My Dark Angel
3 My Hero
Notas iniciais
Os dias passaram e os pesadelos voltaram. Sarah não sabia sobre isso. Não queria preocupá-la. Ela não sabia também sobre o bêbado. Se eu a contasse ela nunca mais me deixaria sair sozinha de sua casa e permaneceria o resto da vida me chamando de "louca inconsequente".
Nossa relação de amizade era incrível. Cada vez mais amigas, mais companheiras uma da outra, éramos como irmãs. Passávamos a maior parte do tempo juntas. Sua mãe, Martha, era uma ótima pessoa e dava a Sarah liberdade para que chegasse em casa a hora que quisesse ou dormisse em minha casa também. Sarah morava apenas com a mãe, ela não sabia do paradeiro de seu pai que ela nunca viu. Enquanto a seu irmão mais velho, bom, eu sabia que ele era morto, mas ela não gostava de falar sobre isso, sempre fugia do assunto.
-Ah! Mais um trabalho de química. Oh Deus! Livros para ler. -eu disse guardando meu material em minha bolsa.
-Podemos fazer na minha casa? Estou de castigo pela C na prova de matemática e ela com certeza não vai me deixar sair. -Sarah disse.
-Tudo bem. -respondi.
Depois de passar a tarde inteira na casa de Sarah fazendo um trabalho exaustivo, lá voltava eu para casa sozinha, na noite fria de L.A, por suas ruas desertas.
-Ah nunca mais eu passo por isso, nunca! -eu murmurei comigo mesma enquanto andava de braços cruzados pelas ruas escuras e gélidas. Era a segunda vez que eu passava por aquela situação. A última havia sido há duas semanas atrás, quando encontrei o ser bêbado na porta de meu prédio. Será que havia algo mais inesperado guardado para essa noite?
Eu continuava andando até que avistei dois garotos mais a frente. Mudei de calçada para manter distancia e continuei andando e me aproximando do local onde eles se encontravam. Faltava pouco pra chegar ao meu prédio e isso de certa forma me aliviava.
Eu ia me aproximando tentando disfarçar o medo, mas eu estava começando a tremer e isso piorou quando vi que eles caminhavam em minha direção.
-Oi belezinha! -um deles disse chegando mais perto e eu tentei me afastar, mas o outro me fechou impedindo que eu saísse dali. -Vejamos o que temos aqui. Uma garota de olhos azuis, cabelos pretos, gostosa. -ele falava em quanto passava a mão por meu cabelo e meu rosto. Ouvi uma risadinha insana do outro garoto. Eles aparentavam ter torno de 20 anos.
-Que tal levarmos ela para uma festinha, Sam? -o outro garoto disse.
Aquela situação estava me dando vontade de chorar, eu arfava desesperada, aterrorizada.
-Cairia muito bem como prato principal. — minhas pernas estavam moles e eu completamente sem reação.
-Por favor me deixem ir. -eu disse. -Po-por favor. –continuei, desesperada. Senti um deles passar a mão por minha barriga.
O desespero me corroia e não queria pensar no que aconteceria dali para frente. Então, quando eu achava que tudo estava perdido uma voz rompeu o barulho de minha respiração irregular.
-Ei seus idiotas, larguem ela. -a tal voz disse.
-Ah é? Quem vai me obrigar a fazer isso?
-Quer mesmo que eu te mostre? -eu pude ver apenas a sombra negra de meu defensor, então quando percebi que os garotos estavam com medo do que ele podia fazer corri contra seu peito para tentar me proteger.
-Não precisa. -o outro menino que se borrava de medo disse e pegou o outro pelo braço. Os dois sumiram na escuridão em segundos.
-Você está bem? -o meu super defensor perguntou e tive de olhar para cima e conferir quem era.
-Estou. -respondi. -Obrigada.
-Não tem de que. -ele disse educado. Mas havia algo estranho ali, eu conhecia ele de algum lugar.
-Ei, você não é o bêbado? — eu perguntei e vi um ponto de interrogação se formar no meio de sua testa. -Bom, você não deve se lembram mais há alguns dias você estava sentado em minha porta, com uma garrafa de vodca na mão e completamente embriagado. Eu perguntei se você precisava de ajuda e você me ignorou, disse que eu não deveria falar com estranhos e saiu pela rua como um louco com a sua garrafa. -o que eu dizia parecia entrar em um de seus ouvidos e sair pelo outro. Ele me olhava fixamente, olhava dentro de meus olhos como se quisesse ver mais do que eles mostravam, como se pudesse ver algo muito bom ali.
-Jura? Eu ignorei você? Como pude ser tão burro de ignorar uma menina tão linda? -ele disse.
-Hã... obrigada.- agradeci ao elogio. Minhas bochechas ardiam de tão vermelhas que deviam estar.
-Sou Axl Rose. -ele disse com um sorriso canto de boca e estendo uma das mãos para mim. Axl Rose, eu tinha certeza que já havia ouvido esse nome antes.
-Elizabeth Muller. — eu disse apertando sua mão e sorrindo fraco.
-É um prazer conhecê-la. — ele disse.
-O prazer é todo meu. -nós nos encaramos por alguns minutos. -Tenho que ir. -eu disse.
-Espera, você não acha que vai sozinha depois disso, não é? -ele perguntou e eu ri abaixando a cabeça. Segui andando na frente e ele me acompanhou.
-Então...Axl, pelo visto você costuma andar muito por aqui... -eu disse.
-É, eu moro a algumas quadras daqui. Às vezes saio para beber e... salvar mocinhas indefesas. -ele disse irônico. -Você tem um sotaque estranho.
-Ah! Eu sou brasileira. –expliquei-lhe.
-Ah! Já haviam me dito que brasileiras eram as mulheres mais bonitas do mundo, mas hoje confirmei isso. –corei novamente com a indireta. –Mas o que veio fazer aqui, em Los Angeles?
-Mudei-me para cá há pouco tempo. Meus pais me mandaram para L.A para que eu terminasse o colegial.
-Você mora aqui, sozinha? -ele perguntou.
-Sim.
-Nossa! Parece incrível. Desculpa a pergunta, mas quantos anos você tem?
-Faço 17, em novembro. -respondi. -E você?
-24.
-Hmm...- percebi que meu prédio se aproximará. -Chegamos.
-Você mora aqui?
-Sim. -respondi. -Acho que é hora de subir. Então nos vemos por aí...
-Uhum. Claro.
-Tchau!
-Tchau! Ah, obrigada novamente, você salvou minha vida. -eu disse.
-Sempre que precisar, é só gritar que eu vou correndo. -ele disse e eu ri.
-Tudo bem. -eu disse e entrei em meu prédio.
Bati a porta de meu apartamento e fui até o banheiro, tomar meu banho quente noturno, para depois me jogar literalmente em minha cama. Estava um pouco mais relaxada quando saí de meu banho demorado. Coloquei uma grande camisa branca e não me preocupei de passear pela casa de calcinha. Sequei meus grandes fios de cabelo, na toalha, de qualquer jeito.
Preparei um chocolate quente e sentei-me no sofá antes de ir de vez para minha cama. Deixei meus pensamentos viajarem pelos últimos acontecimentos da noite. Eu estava certa de duas coisa: A primeira era que nunca mais eu sairia da casa de Sarah ás 23:30 da noite, sozinha. A segunda? Bom, a segunda era bem simples o tal de Axl Rose era o homem mais bonito que eu já havia visto.
Eu recordava-me de sua voz rompendo o som de minha respiração nervosa que clamava por ajuda. Ele estava longe de ser um tipo de super-herói de filmes. Ele tinha um estilo único e diferente, era arrojado, mas podia ser considerado o meu super-herói. Apareceu como um anjo, no meio da noite e enfrentou aqueles idiotas que com certeza me fariam algum mal. Ri ao pensar que o bêbado que negou minha ajuda há alguns dias atrás, salvou minha vida naquele dia.
Quando será que eu o encontraria novamente? Talvez nunca ou por ironia do destino em breve, numa situação de perigo novamente, quem sabe? Eu preferia retirar a parte do perigo. Mas as lembranças a partir daí não foram muito boas. Coração pulsando forte, mas não por um novo amor, ele pulava em meu peito de medo, medo o qual fez minhas pernas tremerem e minha respiração torna-se ofegante. Minhas mãos passaram de seu estado macias para molhadas, molhadas da transpiração que brotava por ali, mais uma marca registrada de meu desespero. Enquanto isso dois homens tentavam se aproveitar de minha fragilidade. Foram momentos terríveis, de completo desespero, nervosismo, nunca havia passado por nada parecido. O pior seria ouvir o falatório de Sarah, minha linda babá, no dia seguinte.
Notas finais
Alguém aí vai ao show do Duff McKagan's Loaded? Bom, apesar de ser aqui no Rio, eu não vou :'( Quem sabe na próxima.
Bom espero que tenham gostado do terceiro capitulo.
Reviews são sempre bons.
Kisses e até a próxima.
Fale com o autor