobre a cama com o intuito de levantar. Veio como um trovão, a pontada abaixo da barriga quando finalmente estava de pé. Curvei-me, respirando fundo e seguindo até o banheiro, tentando ignorar a dor, o que era quase impossível.
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