My Dark Angel

36 My Happy Ending


Notas iniciais
Oláááááá!!! Como vocês estão, meus amores? Bem, eu estou bem, é a certo ponto sim. Só acho que tem alguma coisa errada comigo porque ultimamente eu tenho tido umas sensações estranhas e não consigo parar de ouvir Who Knew da P!nk...Enfim, ignorando minhas maluquices, quero pedir muuuuuuito obrigada a Blondie, que fez a recomendação dela da fic, muito obrigada, não sei nem como agradecer a tudo. Muito obrigada também pelos comentários no último capítulo. Fico feliz que todos estejam gostando e espero que gostem desse aqui também.
Divirtam-se.
Beijos!

Depois que saiu, fitei o chão, num suspiro longo. A ansiedade me corroendo de dentro para fora, já fazia minhas mãos tremerem de forma assustadora. Eu estava fria, mal conseguia respirar direito. A sensação de sufocamento arrastou-se em minha direção e a crise de pânico desta vez já se alastrava.

Antes que eu pudesse jogar-me ao chão ou gritar enlouquecida, Rachel adentrou ao quarto apressada, sem nem antes bater na porta. Carregava na mão um buque jeitoso, de flores brancas. Seu andar até mim quase engraçado, suas pernas pequeninas a esticar-se ligeiramente a fazia parecer um pequeno anão de jardim robótico.

–Vamos, Elizabeth. Está na hora, querida. –disse ela, entregando-me o buquê que por pouco não caiu de minhas mãos tremula. –E pare de tremer como uma batedeira, vai acabar assustando os convidados. –bronqueou. Respirei fundo apenas uma vez. Um cilindro de ar me faria muito bem naquele momento.

Da porta que Rachel deixara entre aberta surgiu Slash, com um cigarro pendurado entre os lábios, completamente desajeitado com o figurino arrojado.

–Ei, meia-porção! O coisinha... –chamou ele por Rachel que mexia em algo nas cortinas. Ri timidamente em outro canto do quarto. Ele continuava a por os botões desajeitadamente nos buracos errados da camisa, parecendo não perceber que eu estava ali.

–Não acredito que ainda não está pronto, Slash! –disse Rachel, quase tendo um ataque de fúria ao vê-lo daquela forma.

–A culpa não é minha se essa roupa é tão complicada. –disse ele, enquanto Rachel já fechava corretamente sua blusa, com agilidade. Não pude conter mais uma risada. Só então ele pareceu perceber a garota que se difundia com as paredes brancas, ao canto do quarto.

–Lizzi? –disse um tanto surpreso. –Meu Deus! Está linda. –indagou assim que o queixo –que lhe caíra quando seus olhos encontraram-me-, lhe permitiu.

–Obrigada, Slash. –agradeci sorridente, caminhando até ele.

Rachel ajeitou a gravata, finalizando o figurino posto devidamente. Saiu de sua frente e ele puxou-me pela mão, ainda boquiaberto, fazendo-me rodar, para que ele pudesse conferir melhor meu traje.

–Uau! Queria ter a sorte do Axl. –comentou.

–Não seja bobo. –retruquei.

–Ei, o que estão esperando? Andem. Os convidados estão à espera. –disse Rachel, a irritação mascarada pela afobação. Torci o pescoço para trás a fitando incrédula.

–Mas eu vou entrar com Slash? –perguntei.

–Ninguém te avisou? –perguntou ele, a resposta veio de meus olhos ardentes em pura confusão. –Tá, tudo bem, eu sei que não sou a melhor pessoa para isso, mas não vou pisar no seu vestido, nem te derrubar na escada, ok?! –disse ele, arrancando de mim uma risada, mesmo em meio à perplexidade.

–Tudo bem. –eu disse, a voz quase travando tamanho o nervosismo. Ele curvou o braço para que eu segurasse. Minhas mãos vacilaram de inicio, estremeceram assim que lhe tocaram.

Um nó terrível tomara conta de minha garganta e borboletas bailaram em meu estomago, como de costume, mas a sensação desta vez era diferente. Respirei fundo e soltei o ar pela boca. O coração saltitava em meu peito, restrugindo apressado, martelava desesperado.

Entre minhas respirações arfadas não consegui nem por um momento fazer com que o ar chegasse aos meus pulmões tranquilamente.

Meus pés trêmulos, titubearam ao descer as escadas. Subi levemente o vestido de forma que pudesse enxerga-los, até alcançarmos o último degrau da escada curva. Eu já checava a decoração deslumbrante da sala de estar. A marcha lenta já ressonava em meus ouvidos deixando-me ainda mais nervosa.

Creio que se minha tensão não fosse tão grande meu queixo provavelmente cairia, tamanho era o meu deslumbre com a decoração digna de conto de fadas que logo encheu minha visão.

As cortinas de cetim não estavam mais lá. Luzes natalinas brancas pendiam do tento, de forma alternada. Havia também, flores miúdas brancas postas como uma corda, chegando ao fim metros antes de tocar a cabeça de alguém, como um dossel glamuroso. Percebi então que não era só o teto que estava coberto de flores brancas. Nas cadeiras brancas de estilo colonial, enfileiradas, que encontrei pelo caminho havia uma pequena junção das muito usadas flores brancas na última e fina estaca de madeira que as sustentava.

Perguntara-me por um momento se não fora anjos que manusearam aquelas pequenas e delicadas flores que molduravam os mínimos detalhes, sem faltar-lhe uma sequer pétala.

Um tapete de pétalas de rosas brancas já se fazia, acompanhada pelas pequenas velas nas laterais do caminho. Sussurros chegaram aos meus ouvidos assim que entrei em campo de visão de alguns convidados. Fechei os olhos e tentei respirar fundo mais uma vez. A tentativa foi bem sucedida.

{Ponha essa música para tocar}

Abri os olhos novamente, mas agora postando no rosto um sorriso largo, nervoso, porém feliz. O sorriso se ampliou ainda mais a partir do momento que pude enxergar o homem que eu amava, de pé, com seu terno bem arrumado, em seu tamanho perfeito, medidas corretas como deveriam ser. Ele quase se perdia sob o arco repleto de flores, tão grande e pomposo, e por incrível que pareça não ocupava nem um terço da sala imensa. Seus olhos brilharam e sua boca se esticou em um sorriso alegre, mas diferente do meu, parecia calmo, sereno.

Minhas pernas trêmulas, já não me correspondiam mais, andavam por si só, sobre o par de saltos, escondidos em baixo de meu vestido de pura renda.

Minhas mãos estremeceram mais bruscamente no braço de Slash e ele riu baixinho.

–Tem certeza de que está bem? -questionou num murmuro risonho.

–Acho que sim. -respondi tensa, tentando manter o sorriso exuberante nos lábios.

Tirei meus olhos de Axl por um minuto, não éramos apenas nós ali, e por mais estranho que pareça, eu preferia que fosse. Corri o lugar com os olhos e pude ver uma boa quantidade de convidados. Steven estava fileira mais a frente, os olhos brilhavam tanto quanto os sapatos engraxados, ao lado estava uma mulher a quem ele dava a mão, uma loura, esguia, de olhos de um castanho subitamente escuro que com a distância de minha fraca visão mais se assemelhavam a um preto. Do outro lado estava Duff, sozinho, sorriu fraco quando recebeu alguns segundos de meu olhar desesperado. Na mesma fileira estava Martha, vestindo um simpático vestido lilás, pondo no rosto de traços suaves um sorriso transbordando em ternura. Ao seu lado estava Steven Tyler, não dispensando o figurino formal, como os outros. Estavam próximos a ele também os outros integrantes do Aerosmith. Já na fileira ao lado, podia ser visto todos os integrantes do The Cult. Havia mais alguns estranhos, talvez amigos de Axl, todos me sorriam simpáticos e passavam como vultos pelo me olhar desnorteado e meu nervosismo que já estava a me deixar tonta. Já Izzy estava a acompanhar Axl, em seu lado direito, ocupando o posto de padrinho. Junto a ele estava uma linda mulher, cuja pele era de um branco quase translucido, os cabelos compridos e extremamente pretos caiam como cascata por suas costas, formando cachos nas pontas. Os olhos eram diferente de tudo que eu já vira, poderia confundir qualquer um alternando do azul-celeste e verde-esmeralda, mas eu poderia dizer que eles mais se assemelhavam a flocos de neves graciosos.

Ao outro lado, estava Sarah, com um sorriso de felicidade contagiante. A alegria lívida em seus olhos verdes. Mais parecia uma criança que acabara de ganhar o melhor presente de sua infância. Mas tanta felicidade não fora capaz de mascarar o medo misto a uma estranha apreensão. Baixei os olhos no temor de dar um passo errado. Novos cochichos invadiram meus ouvidos deixando-me bruscamente corada.

Fitei a face ansiosa de Axl por alguns segundos, queria checar se havia mesmo um príncipe debaixo do arco exagerado em flores brancas presas em alguns galhos verde-musgo, secos, que davam ainda mais encanto a decoração fantástica. Esticou um milímetro mais de seu sorriso brilhantemente vitorioso, o rosto ganhando uma luz encantadora, como um anjo, acendendo-se em felicidade. Foi então que conclui: Estava pronta para meu final feliz.

Já irritada com a lentidão da marcha, limitei-me a fixar-me em sua face ardente em alegria e em seu exultante sorriso. Ele corrompera minha mente, controlando todos os meus pensamentos, dando-me a impressão que restávamos apenas nós dois no ambiente. Queria correr para os seus braços, imediatamente, mas a maldita formalidade não me permitia. Tentei controlar-me até que finalmente chegasse.

Foi então que Axl esticou-me a mão e Slash pegou a minha, pondo sobre a dele, como meu pai deveria fazer no ato simbólico. O calor das macias mãos de Axl me obrigou a conter o corpo que quase estremecera de forma brusca.

A marcha calou-se e o ministro pôs-se a falar. A essa altura Slash já assumira seu posto de padrinho ao lado de Sarah. Meus olhos encaminharam-se as profundezas dos orbes esverdeados de Axl. Foi como mergulhar em uma imensidão de calmaria a deleitar-me com a explosão de felicidade. De repente, o mundo pareceu estacionar para nós. Eu acompanhava a reforma em minha vida que mesmo quando parecia-me perfeita era completamente errada. Na vida desconcertada peças foram substituídas, dando-me de presente aquela com a qual um dia sonhei. Era o inicio de uma nova vida ao lado do homem que eu amava. Tentei então recordar-me dos últimos dias, mas tive a estranha sensação de ter as trágicas memórias como lembranças distantes, daquelas que custava recordar.

Ignorei, pois aquelas lembranças nenhuma falta fariam. Quando dei por mim, a solene pergunta já era feita. Mal ouvi o que o senhor de cabelos grisalhos havia dito, percebi apenas que era a hora em que deveria dizer apenas uma palavra.

–Sim. –disse sorridente. Ele logo repetiu a pergunta a Axl.

–Sim. –disse Axl, sorrindo triunfante.

Logo o momento da troca de alianças. Tive de relutar para conter a tremulação em minhas mãos, temendo assustar os convidados, como dissera Rachel. O peso da aliança de ouro se fez em meu dedo. Percebi então que algumas lágrimas inundaram meus olhos, não tive tempo de tentar evitar que elas escorressem por minha face. Elas já estavam lá, cada gota a escorrer por meus rosto, repleta em felicidade, molhando os lábios esticados nos mais alegre sorriso. Consegui contê-las, secando o rosto delicadamente antes que o ministro nos declarasse marido e mulher.

As palavras ganharam sonoridade de sinos a baterem em meus ouvidos. A felicidade quase me embriagando. Virei-me para Axl recebendo um beijo imediato. Seus lábios entraram em uma sincronia perfeita com os meus. Achei tolice por um momento encontrar certa diferença naquele beijo, mas concluiu que nada de errado havia. A diferença do beijo era que desta vez os lábios que se encontravam eram de marido e mulher.

Acompanhei o bailar de línguas e guerreei para conter meus impulsos quando seus lábios quiseram deixar os meus. Tive de entender que precisávamos, foi então que percebi o bater de palmas para nós.

[...]

O crepúsculo já pairava sobre o lago nas beiradas do jardim. A lua cheia de um esplendor lívido, acontecimento raro naquela época do ano, já dava sinal de chegada, se pondo no céu. Podia-se ver até algumas estrelas, piscando distante, em sua coloração esbranquiçada a olho nu, vista lá de baixo. Coloria aquela noite que beirava o fim do verão californiano.

Com a escuridão da noite que chegava sorrateiramente, o encanto estava esboço em minha face. Os olhos arregaladas, perdidos no deslumbre da decoração da festa, realizada no imenso jardim de trás da casa. Há mais de meia hora admirando cada vela acesa ou flor espalhada, eu não estava cansada de suspirar impressionada. Aqueles suspiros já quase me faltavam, de tantas vezes que foram repetidos ali. Como uma frase insistente, mas eu nada dizia, apenas suspirava, boquiaberta, ainda presa a ilusão de um sonho. Era tudo realidade, porém, o sonho mais lindo que eu já tivera.

Movi-me vagamente ao perceber a aproximação dos últimos convidados da fila a nos cumprimentar. O vestido de noiva já me incomodava. O cansaço já me subtraia. Talvez todo aquele estresse antes do casamento tirara de mim aquilo que não tinha, aquilo que perdi nos últimos dias, aquilo que não repus, apenas perdi.

Recebi um abraço caloroso da mulher que acompanhava Izzy, madrinha de meu casamento, alguém que eu nem mesmo conhecia. Apresentou-se ao perceber a confusão em meus olhos. A voz suave então pronunciou: Alice. Parecia-me tão doce e certa. Tão diferente da loura que acompanhava Steven –loura a qual trajava um chamativo vestido vermelho, cuja a abertura na lateral ultrapassava o aceitável.

Prometi a Alice uma conversa longa assim que o tempo nos permitisse. Parecíamos ter em comum mais do que imaginávamos. Quando se afastou de mim, Izzy tomou sua namorada em um dos braços, dando-lhe um beijo apaixonado.

–Aê, finalmente entrou na coleira, não é, Axl?! –brincou Slash, o estado sóbrio já beirando o embriagado.

–Cuidado para ele não escapar, hein, Lizzi. Esse aí é pior que cachorro fujão. –disse Steven. Dei uma risada nasalada, checando a expressão nada satisfeita com as piadas dos amigos. Mas o sorriso debochado estava exposto no rosto.

–Rá-Rá. –riu Axl ironicamente. –E você Steven. Não vai casar tão cedo, né?! Se depender de Bel, sei não... Já a perdoou da traição da semana passada? Aquele cara que estava com ela era bem musculoso, né?! –rebateu Axl, mantendo o sorriso debochado de antes. Dei-lhe um tapa no braço, disfarçadamente.

–Ele só foi tirar o cisco que caiu no olho dela. –disse Steven descontente.

–Tem certeza que o cisco era no olho? –perguntou Izzy, zombeteiro, recebendo do amigo um murro brincalhão.

–Parabéns Axl, não poderia ter se casado com alguém melhor. –Duff cumprimentou Axl, em um olhar relutante e eu me movi desconfortavelmente.

–Eu sei. –murmurou Axl vitorioso. Espalmou meu rosto e beijou-me.

A festa seguiu e Sarah avisou-me dos procedimentos tradicionais. O primeiro deles era cortar o bolo de três andares junto a Axl. O fizemos com perfeição, sorrindo para fotos constantes. Dei apenas uma garfada no bolo, relutando para controlar o estomago que revirava dentro de mim. Eu realmente não gostava de bolos de festa.

A tradicional joga do buquê não poderia ser evitada. Vários olhos ansiosos se concentraram em mim. Um amontoado de olhos pintados e cabelos arrumados. Afastei-me e lancei para trás o buquê delicado. Virei-me curiosa, o encontrando nas mãos de Alice, a quem sorri satisfatoriamente. Percebi o olhar ameaçador de Bel –acompanhante de Steven-, a lhe fuzilar, como se indignasse por ter sido roubada havia pouco.

Meu constrangimento maior veio quando Sarah me explicou o motivo da cinta-liga colocada em minha perna antes que eu vestisse o meu fabuloso vestido de noiva. Senti o sangue arder em minhas bochechas quando a ouvi falar a respeito do que seria feito a seguir. Não pude fugir. Logo Axl estava tirando com o dente a cinta em minha coxa. As risadas e piadas vindas de seus amigos deixando-me ainda mais ruborizada.

Lembrei-me de checar se nenhum momento constrangedor a mais estava por vir, mas antes que eu pudesse perguntar algo a Sarah não a encontrei. Percorri toda a casa e os de mais lugares de acesso livre, já com certa preocupação, mas ela não estava lá. Martha me acalmara a dizer que ela voltaria logo, deveria ter ido conhecer as ruas vizinhas, de forma que pudesse afastar-se um pouco da comemoração. Não gostava muito de festas daquele tipo, casamentos não lhe eram muito convidativos depois da separação de seus pais.

Logo chegou o momento dos convidados reunirem-se em circulo, abrindo espaço para que eu e Axl seguíssemos os passos da valsa que já soava pelo local. Não me intimidei. Fora uma bailarina desde pequena, uma eterna apaixonada pela dança. Já vira meus pais repetirem o feito em algumas festas antes, mas poucas vezes havia uma harmonia entre os dois.

Em passos lentos e corretos bailamos pelo circulo vazio, com esplendor. O corpo quente de Axl quase vibrando dentro do terno, o meu tão relutante dentro de si, inconformado com as roupas que cobriam ambos. Desejei, sem pudor, o fim daquela festa. Não estava cansada demais para uma noite de núpcias. Eu a desejava fervorosamente. Meu corpo ardendo, gritando pelo dele. Minhas mãos gelaram, tremeram e eu suspirei em desconforto, escondendo o sorriso por baixo dos lábios entre abertos. Baixei os olhos, fitando meus pés que quase se perderam no compasso.

–Você está bem? –sussurrou Axl em meu ouvido, a preocupação lhe pesando sobre a voz serena.

–Estou...Eu só...Só...queria. Ah, esqueça! Bobagem minha. –murmurei, sentindo uma chama arder em meu rosto novamente.

A curiosidade aguçou em seus olhos. O momento da dança impedindo uma insistência de sua parte. Ergui o rosto, sorrindo fraco, esperando assim sumir com o vestígio de preocupação em seu rosto. Ele me sorri também.

[...]

–Elizabeth Rose. –um sorriso involuntário se fez em meu rosto ao ver Sarah surgir chamando-me pelo meu novo nome. Interrompi minha conversa com Alice e a fitei. Ri nasalmente ao ver seu estresse momentâneo.

–Ah, Olá senhora sumida. O que foi que fiz desta vez? –perguntei.

–O problema é o que você não fez senhora Elizabeth. Tem de trocar de roupa imediatamente, caso contrário acabara perdendo o voo. –disse ela.

–O que? –perguntei incrédula. –Minha filha, hora da Lua-de-mel. Levante logo daí e vamos trocar este vestido. — Não me permitiu perguntar muito. Puxou-me sala adentro, escada a cima até que chegássemos ao quarto onde sobre a cama havia um lindo vestido de renda branca.

–Mas Sarah, você ainda não me respondeu. Aonde vou? –perguntei pela centésima vez.

–É uma surpresa. Eu já disse. –indagou ela ajudando-me a por o vestido apressadamente.

Desfizemos também o penteado, deixando meu cabelo em seu estado normal novamente. Puxou-me pelas escadas mais uma vez, Axl já me esperava na sala vazia, apenas com a decoração da noite que marcara minha vida. Senti um espasmo ao ver tudo aquilo outra vez, do angulo que vira algumas horas antes. Era como voltar ao local onde um sonho foi realizado.

–Pronta? –perguntou Axl enquanto aproximava-me dele.

–Para tudo que for com você. –murmurei enquanto suas mãos ocupavam as minhas com delicadeza. Deu-me um beijo calmo, deixando meus lábios só ao pigarrear de Sarah.

–Está na hora de ir. –alertou Sarah.

Seguimos para fora da casa encontrando todos os convidados devidamente posicionados na saída do jardim. Receberam-nos com uma chuva de arroz, antes que entrássemos no carro preto estacionado ali para nós. Axl assumiu seu lugar ao volante e eu no banco ao lado. Sacudi os cabelos, aos risos, tirando os grãos de arroz que estavam ali. Ele riu divertido, observando-me com certa ternura cobrindo-lhe os olhos. Observamo-nos por breves segundos, ainda a silenciar os risos. Ele esticou o pescoço, buscando meus lábios para mais um beijo.

Ouvi o motor do carro ressonar e então ele seguiu o caminho, o mesmo que fizemos para ir até a casa. Passamos mais uma vez pela estrada cujas beiradas eram cobertas de pinheiros, desta vez escurecidos pela noite, revelando a lua um pouco mais acima, no céu limpo. Havia silêncio na provável campina escondida por trás das arvores, havia o som da noite, a serenidade de uma escuridão que duraria mais longas horas.

Perdi-me na visão que se fazia do outro lado do vidro. Estava atenta a qualquer tipo de movimentação lá fora, sem esquecer-me do som da respiração baixa de Axl ali dentro.

–É o recomeço, não é? –perguntou Axl.

–Não. É o inicio. É o inicio da nossa eternidade. –respondi.

Seguimos estrada adentro, conversando sobre fatos da noite. Quanto a destino, Axl permanecia em segredo e eu não insisti.


Notas finais
E aí? Gostaram? Mereço reviews por esse capítulo?
Vou esperar então.
Beijos, minhas doces crianças!