My Dark Angel
35 The Surprise
Notas iniciais
Miss Autonomy, que recomendou a fic. Muito obrigada mesmo, me deixar muuuuuito feliz.
Bem, já chegamos ao 35, acho que vão gostar desse, não sei se é bem uma surpresa, mas espero que gostem, ok?!
Então, desculpem qualquer erro.
Espero que gostem.
Divirtam-se.
Beijos!
{Coloque esta música para tocar}
Estava abandonando a cidade sem nem mesmo ter tido o direito de dar um último adeus a aqueles que se fizeram minha família na época mais feliz da minha vida. Carregava na mente o último olhar apaixonado do homem que tanto amei. As memórias me acompanhariam onde quer que eu fosse, meu primeiro dia na cidade, o dia que conheci Sarah, quando Axl salvou minha vida, nossos passeios, os dias que rimos no sofá da sala de estar de meu apartamento sem nem mesmo um por quê, o pedido de namoro, meu primeiro beijo, as várias vezes em que Axl me amou e horas que passamos trancados no quarto, o brilho de seu sorriso a iluminar minha manhã... Tantos planos que agora definitivamente estavam a ser destruídos, era hora de acordar do melhor sonho que já tivera.
Corri a ponta dos dedos pelo braço, recordando-me dos toques de Axl, o seu cheiro que ainda estava preso a minha pele, o calor de seu corpo que nunca mais faria o meu ferver.
–Promete que ninguém vai nos separar. -eu disse.
–Nunca mais. Vamos ficar juntos para sempre. -murmurou entrelaçando seu dedos aos meus e me beijando.
–Eu vou ser sua para sempre, Axl Rose. -murmurei baixinho comigo mesma, deixando que uma lágrima escorresse de meus olhos enquanto eu apertava forte o pingente da correntinha que ainda estava pendurada em meu pescoço, a correntinha que ele me deu em meu aniversário.
–Quero casar com você. –murmurou, quebrando o silêncio. Ri baixinho. –Quero construir uma família com você, ver nossos filhos correrem no jardim de nossa casa, você chamando pela menina de cabelos dourados que está dando comida para o cachorro, enquanto eu ensino o garotinho ruivo a tocar piano...
–Isso vai acontecer um dia. Só nos resta esperar. –eu disse.
–Eu vou esperar por você, Elizabeth, nem que isso me custe uma eternidade. Eu te amo, te amo como nunca amei ninguém. Seria capaz de largar tudo se fosse para ficar com você. –indagou.
As lembranças que agora invadiam meus pensamentos estavam a me fazer derramar lágrimas. Era um tanto terrível pensar que estava deixando tudo aquilo para trás sem reagir, mas nada eu podia fazer.
Quando os pensamentos tornaram-se mais sufocantes naquele oceano de lembranças, o barulho do abrir da porta do carro me fez despertar. Demorei alguns segundos para perceber que a porta estava aberta para que eu saísse e então entrasse no aeroporto pondo um definitivo fim em tudo aquilo.
Foram passos pesados, tortos, incertos. Estavam inseguros, amedrontados, meus pés tremiam tanto quanto o resto de meu corpo. Segui minha mãe, olhando para trás uma única vez, checando os dois seguranças que me acompanhavam.
Uma voz suave anunciou a saída de mais um voo. Provavelmente o nosso. Mais alguns passos e as pernas cambalearam. O corpo amoleceu e os olhos escureceram. Antes que meu corpo caísse esparramado pelo chão, ergui a cabeça, puxando o máximo de ar que pude. Não queria um desmaio naquele momento.
Poucos passos para o portão de embarque, meu coração já parecia bater oco e oscilante em minhas costelas. Meu cérebro já não enviava comandos, minhas pernas adormeceram, assim como meus ombros caídos de forma desanimada.
Meu pai então apresentou o necessário para o funcionário de pé a conferir passagens antes de cruzar o portão, o portão que para mim tinha um terrível significado de fim. Depois chegou a vez de minha mãe. Suas mãos vacilaram na hora de apresentar a passagem, ela parecia estar tão trêmula quanto eu. Respirei fundo, olhei, derrotada, as mãos de minha mãe voltarem a seu posto normal e seus pés prepararem-se para cruzar o portão. Um suspiro pesado então se fez.
–Acabou. –sussurrei comigo mesma. Meus pés então prepararam-se, deram mais alguns passos trêmulos, o último alcançaria o funcionário a quem entregaria minha passagem, mas antes que eu o desse fui interrompida.
–LIZZI! –a voz gritou a certa distância. Meu coração então disparou quase escapando-me pela boca, enquanto eu virava rapidamente a cabeça, sentindo meus cabelos chicotearem meu rosto. Era ele quem estava lá. Meus lábios não tiveram tempo para mostrar um sorriso. Corri em sua direção, ignorando tudo a minha volta.
A cada pisar no chão em minha corrida desesperada eu sentia meu coração galopar, parecendo dar voltas por todo o meu corpo. Até que meus pés pararam, meus joelhos quase dobraram ao impacto. Aquele rosto de onde a respiração saía ofegante –em decorrência de sua corrida a meu encontro-, me sorriu satisfeito e deslumbrado, tão incrédulo quanto eu. Um sorriso involuntário também se fez em minha face. Suas mãos seguraram minha face e seus lábios atracaram os meus. Fora um beijo rápido, mas acredito que o mais intenso que já havíamos dado em tanto tempo de namoro. Aquela mistura de nervosismo, satisfação, alegria e saudade tornou a química que jorrava por nossos lábios irresistível.
–O que estão esperando? Vão atrás deles! –ouvi a voz de meu pai distante enquanto Axl olhava no fundo de meus olhos.
Dei uma rápida olhadela para trás. Minha mãe sorria alegre, com o braço erguido fronte a meu pai, talvez uma tentativa de impedi-lo de passar por ali antes. Vi o vulto dos seguranças se aproximarem e então Axl puxou minha mão para que corresse.
Minhas pernas ganharam forças. Fizemos passagem por milhares de pessoas que movimentavam o saguão do aeroporto. Mais uma olhadela para trás. Os seguranças esbarravam em todos por quais passavam, seguindo nosso caminho.
Com um pouco mais de agilidade conseguimos sair. Deparei-me com uma motocicleta mal estacionada. Axl montou nela, pondo o capacete. Gritou para que eu fizesse o mesmo. O desespero me acometeu ao perceber que os seguranças estavam mais próximos do que imaginara. Pensei que não fossemos conseguir até ouvir o ronco do motor e então o arrancar da motocicleta enquanto envolvia a cintura de Axl com os braços. Os seguranças que estavam tão próximos logo ficaram para trás, não insistiram em correr. Quando percebi já não era mais possível vê-los.
–Ai, meu Deus! Eu não acredito. –minha voz foi abafada pelo ronco do motor.
Seguimos em alta velocidade por alguns quilômetros. Avançamos por uma estrada asfaltada, cujas extremidades escondiam uma possível campina por trás dos pinheiros esverdeados. Perguntava-me aonde chegaríamos. Chequei por algumas vezes se ninguém nos seguia, mas havia apenas nós, correndo estrada adentro. A cada cinco minutos um sorriso involuntário era aberto ao pensar na loucura que fizera. Aquela certamente fora a loucura mais sã que já cometera em toda minha vida, a loucura da qual estava certa de que nunca me arrependeria.
Pensei se então não era a prever o acontecimento que mamãe se despedira de mim antecipadamente. Provavelmente ela colaborara de alguma forma. Estava subitamente agradecida por ter a mãe que tinha.
Minha coluna já reclamava a posição quando a motocicleta calou-se em frente a uma casa isolada, próximo a um lago, cercada de alguns arbustos e outros tipos de vegetação vividamente verde.
–Que lugar é esse? -perguntei, descendo da motocicleta e tirando o capacete a observar a mansão inteiramente de vidro. As esquadrias estavam tampadas pelas cortinas de cetim branco.
–Vem. -ele disse puxando minha mão e me levando para dentro.
–Não, não, não. -disse uma mulher que apareceu na porta dupla de vidro por onde entraríamos, nos interrompendo. -Vai perder toda a graça se ela ver agora, Mr. Axl -disse ela e então Axl me olhou escondendo seu sorriso de baixo dos lábios.
–Mas eu preciso mostra-la o que vai acontecer. Preciso fazer o pedido. -ele disse a mulher de aparentemente 40 anos, cujos cabelos eram de um preto luminoso, curtos na altura de seu queixo, realçavam sua pele pálida, que carregava um leve rubor nas bochechas.
–Lamento senhor Rose, senhorita Sarah pediu-me que não permitisse a passagem de senhorita Lizzi por aqui. -ela disse deixando-me cada vez mais confusa.
–Sarah? Sarah está aqui? O que está acontecendo, Axl? -questionei.
–Você já vai saber. -respondeu-me. -Mas como irei entrar com ela? -perguntou ele a mulher.
–A senhorita Sarah pediu para que usasse isso. -ela disse, erguendo a mão em que carregava uma venda. Axl a colocou em mim enquanto eu ainda o questionava sobre o que estava acontecendo.
Segurou minha cintura delicadamente e me encaminho pela casa. Ouvi o som de meus sapatos irem de encontro ao assoalho enquanto uma mistura de aromas penetrava em minhas narinas. Era cheiro de flores, disso estava certa, mas imaginei em que quantidade estavam, já que o cheiro era subitamente forte para o caso de um arranjo ou buquê. Era obrigada a confessar que era um ótimo aroma.
Meus pés encontram com dificuldade uma escada enquanto Axl guiava-me cuidadosamente. Logo ouvi um bater de porta. Ele então retirou de mim a venda. Meus olhos curiosos varreram o lugar. Era um imenso quarto onde o cheiro de flores já não existia mais. Ignorei os detalhes da decoração sofisticada e virei-me para Axl.
–O que está acontecen...-eu me interrompi a partir do momento que deparei-me com ele de joelhos, erguendo a mão em que carregava uma caixa, onde dentro encontrava-se um anel prata cujo a pedra era inegavelmente um grande diamante. Era lindo. Surpresa, deixei que meus lábios permanecessem entreabertos sem que emitisse nenhum som.
–Elizabeth de Oliveira Castro Muller, você aceita casar comigo? -Senti meus lábios abrirem-se mais, enquanto uma série de vários calafrios atacou-me. As mãos antes tão calmas tornaram-se trêmulas, enquanto uma explosão de branco invadiu minha mente. As cordas vocais não seguiram o exemplo de minhas mãos , estavam paradas, deixando apreensivo o ruivo que olhava em meus olhos a espera de uma resposta.
–Axl. -foi tudo que consegui dizer em meio ao meu deslumbre e minha surpresa. Forcei meu corpo a agir abandonando aquela paralisia. -E-e-eu, não sei o que dizer. -murmurei, levando as mãos a boca, sentindo lágrimas vazarem dos olhos arregalados.
–Um "sim" já seria ótimo. -ele disse tentando esconder seu nervosismo por trás do sarcasmo.
–É claro que aceito, meu amor. -eu disse e ele levantou-se rápido me dando um beijo afobado.
Logo deixou meus lábios e encaixou o anel em meu dedo. Abri um largo sorriso. Axl então olhou no fundo de meus olhos, dando-me mais um beijo, interrompido pelas duas leves batidas na porta de madeira branca do quarto.
Axl foi até ela. Devido a minha posição correlação a porta não pude ver quem era. Uma voz doce disse algo baixinho, quase em um sussurro, não me permitindo ouvir.
–Agora? –ouvi Axl dizer acompanhando o tom de voz.
–Sim. –ouvi uma mulher dizer um pouco mais alto do que da última vez. Axl então fitou minha face confusa, antes que questionasse algo ele voltou sua atenção à mulher que esperava na porta. Mais alguns cochichos e uma mulher miúda — aparentemente media cerca de 1,58cm-, atravessou a porta. Os cabelos lisos estavam presos em um coque bem feito, as mãos, pequeninas, entrelaçadas junto ao corpo que balançava sutilmente, um sorriso simpático era ostentado no rosto. A pele bronzeada ganhou um novo brilho perante a luz do sol fraco que adentrava o quarto.
–Amor, essa é a Rachel. Ela vai cuidar de você por enquanto. –ele disse, mas não respondeu a ruga de dúvida que ainda estava exposta em meu rosto confuso. Aproximou-se e deu-me um beijo na testa. Ergui as mãos, fazendo um sinal de pura confusão mental. Ele ignorou. –Vamos nos ver logo. Prometo. –murmurou. Lançou um último olhar para Rachel, que assentiu, como se estivesse a se comunicar com ele telepaticamente.
Atravessou a porta e a fechou, antes mesmo que eu pudesse protestar. Permaneci imóvel, sem entender, ignorando o olhar fixo e alegre da mulher a minha frente. Procurei a resposta para todas as minha perguntas. Que lugar era aquele? O que eu estava fazendo ali? Quem eram aquelas pessoas? Por que Axl me pedira em casamento logo naquele momento?
Logo percebi que aquela não era a melhor forma de achar as resposta.
–Oi. –eu disse lembrando-me da mulher que ainda me olhava.
–Oi. –respondeu simpática. –Então, podemos começar? –perguntou.
–Hã? Começar o que? –perguntei incrédula, sentindo o nó em minha cabeça se tornar cada vez maior.
–A te arrumar. –ela respondeu.
–Me arrumar para que? –perguntei.
–Achei que ele tivesse te contado. –ela disse e meus olhos se semicerraram.
–O que ele deveria ter me contado? –perguntei.
–Que hoje é o seu casamento.- ela disse e logo uma expressão de súbita surpresa se fez em minha face. Estremeci de imediato.
–Co-como casamento? –perguntei ainda anestesiada.
–Seu noivo lhe preparou uma surpresa, querida. É melhor que se apresse. As coisas já estão quase prontas lá em baixo. –disse ela. Minhas mãos foram parar em minha boca, terrivelmente aberta, incrivelmente paralisada.
–Não...Isso é impossível. Ele...ele...Acabou de pedir minha mão em casamento. –eu disse rindo perplexa. Rachel gargalhou de minha expressão.
–Bem, se você me permite, eu preciso preparar um banho relaxante para você e depois arrumar seu cabelo. –disse ela puxando-me pelo braço até uma grande porta de correr. Assim que abriu tudo que vi foi um imenso banheiro, de decoração plenamente branca, onde o mármore estava presente em cada mínimo detalhe.
A extensa bancada da pia tinha milhares de objetos organizados perfeitamente. Eram todos os tipos de cremes hidratantes, loções corporais, maquiagens, etc... Uma cadeira cinza e aparentemente confortável estava estacionada fronte ao grande espelho. Beirando a banheira havia recipientes de vidro com pequenos sabonetes, um de cada cor e formato, havia também pétalas de rosa vermelha. Já dentro da banheira, a espuma fazia curvas por entre algumas pétalas sobre ela pousadas.
Esqueci a decoração sofisticada do banheiro e tentei engolir a ideia de que eu estava no dia do meu casamento, que a poucas horas Axl seria meu marido. Soaria um tanto fantástico em outra ocasião, não naquela onde eu tentava acreditar no que se passava. Nenhum pensamento me fizera entender a situação insana.
Quando então decidi parar de me questionar a respeito do acontecimento eu já estava sentada na cadeira de estofado confortável. Com as unhas dos pés e das mãos pintadas de um branco translucido, os cabelos presos em um penteado comportado e uma maquiagem a ser finalizada.
Olhei meu corpo para conferir quanto perdi enquanto viajava em meus pensamentos. Eu vestia apenas um robe comprido de seda branca. “Acordara” a tempo de conferir meu vestido.
Outra mulher da qual não me recordava surgiu com um pincel. O nome Barbie veio a minha mente. Certamente o nome pela qual ela se apresentara perante o meu falso consciente. Forcei um sorriso, mas estava perplexa demais para isso. Vi o reflexo de uma crise de pânico se arrastar em minha direção. Respirei fundo por seis vezes até que estivesse um pouco mais calma.
Não tentei mais nenhum sorriso, mas vi a expressão de perplexidade se afastar lentamente de minha face. Senti algo explodir dentro de mim, como mil fogos de artificio. Perguntei-me se ela se assustaria se eu levantasse aos gritos. Tive de reprimir a estranha sensação de felicidade que me dominava vagamente.
–Está feliz? –perguntou a mulher simpática.
–Nem sei o que dizer. –eu respondi.
–Vejo que está quase explodindo nessa cadeira. Seu corpo está tremendo. –ela disse e então em chequei minhas mãos. Só então percebi que tremia mais do que uma escavadeira.
–É, acho que a euforia só está chegando agora. –eu disse a ela. –Não esperava por isso, fui pega de surpresa. –murmurei.
–Mesmo que esteja feliz algo em você tem medo, não é? –ela perguntou encostando-se na bancada. Respondi assentindo. –Foi assim comigo também. Dávamo–nos tão bem, mas parecia que havia certo medo de que aquilo terminasse a partir daquele casamento, que as coisas começassem a dar errado. Tinha medo de me sentir sufocada, presa. Então quando eu estava prestes a desistir, minha mãe apareceu e disse “Você o ama?” eu então respondi “Mais do que a mim mesma.” E ela então disse “E então menina, o que está esperando? De que você tem medo, sua tola? Quando há amor, minha filha, não há o que temer.” –ela contava com brilho nos olhos enquanto eu ouvia a história pensativa. –Eu dei a minha mãe a felicidade de me ver entrando na igreja de véu e grinalda. Ela morreu um ano depois aí eu conclui que se eu tivesse desistido daquilo tudo eu não teria dado essa última felicidade a minha mãe. Mas esse não foi meu maior presente não. Meu maior presente veio quando completei dois anos de casamento. Patrick vai fazer um ano, e eu vou completar três anos de casada. É pouco eu sei, mas estamos fazendo de tudo para que esses três anos virem 10, 15,20... Eu tinha a certeza que era com o meu marido que eu que queria ficar, Elizabeth, e isso é tudo que você precisa. Então quero te perguntar uma coisa. Você ama mesmo seu noivo? E ao lado dele que você quer ficar para o resto da vida? –perguntou.
–É tudo que mais quero. –respondi sorridente, sentindo lágrimas arderem em meus olhos.
Aqueles poucos minutos de conversa com uma pessoa que eu acabara de conhecer fora o bastante para por um belo sorriso em meu rosto. Não havia dúvidas, incertezas, não havia medo, apenas a vontade de ficar ao lado de Axl o resto de meus dias. O medo e a perplexidade então foram substituídos pela ansiedade. As mãos quase pingavam de suor, os pés não conseguiam ficar quietos. Eu estremecia a cada suspiro mais impaciente.
Ao fim da maquiagem que deixara o meu rosto mais perfeito do que um dia poderia imaginar fui deixada sozinha no quarto. A espera da costureira que faria os ajustes no vestido. Ainda vestia o robe, não havia tido nem o privilégio de conferir meu vestido.
As suaves batidas na porta interoperam o meu andar agoniado pelo quarto.
–Posso entrar. –disse a voz serena ao abrir a porta.
–Sarah. –eu murmurei perplexa.
–Você está mesmo linda. –ela disse.
Sarah trajava-se com um vestido de tecido fino, de cor rosa-seco, simples e deslumbrante . Equilibrava-se sobre um par de saltos dourados, tão delicado quanto ela.
–Obrigada. –respondi.
–Então hoje é o dia do seu casamento. –ela disse e eu assenti. –Eu mal podia acreditar que era o seu casamento que eu estava preparando quando ajudei Axl a organizar tudo isso. –disse ela deixando-me surpresa.
–Foi você quem ajudou Axl? –perguntei.
–Era o mínimo que eu podia fazer depois da minha burrada em ter contado tudo aos seus pais. –ela disse.
–Ah Sarah. –murmurei a abraçando, esquecendo-me de tudo que lhe havia dito poucos dias antes.
–Eu sei que eu vou me arrepender amargamente de ter ajudado Axl a fugir com você, de ter armado esse casamento, mas eu só queria te ver feliz. –murmurou ainda presa a meus braços.
–Eu o amo, Sarah. Axl é tudo que eu preciso para ser feliz. –eu disse e logo ela se desfez do aconchego de meus braços.
–Me perdoa, perdoa o meu erro, por favor. –suplicou se referindo a sua ligação para meus pais.
–E como eu não posso te perdoar, Sarah. Se não fosse você há essa hora eu estaria a caminho do Brasil, e então era o fim. –lágrimas arderam e meus olhos. Lutei para controla-las antes que borrassem toda a minha esplendida maquiagem. –Irmãos brigam, discutem, até se batem, mas um sempre tem a capacidade de perdoar um ao outro. –ela correu para meus braços.
Naquele momento eu pude ver um filme de toda minha amizade com Sarah passar perante meus olhos inundados. Construímos tantas coisas em tão pouco tempo. Percebi então que havia algo de diferente ali, bobagem talvez, mas eu estava certa que nossos destinos estavam ligados, éramos irmãs de alma que um dia foram separadas, mas o caminho se fez e nos encontramos novamente, e desta vez era para sempre.
Certamente amizades existem. De todos os tipos. Mas também existe algo oculto no amor de uma amizade, algo que poucos percebem. Talvez um dia você brigue com seu namorado, aquele que um dia você disse que amaria para sempre, mas existe alguém que vai lhe receber de braços abertos e enxugar suas lágrimas. Talvez seu antigo namorado não te aceite de volta, mas tenha certeza que existe uma pessoa ao seu lado que mesmo que esteja muito chateado com você vai lhe receber de braços abertos mais uma vez e enxugar todas as lágrimas que você derramou. Tenha certeza de que entre tantos momentos bons de sua vida um deles certamente foi com aquela pessoa, que te fez sorrir nas horas mais improváveis, aquela que virou sua fortaleza, sua base, a quem você contou coisas que não poderia ter contado a mais ninguém, aquela com quem você brigou, mas abraçou minutos depois. Aquela que te arranca um sorriso em um só olhar, aquela que um dia você disse que nunca sairia da sua vida, que não te deixou sozinha quando você precisava de alguém, aquela de quem você não lembra quando fala ao seu namorado que ele é o único em seu coração, mas na verdade, é aquela pessoa que esteve ao seu lado por tanto tempo quem ocupa aquilo que chamastes de coração.
Amigos são aqueles que te aceitam da forma que você é. São aqueles que não veem necessidade de você mudar quem é só para ouvir dele um “eu te amo”.
Quando eu tivesse de olhar para o lado e dizer quem fora e é minha melhor amiga eu queria ver Sarah a me sorrir, com o mesmo brilho nos olhos angelicais. Estava certa de que ela estaria lá.
[...]
Rodopiei novamente em frente ao espelho conferindo o vestido que caíra perfeitamente em mim. Eu estava deslumbrada. Era lindo. Inteiramente de renda francesa. Misturava a simplicidade e a sofisticação. O véu foi posto em meu cabelo logo depois.
Estava entranhado pelos fios de cabelo, logo a cima do coque. A calda formada por ele ultrapassava a do vestido. Sua barra era inteiramente rendada. Os delicados sapatinhos brancos então se encaixaram em meus pés. Novas batidas na porta e antes que alguém adentrasse o quarto certifiquei-me se não era Axl.
–Quem é? –perguntei.
–Sou eu, Duff. –respondeu.
Duff logo recebeu permissão para entrar enquanto a costureira deixava o quarto.
–Está incrivelmente linda. –ele disse deslumbrado assim que os olhos me alcançaram.
–Obrigada. –agradeci.
–Bom, então é hoje que você vai se... prender ao Axl?! –disse irônico e eu apenas ri de sua expressão.
–Sim, Duff, chegou a hora de nos casarmos. –eu disse vendo a decepção em seus olhos tornar-se mais lívida. Ele relutou com a tristeza que o dominava. –Desculpa por te fazer sofrer, não era minha intenção. –murmurei.
–Uma hora isso teria de acontecer, não é? É a ele que você ama, sempre foi. –ele disse tentando se animar com a possibilidade de me ver casada a Axl dali a poucas horas. –Como eu sonhei que esse casamento fosse o nosso, Lizzi.
–Você ainda vai encontrar alguém que te ame, Duff. Aí eu vou ser madrinha do seu casamento. –eu disse forçando um sorriso.
–De que adianta casar se não é com você, Lizzi? –murmurou tristonho.
–Por favor, Duff. Você tem de seguir em frente. Precisa fazer isso por você ou se não...por mim. –supliquei.
–Juro que eu vou tentar. –ele disse e eu corri para seus braços.
–Obrigada por ter estado ao meu lado quando mais precisei, Duff. –agradeci.
–Eu teria feito tudo de novo, Elizabeth. –Logo soltei os braços que o envolviam. –Tem certeza que não quer desistir? Ainda dá tempo. –ele disse e eu ri.
–Tenho, Duff. –respondi.
–Então esse aqui é o fim?
–Não, Duff. É o começo. –eu disse e ele me sorriu fraco. Aproximou-se e beijou minha testa.
–Eu estarei aqui sempre que precisar. Eu te amo, Elizabeth. –ele sussurrou em meu ouvido. Deu de costas e caminhou até a porta.
–Duff. –o chamei antes que saísse e ele se virou. –Promete que vai ficar bem?
–Eu vou tentar. –ele disse e então virou-se para atravessar a porta.
Notas finais
Essa música não me sai da cabeça. Já ouvi umas 500 vezes. Para quem não conhece é A Little Piece Of Heaven, do Avenged Sevenfold. Confesso que nos últimos dias tenho ouvido muuuuito Avenged, estou gostando mais do que eu gostava antes. Não sei se gosto muito de A Little Piece Of Heaven, mesmo ouvindo o tempo todo, mas ela me lembra muito o Jimmy (ou The Rev) e me traz uma sensação estranha, principalmente ao ouvi-lo cantar "Cause everybody's gotta die sometime" (Porque todos vamos morrer alguma hora), acho que é o trecho que mais me dá vontade de chorar. Acho que já deu para perceber que Jimmy era o meu "bebezinho" do Avenged. É, era o meu palhacinho lindo e vai ser eternamente.
Não vou conseguir aceitar nunca o fato de ele ter morrido tão cedo...Mas, fazer o que? É a vida.
Mudando de assunto, e aí o que acharam? Bom? Péssimo? Bem, espero que tenham gostado. E...Semana que vem tem mais =D
Por hoje é só, minhas doces crianças.
Até a próxima, babies.
Beijos!
Fale com o autor