My Dark Angel
57 Perishing
Notas iniciais
Divirtam-se!
Beijos!
–Lizzi? –chamou Sarah, aproximando-se da porta do quarto.
–Sim. –respondi.
Surgiu com um traço de preocupação nos olhos. Tirei uma peça de roupa qualquer do guarda-roupa.
–O que aconteceu? –perguntou ela. –Você não desceu para o café, o almoço já está quase pronto e você ainda está aqui em cima. –argumentou.
Ri relaxadamente, tentando acalma-la.
–Dormi até um pouco mais tarde. –murmurei com um sorriso nos lábios que pudesse disfarçar a mentira. –Quando acordei fui tomar banho. O dia está tão quente hoje! –prossegui, sinicamente.
Arqueou uma única sobrancelha, entretanto, preferiu acreditar no que lhe havia contado.
–Vou trocar de roupa e secar o cabelo, depois eu desço. –garanti.
–Não demore. –indagou.
Quando enfim deixou o quarto, acabei por desfazer a feição pacifica, lembrando-me dos momentos de dor continua e torturante que enfrentei no banheiro. Contudo, já não sentia exatamente nada, podia respirar seguramente de novo.
Após o almoço e uma sessão engraçada de louça na cozinha, acabamos as três, no sofá da sala de estar, assistindo uma comedia romântica qualquer que era exibida na tevê. Era difícil ter paciência para assistir algo ligado a romance após os últimos acontecimentos. Embora sempre tivesse tido certa fascinação por filmes exibidos em uma tela grande, esse fato não se aplicava naquele momento. Estava presa demais ao meu próprio filme, meu próprio terror, meu próprio drama.
Na plenitude da cama de casal vazia, tudo que menos desejava era ter de volta as imagens cruéis do último pesadelo. Queria trancar minha mente para tudo que houvesse de perturbador e vil. Mergulhei no vazio então, tentando manter distante qualquer cena que me contaminasse naquele momento de parcial paz.
Ouvi passos dançando pelo assoalho, leves, porém audíveis no silêncio mórbido que ali se estendia. Três toques fracos foram de encontro à porta de madeira francesa, soando oco. Em seguida Sarah surgira, em sua feição infantil, os olhos brilhando ao fundo, em consequência dos últimos feixes de luz solar que inundavam o quarto. Era fim de tarde, o crepúsculo logo anunciaria suas rédeas azuladas pairando sobre a Califórnia.
Sorridente, seguiu até a cama, e eu lhe sorri também.
–Está abatida. –disse ela, fechando brevemente o sorriso que a pouco abrira, sentando-se a beirada da cama. Respirei um pouco mais profundo, desta vez. Já podia sentir uma vaga falta ar. Levei o dorso da mão até a testa, secando as gotas de suor que escorregavam por minha face, abrolhando incessantemente.
–Eu estou bem. Só estou com muito, muito calor. –havia certo tom mentiroso explicito no meu tom de voz. Tornara a sentir-me mal há um pouco mais de duas ou três horas, mas estava rigidamente convicta de que era um mal-estar passageiro, típico de final de gravidez, talvez mais agravado pelo forte calor daquele dia.
Sarah ergueu uma das sobrancelhas, como já esperava que a mesma fizesse. Estava desconfiada. Sondou-me quase em feição ameaçadora, esperando que eu enfim confessasse, porém mantive-me rígida, até que enfim sorrisse a ela e a mesma sorriu em retribuição.
–Nossa, mas você está suando tanto! –disse ela, tocando minha testa com a ponta dos dedos. Levantou, seguindo até as janelas e abrindo-as ao máximo, aumentando também a velocidade do ventilador. Bufei, extasiada pelo ardor que se propagava, poderia sentir meu corpo inteiro inunda-se em suor, exceto pelas mãos e pés, que eram extremamente frios. –Tem certeza de que está bem? –insistiu Sarah, voltando a se sentar na cama.
–Estou. –garanti, sem uma sequer oscilação de voz. –O calor californiano só está destruindo uma pobre grávida. –zombei, porém, Sarah não expressou sorriso entre os lábios. Estava duvidosa. –Mas então, está arrumada, vai sair? –tentei mudar de assunto.
–Ah, sim. –indagou, despertando. –Vim te ajudar a se arrumar. Eu e mamãe vamos ao cinema e depois iremos jantar em um restaurante especializado em comida australiana. –disse empolgada.
–Não, não. Eu não vou. –murmurei, sacudindo levemente a cabeça.
–Como não vai? Hey,vai ficar muito tempo em casa depois que Lara nascer. –disse, ainda agitada.
–Não, Sarah, é sério. Estou me sentindo cansada. Lara me deu trabalho hoje. Meu corpo está pesando, estou com um calor insuportável, mal posso ficar de pé. Estou me sentindo exausta. Vá com Martha. Eu vou ficar. –murmurei, calmamente.
–Não, então vamos ficar. –declarou.
–Não, não, e não. Você vai sair já. Não quero você em casa por minha causa. Eu estou bem, na companhia da minha filhinha e agora você vai passear com Martha. –Sarah movimentou os lábios, pensando em rebater. –Não se atreva. Vai, agora! Ou então eu escolherei outra pessoa para ser madrinha de Lara.
Sarah não teve alternativa, tendo em vista que eu não desistiria. Então despediu-se, um tanto inconformada, obviamente hesitante, porém foi.
Rolando constantemente na cama, resolvi levantar, e então descer para que talvez pudesse me entreter com uma programação qualquer da tevê. Logo que ergui o corpo senti uma grave pontada atingindo a altura de meu umbigo, em direção à coluna. Minha grande barriga enrijeceu de imediato. Mordi o lábio, contendo um possível grito de dor. Respirei fundo, a dor aprofundando-se, repuxando por dentro de meu corpo, como se levasse um choque elétrico a todas as extremidades internas, habitando-me por cerca de 50 segundos. Então esvaiu-se, tão repentinamente como chegou. Minha garganta flamejou, enquanto continha minha respiração que acelerara consideravelmente com o pico de dor.
Gemi baixo, sentindo o alívio por me sentir melhor novamente, todavia, não queria arriscar. Acabei por voltar a deitar na cama. Poucos minutos depois meu corpo esfriou. Um vento tão frio quanto os de um inverno rigoroso pareceu domar o quarto. Levantei-me novamente, desta vez com um pouco mais de tranquilidade.Fechei as janelas que Sarah abrira antes de sair, diminuindo a velocidade do ventilador.
Assim que novamente posicionei-me na cama, senti uma dor branda chegar, subindo-me pelo umbigo, em caminho a estômago. Franzi o nariz, sem emitir som algum que expressasse a sensação. Foi embora bem como a outra. Tinha convicção de que aquelas fossem mais algumas das chamadas contrações de treinamento, que antecipam o parto. Já podia acreditar que Lara não estaria desejando mais dois dias ali dentro.
Sondei o tom lilás que resplandecia no teto, encontrando ali, uma possível distração momentânea. Até que percebesse a rotação do mesmo, bem como o meu envolto parecia rodar. Minhas pálpebras pesaram, obrigando-me a fecha-las. Uma estranha sensação de exaustão pesou sobre mim, à medida que sentia uma forte cólica sobrepujar em minha barriga. Contorci-me levemente, virando-me para o lado, esperando que a mesma desse uma pequena trégua, abrindo espaço ao sono que chegava repentino e ligeiro a mim. A dor não pausou, pelo contrário, prosseguiu, fazendo com que eu novamente mordesse o lábio inferior com ferocidade. Cravei as unhas de uma de minhas mãos no edredom. Cerca de 5 minutos depois ela parecia mais fraca, dando a impressão de que apenas uma pequena chama percorria por minha barriga. Fora o bastante para que eu apagasse rapidamente, como nunca fizera de forma tão repentina antes.
Tive uma terrível sensação de estar imersa em uma poça. Meus olhos fraquejavam em meio a minha relutância para abri-los, deixavam expostos apenas grandes borrões de uma visão embaçada. Enquanto a lucidez retornava a mim, os sentidos tomando-me vagamente, torci o pescoço para o lado. Meus olhos focaram as horas. Dormira por um pouco mais de uma hora. Percebi que suava absurdamente mais uma vez. Outra pontada chegou depressa, porém fora rápida. Levantei-me, sentindo a secura ardendo em minha garganta.
Em feição de dor, arrastei-me até as escadas, descendo-as lentamente, até que finalmente chegasse à cozinha, onde enchi de água fresca um copo. Um gole, até que eu novamente fosse envolvida por uma tontura. Tateei com o fundo do copo a pia, sentindo minhas pernas amolecerem. O som dos cacos de vidro então estourou pela casa, enquanto meus pés desnudos eram molhados pela água que o ocupava.
A dor veio rápida, inesperadamente, tão forte quanto a junção de todas as outras. Trinquei os dentes. Ela então aprofundou-se, parecendo invadir meu corpo em fúria.Gritei, apoiando-me sobre a bancada da cozinha.Tentei respirar, quando então percebi a velocidade a qual meus dedos batiam sobre o apoio que criara no mármore. O ar entupiu em minha garganta, enquanto eu agonizava em suspiros contínuos. Era uma violenta crise de pânico que se aproximava. Meus olhos dilataram, assustados. E então meu corpo inteiro tremia.
Arrastei-me até a sala de estar, sentindo a dor esvair-se por cerca de dois a quatro minutos, até que voltasse em fúria maior.
–AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARH!-gritei. –Por favor, pare! –supliquei.
Já tinha consciência que as contrações não eram apenas um treinamento natural do corpo, pré-parto. A dor estava longe de qualquer coisa que eu já enfrentara. Lembrei-me então da poça. Passei a mão por entre as pernas. Estavam úmidas e grudentas. Não era apenas o suor brotando em meus poros. Minha bolsa provavelmente já estourara há certo tempo. Uma linha de raciocínio atômico explodiu em minha mente. Focalizei apenas no desespero de encontrar o número do hospital.
Joguei ao chão cadernos que ocupavam a mesa de centro, espalhando papéis enquanto tremulava desesperadamente, temendo cada contração que chegava após um curto intervalo. Minha boca ressecou, enquanto uma leve ardência se fez ao fundo de minha garganta. Não havia nem sinal do número por ali. Embora o meu esforço para lembrar ao menos do número de emergência do estado californiano, era quase impossível.
Tinha garantia de que havia um cartão do hospital reservado em uma das gavetas do quarto. Eu só precisava ter de enfrentar o lance de escadas, o infinito de degraus visto ali debaixo. Pareciam zombar de minha dor. Iria relutar para conseguir.
Caminhei até lá, sentindo minhas pernas bambearem . Fiz apoio em um dos degraus, localizando os pés em outros. Segui os, lentamente, curvando-me a cada novo sinal de dor arrebatadora que chegava. Acabei por gritar de novo. Não tinha muitas forças remanescentes para guerrear com a escada, porém estava lutando, precisava daquilo. Depois de absurdo sacrifício consegui, arrastando-me ao quarto. Tinha de acha-lo, o mais depressa possível.
Axl Point Of View
As risadas dos outros intensificaram-se, trovoando. Podia ouvir, ao longe, a voz embriagada de Slash aos berros. Senti gotas de suor porejar em minha testa. As pernas tremularam. Dificilmente estava nervoso com um show, e estava certo que não era esse o caso que me perturbava agora. Um calafrio tomou-me, entregando-me de antemão uma péssima sensação, que comprimia meu peito, como um grande peso sobre ele forçado.
–Cinco minutos! –uma voz apressada gritou.
Analisei-me no espelho. Estava mais pálido, até meus lábios haviam esbranquiçado, e diante a minha imagem que se deteriorava tive a forte sensação de que realmente não estava bem. Meu estômago revirou.
–Quatro minutos! –retornou.
Minha garganta enfim fora coberta por flamas, invadindo toda a área de minha boca, junto a um gosto metálico crepitando ao fundo da língua. Fui tocado pelo desespero, á medida que sentia minha consciência esvair-se e meus sentidos escaparem. Enfrentei uma breve tontura. Embora estivesse bem o bastante para continuar de pé, a sensação em meu interior era subitamente desagradável.
–Dois minutos, vamos lá rapazes!
Segui a fila para as escadas elevadas, que nos levariam ao palco. Logo éramos eu, Slash, Duff, Izzy, e Steven mais a frente, correndo pelos corredores apinhados de pessoas da equipe que nos davam espaço para seguir. Senti um soco no estômago, enquanto podia ouvir meus batimentos saltando á medida que um de meus pés tocava o chão. Era sincronizado, tampava meus ouvidos, abafava qualquer som que viesse de fora.
Ao fundo de minha cabeça, uma voz sobressaiu. Um grito de dor que eu poderia reconhecer perfeitamente, confirmando-se enquanto imagens de Lizzi que já haviam passado por meus olhos se repetiam em minha mente. Mais um grito de dor ensurdecedor, sobre ele, sua voz sussurrava meu nome, chamava por mim continuamente.
Apertei os olhos, sentindo que afundava na insanidade. Quando novamente os abri, a imagem embaçada de Steven subiu as escadas, seguido alternadamente pelos outros.
–Axl, tá se sentindo bem, cara? –não fui capaz de interpretar a quem pertencia determinada voz.
–Não. –respondi quase sem fôlego. –Preciso ir! –murmurei, voltando pelo corredor.
–AXL? –fui chamado em um berro.
–Não posso fazer o show! –respondi, correndo por todos os corredores que já havia passado antes.
Lizzi Point of View
Segundo meus cálculos parcialmente erráticos, já era a quarta gaveta que revirava desesperada, buscando o número do hospital. Até que a dor tornou-se quase insuportável, eu já não tinha mais forças e meus pulmões eram gravemente comprimidos. Não havia ar. Meus batimentos cardíacos chegaram a uma aceleração perceptivelmente perigosa. Joguei-me na cama, temendo que prosseguir o esforço pudesse me causar algum dano e então consequentemente afetasse ao bebê. Não havia mais alternativa, esperaria até que pudesse levantar, ou então até que os vizinhos pudessem ouvir meus gritos.
Depois de cerca de dez minutos sob a fúria da dor, fitando o lustre apagado no teto, eu estava perdendo a esperança de que alguém aparecesse. Estava desacreditando se poderia suportar por mais algum tempo. Até que mais uma pontada penetrou em caminho a minha coluna, parecendo conter a força de mil sóis, a crueldade de um assassino perverso. Era como estar deitada sobre brasas, perfurada por grandes facas. Era como ter diversos ossos partindo-se ao mesmo tempo.
Gritei mais uma vez, este soando mais doloroso e escandaloso que o último. O ardor se tornou insuportável em minha garganta, tinha a impressão de engolir um copo de areia seca. Dobrei o corpo contra a cama, erguendo a cintura. Mordi o lábio no desespero da duração da dor. Logo o gosto metálico estendia-se em meu paladar. Estava certa de que meus dentes haviam perfurado o interno de meu lábio inferior.
Quando depois de um incontável tempo a dor se tornou mais branda senti a ausência de lucidez. A consciência me esvaia. Minhas pálpebras escorregavam, a visão já era algo quase nulo. Senti o peso de uma lágrima escorrendo pela lateral de minha face. Já não gritava mais. Meus lábios estavam congelados, meus olhos em guerra à medida que uma densa penumbra ocupava minha visão. Em alguns borrões eu podia enxergar alguma figura do ambiente. Senti-me fraca, imensuravelmente fraca. Meus braços e pernas amoleceram, até que eu mal conseguisse mover um sequer músculo. Ouvi o som de meus batimentos cardíacos ocos. Estavam mais fracos, bem como eu. Com um último choque, senti-me naufragar em oceano negro.
Um corpo me abraçou, vibrava, parecia pavor. Sabia que dizia algo, mas eu não conseguia entender. Movimentava-se com pressa, quase corria, e não parecia ter dificuldade pelo peso dos braços. Senti o calor humano envolvendo-me, de mesma forma um perfume intenso penetrara em minhas narinas. Desde então, em minha mente paralisada uma série de lembranças foi despertada. Era como vivenciar emoções e sensações passadas. O sorriso cintilou, fazendo contraste com o cabelo arruivado.
Axl! declarou uma voz em minha cabeça. Ele está aqui! proferiu, alegremente.
Uma série de golpes leves no corpo, movimentações estranhas e finalmente eu pude ouvir sua voz afogando em desespero.
–Lizzi! Por favor, Lizzi, acorde, precisa acordar. –suplicou.
–Axl...-murmurei com um pouco mais de esforço, conseguindo enfim recobrar a visão, parcialmente. Percebi certo alivio de sua parte ao respirar.
Ouvi a batida de uma porta de carro, então, outra se abriu e percebi sua presença ao meu lado. Fechou mais uma e o motor roncou.
–Axl...-disse mais uma vez.
–Estou aqui, meu amor. –murmurou assim que percebi o carro em movimento.
Respirei fundo, sentindo meus movimentos voltarem a mim, como se despertasse de um desmaio. Logo eu tinha quase completa lucidez.
Axl dirigia em alta velocidade, cruzando a escuridão das ruas. Senti mais uns esguicho de dor, porém não me permiti ao grito, não queria assusta-lo. Ao invés disso, deixe escapar um gemido enquanto mostrava os dentes. Fitou-me assustado por meio de um segundo.
–Lara não quer mais esperar. –murmurei, provavelmente teria rido de meu sarcasmo mesmo em meio à dor se não estivesse tão tenso.
–Respira fundo, meu amor. Tente respirar! –disse ele.
–Talvez eu esteja com dor demais para isso, mas, será que eu posso saber o que foi fazer lá? –perguntei, não me prendendo a minha situação caótica.
Ele limpou a garganta, esperando alguns segundos até que tivesse uma resposta plausível.
–Tive uma sensação estranha. Nunca senti nada parecido. É idiota, mas foi como um sexto sentido. –respondeu.
Era certo que eu esperava outra resposta. Não fazia ideia do que se passara entre ele e Sarah dias atrás, talvez ela não tivesse sido convincente, ou talvez o tivesse feito pensar, como fazia muito bem, mas eu não poderia especificar se ele voltaria, se ele iria até mim, se me perdoaria pelo meu ato. Não pude deixar de acreditar naquele momento que provavelmente ele não me procuraria tão cedo para uma conversa desse tipo. Deixara evidentemente claro que uma sensação fora o único motivo de fazê-lo ir até mim.
A dor agravava e as tonturas eram frequentes e traiçoeiras. Hora fraca, a ponto de eu muito pouco perceber, hora assustadora, dando a mera impressão de que voltaria a desmaiar. Embora Axl dirigisse em alta velocidade e avançasse qualquer sinal vermelho que lhe aparecesse, o caminho até a maternidade pareceu durar um século, até que enfim o grande prédio surgisse. Seus últimos andares perdiam-se na escuridão, acima da porta de correr, a grande placa atrativa que carregava seu nome, iluminado por três luminárias grandiosas fixadas por traz do banner, tive certo aroma de alívio.
Com alguns passos, uma súbita pressa, tudo parecia passar por mim como um borrão. Pessoas surgiam e desapareciam em meio ao meu pico de dor. Axl permaneceu até onde pode, aflito, se me deixar por um segundo. Estava tão desesperado quanto eu. Logo finalmente estava pronta para o parto, embora que em meus pulmões o ar parecia preso e em minha garganta houvesse um bloqueio, estava calma, guerreando contra a dor que só piorava. Lembrei-me de meu sonho. Não era como no mesmo, não estava em uma assustadora sala de cirurgia, sob as luzes brancas frias e cercada da cor que lembrava doença. Era apenas um quarto aconchegante e enorme, com decoração moderna, de tom amadeirado, e as enfermeiras vestiam rosa, quase tudo era rosa por ali. Era incrivelmente acolhedor, até que mais aparelhos chegassem e eu percebesse que ali se passaria uma tenebrosa situação.
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