My Dark Angel

20 The Story Of a Lost Life


Notas iniciais
Hello babies! E aqui estamos no capítulo vinte. Aewwww! Obrigada por todos os comentários, todos, todos...Me deixam muito feliz =D Então, chegamos a um dos pontos principais da fiction. Não vou perturbar muito não, já que o capítulo tá bem grandinho. Agora, se deliciem com a verdadeira história de Mike. Hora de descobrir o segredo de Sarah.
Espero que gostem.
Divirtam-se.
Kisses!

–Lizzi! Sarah saiu há pouco tempo. -disse Martha assim que atendeu a porta.

–Eu sei. -disse a ela. -Mas, na verdade eu queria falar com a senhora.

–Entre. -falou com sua voz serena, sem tentar esconder a surpresa exposta nela.

Fiz o que disse, sentando-me no sofá da sala de estar.

–Então, o que quer falar comigo. -sentou-se na poltrona próxima a mim.

–Na verdade, eu vim falar sore um assunto que talvez não seja muito...agradável para a senhora.- procurava as palavras certa.

–Sim, e qual seria esse assunto? -questionou.

–Mike Johnson. O irmão de Sarah. Seu filho mais velho. -Sua face, enrijeceu, contorcendo-se em uma expressão de dor. Seus lábios avermelhados formaram imediatamente uma linha rígida, enquanto ela fitava o chão, parecendo recorda-se de algo. Um silêncio tenso se deu ali. -Olha, eu sei que deve ser difícil para a senhora falar sobre isso, mas quero que entenda que eu preciso saber o que realmente aconteceu a Mike. Só assim eu poderei tentar ajudar Sarah nessa mágoa que ela guarda escondida dentro do coração, sozinha. -minha voz soo em tom de suplica. Direcionou os olhos a mim, fitando-me com ternura, como uma mãe olha seu filho.

–Mike era um menino lindo. Por dentro e por fora. -ela começou a falar e eu quase abri um sorriso. — Tão estudioso e prestativo. Dizia que seria engenheiro, estava estudando muito para isso. Não tinha muitos amigos, mas se dava bem com todo mundo. Jogava basquete como ninguém, o melhor do time da escola. Ajudava muito em casa, era o melhor amigo de Sarah. Até que as coisas começaram a mudar. Eu sentia que ele não estava bem.

“Um dia em uma conversa ele contou-me que já não tinha mais vontade de viver. Foi como uma adaga no coração para mim. Mas Mike sempre sofreu muito com casos de depressão desde pequeno. O basquete lhe deu um novo pique com relação à vida e com o passar do tempo até aquela paixão se apagou lentamente. Então disse a ele que procurasse uma nova motivação e que eu estaria ao lado dele sempre que ele precisa-se. Nesse mesmo dia recebi uma ligação. Ele tinha voltado.”

–Ele quem? –perguntei.

–Charlie. –respondeu – O pai de Sarah e de Mike. –explicou e eu a encarei perplexa, tentando digerir tudo que ouvia. – Disse que queria ver os filhos. Dá para acreditar? O homem que trocou a família por uma vida de aventura, drogas e bebidas agora queria simplesmente rever os filhos. Eu tentei afasta-lo das crianças, mas ele conseguiu se aproximar de Mike. Por pior que isso fosse eu seria grata a ele por ter apresentado a meu filho uma coisa chamada rock.

“Charlie estava lidando com uma nova banda, agindo como empresário. Então Mike começou a ajuda-lo, fez novos amigos, pude voltar a ver em seu rosto um sorriso, que infelizmente não durou por muito tempo.

Junto a tudo isso ele conheceu a pior coisa que poderia ter conhecido. Ele ficou muito amigo da tal banda que Charlie estava produzindo, então passou a frequentar festas com essa banda. Eram regadas a drogas e bebidas, mas até onde sei, ele manteou-se afastado. Mas as coisas não estavam dando certo para Charlie, sua tentativa de virar empresário da banda fracassou. Não sei se foi raiva, ódio, sei que ele decidiu levar meu filho para o fundo do posso junto a ele.

Mike começou a abusar de drogas, trazia problemas para casa. Tentei uma medida radical. Ele já não tinha mais dinheiro, e então uma revolta inesperada aconteceu. Começou a roubar coisas de casa, gritava com todos, chegou a me bater.”

Vi lágrimas inundarem seus olhos. De imediato algumas escorreram por sua face.

–Eu já não sabia mais o que fazer, só queria o filho que tinha de volta. Até que o pior aconteceu. Era uma tarde de domingo normal, percebi que Mike ainda não havia saído do quarto. Resolvi chama-lo. Bati por várias vezes na porta, e ele não atendeu, então percebi que a porta estava aberta. Entrei cautelosamente, chamando seu nome em um murmuro até que encontrei seu corpo caído no chão, próximo a sua cama. –Senti lágrimas escorrerem de meus olhos também. –Mike morreu de overdose, aos 18 anos. Pouco tempo depois encontrei seu diário, onde ele dizia já não ver o suicídio com um de seus atos futuros, por mais frágil que estivesse ele estava bem, mas após uma discussão com Charlie, que disse a ele coisas horríveis, o chamou dos piores nomes e o fez sentir o pior ser existente ele não suportou. Naquele dia ele decidiu que era o fim. Morreu na calada da noite, longe de meus olhos e deixou um singelo “Eu te amo” na última folha de seu diário, direcionado a mim e a Sarah. –Assim como Martha, eu estava aos prantos. Fitava o chão, tentando desatar o nó que se formara no fundo de minha garganta. Já não sabia mais o que pensar. –Charlie morreu em um acidente de carro dois meses depois. –disse ela, tentando se recompor.

Franzi o cenho em sinal de dúvida.

–Mas, como... Se a última felicidade na vida de Mike foi o rock por que Sarah odeia tanto esse... estilo de vida?

–Pode-se dizer que a história contada a Sarah foi diferente da verdadeira. Ela não sabia sobre a volta do pai, não sabia sobre a depressão do irmão. Com o pouco de informações que tinha criou uma nova história, acreditou em sua ideia mirabolante, transformando-a em uma verdade para si mesma. Sabe aquela história de que sempre precisamos culpar alguém pelo nosso sofrimento, como se ele fosse diminuir. Ela acredita que o novo estilo de vida do irmão fosse o grande culpado em sua morte, que a banda na qual ele acreditava, na qual passou a acreditar por causa de Charlie fosse a culpada de sua morte. Sei que Sarah odeia tudo correlacionado a rock, tem pavor de roqueiros e eu compreendo o por que. Para ela o...estilo de vida, tirou dela seu companheiro, melhor amigo, seu irmão. -explicou

–Mas isso é errado, ela deveria saber a verdade. –protestei.

–Sarah sofreu demais e sofre até hoje. Acredito que teria sido pior se ela soubesse a verdade, se ela soubesse que o irmão morreu após ser humilhado pelo pai. Por pior que Charlie fosse eu não queria que minha filha odiasse o próprio pai.

Se parasse para pensar, teria de confessar que no lugar de Martha eu teria feito o mesmo. Ela queria apenas proteger a filha, não queria que o sofrimento de Sarah se tornasse maior. Eu não tinha o direito de contar a ela a verdade agora, mas estava consciente de que uma hora isso teria de acontecer.

Ainda repassando na cabeça um filme do que acontecera a Mike, tentando digerir a história tenebrosa que entalara em minha garganta, ao som do fungar baixo de Martha, viajei com os olhos perdidos na sala, ainda em silêncio, até que um novo som me interrompesse.

–Lizzi! –ouvi a voz de Sarah ao adentrar a sala. Fitei-a, confusa, tentando pensar em o que dizer. Um choque percorreu minha coluna, fazendo meu corpo arrepiar, o suor brotar em minhas mãos enquanto eu mexia os lábios sem conseguir emitir nenhum som. Minha expressão paralisou observando sua face incrédula, esperando uma explicação, ainda imóvel. Obriguei meus lábios a moverem-se, mas dessa vez tremendo as cordas instaladas em minha garganta, sem impedir que minha voz saísse de minha boca um tanto afobada. A tentativa fracassou, apenas um gemido baixo escapou dos lábios entorpecidos.

Ela desviou a visão para sua mãe, quase trincando os dentes. Olhei rapidamente para Martha, que parecia calma, com sua expressão relaxada e olhos avermelhados, assim como a ponta de seu nariz em decorrência das várias lágrimas que derramou durante a conversa.

Percebi que mesmo com um olhar confuso, Sarah já entendera o que se passava ali. Sua expressão logo se contorceu em uma expressão de dor, fazendo-me estremecer, como se pudesse ver o pequeno coração de minha irmã se massacrado sem dó nem piedade. Uma lágrima escorreu de seus olhos e ela correu, disparada, pelas escadas, deixando para trás minha voz que finalmente soou num murmurar de seu nome.

Segui atrás dela. Nas minhas passadas cautelosas pelo corredor, pude ouvir seu choro sentido, vindo de seu quarto. A porta estava aberta e ela sentada na cama, de costas.

–Isso deve doer, não é? –eu disse depois que passei da porta para dentro. Não recebi uma resposta, não me pus a espera-la. – Desculpa mais eu precisava saber a verdade sobre Mike.

–Agora que sabe, poupe-me de seus pêsames. Não preciso disso. –disse amarga, sem olhar-me.

–Ah, minha irmã, eu sei que machuca. –eu disse tentando me aproximar, mas ela levantou-se rapidamente, virando-se para mim.

–NÃO, VOCÊ NÃO SABE. –gritou enquanto levantava-se e eu pude ver as lágrimas que inundavam seu rosto. –Ele era meu amigo, meu melhor amigo. –ela começou a falar enquanto sentava-se novamente, perdida em pensamentos. –Foi ele que me ensinou a andar de bicicleta, que me levava ao parque. Era ele que tinha paciência para brincar de pique-esconde comigo, que fez o papel da amiga que eu não tinha e quis brincar de boneca. Foi ele quem pegou na minha mão impulsionando-me a dar meus primeiros passos, que foi me buscar no meu primeiro dia de aula na nova escola. Era ele que me fazia cócegas antes de dormir, que fazia palhaçada para que eu risse quando eu estava triste, foi para ele que eu contei que gostava de um garoto da escola. –ela dizia com o olhar perdido em alguma parte do quarto. Mantinha um sorriso bobo pendurado nos lábios durante as lembranças. –Ele disse que se um dia algum garoto me fizesse chorar era só eu gritar por ele, pois ele daria uns bons socos no tal garoto. Um dia, quando eu tinha 10 anos, eu não queria ir à escola porque algumas garotas implicavam comigo então ele passou a mão por meus cabelos e disse “Ei, pequena lutadora, você vai ficar bem, lembre-se que eu vou estar sempre com você e se elas fizerem algo com você, vai lá e mostra que é minha irmã.” –ela já chorava novamente e eu também não pude conter minhas lágrimas. –Ele prometeu que estaria comigo para sempre, até o fim, que tínhamos um ao outro e sempre que eu precisasse era só eu gritar que ele viria correndo, até que um dia ele não estava mais lá para quando precisasse, eu já não tinha mais por quem gritar, não tinha quem dissesse “Vai lá, pequena lutadora, mostre que é minha irmã”.

“Mike já não era mais o mesmo. Por várias vezes me vi escondida atrás de alguma parede ou porta a ouvi-lo gritar com minha mãe. Aquilo machucava, sabe? Doía, doía muito ver que meu irmão já não estava mais ali. Ele andava com aqueles roqueiros nojentos, com aqueles idiotas daquela banda ridícula.”

Um silêncio se fez e de repente seu soluçar de choro desesperado tornou-se mais alto.

–Até que um dia... a voz serena que tanto me chamou de “pequena lutadora” se calou... para sempre. Tudo culpa daqueles roqueiros nojentos. –ela disse e eu não a impedi de se referir aos roqueiros daquela forma. – Eu nunca tive pai, apenas aquele que assumiu o lugar dele, que foi o melhor pai, o melhor irmão, o melhor amigo que alguém pode ter. Aquele dia, em que eu deparei-me com a minha mãe aos prantos, próximo ao corpo frio de Mike foi como se meu coração tivesse sido dilacerado. Tudo que eu queria era morrer. –A vi levantar e tirar do pescoço uma correntinha dourada que estava sempre com ela.

Ela ergueu a mão enquanto eu levantava-me. Ela fitava a correntinha pendurada em seus dedos.

–Ele me deu isso naquele dia da escola, a correntinha que sempre vi pendurada em seu pescoço. Ele disse que ela ia me proteger, e que assim eu poderia lembrar dele, e que onde quer que ele estivesse que ele me amava mais que tudo, que nunca, independente do que acontecesse, iria deixar de me amar. –eu já chorava desesperadamente, tanto quanto ela, então rapidamente e surpreendentemente ela correu em minha direção abraçando-me apertado, posicionando sua cabeça em meu peito.

–Ah, minha irmã, eu estou aqui, com você. –eu disse aos prantos, acariciando sua cabeça com uma das mãos. –Tenha certeza que onde quer que ele esteja ele está olhando por você. –murmurei. Ouvi seus soluços enquanto ela ainda me abraçava, na tentativa frustrada de cessar o choro.

O adeus a Mike foi mais doloroso para Sarah do que podia imaginar. Ouvindo as palavras carregadas de tristeza, mágoas, cheias de sentimentos eu sentia no corpo a dor que ela um dia sentiu e que nunca cessou, mais estava certa de que essa dor física nada era comparado a dor no coração. Imagine perder um pai. Imagine perder o irmão. Imagine os dois juntos. Sarah sentiu cem vezes mais que isso.

Mas creio que o pior não foi sentir a dor, foi vê-la se arrastar por tanto tempo, foi ser assombrada pelos fantasmas dos passados todas as noites. As lágrimas que escorreram de seus olhos e ainda escorriam.

Condenava-me por tanto ter protestado a forma de Sarah se referir a roqueiros. Por mais errado que isso fosse era necessário para ela, era onde ela se apoiava para de alguma forma apagar um pouco da dor que restara da morte de Mike. Nunca teve culpa de suas conclusões erradas, em meio a tudo aquilo Sarah não era a vilã, que tanto odiava roqueiros, era apenas a vítima de quem a verdade era escondida sem dó. Será que o melhor foi mesmo esconder a verdade dela? Pois uma hora ela teria de descobrir e reviver toda a dor não seria nada confortável. Mas eu não podia julgar a atitude de Martha, ela é mãe, só queria que a filha sofresse menos. E será que ela sofreu menos? Ela poderia ter sofrido mais que aquilo? E se soubesse, será que teria suportado aquilo tudo?

O fato é que recriminar Sarah por seus atos correlação a roqueiros não era certo. Ela apenas estava fazendo o que qualquer pessoa faria em seu lugar. E quando a morte de um ente querido não tem um culpado? Um criminoso? Alguém que pague pelo seu sofrimento? Sarah fez aquilo para se sustentar em meio à dor, para livrar-se daquilo que a estava matando, e encher seu coração de amargura, mas que de alguma forma, dificilmente a faria dar um tiro na cabeça ou se jogar de uma ponte, muito pelo contrário, o máximo que ela poderia chegar era a sede de vingança, e se isso acontecesse era mais um motivo de se manter viva, de querer destruir aquele que matou alguém que amava. Sarah não era uma preconceituosa, uma vilã dos livros de história infantis, ou de escritores renomados, Sarah foi aquela que sobreviveu após enfrentar a maior dor que alguém pode enfrentar, que certamente doía mais do que mil laminas quentes penetrando em todo o seu corpo, ou seu rosto sendo corroído por um ácido poderoso, era a dor no coração, e por mais que eu nunca a tivesse enfrentado eu podia entender aquilo, eu tinha de entender.

Um dia prometemos que estaríamos uma ao lado da outra, não importa o que acontecesse, e eu estava disposta a cumprir a promessa. Eu estava desposta a enfrentar o que tivesse de enfrentar se fosse por Sarah. Eu iria ajuda-la a combater aqueles fantasmas que tanto a perturbavam, mas aquilo talvez não fosse tão difícil, se ela soubesse a verdade. Mas que direito eu tinha de lhe contar a verdade? A verdade que Martha entregara em minhas mãos? Sarah sofreria por isso, eu temia desesperadamente que isso acontecesse, teria de pensar mais um pouco, esperar mais um pouco para conta-la a verdade, e ter de fazê-la reviver uma dor que tanto tentava enterrar.

Depois de tudo que ouvi, tanto de Martha, quanto de Sarah não tinha um sequer minuto que eu não estivesse repassando na cabeça um filme sobre a vida de Mike. Agora o mistério havia sido revelado, mas em alguns momentos eu preferia não saber sobre aquilo tudo. Correndo por vielas escuras de minha mente, pulei no sofá ao soar escandaloso da campainha. Balancei a cabeça, tentando pôr os pensamentos nos seus devidos lugares.

Levantei-me e fui até a porta, atende-la. Logo que abri Axl me atracou com um beijo, sem se permitir nem checar o estado de minha face. O ouvi bater a porta atrás dele enquanto ainda prendia meus lábios.

–Hoje não, Axl. Eu não tô bem. –murmurei tristonha, fugindo de seus lábios. Fitei o chão enquanto ele examinava meu rosto, curioso.

–Ei, o que aconteceu? –perguntou erguendo meu rosto com o dedo indicador em meu queixo. –Seus olhos estão inchados, o que houve, meu amor? –questionou novamente, ainda mais cauteloso e eu o abracei rapidamente, aos prantos.

Podia imaginar o quão assustado estava, mas sabia que de alguma forma ele me entendia, pois se calou e apenas abraçou-me fortemente, ele sabia que era o que eu queria, o que eu precisava, naquele momento. Os meus soluços e o som do choro desesperado encheram a sala antes silenciosa. Senti-o acariciar minha cabeça, tentando me acalmar.

–Calma, eu estou aqui. –murmurou com uma voz serena que seria o bastante para me deixar em paz se eu me permitisse ouvir o que ele dizia.

–Eu não quero te perder, Axl. –eu disse em meio ao choro. Eu mais parecia uma criança desesperada, que temia terrivelmente os monstros horríveis que se escondiam em baixo de sua cama. Desta vez o monstro horrível se chamava dor. Tinha um medo que nunca senti desde quando me aventurei em um romance com Axl. Naquele momento eu descobri meu maior medo, o de sentir dor, sentir a dor de perder aquele que mais amo, e nada seria tão tenebroso quanto perder Axl. Depois de ver as lágrimas de Sarah, a angústia que ela carregava no peito, e carregou por tanto tempo eu pude ver meu maior e mais temido medo se arrastar em minha direção, com suas correntes resistentes e suas bolas de chumbo mais pesadas do que realmente deveriam ser. O medo que nunca existiu apareceu para me atormentar.

–Você não vai me perder, docinho. Nunca. –ele disse, mas eu não podia conter as lágrimas que ainda jorravam de meus olhos assustados.

Encaminhou-me cuidadosamente ao sofá. Sentei-me e ele fez o mesmo. Apoiei os cotovelos sobre as pernas e escondi meu rosto nas mãos. Eu ainda tentava me acalmar, mas o choro continuo estava deixando Axl desesperado.

–Pare de chorar, meu amor, por favor, eu já não sei o que fazer. –murmurou nervoso e eu tentei de todas as formas conter as lágrimas. Acabei por deitar em seu colo. Sua mão tocou minha cabeça e percorreu o comprimento de meu cabelo. Fez isso repetidas vezes, mas ainda era possível ouvir meu choro que cessava lentamente. Uma melodia soou em meus ouvidos. Vinha da boca de Axl. Era perfeita, e estava realmente me acalmando, talvez fosse mais uma tentativa de me fazer parar de chorar. De repente a melodia veio acompanhada da letra cantada baixinha.

She's got a smile that it seems to me
Reminds me of childhood memories
Where everything
Was as fresh as the bright blue sky

Now and then when I see her face
She takes me away to that special place
And if I stare too long
I'll probably break down and cry

Oh, oh, oh
Sweet child o' mine

A voz encantadora, mesmo tendo de se submeter a um tom mais baixo, ecoou em meus ouvidos como uma das melhores músicas que já ouvira. Não tive a oportunidade de me prender à letra da bela canção, ouvi-la com mais atenção, pois o sono chegou rápido, com o cessar dos soluços. Meus olhos não resistiram e renderam-se sem guerrear.



Lá estava eu, levantando da cama após uma noite longa. Estranhamente estava menos preguiçosa do que de costume e então me levantei rapidamente. Coloquei meus pés para fora do quarto e...aquela não era minha casa. Aquele corredor extenso e estreito, de carpete azul manchado, com cheiro de baunilha e laranja me era muito familiar. Era o corredor da casa de Sarah. Dei passos cautelosos, mantendo os olhos arregalados. Em meio ao silêncio, um choro soluçado cresceu com a proximidade de uma das portas.

–Mike. –murmurei comigo mesma, baixinho, deixando exposto o terror na voz assustada. Eu referia-me ao quarto de onde vinha o choro desesperado. Dei mais alguns passos, temendo o que veria assim que chegasse ao quarto. Encorajei-me. Dois passos e um leve empurrão na porta de madeira branca. Os olhos curiosos alcançaram a mulher entregue as lágrimas, próximo ao corpo. Estava ajoelhada, fitava desesperada cada centímetro do corpo sem movimentos, nem mesmo o da respiração. Olhando melhor pude concluir, era Mike. O corpo provavelmente frio era banhado pelas lágrimas da mãe chorosa. Um grito de dor encheu o quarto.

Observando mais ao canto, havia uma garota que não chorava, não carregava dor na face angelical, mas amargura nos olhos infantis que ferviam em ódio e comprovavam seu sofrimento que parecia ser ainda maior do que o de Martha que estava aos prantos ao lado do filho. A menina estava curvada, envolvendo as pernas encolhidas contra o corpo, com seus longos braços. Nas mãos, carregava um crucifixo amadeirado. Sua mão ficou vermelha e logo o sangue jorrou por ali. Ela permanecia com o olhar perdido no quarto, distante, provavelmente em uma terra escura, um vale de sombras, onde os desesperados gritavam de dor implorando por uma salvação.

Mexi a cabeça em sinal de negação, ainda assustada com o que via.

–Sarah. –murmurei como se chamasse por ela, mas ela parecia não ouvir. Uma lágrima escorreu de meus olhos. Corri até ela, chorando, assustada, tentando tirar de sua mão o objeto, mas para minha surpresa a mãos que iriam lhe tocar a ultrapassou, fazendo de mim um completo fantasma. Fitei minhas mãos inúteis, ainda deixando que algumas lágrimas descessem de meus olhos. De repente meu corpo foi dobrado para trás, quase deixando que minha cabeça encostasse no chão. Ouvir os estalar dos ossos que se partiam ao meio. O som aterrorizante veio acompanhado de um grito rouco de dor. Uma dor terrível, como nunca imaginei sentir antes. Doía mais do que ter facas e laminas penetrando meu corpo, doía de forma inexplicável.

Em minha cabeça refletiu-se a cena que daquela forma eu não podia enxergar. A face de Sarah contorcer-se em uma terrível expressão de dor. Então meu pescoço foi virado para o lado.



Pulei na cama em um grito. Sentei-me checando o estalar do meu pescoço ao gira-lo. Normal. Forcei a memória tentando lembrar-me do pesadelo mais tudo que conseguia ver era a escuridão acompanhada de um estalar de ossos que se quebravam. Acabei por dormir novamente.

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Notas finais
Cá estou eu, de novo! Estou precisando de comentários, ok? Preciso muito saber o que acharam do capítulo. Não reprimam-se em criticas, ok?
Bom, dia de solzão no Rio De Janeiro, acaba em praia. E lá foi eu para a praia detalhe, não gosto de praia, não gosto de sol, mas minha mãe quase me arrastou, disse tanto que eu estava muito amarela que eu me senti a água da salsicha. Resultado, tô ardendo da cabeça aos pés. Depois de um banho frio daqueles, me tranquei no meu quarto fresquinho, no ar-condicionado e vim postar mais um capítulo =D
Enfim, sobre o capítulo acho que tudo que tenho a falar é que principalmente a parte da Sarah falando sobre o irmão falecido foi um tanto emocionante para mim, pela primeira vez eu realmente chorei com uma fanfic minha. Foi uma coisa sincera, como sempre, feito com muito carinho, foi o momento que eu me isolei e tentei buscar lá no fundo o meu lado emocional e isso para mim é realmente muito difícil. Vou confessar que a primeira grande perda da minha vida foi minha bisavó quando eu tinha uns nove anos. Chorei durante dias, eu era muito apegada a ela. Um ano depois meu avô foi assassinado e eu era verdadeiramente muito próxima do meu avô, mas não derramei uma sequer lágrima, acho que depois da perda de minha bisa eu aprendi a transformar meus sentimentos em gelo e hoje dificilmente choro, acabei criando até uma imagem de seca, porque eu não choro, pelo menos não na frente de ninguém, mas eu aprendi a dominar meus sentimentos, e pela primeira vez eu tive de deixa-los vir à tona para escrever a parte da Sarah. Por tanto espero que tenham gostado. Ah e correlação a minha bisa, eu li uma fic na qual a escritora e a personagem eram portuguesas, ela é até do Guns, confesso que eu ria sozinha, pois minha bisa era portuguesa e veio para o Brasil moça, mas ainda tinha aquele sotaque, e na fic algumas palavras carregavam sotaque, me deu uma saudade da minha vozinha.
É isso, já falei demais. Beijos, beijos!